Como participar: guia para a primeira Missa Tridentina
Chegue alguns minutos antes, tenha nas mãos um missal ou o folheto da comunidade e acompanhe com o coração: ninguém espera que você saiba tudo na primeira vez. Esta página explica onde sentar, quando ajoelhar, como comungar e como responder, e depois apresenta as normas que regem a participação dos fiéis.

Antes de ir: um roteiro
EssencialSe esta é a sua primeira Missa Tridentina, saiba que será bem-vindo do jeito que chegar. A Missa não exige preparo técnico: é o Sacrifício de Cristo, tornado presente sobre o altar e oferecido pelo sacerdote em nome de Cristo e da Igreja, ao qual cada um se une como pode. O que talvez estranhe no começo — o latim, os silêncios, o sacerdote voltado para o altar, ad orientem — torna-se familiar com o tempo. Para a primeira vez, bastam alguns cuidados simples:
- Chegue cedo, dez ou quinze minutos antes, para encontrar lugar, pegar o folheto e rezar um pouco.
- Entre em silêncio. Faça o sinal da cruz com a água benta e, antes de entrar no banco, a genuflexão — o joelho direito até o chão — voltado para o tabernáculo.
- Pegue o folheto que muitas comunidades oferecem na entrada, ou um missal (veja o que levar).
- Sente-se onde possa ver o altar, de preferência com algumas pessoas à frente, para acompanhar as posturas sem esforço.
- Reze antes de começar, oferecendo a Missa por uma intenção; as conversas ficam para depois.
- Não tenha medo de errar. Ninguém espera perfeição de quem chega: imite quem está à frente e, se perder o fio, simplesmente reze.
- Comungar não é obrigatório; as condições estão mais adiante.

Como encontrar uma Missa
EssencialEste site não publica endereços nem horários, que mudam com frequência; mais útil é saber onde procurar. Desde o motu proprio Traditionis custodes (16 de julho de 2021), compete exclusivamente ao bispo diocesano autorizar o uso do Missal de 1962 na diocese (art. 2) e indicar os locais e os dias das celebrações, em regra fora das igrejas paroquiais (art. 3): a fonte mais segura é, portanto, a diocese — o site da cúria ou a secretaria paroquial. As sociedades de vida apostólica dedicadas a essa forma do rito, como a Fraternidade Sacerdotal São Pedro, o Instituto de Cristo Rei Sumo Sacerdote e o Instituto do Bom Pastor, e, no Brasil, a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, com sede em Campos dos Goytacazes (RJ), indicam em seus sites oficiais as igrejas que atendem. E pergunte: a um sacerdote, a quem já frequenta, a quem canta numa schola.
O que levar: o missal
EssencialO mais útil é um missal bilíngue, latim–português, que permite rezar com as mesmas palavras do sacerdote, mesmo quando ele fala em voz baixa. Na falta dele, use o folheto que muitas comunidades distribuem, com o Ordinário e às vezes o Próprio do dia. O “missal de fiéis” é a versão para leigos do grande missal do altar: “diário” quando traz a Missa de todos os dias, “dominical” quando traz só domingos e festas. Prefira um feito para o Missal de 1962; edições mais antigas diferem em detalhes do calendário.
- OrdinárioOrdo Missae
- As partes fixas: orações ao pé do altar, Kyrie, Glória, Credo, orações do Ofertório, Sanctus, Cânon, Pater noster, Agnus Dei, bênção e Último Evangelho (o Glória e o Credo só em certos dias).
Para que servem as fitas
Os missais têm várias fitas porque a Missa salta de uma parte do livro para outra. Antes de começar, ponha uma fita no Ordinário — em muitos missais ele fica no meio do volume, como no missal do altar, entre o Sábado Santo e o Domingo de Páscoa —, outra no Próprio do dia, outra no Prefácio, se não for o comum, e outra no Comum dos Santos, se a festa o usa. Na Missa você vai e volta: o Intróito está no Próprio, o Kyrie no Ordinário, a Coleta de novo no Próprio. Na primeira vez basta a fita do Ordinário; o passo a passo está mais abaixo.
