O altar, os paramentos e os ministros
Na Missa tradicional tudo converge para o altar, a mesa de pedra sobre a qual se torna presente o Sacrifício da Cruz. Paramentos, vasos sagrados e ministros existem para servi-lo: cada peça tem nome, história e, muitas vezes, uma oração, e conhecê-los ajuda a seguir a Missa sem se perder.

O altar: o centro de tudo
EssencialQuem entra numa igreja construída para a Missa tradicional percebe logo para onde tudo se volta: o altar-mor, erguido sobre degraus no fundo do presbitério, com o crucifixo, os castiçais e, muitas vezes, o tabernáculo. O altar não é um móvel qualquer: é a mesa do Sacrifício, onde se torna presente, de modo incruento, o Sacrifício de Cristo na Cruz. Por isso é consagrado pelo bispo, guarda relíquias de santos, é beijado muitas vezes e, na Missa solene, incensado. Paramentos, vasos e ministros existem em função dele.
O sacerdote celebra voltado para o altar, na mesma direção que os fiéis. A Missa é dita ad orientem, “para o oriente”, porque desde os primeiros séculos os cristãos rezavam voltados para o nascer do sol, imagem de Cristo ressuscitado que há de voltar. Por volta de 197, Tertuliano já registra no Apologético (16, 9–10) que os pagãos suspeitavam que os cristãos adorassem o sol, por rezarem voltados para o oriente. Onde a igreja não está orientada, o altar marca o “oriente litúrgico”. Assim, na Missa tradicional, sacerdote e povo rezam juntos, na mesma direção, como num só cortejo rumo ao Senhor.
“Cum ad orationem stamus, ad orientem convertimur, unde caelum surgit.” — “Quando nos pomos de pé para a oração, voltamo-nos para o oriente, de onde o céu se levanta.”
O altar-mor ergue-se sobre degraus; o último forma a plataforma onde o sacerdote fica de pé, o supedâneo. Ao pé desses degraus começa a Missa, com o salmo Iudica me e o Confiteor, rezados com o acólito; só então o sacerdote sobe ao altar. Entre o presbitério e a nave fica a mesa de comunhão, onde os fiéis comungam de joelhos. As orações ao pé do altar estão em O rito, parte a parte.
Os paramentos, peça por peça
EssencialOs paramentos são as vestes próprias da liturgia. Derivam das roupas comuns do Império Romano — túnica, cinto, manto —, que a Igreja conservou quando a moda civil mudou; no século IX o conjunto essencial já estava fixado, embora a forma de cada peça tenha mudado depois. O sacerdote veste-os numa ordem determinada, com uma oração breve para cada peça: o amito é o capacete da salvação, a alva a pureza, a casula o jugo suave de Cristo. A cor acompanha O ano litúrgico. Abaixo, cada peça na ordem em que é vestida.

| Cor | Principais usos |
|---|---|
| Branco | Tempo do Natal (até completar a Epifania) e tempo pascal (da Vigília pascal à Vigília de Pentecostes, exclusive); festas do Senhor (exceto as da Paixão), de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos não mártires; Quinta-feira Santa |
| Vermelho | Pentecostes e a sua semana (da Missa da Vigília ao sábado seguinte, inclusive as Têmporas); festas da Paixão e da Santa Cruz; apóstolos e evangelistas (exceto São João, em 27 de dezembro) e mártires; bênção e procissão dos Ramos |
| Verde | Domingos e férias depois da Epifania (a partir de 14 de janeiro) e depois de Pentecostes (da segunda-feira seguinte à Santíssima Trindade em diante) |
| Roxo | Advento e vigília do Natal; da Septuagésima à Vigília pascal, com exceções; Têmporas de setembro; vigílias de 2ª e 3ª classe; Comunhão da Sexta-feira Santa |
| Rosa | Facultativo no 3º domingo do Advento (Gaudete) e no 4º da Quaresma (Laetare), só na Missa e no Ofício do próprio domingo |
| Preto | Ação litúrgica da Sexta-feira Santa, até a Comunhão (exclusive); Missas e Ofícios de defuntos |
Batina e sobrepelizVestis talaris, superpelliceumA batina é a veste comum do clérigo, longa até os pés; a sobrepeliz, túnica branca e larga, vai sobre ela no coro e no serviço do altar.
Origem A sobrepeliz difunde-se a partir do século XI, como alva mais ampla.
A batina não é paramento, mas a roupa própria do clérigo: preta para os padres, violácea para os bispos, vermelha para os cardeais, branca para o Papa; os coroinhas usam-na preta ou vermelha. A sobrepeliz nasceu como alva encurtada, de mangas largas — super pellicium, “sobre a peliça”. É a veste do coro, dos acólitos, do turiferário e do mestre de cerimônias. O Missal não traz oração para estas vestes.
AmitoAmictusPano retangular de linho que o sacerdote põe primeiro sobre a cabeça e depois ajeita em volta do pescoço.
Origem Pano de pescoço da Alta Idade Média; Amalário de Metz (início do século IX) é o primeiro a chamá-lo amictus.
Tem duas fitas, que passam sob os braços, dão a volta pelas costas e se atam à frente, e uma pequena cruz no centro, que o sacerdote beija. O Ritus servandus manda pô-lo sobre a cabeça e depois abaixá-lo sobre os ombros; algumas ordens religiosas o mantêm sobre a cabeça até o altar. A origem é prática — cobrir a gola e proteger a veste —, mas a oração faz dele o “capacete da salvação” (Ef 6,17).
Ao pôr o amito
Impóne, Dómine, cápiti meo gáleam salútis, ad expugnándos diabólicos incúrsus.
Ponde, Senhor, sobre a minha cabeça o capacete da salvação, para repelir os assaltos do demônio.
AlvaAlbaTúnica branca de linho, de mangas compridas, que desce até os pés: a veste de base de todos os ministros paramentados.
Origem Da túnica talar romana (tunica alba); veste litúrgica estável já no século IX.
