Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

O altar, os paramentos e os ministros

Na Missa tradicional tudo converge para o altar, a mesa de pedra sobre a qual se torna presente o Sacrifício da Cruz. Paramentos, vasos sagrados e ministros existem para servi-lo: cada peça tem nome, história e, muitas vezes, uma oração, e conhecê-los ajuda a seguir a Missa sem se perder.

Profundidade
Missa solene tradicional vista da nave: no altar-mor ornado, o sacerdote eleva o cálice enquanto o diácono e o subdiácono se ajoelham nos degraus; acólitos de capas azuis seguram tochas e lanternas dos dois lados, e uma imagem velada de roxo ocupa o retábulo.
Missa solene no rito tradicional no Santuário de Cristo Rei, em Chicago, celebrada pelo Instituto de Cristo Rei Sumo Sacerdote (2015). Xavier Boudreau · CC BY 2.0

O altar: o centro de tudo

Essencial

Quem entra numa igreja construída para a Missa tradicional percebe logo para onde tudo se volta: o altar-mor, erguido sobre degraus no fundo do presbitério, com o crucifixo, os castiçais e, muitas vezes, o tabernáculo. O altar não é um móvel qualquer: é a mesa do Sacrifício, onde se torna presente, de modo incruento, o Sacrifício de Cristo na Cruz. Por isso é consagrado pelo bispo, guarda relíquias de santos, é beijado muitas vezes e, na Missa solene, incensado. Paramentos, vasos e ministros existem em função dele.

O sacerdote celebra voltado para o altar, na mesma direção que os fiéis. A Missa é dita ad orientem, “para o oriente”, porque desde os primeiros séculos os cristãos rezavam voltados para o nascer do sol, imagem de Cristo ressuscitado que há de voltar. Por volta de 197, Tertuliano já registra no Apologético (16, 9–10) que os pagãos suspeitavam que os cristãos adorassem o sol, por rezarem voltados para o oriente. Onde a igreja não está orientada, o altar marca o “oriente litúrgico”. Assim, na Missa tradicional, sacerdote e povo rezam juntos, na mesma direção, como num só cortejo rumo ao Senhor.

“Cum ad orationem stamus, ad orientem convertimur, unde caelum surgit.” — “Quando nos pomos de pé para a oração, voltamo-nos para o oriente, de onde o céu se levanta.”
Santo Agostinho, De sermone Domini in monte II, 5, 18 (c. 394; tradução nossa)

O altar-mor ergue-se sobre degraus; o último forma a plataforma onde o sacerdote fica de pé, o supedâneo. Ao pé desses degraus começa a Missa, com o salmo Iudica me e o Confiteor, rezados com o acólito; só então o sacerdote sobe ao altar. Entre o presbitério e a nave fica a mesa de comunhão, onde os fiéis comungam de joelhos. As orações ao pé do altar estão em O rito, parte a parte.

Os paramentos, peça por peça

Essencial

Os paramentos são as vestes próprias da liturgia. Derivam das roupas comuns do Império Romano — túnica, cinto, manto —, que a Igreja conservou quando a moda civil mudou; no século IX o conjunto essencial já estava fixado, embora a forma de cada peça tenha mudado depois. O sacerdote veste-os numa ordem determinada, com uma oração breve para cada peça: o amito é o capacete da salvação, a alva a pureza, a casula o jugo suave de Cristo. A cor acompanha O ano litúrgico. Abaixo, cada peça na ordem em que é vestida.

Cinco paramentos litúrgicos bordados, vistos por trás em manequins numa vitrine de museu: casulas preta, vermelhas e dourada e, ao centro, uma capa pluvial dourada, sobre alvas rendadas.
A cor da casula, da estola e do manípulo acompanha o tempo e a festa do dia. Andreas Praefcke · Domínio público
As cores no Missal de 1962 (Código de Rubricas, nn. 117–132)
CorPrincipais usos
BrancoTempo do Natal (até completar a Epifania) e tempo pascal (da Vigília pascal à Vigília de Pentecostes, exclusive); festas do Senhor (exceto as da Paixão), de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos não mártires; Quinta-feira Santa
VermelhoPentecostes e a sua semana (da Missa da Vigília ao sábado seguinte, inclusive as Têmporas); festas da Paixão e da Santa Cruz; apóstolos e evangelistas (exceto São João, em 27 de dezembro) e mártires; bênção e procissão dos Ramos
VerdeDomingos e férias depois da Epifania (a partir de 14 de janeiro) e depois de Pentecostes (da segunda-feira seguinte à Santíssima Trindade em diante)
RoxoAdvento e vigília do Natal; da Septuagésima à Vigília pascal, com exceções; Têmporas de setembro; vigílias de 2ª e 3ª classe; Comunhão da Sexta-feira Santa
RosaFacultativo no 3º domingo do Advento (Gaudete) e no 4º da Quaresma (Laetare), só na Missa e no Ofício do próprio domingo
PretoAção litúrgica da Sexta-feira Santa, até a Comunhão (exclusive); Missas e Ofícios de defuntos
Batina e sobrepelizVestis talaris, superpelliceumA batina é a veste comum do clérigo, longa até os pés; a sobrepeliz, túnica branca e larga, vai sobre ela no coro e no serviço do altar.

Origem A sobrepeliz difunde-se a partir do século XI, como alva mais ampla.

A batina não é paramento, mas a roupa própria do clérigo: preta para os padres, violácea para os bispos, vermelha para os cardeais, branca para o Papa; os coroinhas usam-na preta ou vermelha. A sobrepeliz nasceu como alva encurtada, de mangas largas — super pellicium, “sobre a peliça”. É a veste do coro, dos acólitos, do turiferário e do mestre de cerimônias. O Missal não traz oração para estas vestes.

AmitoAmictusPano retangular de linho que o sacerdote põe primeiro sobre a cabeça e depois ajeita em volta do pescoço.

Origem Pano de pescoço da Alta Idade Média; Amalário de Metz (início do século IX) é o primeiro a chamá-lo amictus.

Tem duas fitas, que passam sob os braços, dão a volta pelas costas e se atam à frente, e uma pequena cruz no centro, que o sacerdote beija. O Ritus servandus manda pô-lo sobre a cabeça e depois abaixá-lo sobre os ombros; algumas ordens religiosas o mantêm sobre a cabeça até o altar. A origem é prática — cobrir a gola e proteger a veste —, mas a oração faz dele o “capacete da salvação” (Ef 6,17).