Como se vestir
EssencialNão há uniforme. O critério é ir à casa de Deus com dignidade e modéstia, com a roupa que se usaria numa ocasião solene da família: ombros cobertos, nada muito justo ou curto. Os homens tiram o chapéu ou o boné ao entrar na igreja, costume antigo do rito latino. Se você vier direto do trabalho, ou não tiver a roupa “ideal”, venha assim mesmo: ninguém será mandado embora, e a melhor veste é um coração recolhido.
O véu das mulheres
Muitas mulheres cobrem a cabeça com uma mantilha — véu de renda, em geral preto ou branco —, um lenço ou um chapéu. O costume remonta a São Paulo (1 Cor 11,2-16), e muitas o vivem como sinal de reverência e de humildade na oração: na liturgia cobre-se o que é sagrado, como o cálice e o tabernáculo. Nessas comunidades o véu é muito difundido, e é belo; mas é um costume, não uma condição para entrar ou para comungar.
Quanto à lei: o Código de 1917 pedia aos homens que assistissem aos ritos sagrados de cabeça descoberta, salvo costume local em contrário, e às mulheres que o fizessem de cabeça coberta (cân. 1262 § 2). O Código de 1983 ab-rogou o de 1917 (cân. 6 § 1, 1.°) e não traz norma equivalente; em 1976, a Congregação para a Doutrina da Fé já observara, sobre 1 Cor 11, que “tais exigências hoje já não têm valor normativo” (Inter insigniores, n. 4); e Universae Ecclesiae (2011, n. 27) aplicava às celebrações segundo o Missal de 1962 a disciplina do Código de 1983. Alguns autores sustentam que o uso ainda obriga como costume; outros entendem que a norma de 1917 deixou de vigorar e que hoje não há obrigação legal: a questão é discutida entre canonistas. Use o véu, se quiser, com alegria; se não, você é igualmente bem-vinda, e ninguém deve constrangê-la.
Sentar, ajoelhar, ficar de pé
EssencialQuase não há rubricas sobre as posturas dos fiéis: elas regulam o sacerdote, os ministros e o coro, e o povo segue o costume, que varia de lugar para lugar. A regra de ouro é observar quem está à frente. A lógica ajuda: de pé para o Evangelho e o Credo, sinal de prontidão; sentado para ouvir; de joelhos para adorar, sobretudo do Sanctus à comunhão. Na Missa rezada fica-se quase sempre de joelhos; na cantada e na solene, os fiéis imitam o coro. Quem não consegue ajoelhar-se pode sentar-se. O sentido de cada gesto está em Gestos, posturas e sinais.
| Momento | Postura | Observações |
|---|---|---|
| Entrada do sacerdote | De pé | Ajoelha-se quando ele chega ao altar. |
| Orações ao pé do altar, com o Confiteor | De joelhos | O acólito responde. |
| Do Intróito à Coleta | De joelhos | Inclui o Kyrie e o Glória. |
| Epístola | De joelhos | Em muitos lugares, senta-se. |
| Evangelho | De pé | Sinal da cruz na testa, nos lábios e no peito. |
| Sermão | Sentado | Quando há. |
| Credo | De pé | Genuflexão em “Et incarnátus est”. |
| Ofertório | Sentado ou de joelhos | Conforme o costume. |
| Do Prefácio à comunhão | De joelhos | Inclui o Cânon e a Consagração. |
| Abluções e Pós-comunhão | De joelhos | Alguns se sentam nas abluções. |
| Bênção | De joelhos | Sinal da cruz. |
| Último Evangelho | De pé | Genuflexão em “Et Verbum caro factum est”. |
| Orações depois da Missa | De joelhos | As orações leoninas, prescritas por Leão XIII e suprimidas em 1964; ainda se rezam em muitas comunidades que usam o Missal de 1962. |
| Momento | Postura | Observações |
|---|---|---|
| Asperges, aos domingos | De pé | Sinal da cruz ao ser aspergido. |
| Entrada e orações ao pé do altar | De pé; de joelhos nas orações | Em muitos lugares, levanta-se quando o celebrante sobe ao altar, para o Intróito. |
