Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Glossário

Lexicon

242 termos da Missa Tridentina, de A a Z: partes do rito, paramentos, objetos, livros, gestos e documentos, explicados em poucas linhas.

A

AbluçãoAblutio

Purificação que o sacerdote faz logo depois de comungar: recebe no cálice um pouco de vinho e, em seguida, vinho e água sobre os dedos que tocaram a Hóstia, e consome essas abluções, para que nenhum fragmento do Sacramento se perca. Enquanto isso reza Quod ore súmpsimus, Dómine e Corpus tuum, Dómine. Depois enxuga o cálice com o sanguíneo e o cobre.

Veja também: Sanguíneo, Cálice, Comunhão

AcólitoAcolythus

A mais alta das quatro ordens menores, encarregada das velas e de apresentar o vinho e a água; no uso corrente, o nome passou a designar qualquer servidor do altar, inclusive leigos e meninos. Na Missa rezada, o acólito responde ao sacerdote em nome do povo, muda o Missal de lado, apresenta as galhetas e toca a campainha. Desde 1972, fora do uso antigo, o acolitato é um ministério instituído, e não mais uma ordem.

Veja também: Coroinha, Ceroferário, Turiferário, Ordens menores

Ad orientem

Expressão latina, “voltado para o oriente”: o sacerdote celebra voltado para o altar, na mesma direção que os fiéis, e não de frente para eles. Desde os primeiros séculos os cristãos rezavam para o nascer do sol, imagem de Cristo que há de voltar; onde a igreja não está orientada, o altar marca o “oriente litúrgico”. Sacerdote e povo estão juntos, voltados para o Senhor. Veja O altar, os paramentos e os ministros.

Veja também: Versus populum, Altar

Administração Apostólica

Circunscrição eclesiástica governada, em nome do Papa, por um administrador apostólico, em vez de um bispo diocesano. No Brasil, o termo lembra sobretudo a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, erigida por São João Paulo II em 18 de janeiro de 2002, no território da diocese de Campos (RJ), para os padres e fiéis da antiga União Sacerdotal São João Maria Vianney, com a faculdade de celebrar segundo os livros litúrgicos codificados por São Pio V. Seu primeiro administrador foi Dom Licínio Rangel († 16 de dezembro de 2002).

Veja também: Missa Tridentina, Ecclesia Dei

AdventoAdventus

Tempo de preparação para o Natal e para a vinda gloriosa de Cristo. Começa no domingo que cai em 30 de novembro ou é o mais próximo dessa data (Código de Rubricas, n. 20) e tem quatro domingos. A cor é o roxo, e nas Missas do tempo omite-se o Gloria; no 3º domingo, Gaudete, podem-se usar paramentos rosa. Veja O ano litúrgico.

Veja também: Cor litúrgica, Têmporas, Temporal

Agnus DeiAgnus Dei, qui tollis peccáta mundi

Invocação “Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo”, dita três vezes depois da Fração e antes da comunhão; as duas primeiras terminam com miserére nobis (“tende piedade de nós”) e a terceira com dona nobis pacem (“dai-nos a paz”). Segundo o Liber Pontificalis, foi o papa Sérgio I (687–701) quem a introduziu na Missa romana. Nas Missas de defuntos pede-se o descanso eterno (dona eis réquiem) e o sacerdote não bate no peito.

Veja também: Ósculo da paz, Domine, non sum dignus, Missa de Réquiem

Água bentaAqua benedicta

Água abençoada pelo sacerdote, à qual se mistura sal também bento, segundo o Ritual Romano. É um sacramental: lembra o Batismo, purifica e protege contra o mal. Os fiéis se benzem com ela ao entrar na igreja, e aos domingos o sacerdote asperge com ela o altar, o clero e o povo antes da Missa principal.

Veja também: Asperges, Hissope, Caldeirinha

AleluiaAllelúia

Aclamação hebraica, “louvai o Senhor”, cantada com um versículo depois do Gradual, como saudação ao Evangelho. Da Septuagésima até a Páscoa ela se cala e cede lugar ao Trato; no Tempo Pascal, ao contrário, multiplica-se, e o Gradual é substituído por um duplo Aleluia com dois versículos. O longo melisma sobre a última vogal chama-se iúbilus.