Lembra a veste branca do Batismo e a pureza que o altar exige. É de linho ou de cânhamo e cobre o corpo do pescoço aos pés; o sacerdote veste-a depois do amito e ajusta-a com o cíngulo para que caia por igual. A oração ecoa o Apocalipse, onde os eleitos branqueiam as vestes “no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14): a brancura é dom de Cristo, não mérito de quem a veste.
Ao vestir a alva
Deálba me, Dómine, et munda cor meum; ut, in sánguine Agni dealbátus, gáudiis pérfruar sempitérnis.
Branqueai-me, Senhor, e purificai o meu coração, para que, branqueado no sangue do Cordeiro, eu goze das alegrias eternas.
CínguloCingulumCordão com que se cinge a alva à cintura; nele se prendem também as pontas da estola cruzada.
Origem O cinto da túnica romana; já na lista de vestes litúrgicas de Amalário de Metz (século IX).
O cíngulo prende a alva e permite ajustar-lhe o comprimento. Costuma ser um cordão de linho ou de lã, com borlas, branco ou da cor do dia, usado dobrado; o acólito ajuda a atá-lo. Cingir-se é, na Escritura, sinal de prontidão para o serviço — “estejam cingidos os vossos rins” (Lc 12,35) —, e a oração o aplica à castidade, o domínio de si que o altar pede.
Ao cingir-se
Præcínge me, Dómine, cíngulo puritátis, et exstíngue in lumbis meis humórem libídinis; ut máneat in me virtus continéntiæ et castitátis.
Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui em meus rins o humor da concupiscência, para que permaneça em mim a virtude da continência e da castidade.
ManípuloManipulusFaixa estreita da cor dos paramentos, presa ao antebraço esquerdo; usada só na Missa, do subdiácono ao bispo.
Origem Lenço ornamental (mappula) em Roma no início do século VI; insígnia do subdiácono desde os séculos XI–XII.
Na origem, o manípulo era um lenço levado na mão; tornou-se depois faixa do tecido dos paramentos. O sacerdote beija-o e o prende no braço esquerdo; o bispo ou abade que usa pontificais só o recebe no altar, ao dizer Indulgentiam na confissão, salvo nas Missas de defuntos (Ritus servandus I, 4 e III, 10). Nunca se usa com o pluvial (Código de Rubricas, n. 136). A oração lê nele as lágrimas do ministério, que o salmo promete colher com alegria (Sl 125,5). Em 1967 tornou-se facultativo (Tres abhinc annos, n. 25); no uso de 1962 continua prescrito.
Ao pôr o manípulo
Mérear, Dómine, portáre manípulum fletus et dolóris; ut cum exsultatióne recípiam mercédem labóris.
Mereça eu, Senhor, levar o manípulo do pranto e da dor, para que receba com exultação a recompensa do trabalho.
EstolaStolaLonga faixa da cor do dia posta ao pescoço: insígnia do poder de ordem do diácono, do sacerdote e do bispo.
Origem Do orarium, faixa de honra da Antiguidade tardia; o uso cruzado já é conhecido no Sínodo de Braga (675).
Cada grau usa a estola de um modo. O diácono a leva a tiracolo, do ombro esquerdo ao lado direito. O sacerdote, na Missa, cruza-a sobre o peito e a prende com o cíngulo; fora da Missa, deixa-a pender reta. O bispo nunca a cruza, porque traz ao peito a cruz peitoral. Acompanha todos os sacramentos, e a oração a chama “estola da imortalidade”: a graça perdida em Adão e devolvida em Cristo.
Ao pôr a estola
Redde mihi, Dómine, stolam immortalitátis, quam pérdidi in prævaricatióne primi paréntis: et, quamvis indígnus accédo ad tuum sacrum mystérium, mérear tamen gáudium sempitérnum.
Restituí-me, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi pela prevaricação do primeiro pai; e, embora indigno me aproxime do vosso sagrado mistério, mereça eu contudo a alegria eterna.
CasulaCasula, planetaVeste exterior do sacerdote na Missa, sem mangas, posta sobre todas as outras: a veste própria do Sacrifício.

Origem Da paenula, capa redonda do vestuário romano; veste própria do celebrante da Missa na Alta Idade Média (a data exata da reserva é discutida).
Casula quer dizer “casinha”: era uma capa em forma de sino, com abertura para a cabeça. Para libertar os braços, os lados foram encurtados ao longo da Idade Média até que, no século XVI, a casula ficou pouco abaixo dos ombros. Daí a forma romana, rígida e recortada — em inglês, fiddleback, “de violino” —, que predominou do século XVII ao XIX. O celebrante deve usá-la sempre na Missa (Código de Rubricas, n. 133).
Romana ou gótica?
O renascimento neogótico do século XIX, com A. W. N. Pugin e outros, voltou às casulas amplas, ditas “góticas”. Uma circular da Congregação dos Ritos de 1863, confirmada por resposta de 9 de dezembro de 1925, pediu que não se mudasse a forma em uso sem consultar a Santa Sé; em 20 de agosto de 1957, deixou a decisão “ao prudente juízo dos Ordinários”, evitando mudanças que perturbassem os fiéis (AAS 49 [1957] 762). Ambas as formas são legítimas: a romana tem séculos de uso e liberta os braços; a gótica recupera a amplitude antiga.
Ao vestir a casula
Dómine, qui dixísti: Iugum meum suáve est, et onus meum leve: fac, ut istud portáre sic váleam, quod cónsequar tuam grátiam. Amen.
Senhor, que dissestes: “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve”, fazei que eu o leve de tal modo que alcance a vossa graça. Amém.
DalmáticaDalmaticaTúnica de mangas curtas e largas, aberta dos lados, da cor do dia: a veste do diácono na Missa solene.
Origem Túnica originária da Dalmácia, comum em Roma desde o século II; dos diáconos romanos no século IV.
Segundo o Liber Pontificalis, o Papa Silvestre I (314–335) deu a dalmática aos diáconos de Roma; por volta do século IX, seu uso por bispos e diáconos era quase universal no Ocidente. Conserva das túnicas romanas as duas faixas verticais (clavi), hoje galões. O diácono a veste na Missa solene, nas bênçãos ao altar e nas procissões (Código de Rubricas, n. 137); o bispo a usa sob a casula na Missa pontifical. O Missal não lhe dá oração própria.