| Kyrie, Glória e Coleta | De pé | Senta-se quando o celebrante se senta. |
| Epístola e cantos seguintes | Sentado | Gradual, Aleluia ou Trato, Sequência. |
| Evangelho | De pé | Na Missa solene, cantado pelo diácono. |
| Sermão | Sentado | Quando há. |
| Credo | De pé | Senta-se com o celebrante. No “Et incarnátus est” ajoelha-se (genuflexão); no Natal e na Anunciação, fica de joelhos enquanto se canta. |
| Ofertório | Sentado | De pé quando o coro (ou o povo, onde se faz) é incensado. |
| Prefácio | De pé | Responde-se ao diálogo. |
| Sanctus e Cânon | De joelhos | Desde o fim ou o início do Sanctus. |
| Pater noster | De pé | Em muitos lugares, de joelhos. |
| Agnus Dei e comunhão | De joelhos | O coro canta a antífona. |
| Abluções | Sentado | Até o “Dóminus vobíscum”. |
| Pós-comunhão | De pé | Responde-se “Amen”. |
| Bênção; Último Evangelho | De joelhos; de pé | Genuflexão em “Et Verbum caro factum est”. |
A comunhão
EssencialValem as condições de sempre. Pode comungar o católico que já fez a primeira comunhão, está em estado de graça — quem tem consciência de pecado grave deve antes confessar-se, salvo razão grave e falta de oportunidade, caso em que faz um ato de contrição perfeita com o propósito de confessar-se quanto antes (cân. 916) — e guardou o jejum eucarístico; não são admitidos os excomungados ou interditos após a pena aplicada ou declarada, nem quem persevera obstinadamente em pecado grave manifesto (cân. 915). Ninguém é obrigado a comungar em toda Missa: a obrigação é ao menos uma vez por ano, no tempo pascal (cân. 920). Quem não é católico, em regra, não comunga (cân. 844 § 1), mas é bem-vindo para rezar.
O jejum eucarístico
A lei pede uma hora de jejum antes da comunhão — não antes do início da Missa: quem vai comungar “abstenha-se, pelo espaço de ao menos uma hora antes da sagrada comunhão, de qualquer comida ou bebida, excepto água ou remédios” (cân. 919 § 1). Idosos, doentes e quem cuida deles estão dispensados (§ 3). Vale também nas celebrações segundo o Missal de 1962, às quais se aplicam as normas disciplinares do Código de 1983 (Universae Ecclesiae, n. 27). Os jejuns mais longos de outras épocas são uma devoção louvável para quem quiser guardá-los, mas não obrigam, e ninguém deve impô-los.
- 1917
Desde a meia-noite
Jejum natural, sem nem mesmo água, desde a meia-noite (cân. 858 § 1).
- 1953
Christus Dominus
Pio XII: a água não quebra o jejum; primeiros abrandamentos (6 de janeiro).
- 1957
Sacram Communionem
Três horas para sólidos e bebidas alcoólicas; uma hora para as bebidas não alcoólicas, sem contar a água (19 de março).
- 1964
Uma hora
Paulo VI reduz o jejum a uma hora antes da comunhão (21 de novembro).
- 1983
Código atual
Uma hora de jejum, salvo água e remédios; idosos, doentes e quem os trata estão dispensados (cân. 919).
Como se recebe a comunhão
- Depois de consumir o Sangue, o sacerdote passa diretamente ao Ecce Agnus Dei: o Código de Rubricas de 1960 omitiu, quando a comunhão é dada durante a Missa, o Confiteor e a absolvição que antes a precediam (n. 503), e o Ritus servandus do Missal de 1962 não os traz. Algumas comunidades conservam por costume essa recitação, rezada pelo acólito, com o Misereátur e o Indulgéntiam do sacerdote.
- O sacerdote mostra a Hóstia ao povo e diz Ecce Agnus Dei (“Eis o Cordeiro de Deus”) e, três vezes, Dómine, non sum dignus; os fiéis batem no peito e podem dizê-lo com ele.
- Quem vai comungar ajoelha-se à mesa de comunhão, com as mãos sob a toalha de comunhão, se houver, ou juntas. O acólito segura a patena sob o queixo de cada um, para recolher qualquer fragmento.