Veja também: Gradual, Trato, Sequência, Tempo Pascal

AltarAltare

Mesa de pedra, consagrada pelo bispo, sobre a qual se oferece o Sacrifício da Missa: é o centro da igreja, para onde tudo se volta. Guarda relíquias de mártires num pequeno sepulcro e, quando não é todo de pedra consagrada, tem ao menos uma ara embutida (Código de Rubricas, n. 525). É coberto por três toalhas de linho e beijado muitas vezes pelo sacerdote. Veja O altar, os paramentos e os ministros.

Veja também: Altar-mor, Ara, Toalha de altar, Supedâneo

Altar da reposição

Altar ornado para onde, na Quinta-feira Santa, depois da Missa da Ceia do Senhor, o Santíssimo Sacramento é levado em procissão e guardado até a comunhão da Sexta-feira Santa, dia em que não há consagração. Os fiéis o visitam em adoração ao longo da noite. O povo costuma chamá-lo, impropriamente, de “sepulcro”.

Veja também: Semana Santa, Tríduo Sacro, Tabernáculo

Altar-mor

O altar principal de uma igreja, erguido sobre degraus no fundo do presbitério, com o crucifixo e os castiçais; nas igrejas antigas, costuma guardar também o tabernáculo. Distingue-se dos altares laterais, dedicados a santos ou a devoções, nos quais também se celebram Missas.

Veja também: Altar, Supedâneo, Tabernáculo

AlvaAlba

Túnica branca de linho que desce até os pés, vestida por todos os ministros sagrados sobre o amito. Lembra a veste batismal e a pureza com que se sobe ao altar; ao vesti-la, o sacerdote reza Deálba me, Dómine, et munda cor meum (“Branqueai-me, Senhor, e purificai o meu coração”). É presa à cintura pelo cíngulo.

Veja também: Amito, Cíngulo, Paramento

AmitoAmictus

Pano retangular de linho, com duas fitas, que o sacerdote põe primeiro sobre a cabeça e depois ajusta em volta do pescoço e dos ombros, antes da alva. Sua origem é prática (cobrir a gola e proteger a veste), mas a oração do Missal faz dele o “capacete da salvação” de Ef 6,17: Impóne, Dómine, cápiti meo gáleam salútis. Algumas ordens religiosas o mantêm sobre a cabeça até o altar.

Veja também: Alva, Paramento

AnáforaAnaphora

Palavra grega, “oferta, elevação”, que designa a grande oração eucarística das liturgias orientais e, por extensão, de qualquer rito. No rito romano, a anáfora corresponde ao conjunto do Prefácio e do Cânon.

Veja também: Cânon, Prefácio, Epiclese

AnamneseAnamnesis

“Memória”, em grego: a parte da oração eucarística que, logo depois da Consagração, recorda a Paixão, a Ressurreição e a Ascensão do Senhor, cumprindo o mandato “fazei isto em memória de mim”. No Cânon romano é a oração Unde et mémores, que oferece a Deus a “hóstia pura, hóstia santa, hóstia imaculada”, com cinco sinais da cruz sobre as espécies.

Veja também: Cânon, Consagração, Epiclese

AntífonaAntiphona

Versículo breve, quase sempre bíblico, cantado antes e depois de um salmo para lhe dar o tom da festa. Na Missa, o Intróito, o Ofertório e a Comunhão são antífonas que outrora acompanhavam salmos inteiros, cantados durante as procissões; do salmo resta hoje, no Intróito, um só versículo com o Glória Patri.

Veja também: Intróito, Ofertório, Comunhão, Próprio

AraAltare portatile

Pedra consagrada pelo bispo, com um pequeno sepulcro de relíquias, embutida na mesa de um altar que não foi consagrado por inteiro; também se chama pedra d’ara ou altar portátil. Deve ser grande o bastante para receber a Hóstia e a maior parte do cálice (Código de Rubricas, n. 525). As rubricas exigem, para a Missa, um altar consagrado ou, ao menos, uma ara.