Ao pôr o amito

Impóne, Dómine, cápiti meo gáleam salútis, ad expugnándos diabólicos incúrsus.

Ponde, Senhor, sobre a minha cabeça o capacete da salvação, para repelir os assaltos do demônio.

AlvaAlbaTúnica branca de linho, de mangas compridas, que desce até os pés: a veste de base de todos os ministros paramentados.

Origem Da túnica talar romana (tunica alba); veste litúrgica estável já no século IX.

Lembra a veste branca do Batismo e a pureza que o altar exige. É de linho ou de cânhamo e cobre o corpo do pescoço aos pés; o sacerdote veste-a depois do amito e ajusta-a com o cíngulo para que caia por igual. A oração ecoa o Apocalipse, onde os eleitos branqueiam as vestes “no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14): a brancura é dom de Cristo, não mérito de quem a veste.

Ao vestir a alva

Deálba me, Dómine, et munda cor meum; ut, in sánguine Agni dealbátus, gáudiis pérfruar sempitérnis.

Branqueai-me, Senhor, e purificai o meu coração, para que, branqueado no sangue do Cordeiro, eu goze das alegrias eternas.

CínguloCingulumCordão com que se cinge a alva à cintura; nele se prendem também as pontas da estola cruzada.

Origem O cinto da túnica romana; já na lista de vestes litúrgicas de Amalário de Metz (século IX).

O cíngulo prende a alva e permite ajustar-lhe o comprimento. Costuma ser um cordão de linho ou de lã, com borlas, branco ou da cor do dia, usado dobrado; o acólito ajuda a atá-lo. Cingir-se é, na Escritura, sinal de prontidão para o serviço — “estejam cingidos os vossos rins” (Lc 12,35) —, e a oração o aplica à castidade, o domínio de si que o altar pede.

Ao cingir-se

Præcínge me, Dómine, cíngulo puritátis, et exstíngue in lumbis meis humórem libídinis; ut máneat in me virtus continéntiæ et castitátis.

Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui em meus rins o humor da concupiscência, para que permaneça em mim a virtude da continência e da castidade.

ManípuloManipulusFaixa estreita da cor dos paramentos, presa ao antebraço esquerdo; usada só na Missa, do subdiácono ao bispo.

Origem Lenço ornamental (mappula) em Roma no início do século VI; insígnia do subdiácono desde os séculos XI–XII.

Na origem, o manípulo era um lenço levado na mão; tornou-se depois faixa do tecido dos paramentos. O sacerdote beija-o e o prende no braço esquerdo; o bispo ou abade que usa pontificais só o recebe no altar, ao dizer Indulgentiam na confissão, salvo nas Missas de defuntos (Ritus servandus I, 4 e III, 10). Nunca se usa com o pluvial (Código de Rubricas, n. 136). A oração lê nele as lágrimas do ministério, que o salmo promete colher com alegria (Sl 125,5). Em 1967 tornou-se facultativo (Tres abhinc annos, n. 25); no uso de 1962 continua prescrito.

Ao pôr o manípulo

Mérear, Dómine, portáre manípulum fletus et dolóris; ut cum exsultatióne recípiam mercédem labóris.

Mereça eu, Senhor, levar o manípulo do pranto e da dor, para que receba com exultação a recompensa do trabalho.

EstolaStolaLonga faixa da cor do dia posta ao pescoço: insígnia do poder de ordem do diácono, do sacerdote e do bispo.

Origem Do orarium, faixa de honra da Antiguidade tardia; o uso cruzado já é conhecido no Sínodo de Braga (675).

Cada grau usa a estola de um modo. O diácono a leva a tiracolo, do ombro esquerdo ao lado direito. O sacerdote, na Missa, cruza-a sobre o peito e a prende com o cíngulo; fora da Missa, deixa-a pender reta. O bispo nunca a cruza, porque traz ao peito a cruz peitoral. Acompanha todos os sacramentos, e a oração a chama “estola da imortalidade”: a graça perdida em Adão e devolvida em Cristo.

Ao pôr a estola

Redde mihi, Dómine, stolam immortalitátis, quam pérdidi in prævaricatióne primi paréntis: et, quamvis indígnus accédo ad tuum sacrum mystérium, mérear tamen gáudium sempitérnum.

Restituí-me, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi pela prevaricação do primeiro pai; e, embora indigno me aproxime do vosso sagrado mistério, mereça eu contudo a alegria eterna.

CasulaCasula, planetaVeste exterior do sacerdote na Missa, sem mangas, posta sobre todas as outras: a veste própria do Sacrifício.
Casula de veludo azul adamascado, vista pelas costas, com grande cruz de orfrés bordados em fios de ouro e seda, com cenas em medalhões.

Origem Da paenula, capa redonda do vestuário romano; veste própria do celebrante da Missa na Alta Idade Média (a data exata da reserva é discutida).

Casula quer dizer “casinha”: era uma capa em forma de sino, com abertura para a cabeça. Para libertar os braços, os lados foram encurtados ao longo da Idade Média até que, no século XVI, a casula ficou pouco abaixo dos ombros. Daí a forma romana, rígida e recortada — em inglês, fiddleback, “de violino” —, que predominou do século XVII ao XIX. O celebrante deve usá-la sempre na Missa (Código de Rubricas, n. 133).

Romana ou gótica?

O renascimento neogótico do século XIX, com A. W. N. Pugin e outros, voltou às casulas amplas, ditas “góticas”. Uma circular da Congregação dos Ritos de 1863, confirmada por resposta de 9 de dezembro de 1925, pediu que não se mudasse a forma em uso sem consultar a Santa Sé; em 20 de agosto de 1957, deixou a decisão “ao prudente juízo dos Ordinários”, evitando mudanças que perturbassem os fiéis (AAS 49 [1957] 762). Ambas as formas são legítimas: a romana tem séculos de uso e liberta os braços; a gótica recupera a amplitude antiga.

Ao vestir a casula

Dómine, qui dixísti: Iugum meum suáve est, et onus meum leve: fac, ut istud portáre sic váleam, quod cónsequar tuam grátiam. Amen.

Senhor, que dissestes: “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve”, fazei que eu o leve de tal modo que alcance a vossa graça. Amém.