- O sacerdote faz com a Hóstia o sinal da cruz sobre o cibório (ou a patena) e diz a fórmula abaixo, terminando-a ele mesmo com “Amen”: você não responde nada.
- Incline a cabeça um pouco para trás, abra a boca e ponha a língua sobre o lábio inferior; recebida a Hóstia, feche a boca e engula-a com calma; se ela grudar, deixe-a dissolver-se, sem retirá-la com os dedos.
- Volte ao lugar sem pressa e faça a ação de graças.
Diante de cada comungante, fazendo com a Hóstia o sinal da cruz sobre o cibório:
Corpus Dómini nostri Jesu Christi custódiat ánimam tuam in vitam ætérnam. Amen.
O Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo guarde a tua alma para a vida eterna. Amém.
Se você não vai comungar
Permaneça no seu lugar, sem constrangimento; não é costume, nesta forma do rito, ir à mesa de comunhão pedir uma bênção. É o momento da comunhão espiritual, o ato de fé e de desejo pelo qual a alma se une a Cristo sem receber o Sacramento. O Concílio de Trento já a reconhecia (sessão XIII, cap. 8), e São João Paulo II recordou essa prática “em uso na Igreja há séculos” (Ecclesia de Eucharistia, n. 34). Eis a fórmula de Santo Afonso de Ligório:
“Meu Jesus, creio que estais no Santíssimo Sacramento. Amo-vos sobre todas as coisas e desejo-vos na minha alma. Já que agora não posso receber-vos sacramentalmente, vinde ao menos espiritualmente ao meu coração. Como se já tivésseis vindo, eu vos abraço e me uno todo a vós. Não permitais que eu jamais me separe de vós.”
Participação ativa: o que a Igreja pede
EssencialTalvez você já tenha ouvido que, na Missa antiga, o povo “só assistia”. A história é mais matizada: antes do Concílio Vaticano II, os papas já ensinavam a participação dos fiéis. A expressão ganhou lugar no magistério com São Pio X, que no motu proprio Tra le sollecitudini (1903) aponta como “primária e indispensável fonte” do espírito cristão “a participação ativa nos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja”. Pio XI (Divini cultus, 1928) pediu que os fiéis não estivessem na Missa “como estranhos ou espectadores mudos” (tradução nossa); Pio XII (Mediator Dei, 1947) ensinou que o essencial do culto é o interior e louvou o povo que “responde disciplinadamente às palavras do sacerdote” (n. 95).
O Concílio Vaticano II recolheu esse ensinamento: a Sacrosanctum Concilium deseja a “plena, consciente e activa participação” dos fiéis (n. 14) — em latim, actuosa participatio —, “tanto interna como externa” (n. 19), e lembra que “não deve deixar de observar-se, a seu tempo, um silêncio sagrado” (n. 30). A ordem é sempre a mesma: primeiro, a união interior ao Sacrifício de Cristo, oferecendo-se com Ele ao Pai; depois, como expressão dessa união, as respostas, o canto, os gestos. O silêncio não é ausência de participação, mas uma de suas formas mais intensas.
Acompanhar em silêncio, com o missal
- Leia antes a Coleta, a Epístola e o Evangelho do dia, para reconhecê-los quando o sacerdote os disser em latim.
- Siga o sacerdote, não a página. Se ficar para trás, procure onde ele está (veja Se você se perder).
- No Cânon, mais olhar do que ler. Muitos preferem rezar com poucas palavras e adorar em silêncio, sobretudo na Consagração.
- Se não conseguir acompanhar, reze. A Mediator Dei reconhece que “nem todos são capazes de compreender corretamente” os ritos e admite outras orações em harmonia com a Missa, como meditar os mistérios de Cristo (n. 98).
A Missa dialogada: as respostas dos fiéis
EssencialEm algumas comunidades os fiéis dizem juntos, em voz alta, as respostas que na Missa rezada cabem ao acólito: é a Missa dialogada. Noutras, só o acólito responde. Ambas são legítimas, e a regra é seguir a comunidade: se ninguém responde, não comece sozinho; se todos respondem, junte-se a eles. Na Missa cantada, as respostas mais simples são cantadas por todos (instrução de 1958, nn. 25–26).