TunicelaTunicellaVeste do subdiácono, quase idêntica à dalmática; em princípio mais simples e de mangas mais estreitas.
Origem Cópia simplificada da dalmática; geral entre os subdiáconos por volta do ano 1000.
São Gregório Magno, numa carta a João de Siracusa, conta ter suprimido em Roma a túnica dos subdiáconos; ela voltou no século IX e, por volta do ano 1000, era usada por toda parte. O Caeremoniale Episcoporum pede que se distinga da dalmática pelas mangas mais estreitas, mas na prática as duas se tornaram quase iguais. O bispo veste a tunicela sob a dalmática na Missa pontifical (Código de Rubricas, n. 134).
PluvialPluviale, cappaGrande capa semicircular, aberta na frente e presa por um fecho, usada fora do Sacrifício propriamente dito.
Origem Da mesma família da casula: a capa (cappa) que ficou aberta; de uso litúrgico geral no século XII.
Apesar do nome pluviale, o pluvial é uma capa de honra, com um escudo bordado nas costas, resto do antigo capuz. O Código de Rubricas (n. 135) prevê-o nas Laudes e Vésperas solenes, nas bênçãos ao altar, nas procissões, nas absolvições, nas orações solenes da Sexta-feira Santa, na Vigília pascal e para o presbítero assistente da Missa pontifical. Com ele o sacerdote faz o Asperges antes da Missa dominical. Nunca se usa com manípulo.
Véu umeralVelum humeraleLongo véu posto sobre os ombros, com o qual se seguram, cobertos, a patena na Missa solene e o ostensório.
Origem Já citado no mais antigo Ordo Romanus (séc. VIII) como sindon; uso atual fixado no fim da Idade Média.
Na Missa solene, o subdiácono traz da credência o cálice preparado, com o véu umeral pendente dos ombros; no Ofertório recebe a patena, cobre-a com a ponta do véu e a segura, de pé atrás do celebrante, até o fim do Pater noster (Ritus servandus VII, 9). Nas Missas de defuntos não a segura. As mãos do ministro não tocam diretamente o vaso sagrado enquanto ele espera. O sacerdote usa-o para dar a bênção com o Santíssimo e para levá-lo em procissão, muitas vezes sob a umbela, pequeno pálio em forma de guarda-sol.
BarreteBiretumBarrete quadrado e rígido, com três (às vezes quatro) cristas e um pompom, usado pelo clero com a batina e os paramentos.
Origem O birettum é citado no século X; a forma com cristas desenvolveu-se entre os séculos XV e XVII.
O sacerdote vai da sacristia ao altar com a cabeça coberta pelo barrete e o entrega ao acólito ao pé dos degraus (Ritus servandus II). Na Missa solene, o celebrante pode sentar-se, com os ministros, durante o Kyrie, o Gloria, a sequência e o Credo cantados (Código de Rubricas, n. 523), e então usam o barrete, que tiram em reverência ao nome de Jesus. É preto para os padres, violáceo para os bispos e vermelho, sem pompom, para os cardeais. Não tem oração no Missal.
Mitra, báculo e insígnias do bispoMitra, baculus, chirothecae, sandaliaNa Missa pontifical, o bispo acrescenta a mitra, o báculo, as luvas e as sandálias pontificais, além da cruz peitoral e do anel.
Origem O báculo já é entregue aos bispos no século VII; mitra, luvas e sandálias firmam-se entre os séculos X e XIII.
A mitra, alta, de duas pontas e com duas faixas atrás, é posta e retirada várias vezes: o bispo a usa sentado ou caminhando e a depõe para rezar ao altar. O báculo, recurvado na ponta, é o cajado do pastor, que o bispo leva nas procissões e ao dar a bênção. Para cada peça o bispo tem oração própria; a da mitra retoma o “capacete da salvação” que o sacerdote invoca ao pôr o amito.
Os vasos e objetos sagrados
EssencialOs vasos mais sagrados são o cálice e a patena, que tocam diretamente o Corpo e o Sangue do Senhor e por isso são consagrados pelo bispo com o santo crisma. Acompanham-nos os linhos — corporal, pala, sanguíneo —, os objetos do altar — crucifixo, castiçais, sacras, Missal — e os da credência, onde ficam as galhetas e o lavabo. Nada disso é enfeite: o cuidado com que a Igreja regula materiais, bênçãos e uso desses objetos exprime a fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

Altar e pedra d’araAltare, petra sacraMesa de pedra consagrada, com relíquias de santos, sobre a qual se oferece o Sacrifício; no altar portátil, uma ara consagrada embutida na mesa.
Origem Relíquias sob o altar: costume da Igreja antiga, ligado às Missas sobre os túmulos dos mártires.
O Código de Rubricas pede um altar todo de pedra e consagrado ou, ao menos, uma pedra sagrada ampla o bastante para a Hóstia e a maior parte do cálice (n. 525). Num pequeno sepulcro fechado com pedra, o bispo encerra relíquias de santos, em geral de mártires — como as almas que o Apocalipse vê “debaixo do altar” (Ap 6,9). Por isso o sacerdote, ao beijar o altar, lembra os santos “cujas relíquias aqui estão”.
Ao beijar o altar
Orámus te, Dómine, per mérita Sanctórum tuórum, quorum relíquiæ hic sunt, et ómnium Sanctórum: ut indulgére dignéris ómnia peccáta mea. Amen.
Nós vos rogamos, Senhor, pelos méritos dos vossos santos cujas relíquias aqui estão e de todos os santos, que vos digneis perdoar todos os meus pecados. Amém.
As três toalhasTobaleaeTrês toalhas de linho, bentas, cobrem a mesa do altar; a de cima desce dos lados até o chão.
Origem Previstas pelas rubricas de 1570 e mantidas pelo Código de Rubricas (n. 526).