DalmáticaDalmaticaTúnica de mangas curtas e largas, aberta dos lados, da cor do dia: a veste do diácono na Missa solene.

Origem Túnica originária da Dalmácia, comum em Roma desde o século II; dos diáconos romanos no século IV.

Segundo o Liber Pontificalis, o Papa Silvestre I (314–335) deu a dalmática aos diáconos de Roma; por volta do século IX, seu uso por bispos e diáconos era quase universal no Ocidente. Conserva das túnicas romanas as duas faixas verticais (clavi), hoje galões. O diácono a veste na Missa solene, nas bênçãos ao altar e nas procissões (Código de Rubricas, n. 137); o bispo a usa sob a casula na Missa pontifical. O Missal não lhe dá oração própria.

TunicelaTunicellaVeste do subdiácono, quase idêntica à dalmática; em princípio mais simples e de mangas mais estreitas.

Origem Cópia simplificada da dalmática; geral entre os subdiáconos por volta do ano 1000.

São Gregório Magno, numa carta a João de Siracusa, conta ter suprimido em Roma a túnica dos subdiáconos; ela voltou no século IX e, por volta do ano 1000, era usada por toda parte. O Caeremoniale Episcoporum pede que se distinga da dalmática pelas mangas mais estreitas, mas na prática as duas se tornaram quase iguais. O bispo veste a tunicela sob a dalmática na Missa pontifical (Código de Rubricas, n. 134).

PluvialPluviale, cappaGrande capa semicircular, aberta na frente e presa por um fecho, usada fora do Sacrifício propriamente dito.

Origem Da mesma família da casula: a capa (cappa) que ficou aberta; de uso litúrgico geral no século XII.

Apesar do nome pluviale, o pluvial é uma capa de honra, com um escudo bordado nas costas, resto do antigo capuz. O Código de Rubricas (n. 135) prevê-o nas Laudes e Vésperas solenes, nas bênçãos ao altar, nas procissões, nas absolvições, nas orações solenes da Sexta-feira Santa, na Vigília pascal e para o presbítero assistente da Missa pontifical. Com ele o sacerdote faz o Asperges antes da Missa dominical. Nunca se usa com manípulo.

Véu umeralVelum humeraleLongo véu posto sobre os ombros, com o qual se seguram, cobertos, a patena na Missa solene e o ostensório.

Origem Já citado no mais antigo Ordo Romanus (séc. VIII) como sindon; uso atual fixado no fim da Idade Média.

Na Missa solene, o subdiácono traz da credência o cálice preparado, com o véu umeral pendente dos ombros; no Ofertório recebe a patena, cobre-a com a ponta do véu e a segura, de pé atrás do celebrante, até o fim do Pater noster (Ritus servandus VII, 9). Nas Missas de defuntos não a segura. As mãos do ministro não tocam diretamente o vaso sagrado enquanto ele espera. O sacerdote usa-o para dar a bênção com o Santíssimo e para levá-lo em procissão, muitas vezes sob a umbela, pequeno pálio em forma de guarda-sol.

BarreteBiretumBarrete quadrado e rígido, com três (às vezes quatro) cristas e um pompom, usado pelo clero com a batina e os paramentos.

Origem O birettum é citado no século X; a forma com cristas desenvolveu-se entre os séculos XV e XVII.

O sacerdote vai da sacristia ao altar com a cabeça coberta pelo barrete e o entrega ao acólito ao pé dos degraus (Ritus servandus II). Na Missa solene, o celebrante pode sentar-se, com os ministros, durante o Kyrie, o Gloria, a sequência e o Credo cantados (Código de Rubricas, n. 523), e então usam o barrete, que tiram em reverência ao nome de Jesus. É preto para os padres, violáceo para os bispos e vermelho, sem pompom, para os cardeais. Não tem oração no Missal.

Mitra, báculo e insígnias do bispoMitra, baculus, chirothecae, sandaliaNa Missa pontifical, o bispo acrescenta a mitra, o báculo, as luvas e as sandálias pontificais, além da cruz peitoral e do anel.

Origem O báculo já é entregue aos bispos no século VII; mitra, luvas e sandálias firmam-se entre os séculos X e XIII.

A mitra, alta, de duas pontas e com duas faixas atrás, é posta e retirada várias vezes: o bispo a usa sentado ou caminhando e a depõe para rezar ao altar. O báculo, recurvado na ponta, é o cajado do pastor, que o bispo leva nas procissões e ao dar a bênção. Para cada peça o bispo tem oração própria; a da mitra retoma o “capacete da salvação” que o sacerdote invoca ao pôr o amito.

Os vasos e objetos sagrados

Essencial

Os vasos mais sagrados são o cálice e a patena, que tocam diretamente o Corpo e o Sangue do Senhor e por isso são consagrados pelo bispo com o santo crisma. Acompanham-nos os linhos — corporal, pala, sanguíneo —, os objetos do altar — crucifixo, castiçais, sacras, Missal — e os da credência, onde ficam as galhetas e o lavabo. Nada disso é enfeite: o cuidado com que a Igreja regula materiais, bênçãos e uso desses objetos exprime a fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

Cálice dourado de nó lavrado e patena, sobre uma superfície espelhada contra fundo claro; a patena está apoiada atrás do cálice e os reflexos dos dois aparecem embaixo.
Cálice e patena, consagrados pelo bispo com o santo crisma. Turun museokeskus · CC BY-SA 4.0
Altar e pedra d’araAltare, petra sacraMesa de pedra consagrada, com relíquias de santos, sobre a qual se oferece o Sacrifício; no altar portátil, uma ara consagrada embutida na mesa.

Origem Relíquias sob o altar: costume da Igreja antiga, ligado às Missas sobre os túmulos dos mártires.

O Código de Rubricas pede um altar todo de pedra e consagrado ou, ao menos, uma pedra sagrada ampla o bastante para a Hóstia e a maior parte do cálice (n. 525). Num pequeno sepulcro fechado com pedra, o bispo encerra relíquias de santos, em geral de mártires — como as almas que o Apocalipse vê “debaixo do altar” (Ap 6,9). Por isso o sacerdote, ao beijar o altar, lembra os santos “cujas relíquias aqui estão”.

Ao beijar o altar

Orámus te, Dómine, per mérita Sanctórum tuórum, quorum relíquiæ hic sunt, et ómnium Sanctórum: ut indulgére dignéris ómnia peccáta mea. Amen.

