Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

O rito, parte a parte

Ordo Missæ

A Missa Tridentina percorrida do começo ao fim. Cada parte tem sua página, com o texto latino e a tradução, o que o sacerdote e os fiéis fazem, de onde ela veio e o que significa.

Sacerdote visto de costas, com casula roxa de cruz bordada, eleva a Hóstia diante do altar; um acólito de sobrepeliz está ajoelhado ao lado, e sobre o altar se veem o missal aberto, as sacras e grandes castiçais dourados.
A elevação da Hóstia depois da consagração, momento central da Missa tradicional, com o sacerdote voltado para o altar. Andrewgardner1 · CC BY 4.0

A Missa se divide em duas grandes partes. A Missa dos Catecúmenos, da preparação ao pé do altar até o Credo, é feita de oração, louvor e leituras; antigamente os que se preparavam para o batismo podiam assistir a ela e eram despedidos antes da seguinte. A Missa dos Fiéis vai do Ofertório ao fim: a oferenda, o Cânon com a Consagração, a Comunhão e a ação de graças.

Algumas partes mudam todo dia (o Próprio: Intróito, Coleta, leituras, cantos); as demais são fixas (o Ordinário). O ponto colorido ao lado de cada parte indica a época em que ela entrou na Missa romana; em “A idade de cada parte” você vê todas de uma vez.

  1. Antes da Missa

    Asperges

    Aos domingos, antes da Missa principal, o sacerdote asperge o altar, o clero e o povo com água benta.

    1. 1Aspersão com água bentaAsperges me / Vidi aquamNos domingos, antes da Missa principal, o sacerdote asperge o altar, os ministros e o povo com água benta, enquanto se canta uma antífona de purificação. É um pequeno rito de arrependimento que prepara para o Santo Sacrifício.séc. X
  2. Missa dos Catecúmenos

    Missa catechumenorum

    Da preparação ao pé do altar até o Credo: oração, louvor, leituras e a profissão de fé.

    1. 2Sinal da cruz e Salmo 42Signum crucis et Psalmus 42 (Júdica me)A Missa começa com o sinal da cruz e com um salmo de confiança, o Salmo 42, em que o sacerdote e o acólito dialogam ao pé do altar: “Subirei ao altar de Deus, a Deus que alegra a minha juventude”.séc. XI
    2. 3ConfiteorConfiteorO sacerdote confessa os seus pecados a Deus, aos santos e aos fiéis; o acólito, em nome de todos, pede a Deus que lhe perdoe e depois também confessa. É o momento de pedir perdão antes de subir ao altar.séc. XI
    3. 4Aufer a nobis e Orámus teAufer a nobis — Orámus te, DómineTerminada a confissão, o sacerdote pede ainda a Deus que tire de nós as faltas, para que possamos entrar “no Santo dos Santos” com a alma pura. Sobe então ao altar e o beija, pedindo perdão pelos méritos dos santos cujas relíquias estão ali.séc. XI
    4. 5Incensação do altarIncensatio altarisNa Missa solene, o celebrante benze o incenso e incensa o altar. A fumaça perfumada é sinal da oração que sobe a Deus e da honra devida ao altar.séc. XI
    5. 6IntróitoIntroitusO Intróito é o canto de entrada: um versículo da Escritura (a antífona), um versículo de salmo e o Glória ao Pai, que dão o tom do dia. Muda a cada Missa.séc. VPróprio
    6. 7Kyrie eleisonKýrie, eléison“Senhor, tende piedade; Cristo, tende piedade; Senhor, tende piedade”, em grego e nove vezes. É a última lembrança da antiga ladainha que abria a Missa romana.séc. V
    7. 8Glória a Deus nas alturasGlória in excélsis DeoO hino dos anjos de Belém, ampliado em louvor à Trindade. Diz-se nos domingos e nas festas, mas se omite nos tempos de penitência (Advento, da Septuagésima à Páscoa), nas Missas de Réquiem e nos dias comuns da semana.séc. VI
    8. 9ColetaOratio (Collecta)Depois do Glória, o sacerdote saúda o povo (“O Senhor esteja convosco”) e reza em voz alta a oração própria do dia, que resume o tema da celebração e termina com a fórmula “Por nosso Senhor Jesus Cristo…”.séc. VPróprio
    9. 10EpístolaLectio (Epistola)A primeira leitura da Missa, geralmente tirada das cartas de São Paulo (“epístola” quer dizer carta), mas também do Antigo Testamento e dos Atos dos Apóstolos. Ao fim o povo responde: “Graças a Deus”.séc. IPróprio
    10. 11Gradual, Aleluia, Trato e SequênciaGraduale, Allelúja, Tractus, SequentiaEntre a Epístola e o Evangelho, a Igreja canta um salmo (o Gradual), seguido de Aleluia ou, da Septuagésima à Páscoa e nas Missas de Réquiem, de um Trato. Em certos dias há ainda uma Sequência, um hino medieval próprio.séc. VPróprio
    11. 12Munda cor meumMunda cor meum / Jube, Dómine, benedícereAntes de proclamar o Evangelho, o ministro pede a Deus que purifique o seu coração e os seus lábios, como o serafim purificou os lábios do profeta Isaías com uma brasa.séc. XI
    12. 13EvangelhoEvangeliumA leitura do Evangelho é o ponto alto da Liturgia da Palavra. Todos se levantam, fazem três pequenos sinais da cruz e escutam o texto do dia.séc. IPróprio
    13. 14SermãoSermo / HomiliaDepois do Evangelho (e antes do Credo) o sacerdote explica ao povo a Palavra de Deus ou a doutrina cristã. Não tem texto fixo no Missal, mas acompanha a leitura do Evangelho desde a Antiguidade.séc. I
    14. 15CredoCredo in unum DeumA profissão de fé da Igreja, que se canta ou reza aos domingos e nas grandes festas. O sacerdote e os fiéis ajoelham-se em “E encarnou-se por obra do Espírito Santo”.séc. XI
  3. Ofertório