As duas de baixo cobrem só a mesa (ou a ara). A camada tríplice é prática e reverente: se o Preciosíssimo Sangue se derramar, o linho o absorve antes da pedra. Na frente, o frontal (antependium), na cor do dia, reveste a base do altar; fora da Missa, uma coberta protege as toalhas do pó.
Crucifixo do altarCruxCruz com a imagem do Crucificado, no centro do altar, entre os castiçais, voltada para o celebrante.
Origem Exigido pelas rubricas desde 1570; a cruz sobre o próprio altar firmou-se na baixa Idade Média.
O Código de Rubricas pede uma cruz “bastante grande” com o Crucifixo no meio do altar (n. 527), para que o sacerdote a tenha diante dos olhos e os fiéis também a vejam. Para ela se fazem muitas das inclinações do rito. Sua presença resume a teologia da Missa: sobre o altar realiza-se o mesmo Sacrifício do Calvário, agora de modo incruento. No tempo da Paixão, a cruz é velada.
Velas e castiçaisCandelabraVelas de cera dos dois lados da cruz: duas na Missa rezada, seis na solene, sete na pontifical do bispo diocesano.
Origem No Ordo Romanus I (c. 700), sete acólitos levavam castiçais à frente do Papa.
Não se celebra Missa sem luz. O Código pede os castiçais “que a qualidade da Missa exige” (n. 527), e o costume fixa duas velas na Missa rezada, quatro ou seis na cantada e seis na solene; sete quando o bispo diocesano celebra pontificalmente na própria diocese. As velas são de cera de abelha ao menos em sua maior parte.
Sacras (cartas de altar)Tabellae secretarumTrês quadros postos sobre o altar só durante a Missa, com textos que o sacerdote diz sem segurar o Missal.

Origem Só o quadro central existia ao tempo de São Pio V; os laterais vieram depois, pelo costume.
A sacra central traz o Gloria, o Munda cor meum, o Credo, orações do Ofertório e as palavras da Consagração, entre outros textos; a do lado do Evangelho, o Prólogo de São João (o Último Evangelho); a do lado da Epístola, em geral a oração da água no vinho e o Lavabo. Servem para que o sacerdote leia sem erro mesmo o que sabe de cor. O Código manda pô-las sobre o altar “só durante a Missa” (n. 527).
Missal e estanteMissale, legileO livro do altar, com todos os textos da Missa, sobre uma estante ou almofada; muda de lado durante a celebração.

Origem O missal “pleno” difunde-se entre os séculos XI e XIII; o Missale Romanum de 1570 é sua forma tridentina.
Antes dele, cada ministro tinha o seu livro: sacramentário, lecionário, gradual. Com a multiplicação das Missas rezadas, em que o sacerdote diz tudo, foi preciso reunir tudo num volume. O Missal começa no lado da Epístola (n. 527) e passa ao do Evangelho depois das leituras; no fim do Evangelho, o sacerdote beija o texto, dizendo Per evangelica dicta (exceto nas Missas de defuntos). A história do livro está em Através dos séculos.
Tabernáculo e conopeuTabernaculum, conopaeumSacrário fixo no centro do altar, onde se guarda o Santíssimo, coberto pelo conopeu e assinalado por uma lâmpada acesa.
Origem Difundido sobre o altar nos séculos XVI e XVII; obrigatório no Código de 1917 (cân. 1269).
O Código de 1917 mandava conservar a Eucaristia num tabernáculo inamovível, no centro do altar, bem fechado e ornado (cân. 1269), com uma lâmpada acesa dia e noite (cân. 1271). O Ritual Romano e decretos da Congregação dos Ritos pedem que o cubra o conopeu — do grego kōnōpeion, mosquiteiro —, branco ou da cor do dia, nunca preto: a tenda velada anuncia que ali habita o Senhor.
Cálice e patenaCalix, patenaA taça em que se consagra o vinho e o pequeno prato dourado que recebe a Hóstia; ambos consagrados pelo bispo.
Origem O cálice e o pão da Última Ceia; materiais preciosos exigidos desde a Alta Idade Média.
O cálice tem copa, nó e pé, e deve ser de ouro ou de prata, ao menos com a copa dourada por dentro (Ritus servandus I, 1). No Ofertório, o sacerdote oferece a hóstia sobre a patena e o vinho no cálice; na Consagração, eleva a Hóstia e depois o Cálice à adoração dos fiéis. Depois do Pater noster, parte a Hóstia sobre o cálice e, terminada a Comunhão, recolhe com a patena os fragmentos do corporal. Não se confunde com a patena de comunhão.
Corporal, pala e sanguíneoCorporale, palla, purificatoriumOs linhos do cálice: o corporal, estendido sob a Hóstia e o cálice; a pala, que cobre o cálice; o sanguíneo, que o enxuga.
Origem Corporal provavelmente já no século IV; a pala torna-se peça própria depois do século XI, quando o corporal encolhe; o sanguíneo é de uso medieval.
O corporal — de corpus, porque recebe o Corpo do Senhor — deve ser “só de linho” (Ritus servandus I, 1); chega dobrado na bolsa e é estendido no centro do altar. A pala, quadrado de linho engomado, protege o cálice durante o Cânon. O sanguíneo, ou purificatório, dobrado sobre a copa, serve às abluções. Antes de ir à lavanderia, os linhos manchados eram lavados primeiro por um clérigo de ordens maiores (Congregação dos Ritos, 1857).
Bolsa e véu do cáliceBursa, velum calicisA bolsa, estojo rígido onde se leva o corporal, e o véu de seda que cobre o cálice; ambos da cor dos paramentos.
Origem A bolsa difundiu-se entre os séculos XIV e XVII; no fim do século XVII já era exigida (1692).
Na Missa rezada, o sacerdote leva o cálice coberto pelo véu, com a bolsa por cima, da sacristia ao altar e de volta. Chegando ao altar, tira o corporal da bolsa e o estende; o véu fica sobre o cálice até o Ofertório e volta a cobri-lo depois da Comunhão. Na Missa solene, o cálice preparado espera na credência, e o subdiácono o leva ao altar no Ofertório.