Nós vos rogamos, Senhor, pelos méritos dos vossos santos cujas relíquias aqui estão e de todos os santos, que vos digneis perdoar todos os meus pecados. Amém.

As três toalhasTobaleaeTrês toalhas de linho, bentas, cobrem a mesa do altar; a de cima desce dos lados até o chão.

Origem Previstas pelas rubricas de 1570 e mantidas pelo Código de Rubricas (n. 526).

As duas de baixo cobrem só a mesa (ou a ara). A camada tríplice é prática e reverente: se o Preciosíssimo Sangue se derramar, o linho o absorve antes da pedra. Na frente, o frontal (antependium), na cor do dia, reveste a base do altar; fora da Missa, uma coberta protege as toalhas do pó.

Crucifixo do altarCruxCruz com a imagem do Crucificado, no centro do altar, entre os castiçais, voltada para o celebrante.

Origem Exigido pelas rubricas desde 1570; a cruz sobre o próprio altar firmou-se na baixa Idade Média.

O Código de Rubricas pede uma cruz “bastante grande” com o Crucifixo no meio do altar (n. 527), para que o sacerdote a tenha diante dos olhos e os fiéis também a vejam. Para ela se fazem muitas das inclinações do rito. Sua presença resume a teologia da Missa: sobre o altar realiza-se o mesmo Sacrifício do Calvário, agora de modo incruento. No tempo da Paixão, a cruz é velada.

Velas e castiçaisCandelabraVelas de cera dos dois lados da cruz: duas na Missa rezada, seis na solene, sete na pontifical do bispo diocesano.

Origem No Ordo Romanus I (c. 700), sete acólitos levavam castiçais à frente do Papa.

Não se celebra Missa sem luz. O Código pede os castiçais “que a qualidade da Missa exige” (n. 527), e o costume fixa duas velas na Missa rezada, quatro ou seis na cantada e seis na solene; sete quando o bispo diocesano celebra pontificalmente na própria diocese. As velas são de cera de abelha ao menos em sua maior parte.

Sacras (cartas de altar)Tabellae secretarumTrês quadros postos sobre o altar só durante a Missa, com textos que o sacerdote diz sem segurar o Missal.
Carta de altar (sacra) em moldura dourada neogótica sobre o altar-mor, com texto latino em duas colunas sobre fundo azul e uma pequena imagem; ao fundo, uma Pietà policromada.

Origem Só o quadro central existia ao tempo de São Pio V; os laterais vieram depois, pelo costume.

A sacra central traz o Gloria, o Munda cor meum, o Credo, orações do Ofertório e as palavras da Consagração, entre outros textos; a do lado do Evangelho, o Prólogo de São João (o Último Evangelho); a do lado da Epístola, em geral a oração da água no vinho e o Lavabo. Servem para que o sacerdote leia sem erro mesmo o que sabe de cor. O Código manda pô-las sobre o altar “só durante a Missa” (n. 527).

Missal e estanteMissale, legileO livro do altar, com todos os textos da Missa, sobre uma estante ou almofada; muda de lado durante a celebração.
Missal Romano de 1904 aberto no Cânon da Missa: à esquerda, a gravura da Crucificação com Nossa Senhora e São João; à direita, o título Canon Missae, o início do Te igitur com a inicial ilustrada e as rubricas impressas em vermelho.

Origem O missal “pleno” difunde-se entre os séculos XI e XIII; o Missale Romanum de 1570 é sua forma tridentina.

Antes dele, cada ministro tinha o seu livro: sacramentário, lecionário, gradual. Com a multiplicação das Missas rezadas, em que o sacerdote diz tudo, foi preciso reunir tudo num volume. O Missal começa no lado da Epístola (n. 527) e passa ao do Evangelho depois das leituras; no fim do Evangelho, o sacerdote beija o texto, dizendo Per evangelica dicta (exceto nas Missas de defuntos). A história do livro está em Através dos séculos.

Tabernáculo e conopeuTabernaculum, conopaeumSacrário fixo no centro do altar, onde se guarda o Santíssimo, coberto pelo conopeu e assinalado por uma lâmpada acesa.

Origem Difundido sobre o altar nos séculos XVI e XVII; obrigatório no Código de 1917 (cân. 1269).

O Código de 1917 mandava conservar a Eucaristia num tabernáculo inamovível, no centro do altar, bem fechado e ornado (cân. 1269), com uma lâmpada acesa dia e noite (cân. 1271). O Ritual Romano e decretos da Congregação dos Ritos pedem que o cubra o conopeu — do grego kōnōpeion, mosquiteiro —, branco ou da cor do dia, nunca preto: a tenda velada anuncia que ali habita o Senhor.

Cálice e patenaCalix, patenaA taça em que se consagra o vinho e o pequeno prato dourado que recebe a Hóstia; ambos consagrados pelo bispo.

Origem O cálice e o pão da Última Ceia; materiais preciosos exigidos desde a Alta Idade Média.

O cálice tem copa, nó e pé, e deve ser de ouro ou de prata, ao menos com a copa dourada por dentro (Ritus servandus I, 1). No Ofertório, o sacerdote oferece a hóstia sobre a patena e o vinho no cálice; na Consagração, eleva a Hóstia e depois o Cálice à adoração dos fiéis. Depois do Pater noster, parte a Hóstia sobre o cálice e, terminada a Comunhão, recolhe com a patena os fragmentos do corporal. Não se confunde com a patena de comunhão.

Corporal, pala e sanguíneoCorporale, palla, purificatoriumOs linhos do cálice: o corporal, estendido sob a Hóstia e o cálice; a pala, que cobre o cálice; o sanguíneo, que o enxuga.

Origem Corporal provavelmente já no século IV; a pala torna-se peça própria depois do século XI, quando o corporal encolhe; o sanguíneo é de uso medieval.

O corporal — de corpus, porque recebe o Corpo do Senhor — deve ser “só de linho” (Ritus servandus I, 1); chega dobrado na bolsa e é estendido no centro do altar. A pala, quadrado de linho engomado, protege o cálice durante o Cânon. O sanguíneo, ou purificatório, dobrado sobre a copa, serve às abluções. Antes de ir à lavanderia, os linhos manchados eram lavados primeiro por um clérigo de ordens maiores (Congregação dos Ritos, 1857).