Veja também: Altar, Relíquia, Sepulcro

AspergesAspérges me, Dómine, hyssópo, et mundábor

Rito de aspersão que, aos domingos, precede a Missa principal: o sacerdote, de pluvial, asperge com água benta o altar, o clero e o povo, enquanto se canta a antífona Aspérges me (Sl 50,9: “Aspergi-me, Senhor, com o hissopo, e serei purificado”). No Tempo Pascal, a antífona é o Vidi aquam. O rito não faz parte da Missa propriamente dita: terminado, o sacerdote troca o pluvial pela casula.

Veja também: Vidi aquam, Água benta, Hissope, Pluvial

B

BáculoBaculus pastoralis

Bastão pastoral, recurvado no alto, sinal do ofício do bispo (e de certos abades) como pastor do rebanho. É usado nas Missas pontificais e nas procissões, junto com a mitra.

Veja também: Mitra, Missa pontifical

BaldaquinoBaldachinum

Dossel fixo, de pedra, madeira, metal ou tecido, erguido sobre o altar para honrá-lo e cobri-lo; nas basílicas antigas também se chama cibório. O mais célebre é o de Bernini, em bronze, sobre o altar papal da basílica de São Pedro.

Veja também: Altar, Umbela, Cibório

BarreteBiretum

Chapéu rígido e quadrado, com três (às vezes quatro) cristas no alto, usado pelo clero com a batina e as vestes de coro. O sacerdote vai da sacristia ao altar com ele na cabeça e o entrega ao acólito ao pé dos degraus; na Missa solene, os ministros o usam quando estão sentados. É preto para os padres, violáceo para os bispos e vermelho para os cardeais.

Veja também: Batina, Sobrepeliz

BatinaVestis talaris

Veste longa, até os calcanhares, abotoada na frente, própria dos clérigos e também usada pelos acólitos sob a sobrepeliz. Não é paramento litúrgico, mas a roupa sobre a qual os paramentos são vestidos. É preta para os padres; bispos e cardeais usam cores e debruns próprios.

Veja também: Barrete, Sobrepeliz

Bênção finalBenedictio

Bênção que o sacerdote dá ao povo depois do Ite, missa est e da oração Pláceat: Benedícat vos omnípotens Deus, Pater, et Fílius, ✠ et Spíritus Sanctus (“Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai, e Filho, e Espírito Santo”). Os fiéis a recebem de joelhos. Omite-se quando se diz Benedicámus Dómino e nas Missas de defuntos (Código de Rubricas, n. 508).

Veja também: Ite missa est, Último Evangelho

BolsaBursa

Estojo quadrado e rígido, revestido do mesmo tecido e da mesma cor dos paramentos, em que se leva o corporal dobrado. Vai sobre o véu, por cima do cálice, quando o sacerdote se dirige ao altar.

Veja também: Corporal, Véu do cálice, Cálice

BreviárioBreviarium Romanum

Livro que contém o Ofício divino, a oração das horas que os clérigos de ordens maiores rezam todos os dias: Matinas, Laudes, Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas. O Breviário Romano reformado depois de Trento foi promulgado por São Pio V em 1568; o de 1962 acompanha o Missal da mesma data e segue o Código de Rubricas.

Veja também: Ofício divino, Vésperas

BulaBulla

Documento pontifício solene, chamado assim pelo selo de chumbo (bulla) que o autenticava. A bula Quo primum, de São Pio V (1570), promulgou o Missal Romano reformado depois do Concílio de Trento.

Veja também: Quo Primum, Motu proprio

C

Caeremoniale Episcoporum

“Cerimonial dos Bispos”: livro que regula as funções pontificais e a liturgia nas catedrais e colegiadas, publicado por Clemente VIII em 1600. Completa o Missal e o Pontifical, descrevendo em detalhe o papel do bispo, dos cônegos e dos ministros.

Veja também: Pontificale Romanum, Missa pontifical, Rubrica

CaldeirinhaVas aquae benedictae

Pequeno balde de metal, com alça, que contém a água benta das aspersões; um acólito o leva ao lado do sacerdote, que nele mergulha o hissope.