    Offertorium

    O pão e o vinho são oferecidos e preparados; o Prefácio e o Sanctus abrem o santuário do Cânon.

    1. 16Antífona do OfertórioOffertoriumDepois do Credo, o sacerdote saúda o povo e convida à oração; a schola canta então um texto breve, em geral de um salmo, enquanto o altar é preparado para o sacrifício.séc. VIIPróprio
    2. 17Oferta da HóstiaSúscipe, sancte PaterO sacerdote oferece a Deus o pão que será consagrado, pedindo que o sacrifício aproveite aos vivos e aos defuntos.séc. XI
    3. 18Mistura da Água e do VinhoDeus, qui humánæ substántiæO sacerdote põe no cálice vinho e uma gota de água, que abençoa, e pede que nos tornemos participantes da divindade daquele que partilhou a nossa humanidade.séc. IX
    4. 19Oferta do CáliceOfférimus tibi, DómineO sacerdote ergue o cálice e o oferece a Deus pela salvação de todos, pedindo que a oferta suba como perfume agradável.séc. XI
    5. 20Em espírito de humildade e invocação do EspíritoIn spíritu humilitátis · Veni, sanctificátorO sacerdote pede que ele e os fiéis sejam acolhidos por Deus com a humildade de quem oferece, e invoca a bênção divina sobre as oferendas.séc. XI
    6. 21Incensação das OferendasIncensatio oblatorumNa Missa solene (e na cantada, onde se incensa), o celebrante abençoa o incenso e incensa o pão, o vinho, a cruz e o altar; depois o clero e o povo são incensados, como sinal de oferta e de oração que sobe a Deus.séc. XII
    7. 22LavaboLaváboO sacerdote lava as pontas dos dedos e reza o Salmo 25, pedindo pureza antes de tocar as oferendas.séc. IV
    8. 23Oferta à Santíssima TrindadeSúscipe, sancta TrínitasO sacerdote oferece a Missa à Santíssima Trindade, em memória da Paixão, Ressurreição e Ascensão de Cristo e em honra de Nossa Senhora e dos Santos.séc. XI
    9. 24Orai, irmãosOráte, fratresO sacerdote volta-se para o povo e pede que rezem para que o sacrifício de todos seja aceito por Deus; o acólito responde em nome de todos.séc. IX
    10. 25SecretaSecreta (Oratio super oblata)É a oração que encerra o Ofertório: uma oração própria do dia, dita em silêncio sobre o pão e o vinho, cuja conclusão em voz alta introduz o Prefácio.séc. VPróprio
    11. 26PrefácioPræfátioO sacerdote convida os fiéis a erguer o coração e dá graças a Deus em nome de todos; é a grande ação de graças que prepara o Cânon.séc. III
    12. 27SanctusSanctusTodos cantam o hino dos anjos: Santo, Santo, Santo. É a passagem do Prefácio para o Cânon, e o sino anuncia que o momento mais solene da Missa se aproxima.séc. V
  4. Cânon Romano

    Canon Missae

    A oração consecratória, rezada em silêncio: o centro do sacrifício, com a Consagração.