Bolsa e véu do cáliceBursa, velum calicisA bolsa, estojo rígido onde se leva o corporal, e o véu de seda que cobre o cálice; ambos da cor dos paramentos.

Origem A bolsa difundiu-se entre os séculos XIV e XVII; no fim do século XVII já era exigida (1692).

Na Missa rezada, o sacerdote leva o cálice coberto pelo véu, com a bolsa por cima, da sacristia ao altar e de volta. Chegando ao altar, tira o corporal da bolsa e o estende; o véu fica sobre o cálice até o Ofertório e volta a cobri-lo depois da Comunhão. Na Missa solene, o cálice preparado espera na credência, e o subdiácono o leva ao altar no Ofertório.

Galhetas, lavabo e manustérgioAmpullae, pelvicula, manutergiumAs galhetas de vinho e de água, a pequena bacia e a toalhinha (manustérgio) com que o sacerdote lava os dedos.

Origem A lavagem das mãos antes da oração eucarística já é descrita nas Catequeses mistagógicas atribuídas a Cirilo de Jerusalém (c. 350) e nas Constituições Apostólicas (fim do século IV).

Ficam na credência (n. 528); as galhetas costumam ser de vidro, para distinguir o vinho da água. No Ofertório, o acólito apresenta o vinho e a água, de que o sacerdote deita algumas gotas no cálice, sinal de que Cristo assumiu a nossa humanidade e nos faz participar da sua divindade (Ritus servandus VII, 4). Em seguida, no lado da Epístola, o acólito derrama água sobre os dedos do sacerdote, que reza o Salmo 25 a partir da palavra Lavabo.

Salmo 25, 6

Lavábo inter innocéntes manus meas: et circúmdabo altáre tuum, Dómine.

Lavarei as minhas mãos entre os inocentes e andarei ao redor do vosso altar, Senhor.

CampainhaCampanulaPequeno sino que o acólito toca para chamar a atenção dos fiéis nos momentos centrais da Missa.

Origem Surge com a elevação da Hóstia, ordenada em Paris por volta de 1200; o toque do sino difunde-se no século XIII.

Segundo o Ritus servandus, o acólito toca a campainha durante o Sanctus (VII, 8), pouco antes da Consagração e três vezes a cada elevação, ou continuamente (VIII, 6), e também para avisar os que vão comungar (X, 6). Pelo costume, em muitos lugares toca-se ainda no Domine, non sum dignus. Na Idade Média, o sino da torre soava na elevação para que quem estava fora da igreja pudesse unir-se à adoração. Do Gloria da Quinta-feira Santa ao Gloria da Vigília pascal, ela silencia, e usa-se a matraca.

Turíbulo e navetaThuribulum, naviculaO turíbulo, incensório suspenso por correntes, e a naveta, recipiente em forma de barquinho que guarda o incenso.
Turíbulo de prata com aberturas vazadas, sineta e naveta (a barquinha do incenso) de tampa articulada, dispostos sobre tecido vermelho adamascado numa vitrine.

Origem Incenso nas procissões papais do Ordo Romanus I; incensação do altar adotada em Roma nos séculos XI–XII.

O turiferário traz o turíbulo; o sacerdote tira incenso da naveta e o abençoa. Na Missa solene incensa-se o altar no início, o livro antes do Evangelho, as oferendas, o altar e as pessoas no Ofertório, e o Santíssimo na elevação; o n. 426 do Código de Rubricas permite fazer essas incensações também em qualquer Missa cantada. O incenso é oração que sobe: “Suba, Senhor, a minha oração como incenso” (Sl 140,2).

Caldeirinha e hissopeVas aquae benedictae, aspersoriumA caldeirinha de água benta e o hissope com que o sacerdote asperge o altar, o clero e o povo antes da Missa dominical.

Origem A aspersão dominical está em uso ao menos desde o século X.

O nome “hissope” vem da planta com que, no Antigo Testamento, se faziam as aspersões de purificação. O Missal de 1962 traz a bênção da água e o Asperges antes da Missa principal do domingo: o celebrante, de pluvial, asperge o altar, a si mesmo, os ministros e o povo, enquanto o coro canta Asperges me ou, no tempo pascal, Vidi aquam. Recorda o Batismo e pede a purificação à entrada da Missa.

Antífona do Asperges (Sl 50,9)

Aspérges me, Dómine, hyssópo, et mundábor: lavábis me, et super nivem dealbábor.

Aspergi-me, Senhor, com o hissopo, e serei purificado; lavai-me, e ficarei mais branco do que a neve.

CredênciaCredentiaPequena mesa no lado da Epístola onde se preparam as galhetas, o lavabo, a campainha e, na Missa solene, o cálice.

Origem O Código de Rubricas (n. 528) manda preparar a mesa no lado da Epístola; o Ritus servandus a chama credentia, do italiano credenza, aparador.

Coberta por uma toalha branca, a credência guarda o que não deve estar sobre o altar, pois sobre ele não se põe “absolutamente nada” que não pertença ao Sacrifício ou ao seu ornato (n. 529). Na Missa solene, nela ficam também o cálice preparado, o véu umeral e a patena de comunhão. Ali acólitos e subdiácono vão e vêm, num serviço que, bem feito, quase não se nota.

Mesa de comunhãoCancelli, mappa communionisBalaustrada baixa entre o presbitério e a nave, onde os fiéis comungam de joelhos, sobre a toalha de comunhão.

Origem Herdeira das antigas grades do presbitério (cancelli); generalizou-se sobretudo a partir do século XVI.

Os fiéis ajoelham-se diante dela e recebem a Hóstia na língua. Sobre a balaustrada estende-se uma toalha branca, prescrita pelo Missal, pelo Ritual e pelo Caeremoniale Episcoporum; e a Instrução da Congregação dos Sacramentos de 26 de março de 1929 (n. 5) mandou usar também uma patena de prata ou de metal dourado, posta sob o queixo de quem comunga, para que nenhum fragmento caia. O modo de comungar está em Como participar.