Galhetas, lavabo e manustérgioAmpullae, pelvicula, manutergiumAs galhetas de vinho e de água, a pequena bacia e a toalhinha (manustérgio) com que o sacerdote lava os dedos.
Origem A lavagem das mãos antes da oração eucarística já é descrita nas Catequeses mistagógicas atribuídas a Cirilo de Jerusalém (c. 350) e nas Constituições Apostólicas (fim do século IV).
Ficam na credência (n. 528); as galhetas costumam ser de vidro, para distinguir o vinho da água. No Ofertório, o acólito apresenta o vinho e a água, de que o sacerdote deita algumas gotas no cálice, sinal de que Cristo assumiu a nossa humanidade e nos faz participar da sua divindade (Ritus servandus VII, 4). Em seguida, no lado da Epístola, o acólito derrama água sobre os dedos do sacerdote, que reza o Salmo 25 a partir da palavra Lavabo.
Salmo 25, 6
Lavábo inter innocéntes manus meas: et circúmdabo altáre tuum, Dómine.
Lavarei as minhas mãos entre os inocentes e andarei ao redor do vosso altar, Senhor.
CampainhaCampanulaPequeno sino que o acólito toca para chamar a atenção dos fiéis nos momentos centrais da Missa.
Origem Surge com a elevação da Hóstia, ordenada em Paris por volta de 1200; o toque do sino difunde-se no século XIII.
Segundo o Ritus servandus, o acólito toca a campainha durante o Sanctus (VII, 8), pouco antes da Consagração e três vezes a cada elevação, ou continuamente (VIII, 6), e também para avisar os que vão comungar (X, 6). Pelo costume, em muitos lugares toca-se ainda no Domine, non sum dignus. Na Idade Média, o sino da torre soava na elevação para que quem estava fora da igreja pudesse unir-se à adoração. Do Gloria da Quinta-feira Santa ao Gloria da Vigília pascal, ela silencia, e usa-se a matraca.
Turíbulo e navetaThuribulum, naviculaO turíbulo, incensório suspenso por correntes, e a naveta, recipiente em forma de barquinho que guarda o incenso.

Origem Incenso nas procissões papais do Ordo Romanus I; incensação do altar adotada em Roma nos séculos XI–XII.
O turiferário traz o turíbulo; o sacerdote tira incenso da naveta e o abençoa. Na Missa solene incensa-se o altar no início, o livro antes do Evangelho, as oferendas, o altar e as pessoas no Ofertório, e o Santíssimo na elevação; o n. 426 do Código de Rubricas permite fazer essas incensações também em qualquer Missa cantada. O incenso é oração que sobe: “Suba, Senhor, a minha oração como incenso” (Sl 140,2).
Caldeirinha e hissopeVas aquae benedictae, aspersoriumA caldeirinha de água benta e o hissope com que o sacerdote asperge o altar, o clero e o povo antes da Missa dominical.
Origem A aspersão dominical está em uso ao menos desde o século X.
O nome “hissope” vem da planta com que, no Antigo Testamento, se faziam as aspersões de purificação. O Missal de 1962 traz a bênção da água e o Asperges antes da Missa principal do domingo: o celebrante, de pluvial, asperge o altar, a si mesmo, os ministros e o povo, enquanto o coro canta Asperges me ou, no tempo pascal, Vidi aquam. Recorda o Batismo e pede a purificação à entrada da Missa.
Antífona do Asperges (Sl 50,9)
Aspérges me, Dómine, hyssópo, et mundábor: lavábis me, et super nivem dealbábor.
Aspergi-me, Senhor, com o hissopo, e serei purificado; lavai-me, e ficarei mais branco do que a neve.
CredênciaCredentiaPequena mesa no lado da Epístola onde se preparam as galhetas, o lavabo, a campainha e, na Missa solene, o cálice.
Origem O Código de Rubricas (n. 528) manda preparar a mesa no lado da Epístola; o Ritus servandus a chama credentia, do italiano credenza, aparador.
Coberta por uma toalha branca, a credência guarda o que não deve estar sobre o altar, pois sobre ele não se põe “absolutamente nada” que não pertença ao Sacrifício ou ao seu ornato (n. 529). Na Missa solene, nela ficam também o cálice preparado, o véu umeral e a patena de comunhão. Ali acólitos e subdiácono vão e vêm, num serviço que, bem feito, quase não se nota.
Mesa de comunhãoCancelli, mappa communionisBalaustrada baixa entre o presbitério e a nave, onde os fiéis comungam de joelhos, sobre a toalha de comunhão.
Origem Herdeira das antigas grades do presbitério (cancelli); generalizou-se sobretudo a partir do século XVI.
Os fiéis ajoelham-se diante dela e recebem a Hóstia na língua. Sobre a balaustrada estende-se uma toalha branca, prescrita pelo Missal, pelo Ritual e pelo Caeremoniale Episcoporum; e a Instrução da Congregação dos Sacramentos de 26 de março de 1929 (n. 5) mandou usar também uma patena de prata ou de metal dourado, posta sob o queixo de quem comunga, para que nenhum fragmento caia. O modo de comungar está em Como participar.
Quem é quem no presbitério
EssencialNa prática, a Missa assume três formas, que diferem sobretudo pelos ministros. Na Missa rezada, o sacerdote diz tudo em voz falada, servido por um acólito que responde em nome do povo. Na Missa cantada, o celebrante canta as suas partes, com coro e acólitos, sem diácono nem subdiácono. Na Missa solene, é assistido pelo diácono e pelo subdiácono, com mestre de cerimônias, turiferário, acólitos e tocheiros. Celebrada solenemente pelo bispo, com as cerimônias próprias, é a Missa pontifical. O Código de Rubricas (n. 271) reúne a cantada e a solene sob o nome de Missa “em canto”, em oposição à rezada; veja a seção de formação.
| Função | Rezada | Cantada | Solene |
|---|---|---|---|
| Diácono e subdiácono | — | — | sim |
| Mestre de cerimônias | — | se houver | sim |
| Acólitos | um ou dois | um ou mais | dois |
| Turiferário | — | se há incenso | sim |
| Tocheiros | — | conforme o costume | ao menos dois |
| Coro ou schola | — | sim | sim |
CelebranteSacerdos celebransO sacerdote que oferece o Sacrifício, agindo na pessoa de Cristo; tudo no presbitério se ordena a ele e ao altar.