    1. 28Te igiturTe ígiturÉ a primeira oração do Cânon: o sacerdote, em voz baixa, pede a Deus que aceite as oferendas e reza pela Igreja, pelo Papa e pelo bispo do lugar.séc. V
    2. 29Memento dos vivosCommemoratio pro vivisO sacerdote se lembra diante de Deus das pessoas vivas por quem pede, em especial dos presentes, e faz uma pausa de oração silenciosa.séc. V
    3. 30CommunicantesCommunicántesA Igreja da terra se une à Igreja do céu: nomeia a Virgem Maria, São José, os Apóstolos e uma lista de mártires dos primeiros séculos.séc. V
    4. 31Hanc igiturHanc ígiturO sacerdote estende as mãos sobre as oferendas e pede a Deus que as aceite, que dê paz aos nossos dias, nos livre da condenação e nos conte entre os eleitos.séc. VI
    5. 32Quam oblationemQuam oblatiónemÚltima oração antes das palavras da consagração: o sacerdote pede que Deus torne a oferta perfeita para que se torne o Corpo e o Sangue de Cristo.séc. IV
    6. 33A Consagração da HóstiaConsecratio HostiæÉ o momento central da Missa: o sacerdote repete as palavras de Cristo na Última Ceia, e o pão torna-se o Corpo do Senhor. O sacerdote adora, eleva a Hóstia e o povo adora.séc. I
    7. 34A Consagração do CáliceConsecratio CálicisO sacerdote repete as palavras de Cristo sobre o cálice: o vinho torna-se o Sangue do Senhor. Genuflexão, elevação do Cálice e nova genuflexão.séc. I
    8. 35Unde et memoresUnde et mémoresÉ a anamnese: a Igreja se lembra da Paixão, da Ressurreição e da Ascensão de Cristo e oferece a Deus a Hóstia pura, santa e imaculada.séc. IV
    9. 36Supra quaeSupra quæO sacerdote pede que Deus aceite a oferta como aceitou os sacrifícios de Abel, de Abraão e de Melquisedec, figuras do sacrifício de Cristo.séc. IV
    10. 37Supplices te rogamusSúpplices te rogámusO sacerdote, inclinado sobre o altar, pede que as ofertas sejam levadas por um santo Anjo ao altar do céu, e que os comungantes sejam cumulados de bênçãos.séc. IV
    11. 38Memento dos defuntosCommemoratio pro defunctisO sacerdote reza pelos que morreram na fé e “dormem o sono da paz”, e pede para eles refrigério, luz e paz.séc. VI
    12. 39Nobis quoque peccatoribusNobis quoque peccatóribusO sacerdote bate no peito, pede em nome de todos a companhia dos santos e nomeia uma segunda lista de mártires, quase todos de Roma.séc. V
    13. 40Per quem haec omniaPer quem hæc ómniaBreve oração, com três sinais da cruz sobre as oferendas, que prepara a doxologia final. Segundo a explicação mais aceita, foi, na origem, a bênção de frutos da terra.séc. V
    14. 41Per ipsumPer ipsumO Cânon termina com uma doxologia: o sacerdote ergue a Hóstia sobre o Cálice e diz “toda a honra e glória”; o povo responde com o grande “Amen”.séc. V
  5. Comunhão

    Communio

    Do Pai-Nosso à purificação do cálice: a preparação, a comunhão do sacerdote e dos fiéis.