Quem é quem no presbitério

Essencial

Na prática, a Missa assume três formas, que diferem sobretudo pelos ministros. Na Missa rezada, o sacerdote diz tudo em voz falada, servido por um acólito que responde em nome do povo. Na Missa cantada, o celebrante canta as suas partes, com coro e acólitos, sem diácono nem subdiácono. Na Missa solene, é assistido pelo diácono e pelo subdiácono, com mestre de cerimônias, turiferário, acólitos e tocheiros. Celebrada solenemente pelo bispo, com as cerimônias próprias, é a Missa pontifical. O Código de Rubricas (n. 271) reúne a cantada e a solene sob o nome de Missa “em canto”, em oposição à rezada; veja a seção de formação.

Quem serve em cada forma de Missa (a rubrica exige o essencial; o resto segue o costume)
FunçãoRezadaCantadaSolene
Diácono e subdiácono——sim
Mestre de cerimônias—se houversim
Acólitosum ou doisum ou maisdois
Turiferário—se há incensosim
Tocheiros—conforme o costumeao menos dois
Coro ou schola—simsim
CelebranteSacerdos celebransO sacerdote que oferece o Sacrifício, agindo na pessoa de Cristo; tudo no presbitério se ordena a ele e ao altar.

O celebrante diz os textos da Missa em voz alta, média ou baixa, conforme as rubricas; recita em voz baixa até o que o coro canta, mas, desde 1960, na Missa em canto omite o que o diácono, o subdiácono ou o leitor cantam por ofício próprio (Código de Rubricas, n. 473). Fica voltado para o altar, salvo quando se volta para saudar, convidar à oração, despedir e abençoar o povo. Seus gestos estão em Gestos, posturas e sinais.

DiáconoDiaconusPrimeiro ministro do celebrante na Missa solene: canta o Evangelho e o Ite, missa est e serve no altar.

Origem Segundo a tradição da Igreja, os Sete de At 6 são os primeiros diáconos; sete diáconos em Roma já em meados do século III.

Com estola a tiracolo e dalmática, o diácono fica junto do celebrante, à sua direita ou atrás dele. Apresenta a naveta para a bênção do incenso, deita o vinho no cálice, assiste o sacerdote no Cânon descobrindo e cobrindo o cálice, e canta a despedida. Antes do Evangelho, ajoelhado, pede a bênção do celebrante: Dominus sit in corde tuo et in labiis tuis, “o Senhor esteja em teu coração e em teus lábios”.

SubdiáconoSubdiaconusSegundo ministro da Missa solene: canta a Epístola, segura o livro do Evangelho e a patena sob o véu umeral.

Origem Atestado em Roma por volta de 251; contado entre as ordens maiores no início do século XIII; na Igreja latina, deixou de existir como ordem em 1972.

Veste tunicela e manípulo, sem estola. Canta a Epístola voltado para o altar e, depois, beija a mão do celebrante e recebe a sua bênção (salvo nas Missas de defuntos); segura o livro enquanto o diácono canta o Evangelho; no Ofertório, leva o cálice ao altar, derrama a água no vinho e pede que o celebrante a abençoe; depois, com o véu umeral, segura a patena até o Pater noster. Como se provê hoje a sua função, veja a seção de formação.

Mestre de cerimôniasCaeremoniariusQuem dirige a cerimônia: conhece as rubricas e indica discretamente a cada ministro o que fazer e quando.

Origem Ofício dos cerimoniais papais medievais; descrito no Caeremoniale Episcoporum (1600).

De batina e sobrepeliz, move-se pelo presbitério sem chamar a atenção: aponta o texto no Missal, indica com um gesto as inclinações, os deslocamentos e as incensações, corrige sem alarde. Não tem função própria no rito, mas sem ele a Missa solene dificilmente corre bem. Os grandes tratados de cerimônias, como o de Adrian Fortescue, revisto por J. B. O’Connell, foram escritos sobretudo para ele.

Acólitos e coroinhasAcolythiOs servidores do altar: respondem ao sacerdote na Missa rezada e, na cantada e na solene, levam os castiçais e servem na credência.

Origem Acólitos no clero de Roma por volta de 251; desde a Idade Média, leigos, sobretudo meninos, suprem o acólito ordenado.

Na Missa rezada, o acólito responde ao sacerdote em nome do povo, muda o Missal de lado, apresenta as galhetas, faz o lavabo e toca a campainha; na Comunhão dos fiéis, acompanha o sacerdote com a patena de comunhão, onde é costume. O Código de 1917 pedia que o sacerdote não celebrasse sem um ministro que o servisse e lhe respondesse (cân. 813 §1); o §2 não admitia mulher nesse serviço senão por necessidade, e então respondendo de longe, sem se aproximar do altar. Na forma extraordinária servem, em geral, meninos e homens. Na Missa solene, os dois acólitos acompanham com seus castiçais a entrada e o Evangelho e servem o vinho e a água.

TuriferárioThuriferariusO acólito encarregado do turíbulo e, com ele, do incenso.

Vai à frente na procissão de entrada, apresenta o turíbulo para a imposição do incenso, acompanha o diácono ao Evangelho e, depois do Ofertório, incensa os ministros e o povo. Na elevação, ajoelhado no lado da Epístola, incensa três vezes a Hóstia e três vezes o Cálice, à medida que são elevados (Ritus servandus VIII, 8). Às vezes um naveteiro leva a naveta. A função pede calma e mão firme: o turíbulo bem conduzido não balança à toa.

CruciferárioCruciferO acólito que leva a cruz processional à frente das procissões.

Quando há procissão de entrada solene, o cruciferário caminha entre os dois acólitos com seus castiçais, depois do turiferário; no presbitério, coloca a cruz em lugar próprio. Enquanto a leva, segundo o cerimonial, não faz genuflexão, apenas inclina a cabeça. Nas procissões fora da Missa — dos Ramos, da Candelária, de Corpus Christi — e nos funerais, a cruz abre o cortejo como estandarte de Cristo.

Ceroferários e tocheirosCeroferariiOs ceroferários são os acólitos que levam castiçais acesos; os tocheiros trazem tochas para a Consagração na Missa solene.

Origem As luzes que precediam o Papa no Ordo Romanus I (c. 700) estão na origem destas funções.

Os dois ceroferários acompanham a entrada e o Evangelho, ladeando o livro, e não fazem genuflexão enquanto seguram os castiçais (Código de Rubricas, n. 519). Os tocheiros — ao menos dois, e mais conforme a solenidade e o costume — acendem as tochas no fim do Prefácio, ajoelham-se diante do altar e ali ficam durante a Consagração; as tochas se apagam depois da elevação do Cálice, ou só depois da Comunhão se há fiéis a comungar, nos dias de jejum e nas Missas de defuntos (Ritus servandus VIII, 8). A luz honra a presença real de Cristo.