Veja também: Hissope, Água benta, Asperges

CáliceCalix

Taça sagrada em que se oferece e se consagra o vinho, com copa, nó e pé; deve ser de ouro ou de prata, ou ao menos ter a copa dourada por dentro (Ritus servandus I, 1), e é consagrado pelo bispo com o santo crisma. Chega ao altar coberto pela pala, pelo véu e pela bolsa. Pelo Código de 1917, só os clérigos, ou quem os guardava, podiam tocar o cálice e a patena (cân. 1306).

Veja também: Patena, Pala, Véu do cálice, Sanguíneo

CampainhaCampanula

Sineta que o acólito toca para chamar a atenção dos fiéis para os momentos principais: pouco antes da Consagração e três vezes a cada elevação (Ritus servandus VIII, 6); pelo costume, também no Sanctus e no Dómine, non sum dignus. Da Quinta-feira Santa à Vigília Pascal, silencia.

Veja também: Elevação, Consagração, Acólito

CânonCanon Missae

A grande oração consecratória da Missa romana, do Te ígitur à doxologia final, dita pelo sacerdote quase toda em silêncio; canon quer dizer “regra”, pois o texto é fixo. Seu núcleo já é citado por Santo Ambrósio (De sacramentis, c. 390), e o texto chegou praticamente à forma atual com São Gregório Magno († 604). Nele se dá a Consagração. Veja O rito, parte a parte.

Veja também: Te igitur, Memento, Doxologia, Anáfora

Canto gregorianoCantus gregorianus

O canto próprio da liturgia romana: monódico (uma só linha melódica), em latim, de ritmo livre, nascido da própria palavra. O nome evoca São Gregório Magno, mas os estudiosos situam a formação do repertório que conhecemos sobretudo nos séculos VIII e IX, no encontro do canto romano com o franco. São Pio X o restaurou com o motu proprio Tra le sollecitudini (1903), e o Vaticano II reconheceu-o como canto próprio da liturgia romana (Sacrosanctum Concilium, 116). Veja O latim e o canto.

Veja também: Neuma, Modo, Schola, Graduale Romanum

CasulaCasula / Planeta

O paramento mais externo do sacerdote na Missa, aberto dos lados, na cor do dia; ao vesti-lo, ele recorda o “jugo suave” de Cristo (Dómine, qui dixísti: Iugum meum suáve est). O nome vem do latim casula, “casinha”, porque na origem era um manto que envolvia todo o corpo. A forma romana, recortada dos lados, firmou-se nos séculos XVI e XVII; a forma ampla, dita gótica, voltou ao uso no século XX.

Veja também: Paramento, Cor litúrgica, Dalmática, Estola

CatecúmenoCatechumenus

Quem se prepara para receber o Batismo. Na Igreja antiga, os catecúmenos participavam das leituras e da pregação, mas eram despedidos antes do Ofertório; daí o nome tradicional da primeira parte da Missa.

Veja também: Missa dos Catecúmenos, Missa dos Fiéis

CelebranteCelebrans

O sacerdote ou bispo que oferece a Missa e pronuncia as palavras da Consagração; os demais ministros o assistem. Na Missa solene, é acompanhado pelo diácono e pelo subdiácono.

Veja também: Sacerdote, In persona Christi

CerimoniárioCaeremoniarius

Outro nome do mestre de cerimônias: quem conhece as rubricas e conduz a ordem da celebração. Os tratados clássicos de cerimônias, como os de Fortescue ou de Martinucci, foram escritos sobretudo para ele e para o clero.

Veja também: Mestre de cerimônias, Rubrica

CeroferárioCeroferarius

Acólito que leva uma vela acesa num castiçal alto nas procissões e no canto do Evangelho; na Missa solene são dois, ladeando o cruciferário.

Veja também: Acólito, Cruciferário, Tocheiro

CibórioPyxis / Ciborium

Vaso sagrado em forma de cálice com tampa, também chamado píxide ou âmbula, em que se consagram e se guardam no tabernáculo as hóstias para a comunhão dos fiéis; é coberto por um pequeno véu. O mesmo nome designa, nas basílicas antigas, o dossel de pedra sobre o altar.