O celebrante diz os textos da Missa em voz alta, média ou baixa, conforme as rubricas; recita em voz baixa até o que o coro canta, mas, desde 1960, na Missa em canto omite o que o diácono, o subdiácono ou o leitor cantam por ofício próprio (Código de Rubricas, n. 473). Fica voltado para o altar, salvo quando se volta para saudar, convidar à oração, despedir e abençoar o povo. Seus gestos estão em Gestos, posturas e sinais.
DiáconoDiaconusPrimeiro ministro do celebrante na Missa solene: canta o Evangelho e o Ite, missa est e serve no altar.
Origem Segundo a tradição da Igreja, os Sete de At 6 são os primeiros diáconos; sete diáconos em Roma já em meados do século III.
Com estola a tiracolo e dalmática, o diácono fica junto do celebrante, à sua direita ou atrás dele. Apresenta a naveta para a bênção do incenso, deita o vinho no cálice, assiste o sacerdote no Cânon descobrindo e cobrindo o cálice, e canta a despedida. Antes do Evangelho, ajoelhado, pede a bênção do celebrante: Dominus sit in corde tuo et in labiis tuis, “o Senhor esteja em teu coração e em teus lábios”.
SubdiáconoSubdiaconusSegundo ministro da Missa solene: canta a Epístola, segura o livro do Evangelho e a patena sob o véu umeral.
Origem Atestado em Roma por volta de 251; contado entre as ordens maiores no início do século XIII; na Igreja latina, deixou de existir como ordem em 1972.
Veste tunicela e manípulo, sem estola. Canta a Epístola voltado para o altar e, depois, beija a mão do celebrante e recebe a sua bênção (salvo nas Missas de defuntos); segura o livro enquanto o diácono canta o Evangelho; no Ofertório, leva o cálice ao altar, derrama a água no vinho e pede que o celebrante a abençoe; depois, com o véu umeral, segura a patena até o Pater noster. Como se provê hoje a sua função, veja a seção de formação.
Mestre de cerimôniasCaeremoniariusQuem dirige a cerimônia: conhece as rubricas e indica discretamente a cada ministro o que fazer e quando.
Origem Ofício dos cerimoniais papais medievais; descrito no Caeremoniale Episcoporum (1600).
De batina e sobrepeliz, move-se pelo presbitério sem chamar a atenção: aponta o texto no Missal, indica com um gesto as inclinações, os deslocamentos e as incensações, corrige sem alarde. Não tem função própria no rito, mas sem ele a Missa solene dificilmente corre bem. Os grandes tratados de cerimônias, como o de Adrian Fortescue, revisto por J. B. O’Connell, foram escritos sobretudo para ele.
Acólitos e coroinhasAcolythiOs servidores do altar: respondem ao sacerdote na Missa rezada e, na cantada e na solene, levam os castiçais e servem na credência.
Origem Acólitos no clero de Roma por volta de 251; desde a Idade Média, leigos, sobretudo meninos, suprem o acólito ordenado.
Na Missa rezada, o acólito responde ao sacerdote em nome do povo, muda o Missal de lado, apresenta as galhetas, faz o lavabo e toca a campainha; na Comunhão dos fiéis, acompanha o sacerdote com a patena de comunhão, onde é costume. O Código de 1917 pedia que o sacerdote não celebrasse sem um ministro que o servisse e lhe respondesse (cân. 813 §1); o §2 não admitia mulher nesse serviço senão por necessidade, e então respondendo de longe, sem se aproximar do altar. Na forma extraordinária servem, em geral, meninos e homens. Na Missa solene, os dois acólitos acompanham com seus castiçais a entrada e o Evangelho e servem o vinho e a água.
TuriferárioThuriferariusO acólito encarregado do turíbulo e, com ele, do incenso.
Vai à frente na procissão de entrada, apresenta o turíbulo para a imposição do incenso, acompanha o diácono ao Evangelho e, depois do Ofertório, incensa os ministros e o povo. Na elevação, ajoelhado no lado da Epístola, incensa três vezes a Hóstia e três vezes o Cálice, à medida que são elevados (Ritus servandus VIII, 8). Às vezes um naveteiro leva a naveta. A função pede calma e mão firme: o turíbulo bem conduzido não balança à toa.
CruciferárioCruciferO acólito que leva a cruz processional à frente das procissões.
Quando há procissão de entrada solene, o cruciferário caminha entre os dois acólitos com seus castiçais, depois do turiferário; no presbitério, coloca a cruz em lugar próprio. Enquanto a leva, segundo o cerimonial, não faz genuflexão, apenas inclina a cabeça. Nas procissões fora da Missa — dos Ramos, da Candelária, de Corpus Christi — e nos funerais, a cruz abre o cortejo como estandarte de Cristo.
Ceroferários e tocheirosCeroferariiOs ceroferários são os acólitos que levam castiçais acesos; os tocheiros trazem tochas para a Consagração na Missa solene.
Origem As luzes que precediam o Papa no Ordo Romanus I (c. 700) estão na origem destas funções.
Os dois ceroferários acompanham a entrada e o Evangelho, ladeando o livro, e não fazem genuflexão enquanto seguram os castiçais (Código de Rubricas, n. 519). Os tocheiros — ao menos dois, e mais conforme a solenidade e o costume — acendem as tochas no fim do Prefácio, ajoelham-se diante do altar e ali ficam durante a Consagração; as tochas se apagam depois da elevação do Cálice, ou só depois da Comunhão se há fiéis a comungar, nos dias de jejum e nas Missas de defuntos (Ritus servandus VIII, 8). A luz honra a presença real de Cristo.
Schola e coroSchola cantorumO grupo de cantores que executa, em canto gregoriano ou polifonia, o Próprio e o Ordinário da Missa.