Schola e coroSchola cantorumO grupo de cantores que executa, em canto gregoriano ou polifonia, o Próprio e o Ordinário da Missa.

Origem A schola cantorum romana é atestada nos séculos VII–VIII; a tradição, discutida, atribui-a a São Gregório Magno.

Na Missa cantada e na solene, a schola canta o Próprio — Intróito, Gradual, Aleluia ou Trato, Ofertório e Comunhão — e o Ordinário — Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei —, às vezes alternando com o povo, e responde ao celebrante. Seu canto próprio é o gregoriano, ao lado da polifonia sacra. O repertório está em O latim e o canto.

Os fiéisFidelesO povo não é espectador: une-se ao Sacrifício pela oração, pelas respostas, pelo canto e, sobretudo, pela Comunhão.

Origem O “sacerdócio real” dos batizados (1Pd 2,9), que oferecem com o sacerdote e por meio dele.

O Código de Rubricas lembra que “a Missa, por sua natureza, requer que todos os presentes dela participem, cada um segundo o modo que lhe é próprio” (n. 272, tradução nossa). A Instrução De musica sacra de 1958 (nn. 28–31) descreve, para a Missa rezada, três modos de participar: o pessoal, com a oração interior e o missal de fiéis; o da oração e do canto em comum; e o do diálogo com o celebrante, em quatro graus, das respostas mais simples às partes do Ordinário e do Próprio. Na Missa cantada e na solene, os fiéis respondem e cantam, conforme a sua capacidade. O necessário para a primeira Missa está em Como participar.

Lado da Epístola e lado do Evangelho

Aprofundar

Olhando da nave, o lado direito do altar é o lado da Epístola e o esquerdo, o lado do Evangelho; numa igreja orientada, ficam ao sul e ao norte. Na Missa rezada, o Missal começa no lado da Epístola, para o Intróito, as orações e a Epístola; terminadas as leituras, o sacerdote ou o acólito o leva ao lado do Evangelho (Ritus servandus VI, 1), onde ele permanece, voltado em ângulo para o centro, durante o Evangelho, o Ofertório, o Cânon e a Comunhão; depois das abluções, o acólito o devolve ao lado da Epístola (XI, 1), para a antífona da Comunhão e as orações finais. O sacerdote lê o Evangelho à esquerda como se faz na Missa solene, em que o diácono vai em procissão ao lugar do Evangelho para cantá-lo. Comentadores medievais viram na mudança do livro a pregação que passa dos judeus aos gentios: leitura piedosa, não explicação histórica.

A sacristia e a paramentação do sacerdote

Aprofundar

Antes da Missa, o sacerdote prepara-se na sacristia. O Missal oferece salmos e orações de preparação, de uso livre, e o Ritus servandus (I–II) descreve o resto: procurar a Missa do dia e marcar as fitas, lavar as mãos, preparar o cálice, revestir-se dos paramentos dizendo uma oração para cada peça, fazer reverência à cruz da sacristia e seguir para o altar com a cabeça coberta pelo barrete, precedido pelo acólito, de olhos baixos, passo grave e corpo ereto (II, 1).

Ao lavar as mãos, antes de se paramentar:

S.

Da, Dómine, virtútem mánibus meis ad abstergéndam omnem máculam; ut sine pollutióne mentis et córporis váleam tibi servíre.

Concedei, Senhor, às minhas mãos a virtude de limpar toda mancha, para que eu possa servir-vos sem impureza de mente e de corpo.

  1. Amito: beija a cruz do centro, põe-no sobre a cabeça, abaixa-o sobre os ombros e ata as fitas, que passam sob os braços e voltam à frente.
  2. Alva e cíngulo: veste a alva e cinge-a; um ministro, por trás, lhe passa o cíngulo e ajusta a barra da alva.
  3. Manípulo: beija-o e prende-o no antebraço esquerdo.
  4. Estola: beija-a e cruza-a sobre o peito, prendendo as pontas com o cíngulo.
  5. Casula: veste-a por último. A oração de cada peça está no paramento correspondente, acima.

Para a formação: rubricas, materiais e ordens

Formação

O altar no Código de Rubricas

O Código de Rubricas, promulgado por João XXIII com o motu proprio Rubricarum instructum (25 de julho de 1960) e impresso no Missal de 1962, substituiu as Rubricae generales de 1570. Seu capítulo De praeparatione altaris ad Missam (nn. 525–530) resume o essencial; o uso dos paramentos está nos nn. 133–137. O Ritus servandus continua a reger a preparação do cálice e a paramentação.

Código de Rubricas, nn. 525–530 (AAS 52 [1960], p. 685)
n.Latim (trecho)O que determina
525totum lapideum, rite consecratum; vel saltem … petram sacramAltar de pedra consagrado, ou ao menos uma pedra sagrada que receba a hóstia e a maior parte do cálice.
526tribus tobaleis, rite benedictisTrês toalhas bentas; uma desce dos lados até o chão.
527Crux satis magna cum CrucifixoCruz com o Crucificado, castiçais conforme a Missa, sacras só durante a Missa, estante do Missal.
528parva campanula, et patina pro fidelium CommunioneNa credência: galhetas, bacia, manustérgio, campainha e patena de comunhão.
529nihil omnino ponaturNada sobre o altar alheio ao Sacrifício ou ao seu ornato.
530usus accendendi cereumOnde é costume, vela acesa da Consagração à Comunhão.

O número de velas segue o Caeremoniale Episcoporum (I, 12) e o costume. O Ritus servandus (V, 3) prevê o altar em que o celebrante fica de frente para o povo — si altare sit ad orientem, versus populum —, como em basílicas romanas: ali ele não se volta para saudar o povo. Quanto aos paramentos, o celebrante usa “sempre a planeta, ou casula” (n. 133, tradução nossa); o pluvial, que o n. 135 reserva ao Ofício solene, às bênçãos, às procissões, às absolvições, às orações solenes da Sexta-feira Santa, à Vigília pascal e ao presbítero assistente da Missa pontifical, não é veste de quem oferece o Sacrifício, e com ele nunca se usa o manípulo (n. 136); o bispo que celebra solenemente veste a casula sobre a dalmática e a tunicela (n. 134); e o n. 137 aboliu as casulas dobradas (planetae plicatae) e a “estola larga” (stola latior) que os ministros usavam nos tempos penitenciais.