Usa-se a pronúncia eclesiástica, próxima do italiano: o h é mudo (Habémus: a-bé-mus); gn soa “nh” (dignum: dí-nhum); ti antes de vogal soa “tsi” (grátias: grá-tsi-as); ch soa “k” (Christe: krís-te); j soa “i” (justum: iús-tum); o m e o n finais não anasalam a vogal (cum soa “kum”); e a sílaba tônica é a que o missal acentua. Mais em O latim e o canto.
Saudação, várias vezes:
℣.Dóminus vobíscum.
O Senhor esteja convosco.
℟.Et cum spíritu tuo.
E com o teu espírito. · Pronúncia: ét cum spí-ri-tu tú-o
No fim das orações (… per ómnia sǽcula sæculórum):
℟.Amen.
Amém. · Pronúncia: á-men
Depois da Epístola e ao Ite, missa est:
℟.Deo grátias.
Graças a Deus. · Pronúncia: dé-o grá-tsi-as
Ao anúncio do Evangelho:
℟.Glória tibi, Dómine.
Glória a vós, Senhor. · Pronúncia: gló-ri-a tí-bi, dó-mi-ne
No fim do Evangelho, na Missa rezada:
℟.Laus tibi, Christe.
Louvor a vós, ó Cristo. · Pronúncia: láus tí-bi, krís-te
No diálogo do Prefácio:
℣.Sursum corda.
Corações ao alto.
℟.Habémus ad Dóminum.
Nós os temos voltados para o Senhor. · Pronúncia: a-bé-mus ad dó-mi-num
℣.Grátias agámus Dómino Deo nostro.
Demos graças ao Senhor, nosso Deus.
℟.Dignum et justum est.
É digno e justo. · Pronúncia: dí-nhum ét iús-tum ést
No fim do Pater noster:
℣.Et ne nos indúcas in tentatiónem.
E não nos induzais em tentação.
℟.Sed líbera nos a malo.
Mas livrai-nos do mal. · Pronúncia: séd lí-be-ra nós a má-lo
Antes da comunhão, três vezes, batendo no peito:
Dómine, non sum dignus, ut intres sub tectum meum: sed tantum dic verbo, et sanábitur ánima mea.
Senhor, eu não sou digno de que entreis sob o meu teto; mas dizei uma só palavra, e a minha alma será curada. · Pronúncia: dó-mi-ne, nón sum dí-nhus, ut ín-tres sub téc-tum mé-um: séd tán-tum dic vér-bo, ét sa-ná-bi-tur á-ni-ma mé-a
Crianças na Missa
EssencialCrianças são bem-vindas, inclusive os bebês: Sinite parvulos venire ad me, et ne prohibueritis eos: talium enim est regnum Dei — “Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque delas é o Reino de Deus” (Mc 10,14). Um choro faz parte da vida de qualquer igreja; ninguém espera de um bebê o recolhimento de um monge. E os pais que passaram a Missa no fundo da igreja, embalando um filho, também estiveram diante do altar.
- Sente-se perto do corredor; se o bebê chorar forte, saia um momento e volte quando ele se acalmar.
- Explique antes o que as crianças vão ver: o sacerdote voltado para o altar, a campainha, o momento em que Jesus se torna presente na Hóstia.
- Use a campainha como guia: ela toca no Sanctus e nas elevações; é a hora de olhar para o altar.
- Um missal infantil ilustrado ajuda a acompanhar; brinquedos barulhentos e lanches ficam para fora.