Origem A schola cantorum romana é atestada nos séculos VII–VIII; a tradição, discutida, atribui-a a São Gregório Magno.
Na Missa cantada e na solene, a schola canta o Próprio — Intróito, Gradual, Aleluia ou Trato, Ofertório e Comunhão — e o Ordinário — Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei —, às vezes alternando com o povo, e responde ao celebrante. Seu canto próprio é o gregoriano, ao lado da polifonia sacra. O repertório está em O latim e o canto.
Os fiéisFidelesO povo não é espectador: une-se ao Sacrifício pela oração, pelas respostas, pelo canto e, sobretudo, pela Comunhão.
Origem O “sacerdócio real” dos batizados (1Pd 2,9), que oferecem com o sacerdote e por meio dele.
O Código de Rubricas lembra que “a Missa, por sua natureza, requer que todos os presentes dela participem, cada um segundo o modo que lhe é próprio” (n. 272, tradução nossa). A Instrução De musica sacra de 1958 (nn. 28–31) descreve, para a Missa rezada, três modos de participar: o pessoal, com a oração interior e o missal de fiéis; o da oração e do canto em comum; e o do diálogo com o celebrante, em quatro graus, das respostas mais simples às partes do Ordinário e do Próprio. Na Missa cantada e na solene, os fiéis respondem e cantam, conforme a sua capacidade. O necessário para a primeira Missa está em Como participar.
Lado da Epístola e lado do Evangelho
AprofundarOlhando da nave, o lado direito do altar é o lado da Epístola e o esquerdo, o lado do Evangelho; numa igreja orientada, ficam ao sul e ao norte. Na Missa rezada, o Missal começa no lado da Epístola, para o Intróito, as orações e a Epístola; terminadas as leituras, o sacerdote ou o acólito o leva ao lado do Evangelho (Ritus servandus VI, 1), onde ele permanece, voltado em ângulo para o centro, durante o Evangelho, o Ofertório, o Cânon e a Comunhão; depois das abluções, o acólito o devolve ao lado da Epístola (XI, 1), para a antífona da Comunhão e as orações finais. O sacerdote lê o Evangelho à esquerda como se faz na Missa solene, em que o diácono vai em procissão ao lugar do Evangelho para cantá-lo. Comentadores medievais viram na mudança do livro a pregação que passa dos judeus aos gentios: leitura piedosa, não explicação histórica.
A sacristia e a paramentação do sacerdote
AprofundarAntes da Missa, o sacerdote prepara-se na sacristia. O Missal oferece salmos e orações de preparação, de uso livre, e o Ritus servandus (I–II) descreve o resto: procurar a Missa do dia e marcar as fitas, lavar as mãos, preparar o cálice, revestir-se dos paramentos dizendo uma oração para cada peça, fazer reverência à cruz da sacristia e seguir para o altar com a cabeça coberta pelo barrete, precedido pelo acólito, de olhos baixos, passo grave e corpo ereto (II, 1).
Ao lavar as mãos, antes de se paramentar:
Da, Dómine, virtútem mánibus meis ad abstergéndam omnem máculam; ut sine pollutióne mentis et córporis váleam tibi servíre.
Concedei, Senhor, às minhas mãos a virtude de limpar toda mancha, para que eu possa servir-vos sem impureza de mente e de corpo.
- Amito: beija a cruz do centro, põe-no sobre a cabeça, abaixa-o sobre os ombros e ata as fitas, que passam sob os braços e voltam à frente.
- Alva e cíngulo: veste a alva e cinge-a; um ministro, por trás, lhe passa o cíngulo e ajusta a barra da alva.
- Manípulo: beija-o e prende-o no antebraço esquerdo.
- Estola: beija-a e cruza-a sobre o peito, prendendo as pontas com o cíngulo.
- Casula: veste-a por último. A oração de cada peça está no paramento correspondente, acima.
Para a formação: rubricas, materiais e ordens
FormaçãoO altar no Código de Rubricas
O Código de Rubricas, promulgado por João XXIII com o motu proprio Rubricarum instructum (25 de julho de 1960) e impresso no Missal de 1962, substituiu as Rubricae generales de 1570. Seu capítulo De praeparatione altaris ad Missam (nn. 525–530) resume o essencial; o uso dos paramentos está nos nn. 133–137. O Ritus servandus continua a reger a preparação do cálice e a paramentação.
| n. | Latim (trecho) | O que determina |
|---|---|---|
| 525 | totum lapideum, rite consecratum; vel saltem … petram sacram | Altar de pedra consagrado, ou ao menos uma pedra sagrada que receba a hóstia e a maior parte do cálice. |
| 526 | tribus tobaleis, rite benedictis | Três toalhas bentas; uma desce dos lados até o chão. |
| 527 | Crux satis magna cum Crucifixo | Cruz com o Crucificado, castiçais conforme a Missa, sacras só durante a Missa, estante do Missal. |
| 528 | parva campanula, et patina pro fidelium Communione | Na credência: galhetas, bacia, manustérgio, campainha e patena de comunhão. |
| 529 | nihil omnino ponatur | Nada sobre o altar alheio ao Sacrifício ou ao seu ornato. |
| 530 | usus accendendi cereum | Onde é costume, vela acesa da Consagração à Comunhão. |
O número de velas segue o Caeremoniale Episcoporum (I, 12) e o costume. O Ritus servandus (V, 3) prevê o altar em que o celebrante fica de frente para o povo — si altare sit ad orientem, versus populum —, como em basílicas romanas: ali ele não se volta para saudar o povo. Quanto aos paramentos, o celebrante usa “sempre a planeta, ou casula” (n. 133, tradução nossa); o pluvial, que o n. 135 reserva ao Ofício solene, às bênçãos, às procissões, às absolvições, às orações solenes da Sexta-feira Santa, à Vigília pascal e ao presbítero assistente da Missa pontifical, não é veste de quem oferece o Sacrifício, e com ele nunca se usa o manípulo (n. 136); o bispo que celebra solenemente veste a casula sobre a dalmática e a tunicela (n. 134); e o n. 137 aboliu as casulas dobradas (planetae plicatae) e a “estola larga” (stola latior) que os ministros usavam nos tempos penitenciais.