As formas de Missa e a sua terminologia

O Código evita a expressão “Missa privada” (n. 269), porque toda Missa é ato de culto público, oferecido em nome de Cristo e da Igreja, e distingue duas espécies: a Missa in cantu e a Missa lecta (n. 271). É “em canto” a Missa em que o celebrante realmente canta as partes que lhe cabem; a que não é assim é “rezada”. A Missa em canto chama-se solene, se tem ministros sagrados (diácono e subdiácono), ou cantada, se não os tem; e a Missa solene celebrada pelo bispo, ou por quem tenha esse direito, com as solenidades dos livros litúrgicos, é a pontifical. O n. 426 permite que as incensações próprias da Missa solene se façam também em toda Missa cantada; e o n. 473 manda o celebrante, nas Missas em canto, omitir o que o diácono, o subdiácono ou o leitor cantam por ofício próprio (a Epístola, o Evangelho), ao passo que continua a recitar em voz baixa o que o coro canta. Antes de 1960, ele também lia a Epístola e o Evangelho.

Materiais, bênçãos e consagração

O Ritus servandus (I, 1–2) pede cálice “de ouro ou de prata, ou ao menos com a copa de prata dourada por dentro”, patena dourada, corporal “só de linho”, véu de seda e paramentos inteiros, limpos e bentos (tradução nossa). As velas, por decreto de 14 de dezembro de 1904, são de cera de abelha in maxima parte. O bispo consagra com o santo crisma o altar, a pedra d’ara, o cálice e a patena; paramentos e linhos são bentos (Código de 1917, cân. 1304). Os linhos manchados eram lavados primeiro por um clérigo de ordens maiores, e só depois confiados a quem cuidava da roupa do altar (Congregação dos Ritos, 12 de setembro de 1857; cf. Código de 1917, cân. 1306).

Ordens menores e maiores antes de 1972

Até 1972, o candidato ao sacerdócio recebia a tonsura, que o fazia clérigo, e subia por graus: as ordens menores de ostiário (portas e sinos), leitor (leituras), exorcista e acólito (luzes, vinho e água), e as ordens maiores de subdiácono, diácono e presbítero. Por volta de 251, o Papa Cornélio já enumera esses graus no clero de Roma. O subdiaconato, antes tido por ordem menor, passou a ser formalmente contado entre as ordens maiores no pontificado de Inocêncio III (início do século XIII), numa mudança gradual; o celibato e o Ofício divino já o acompanhavam.

O motu proprio Ministeria quaedam de Paulo VI (15 de agosto de 1972, em vigor em 1º de janeiro de 1973) suprimiu a tonsura, chamou “ministérios” as ordens menores, conservou só os de leitor e acólito, abertos a leigos, e confiou-lhes as funções do subdiácono: “a ordem maior do subdiaconato já não existe” (art. IV; ordo maior Subdiaconatus non amplius habetur; tradução nossa). Em 2011, a instrução Universae Ecclesiae (nn. 30–31) recordou que o motu proprio Summorum Pontificum nada mudou nessa disciplina e permitiu aos institutos ligados à então Comissão Ecclesia Dei usar o Pontifical de 1962 para conferir as ordens menores e maiores. A evolução posterior está em Através dos séculos.

Fontes

  1. Missale Romanum, editio typica de 1962: Ritus servandus in celebratione Missae e orações de preparação (PDF arquivado)
  2. Sagrada Congregação dos Ritos, Codex Rubricarum (1960), AAS 52 (1960) 593–740: nn. 117–137, 269–272, 426, 473, 519, 523 e 525–530
  3. João XXIII, motu proprio Rubricarum instructum (25 de julho de 1960), texto latino
  4. Sagrada Congregação dos Ritos, Declaratio circa dubium de forma paramentorum (20 de agosto de 1957), AAS 49 (1957) 762
  5. Sagrada Congregação dos Ritos, instrução De musica sacra et sacra liturgia (3 de setembro de 1958), nn. 22–31, AAS 50 (1958) 630–663
  6. Sagrada Congregação da Disciplina dos Sacramentos, instrução de 26 de março de 1929, n. 5, AAS 21 (1929) 631–639
  7. Sagrada Congregação dos Ritos, instrução Tres abhinc annos (4 de maio de 1967), n. 25, AAS 59 (1967) 447
  8. Paulo VI, motu proprio Ministeria quaedam (15 de agosto de 1972), texto latino
  9. Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, instrução Universae Ecclesiae (30 de abril de 2011), nn. 30–31
  10. Codex Iuris Canonici (1917), cân. 813, 1269, 1271 e 1304–1306
  11. J. B. O’Connell, The Celebration of Mass: A Study of the Rubrics of the Roman Missal (4ª edição, revista segundo o Código de Rubricas de 1960 e o Missal de 1962; Bruce, Milwaukee)
  12. Santo Agostinho, De sermone Domini in monte II, 5, 18 (tradução inglesa no New Advent)
  13. A. Fortescue, “Liturgy of the Mass”, Catholic Encyclopedia (1910)
  14. J. Braun, “Vestments”, Catholic Encyclopedia (1912)
  15. Catholic Encyclopedia, “Chasuble”
  16. Catholic Encyclopedia, “Amice”
  17. Catholic Encyclopedia, “Maniple”
  18. Catholic Encyclopedia, “Stole”
  19. Catholic Encyclopedia, “Dalmatic”
  20. Catholic Encyclopedia, “Tunic”
  21. Catholic Encyclopedia, “Cope”
  22. Catholic Encyclopedia, “Humeral Veil”
  23. Catholic Encyclopedia, “Biretta”
  24. Catholic Encyclopedia, “Altar (in Liturgy)”
  25. Catholic Encyclopedia, “Altar Side”
  26. Catholic Encyclopedia, “Altar Linens”
  27. Catholic Encyclopedia, “Burse”
  28. Catholic Encyclopedia, “Altar Bell”
  29. Catholic Encyclopedia, “Candles”
  30. Catholic Encyclopedia, “Asperges”
  31. Catholic Encyclopedia, “Subdeacon”
  32. New Liturgical Movement, “A Modern History of Gothic Vestments” (2023)