Se você se perder
EssencialPerder-se no missal é a experiência mais comum da primeira Missa, e não tem importância. Três pistas ajudam: onde o sacerdote está, a campainha e os momentos em que ele se volta para o povo. Olhando da nave, à direita do altar fica o lado da Epístola, e à esquerda o do Evangelho. Se ainda assim não souber onde está, feche o missal e reze: o essencial é estar diante do altar quando Cristo se faz presente e se oferece ao Pai. A sequência completa está em O rito, parte a parte.
| O que você vê | O que está acontecendo |
|---|---|
| O sacerdote ao pé dos degraus, rezando com o acólito | Orações ao pé do altar |
| O sacerdote no lado direito (da Epístola) | Intróito, Coleta e Epístola; no fim, antífona da Comunhão e Pós-comunhão |
| O missal levado para o lado esquerdo (do Evangelho) | Evangelho |
| O sacerdote no centro do altar | Kyrie e Glória; depois do Evangelho, Credo e Ofertório |
| O sacerdote voltado para o povo, de braços abertos | Dóminus vobíscum ou Oráte, fratres |
| Silêncio, o sacerdote inclinado sobre o altar, a campainha | Cânon e Consagração: ajoelhe-se e adore |
| O sacerdote voltado para o povo com a Hóstia nas mãos | Ecce Agnus Dei: a comunhão vai começar |
| Leitura no lado esquerdo, depois da bênção | Último Evangelho (em geral, o início do Evangelho de São João) |
Como acompanhar o Próprio do dia
AprofundarPara seguir o Próprio, é preciso saber qual Missa será celebrada: um domingo, uma festa de santo, uma féria, uma Missa votiva. O guia é o ordo, o calendário litúrgico anual que dioceses e institutos publicam, com a Missa, a cor e as comemorações de cada dia; o site Divinum Officium mostra os textos do dia segundo várias rubricas, inclusive as de 1960, e O ano litúrgico explica os tempos e as festas. No missal, domingos e férias estão no Próprio do Tempo; os santos, no Próprio dos Santos ou no Comum; os Prefácios, junto do Ordinário.
| Parte da Missa | Onde encontrar |
|---|---|
| Intróito | Próprio |
| Kyrie e Glória | Ordinário (o Glória só em certos dias) |
| Coleta | Próprio, com as eventuais comemorações |
| Epístola, Gradual, Aleluia ou Trato, Sequência, Evangelho | Próprio |
| Credo | Ordinário (aos domingos e em certas festas) |
| Antífona do Ofertório | Próprio |
| Orações do Ofertório | Ordinário |
| Secreta | Próprio, com as eventuais comemorações |
| Prefácio | Junto do Ordinário: o próprio ou o comum |
| Sanctus, Cânon, Pater noster, Agnus Dei | Ordinário; em algumas festas variam o Communicántes, o Hanc ígitur e o Qui prídie (Código de Rubricas, n. 501) |
| Antífona da Comunhão e Pós-comunhão | Próprio |
Confissão antes da Missa
AprofundarMuitas comunidades oferecem confissões antes da Missa, e às vezes durante ela, por outro sacerdote: a Penitência e a Missa não se unem numa só ação litúrgica, mas sacerdotes que não celebram podem ouvir confissões mesmo enquanto se celebra a Missa no mesmo lugar (Redemptionis Sacramentum, 2004, n. 76). Quem tem consciência de pecado grave deve confessar-se antes de comungar (cân. 916); os pecados graves devem ser confessados ao menos uma vez por ano (cân. 989), e recomenda-se confessar também os veniais (cân. 988 § 2). Se está voltando depois de muito tempo, diga-o ao sacerdote: ele o ajudará.
- Faça antes o exame de consciência, repassando com calma os mandamentos e os deveres do seu estado de vida.
- No confessionário, faça o sinal da cruz e diga há quanto tempo foi a última confissão.
- Confesse com simplicidade os pecados graves, com a espécie e, quanto possível, o número; depois, se quiser, os veniais.
- Ouça o conselho e a penitência, reze o ato de contrição e receba a absolvição, que muitos sacerdotes dão em latim, segundo o Ritual Romano (Ego te absolvo a peccatis tuis… — “Eu te absolvo dos teus pecados…”).
Etiqueta da casa
Aprofundar- Água benta
- Ao entrar, molham-se os dedos na pia e faz-se o sinal da cruz, recordação do Batismo e pedido de purificação.