Veja também: Tabernáculo, Hóstia, Conopeu, Baldaquino

CínguloCingulum

Cordão, ou faixa, com que se cinge a alva à cintura; simboliza a castidade e o domínio de si. Pode ser branco ou da cor do dia. Ao atá-lo, o sacerdote reza Præcínge me, Dómine, cíngulo puritátis (“Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza”).

Veja também: Alva, Estola

Círio pascalCereus paschalis

Grande vela benta na Vigília Pascal, marcada com uma cruz, as letras alfa e ômega e os algarismos do ano, e com cinco grãos de incenso, sinal das chagas de Cristo ressuscitado. Fica junto ao altar e é aceso nas celebrações solenes do Tempo Pascal; apaga-se depois do Evangelho da festa da Ascensão.

Veja também: Vigília Pascal, Exsultet, Tempo Pascal

CismaSchisma

Ruptura da unidade da Igreja: a recusa de submissão ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos (Código de 1983, cân. 751). Distingue-se da heresia, que nega uma verdade de fé, e da apostasia, que abandona a fé; o cismático incorre em excomunhão automática (cân. 1364 §1). Cisma não é o mesmo que simples desobediência ou divergência de opinião: supõe uma separação real da comunhão eclesial.

Veja também: FSSPX

Classe litúrgicaClassis

Grau de importância de cada dia no calendário de 1962, que decide qual celebração prevalece quando duas coincidem. O Código de Rubricas de 1960 distribuiu os dias em classes: os domingos são de I ou II classe, as festas de I a III, as vigílias de I a III e as férias de I a IV (nn. 10, 22, 29 e 36). Substituiu a antiga graduação em duplex, semiduplex e simples.

Veja também: Código de Rubricas, Féria, Comemoração, Santoral

Código de RubricasCodex Rubricarum

Conjunto das normas gerais da Missa e do Ofício, promulgado por São João XXIII com o motu proprio Rubricarum instructum (25 de julho de 1960) e em vigor desde 1º de janeiro de 1961. Simplificou o calendário, criou as classes de dias e foi incorporado ao Missal de 1962, no lugar das Rubricae generales de 1570. Veja Através dos séculos.

Veja também: Rubrica, Classe litúrgica, Missale Romanum

ColetaCollecta

A oração principal do dia, dita ou cantada pelo sacerdote depois do Gloria (ou do Kyrie), precedida de Dóminus vobíscum e Orémus. Chama-se assim porque “recolhe” num só pedido as intenções do povo; segue um esquema clássico de invocação, súplica e conclusão trinitária, e muda a cada Missa. Pode ser seguida de comemorações, sem passar de três orações ao todo (Código de Rubricas, n. 435).

Veja também: Comemoração, Oremus, Secreta, Pós-comunhão

ComemoraçãoCommemoratio

Lembrança secundária de um santo ou de um dia litúrgico que coincidiu com a celebração principal e cedeu lugar a ela: acrescenta-se a sua oração depois da Coleta, da Secreta e da Pós-comunhão do dia. O Código de Rubricas de 1960 reduziu muito as comemorações e fixou o limite de três orações por Missa (n. 435).

Veja também: Coleta, Classe litúrgica

ComistãoCommíxtio

“Mistura”: o gesto, depois do Pax Dómini, em que o sacerdote deixa cair no cálice a partícula da Hóstia reservada na Fração, dizendo em silêncio Hæc commíxtio et consecrátio Córporis et Sánguinis Dómini nostri Jesu Christi. Significa o Corpo e o Sangue do Senhor reunidos, como sinal do Cristo vivo, depois de apresentados separados na Consagração.

Veja também: Fração, Agnus Dei, Hóstia

CommunicantesCommunicántes, et memóriam venerántes

Oração do Cânon que segue o Memento dos vivos: “em comunhão” com a Igreja do céu, venera a Virgem Maria, São José, os doze Apóstolos e doze mártires dos primeiros séculos, muitos deles venerados em Roma desde a Antiguidade. Nas grandes festas do Senhor — Natal, Epifania, Quinta-feira Santa, Páscoa, Ascensão e Pentecostes — recebe um acréscimo próprio que recorda o mistério celebrado. São José foi inserido na lista por decreto de 13 de novembro de 1962, por vontade de São João XXIII.