    1. 42Pai-NossoPater nosterDepois do Cânon, o sacerdote canta ou diz em voz alta a oração que o próprio Senhor nos ensinou, como preparação imediata para a Comunhão. Só o último pedido é respondido por outro: “Mas livrai-nos do mal”.séc. VI
    2. 43Embolismo e fração da HóstiaLíbera nos (embolismus) et fractioO sacerdote desenvolve o último pedido do Pai-Nosso — “livrai-nos do mal” — numa súplica silenciosa e, em seguida, parte a Hóstia consagrada, repetindo o gesto de Cristo na Ceia.séc. VII
    3. 44Saudação da paz e comistãoPax Dómini et commíxtioO sacerdote deseja a paz de Cristo a todos, traça três cruzes sobre o cálice com uma partícula da Hóstia e a deixa cair no Sangue do Senhor, em sinal da unidade do Corpo e do Sangue de Cristo ressuscitado.séc. VII
    4. 45Cordeiro de DeusAgnus DeiInvocação a Cristo como Cordeiro de Deus, que nasceu para acompanhar a fração do pão: três invocações que pedem misericórdia e paz (e, nos Requiem, repouso eterno aos defuntos).séc. VII
    5. 46Orações antes da Comunhão e beijo da pazOrationes ante Communionem et osculum pacisAntes de comungar, o sacerdote reza em silêncio três orações curtas: pela paz e unidade da Igreja, por si mesmo e pelo fruto da Comunhão. Na Missa solene, a paz é transmitida em um abraço litúrgico, do celebrante ao clero.séc. XI
    6. 47Comunhão do sacerdoteCommunio sacerdotisO sacerdote, tendo oferecido o Sacrifício, participa dele recebendo o Corpo e o Sangue do Senhor. Antes, reza com humildade as palavras do centurião: “Senhor, não sou digno”.séc. XII
    7. 48Comunhão dos fiéisCommunio fideliumOs fiéis recebem o Corpo do Senhor, de joelhos e na língua, com a patena de comunhão sob o queixo. O sacerdote apresenta a Hóstia com as palavras de São João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus”.séc. I
    8. 49Purificação e abluçõesAblutionesO sacerdote purifica o cálice e os dedos com vinho e água e os consome, para que nada do Sacramento seja perdido; duas breves orações pedem que o dom recebido produza fruto eterno.séc. XI
  6. Conclusão

    Conclusio

    A ação de graças, a despedida, a bênção e o Último Evangelho.

    1. 50Antífona da ComunhãoCommunioPequeno canto que a Igreja entoa enquanto os fiéis comungam. Muda a cada dia da Missa: quase sempre um versículo da Escritura que ressoa o mistério da festa ou do tempo litúrgico.séc. IVPróprio
    2. 51Pós-comunhãoPostcommunioÚltima oração própria da Missa. O sacerdote pede que o dom recebido na Comunhão produza fruto na vida do fiel. É dita voltado ao altar, depois da saudação “Dóminus vobíscum”.séc. VPróprio
    3. 52DespedidaIte, Missa estO sacerdote ou o diácono despede a assembleia com a fórmula “Ite, Missa est”, a que o povo responde “Deo grátias”. Nas Missas seguidas de procissão usa-se “Benedicámus Dómino”, e nas Missas de Requiem, “Requiéscant in pace”.séc. VII
    4. 53Oração “Pláceat tibi”Pláceat tibi, sancta TrínitasÚltima oração que o sacerdote reza ao altar antes de abençoar o povo. Ele pede à Santíssima Trindade que aceite o sacrifício oferecido, apesar de sua indignidade.séc. XI
    5. 54Bênção finalBenedíctioO sacerdote abençoa a assembleia em nome da Santíssima Trindade, traçando sobre ela o sinal da cruz. Não há bênção nas Missas de Requiem nem naquelas em que se diz “Benedicámus Dómino”.séc. XI
    6. 55Último EvangelhoUltimum Evangelium (Jo 1, 1-14)O prólogo do Evangelho de São João, lido ao fim da Missa. Ao dizer “E o Verbo se fez carne”, o sacerdote faz genuflexão, e com ele os ministros e o clero no coro; os fiéis o acompanham, para adorar o mistério da Encarnação.séc. XIII
    7. 56Orações leoninas (depois da Missa rezada)Preces post Missam (Orationes Leonis XIII)Orações que, até 1964, se rezavam de joelhos ao fim da Missa rezada: três Ave-Marias, a Salve Rainha, uma oração pela Igreja, a oração a São Miguel e uma invocação ao Sagrado Coração. Em algumas comunidades tradicionais ainda se rezam.séc. XIX