- Genuflexãogenuflexio
- Diante do tabernáculo onde está o Santíssimo, indicado pela lâmpada acesa, dobra-se o joelho direito até o chão ao entrar no banco, ao sair e ao passar diante dele. Diante do Santíssimo exposto, a disciplina tradicional pede a genuflexão dupla, com os dois joelhos e uma inclinação.
- Silêncio
- Antes e depois da Missa, a igreja é lugar de oração; cumprimentos ficam para o adro.
- Celular
- Desligado ou no silencioso, e guardado; se usado para acompanhar o Ordinário, só para isso.
- Fotografias e vídeos
- Nunca sem autorização do sacerdote ou dos responsáveis, nunca com flash nem andando pela igreja. Muitas comunidades não o permitem; pergunte antes.
- Atrasos e saída
- Quem chega atrasado entra com discrição, nunca durante a Consagração. No fim, espere que o sacerdote deixe o altar e, se puder, fique alguns minutos em ação de graças.
Para a formação: o direito sobre a participação e as posturas
FormaçãoA instrução De musica sacra et sacra liturgia (1958)
A referência é a instrução De musica sacra et sacra liturgia, da Sagrada Congregação dos Ritos (3 de setembro de 1958), que dá forma normativa ao ensinamento de Pio X, Pio XI e Pio XII, e à qual remete o Código de Rubricas de 1960, integrado ao Missal de 1962 (n. 272). O n. 22 dá os princípios: a participação deve ser antes de tudo interior (a); torna-se mais completa unida à exterior — a posição do corpo, os gestos e sobretudo as respostas, orações e cantos (b); é perfeita com a comunhão sacramental (c); e supõe a instrução dos fiéis (d).
Na Missa solene e na cantada há três graus (nn. 25–26): os fiéis cantam as respostas litúrgicas; depois, também o Ordinário; por fim, também o Próprio, o que se pede sobretudo a comunidades religiosas e seminários. Para o segundo grau, propõe que todos aprendam as melodias mais simples do Gradual Romano: Kyrie, Sanctus-Benedictus e Agnus Dei da Missa XVI, Gloria da XV e Credo I e III. Na Missa rezada (nn. 28–34), a instrução descreve três modos de participação, o último dos quais se desdobra em quatro graus:
| Número | Modo ou grau | Em que consiste |
|---|---|---|
| n. 29 | 1º modo | Atenção piedosa ou formas aprovadas pelo costume; louva quem usa um pequeno missal. |
| n. 30 | 2º modo | Orações e cantos populares em comum, adequados às partes da Missa. |
| n. 31 a | 3º modo, 1º grau | As respostas mais fáceis: Amen, Et cum spiritu tuo, Deo gratias, Gloria tibi, Domine, Laus tibi, Christe, Habemus ad Dominum, Dignum et justum est, Sed libera nos a malo. |
| n. 31 b | 3º modo, 2º grau | Também as respostas do acólito e, havendo comunhão, o Confiteor e o tríplice Domine, non sum dignus. |
| n. 31 c | 3º modo, 3º grau | Também Gloria, Credo, Sanctus-Benedictus e Agnus Dei, com o celebrante. |
| n. 31 d | 3º modo, 4º grau | Também Intróito, Gradual, Ofertório e Comunhão: só para grupos bem preparados. |
Outras normas: na Missa rezada, quem participa diretamente usa só o latim, podendo-se acrescentar orações populares em vernáculo (n. 14 b); é proibido dizer em voz alta, com o celebrante, partes do Próprio, do Ordinário e do Cânon, salvo o previsto no n. 31, e da Consagração ao Pater noster convém silêncio (n. 14 c); os fiéis podem rezar com o sacerdote o Pater noster inteiro, só em latim (n. 32); na Missa cantada, quem vai comungar pode dizer com ele o tríplice Domine, non sum dignus (n. 27 c); e pode haver um comentador, de preferência clérigo, cujas intervenções breves nunca se sobreponham às orações do celebrante (n. 96).