As formas de Missa e a sua terminologia
O Código evita a expressão “Missa privada” (n. 269), porque toda Missa é ato de culto público, oferecido em nome de Cristo e da Igreja, e distingue duas espécies: a Missa in cantu e a Missa lecta (n. 271). É “em canto” a Missa em que o celebrante realmente canta as partes que lhe cabem; a que não é assim é “rezada”. A Missa em canto chama-se solene, se tem ministros sagrados (diácono e subdiácono), ou cantada, se não os tem; e a Missa solene celebrada pelo bispo, ou por quem tenha esse direito, com as solenidades dos livros litúrgicos, é a pontifical. O n. 426 permite que as incensações próprias da Missa solene se façam também em toda Missa cantada; e o n. 473 manda o celebrante, nas Missas em canto, omitir o que o diácono, o subdiácono ou o leitor cantam por ofício próprio (a Epístola, o Evangelho), ao passo que continua a recitar em voz baixa o que o coro canta. Antes de 1960, ele também lia a Epístola e o Evangelho.
Materiais, bênçãos e consagração
O Ritus servandus (I, 1–2) pede cálice “de ouro ou de prata, ou ao menos com a copa de prata dourada por dentro”, patena dourada, corporal “só de linho”, véu de seda e paramentos inteiros, limpos e bentos (tradução nossa). As velas, por decreto de 14 de dezembro de 1904, são de cera de abelha in maxima parte. O bispo consagra com o santo crisma o altar, a pedra d’ara, o cálice e a patena; paramentos e linhos são bentos (Código de 1917, cân. 1304). Os linhos manchados eram lavados primeiro por um clérigo de ordens maiores, e só depois confiados a quem cuidava da roupa do altar (Congregação dos Ritos, 12 de setembro de 1857; cf. Código de 1917, cân. 1306).
Ordens menores e maiores antes de 1972
Até 1972, o candidato ao sacerdócio recebia a tonsura, que o fazia clérigo, e subia por graus: as ordens menores de ostiário (portas e sinos), leitor (leituras), exorcista e acólito (luzes, vinho e água), e as ordens maiores de subdiácono, diácono e presbítero. Por volta de 251, o Papa Cornélio já enumera esses graus no clero de Roma. O subdiaconato, antes tido por ordem menor, passou a ser formalmente contado entre as ordens maiores no pontificado de Inocêncio III (início do século XIII), numa mudança gradual; o celibato e o Ofício divino já o acompanhavam.
O motu proprio Ministeria quaedam de Paulo VI (15 de agosto de 1972, em vigor em 1º de janeiro de 1973) suprimiu a tonsura, chamou “ministérios” as ordens menores, conservou só os de leitor e acólito, abertos a leigos, e confiou-lhes as funções do subdiácono: “a ordem maior do subdiaconato já não existe” (art. IV; ordo maior Subdiaconatus non amplius habetur; tradução nossa). Em 2011, a instrução Universae Ecclesiae (nn. 30–31) recordou que o motu proprio Summorum Pontificum nada mudou nessa disciplina e permitiu aos institutos ligados à então Comissão Ecclesia Dei usar o Pontifical de 1962 para conferir as ordens menores e maiores. A evolução posterior está em Através dos séculos.
Fontes
- Missale Romanum, editio typica de 1962: Ritus servandus in celebratione Missae e orações de preparação (PDF arquivado)
- Sagrada Congregação dos Ritos, Codex Rubricarum (1960), AAS 52 (1960) 593–740: nn. 117–137, 269–272, 426, 473, 519, 523 e 525–530
- João XXIII, motu proprio Rubricarum instructum (25 de julho de 1960), texto latino
- Sagrada Congregação dos Ritos, Declaratio circa dubium de forma paramentorum (20 de agosto de 1957), AAS 49 (1957) 762
- Sagrada Congregação dos Ritos, instrução De musica sacra et sacra liturgia (3 de setembro de 1958), nn. 22–31, AAS 50 (1958) 630–663
- Sagrada Congregação da Disciplina dos Sacramentos, instrução de 26 de março de 1929, n. 5, AAS 21 (1929) 631–639
- Sagrada Congregação dos Ritos, instrução Tres abhinc annos (4 de maio de 1967), n. 25, AAS 59 (1967) 447
- Paulo VI, motu proprio Ministeria quaedam (15 de agosto de 1972), texto latino
- Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, instrução Universae Ecclesiae (30 de abril de 2011), nn. 30–31
- Codex Iuris Canonici (1917), cân. 813, 1269, 1271 e 1304–1306
- J. B. O’Connell, The Celebration of Mass: A Study of the Rubrics of the Roman Missal (4ª edição, revista segundo o Código de Rubricas de 1960 e o Missal de 1962; Bruce, Milwaukee)
- Santo Agostinho, De sermone Domini in monte II, 5, 18 (tradução inglesa no New Advent)
- A. Fortescue, “Liturgy of the Mass”, Catholic Encyclopedia (1910)
- J. Braun, “Vestments”, Catholic Encyclopedia (1912)
- Catholic Encyclopedia, “Chasuble”
- Catholic Encyclopedia, “Amice”
- Catholic Encyclopedia, “Maniple”
- Catholic Encyclopedia, “Stole”
- Catholic Encyclopedia, “Dalmatic”
- Catholic Encyclopedia, “Tunic”
- Catholic Encyclopedia, “Cope”
- Catholic Encyclopedia, “Humeral Veil”
- Catholic Encyclopedia, “Biretta”
- Catholic Encyclopedia, “Altar (in Liturgy)”
- Catholic Encyclopedia, “Altar Side”
- Catholic Encyclopedia, “Altar Linens”
- Catholic Encyclopedia, “Burse”
- Catholic Encyclopedia, “Altar Bell”
- Catholic Encyclopedia, “Candles”
- Catholic Encyclopedia, “Asperges”
- Catholic Encyclopedia, “Subdeacon”
- New Liturgical Movement, “A Modern History of Gothic Vestments” (2023)