As posturas: poucas rubricas, muito costume
O Código de Rubricas regula as posturas do celebrante, dos ministros e do coro (nn. 517–524), não as dos leigos. No coro, todos se ajoelham à Consagração e durante a comunhão dos fiéis, e em certos momentos de Missas penitenciais e de defuntos (n. 521); genuflete-se no Et incarnatus est e no Et Verbum caro factum est (n. 522); no Natal e na Anunciação todos se ajoelham enquanto se canta o Et incarnatus est (n. 518); os que não cantam podem sentar-se quando o celebrante se senta, nas leituras antes do Evangelho, do Ofertório à incensação do coro ou ao Prefácio, e do fim da comunhão à Pós-comunhão (n. 524). O costume dos fiéis nas Missas cantadas nasce dessas normas. Duas outras notas do Código ajudam a compreender o que se vê na igreja: as incensações próprias da Missa solene podem fazer-se em qualquer Missa cantada (n. 426), por isso se veem também na Missa cantada; e, quando a comunhão é dada durante a Missa, o Confiteor antes dela é omitido (n. 503), apesar de a instrução de 1958 ainda o prever (nn. 29 d e 31 b).
Na Missa rezada, as antigas rubricas mandavam o ministro ficar de joelhos durante toda a Missa, exceto ao Evangelho: assim o refere uma consulta de 1965 (Notitiae 1, p. 254, n. 77), cuja resposta, de valor apenas orientativo e já dada no contexto da reforma, manda os ministros das Missas com povo seguirem a ordem estabelecida para os fiéis. Muitos fiéis da Missa rezada se ajoelham de modo semelhante, com as exceções do Credo, do sermão e, em muitos lugares, da Epístola e do Ofertório. A instrução de 1958 inclui a postura na participação exterior (n. 22 b), sem fixá-la. Vale, portanto, o costume legítimo de cada comunidade, sob a orientação do reitor da igreja, para que todos façam o mesmo gesto ao mesmo tempo, sinal de que formam um só corpo.
Fontes
- Sagrada Congregação dos Ritos, instrução De musica sacra et sacra liturgia (3 de setembro de 1958), tradução inglesa NCWC
- Código de Rubricas (1960), nn. 272, 426, 501, 503 e 517–524 (tradução inglesa)
- Missale Romanum (1962): Ordo Missae e Ritus servandus in celebratione Missae
- Código de Direito Canônico (1983), cân. 6, 844, 915–920, 988–989 e 1248
- Código de Direito Canônico (1917), cân. 858 e 1262
- São Pio X, motu proprio Tra le sollecitudini (22 de novembro de 1903)
- Pio XI, constituição apostólica Divini cultus (20 de dezembro de 1928), AAS 21 (1929), citada na instrução de 1958, n. 28
- Pio XII, encíclica Mediator Dei (20 de novembro de 1947), nn. 95 e 98 da versão portuguesa
- Pio XII, constituição apostólica Christus Dominus (6 de janeiro de 1953) e motu proprio Sacram Communionem (19 de março de 1957)
- Paulo VI, redução do jejum eucarístico a uma hora (21 de novembro de 1964), AAS 57 (1965), p. 186
- Concílio Vaticano II, constituição Sacrosanctum Concilium (1963), nn. 14, 19 e 30
- Congregação para a Doutrina da Fé, declaração Inter insigniores (15 de outubro de 1976), n. 4
- Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, instrução Universae Ecclesiae (30 de abril de 2011), n. 27
- Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, instrução Redemptionis Sacramentum (25 de março de 2004), n. 76
- João Paulo II, encíclica Ecclesia de Eucharistia (17 de abril de 2003), n. 34
- Francisco, motu proprio Traditionis custodes (16 de julho de 2021), arts. 2–3
- Concílio de Trento, sessão XIII (11 de outubro de 1551), decreto sobre a Santíssima Eucaristia, cap. 8
- Santo Afonso Maria de Ligório, Visite al SS. Sacramento e a Maria SS., “Atto per la Comunione Spirituale” (texto italiano)
- Sagrada Congregação dos Ritos, instrução Inter Oecumenici (26 de setembro de 1964), n. 48 j (supressão das orações leoninas)
- Bento XVI, carta apostólica Ecclesiae unitatem (2 de julho de 2009), n. 4
- Notitiae 1 (1965), p. 254, n. 77, resposta de valor orientativo sobre a postura dos ministros na Missa rezada