Veja também: Cânon, Memento, Hanc igitur

Comum dos SantosCommune Sanctorum

Seção do Missal com formulários de Missa para categorias de santos — mártires, confessores, doutores, virgens etc. —, usados quando o santo do dia não tem Missa própria completa. Por exemplo, a Missa In médio Ecclésiæ, dos doutores da Igreja.

Veja também: Santoral, Próprio, Missal

ComunhãoCommunio

Designa tanto a recepção do Corpo do Senhor quanto a antífona do Próprio que se diz ou se canta depois dela. Na Missa tradicional, os fiéis comungam de joelhos, na língua, sob a espécie do pão, na mesa de comunhão; a cada um, o sacerdote diz Corpus Dómini nostri Iesu Christi custódiat ánimam tuam in vitam ætérnam. Amen (“O Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde a tua alma para a vida eterna. Amém”). Veja Como participar.

Veja também: Domine, non sum dignus, Jejum eucarístico, Comunhão espiritual, Pós-comunhão

Comunhão dos santosCommunio sanctorum

Artigo do Credo apostólico: a unidade de todos os membros da Igreja — os que peregrinam na terra, os que se purificam depois da morte e os bem-aventurados no céu —, que participam dos mesmos bens espirituais e rezam uns pelos outros (Catecismo, nn. 946–962). A expressão designa ao mesmo tempo a comunhão entre os santos (pessoas) e a participação nas coisas santas, sobretudo a Eucaristia. Na Missa tradicional ela aparece no Communicantes, nos dois Memento e no Nobis quoque.

Veja também: Communicantes, Memento, Purgatório, Nobis quoque peccatoribus

Comunhão espiritual

Desejo ardente de receber a Eucaristia, expresso em oração por quem, naquele momento, não pode ou não deve comungar sacramentalmente. O Concílio de Trento distingue os que comungam só sacramentalmente, só espiritualmente (pelo desejo) e de ambos os modos (sessão XIII, cap. 8), e Santo Tomás de Aquino trata dela na Suma Teológica (III, q. 80, a. 1).

Veja também: Comunhão, Jejum eucarístico

ConfiteorConfíteor Deo omnipoténti

Confissão geral dos pecados — “Confesso a Deus todo-poderoso” —, dita ao pé do altar primeiro pelo sacerdote e depois pelos ministros, em nome do povo, batendo três vezes no peito ao mea culpa; pede-se a intercessão da Virgem, de São Miguel, de São João Batista, dos Apóstolos Pedro e Paulo e de todos os santos. As rubricas de 1960 suprimiram o segundo Confiteor, antes da comunhão dos fiéis (n. 503), mas em muitos lugares ele continua a ser dito por costume.

Veja também: Orações ao pé do altar, Iudica me

ConopeuConopaeum

Véu em forma de tenda que cobre o tabernáculo onde se guarda o Santíssimo Sacramento, sinal da sua presença. É branco ou da cor do dia, mas nunca preto: nas Missas de defuntos usa-se o roxo.

Veja também: Tabernáculo, Cor litúrgica

ConsagraçãoConsecratio

O momento central da Missa, no meio do Cânon, em que o sacerdote, agindo na pessoa de Cristo, pronuncia as palavras da Última Ceia sobre o pão e sobre o vinho, que se tornam o Corpo e o Sangue do Senhor. Na Missa tradicional, ele as diz em voz baixa, inclinado sobre o altar, e as faz seguir de genuflexão e elevação. Sobre o pão, a forma é Hoc est enim Corpus meum (“Isto é o meu Corpo”).

Veja também: Transubstanciação, Elevação, In persona Christi, Matéria e forma

Cor litúrgicaColor liturgicus

A cor dos paramentos, que acompanha o tempo e a festa. O Missal de 1962 usa cinco cores — branco, vermelho, verde, roxo e preto — e admite o rosa em dois domingos, Gaudete (3º do Advento) e Laetare (4º da Quaresma) (Código de Rubricas, nn. 117 e 131). O branco é das festas do Senhor, de Nossa Senhora e dos santos não mártires; o vermelho, do Espírito Santo e dos mártires; o verde, dos domingos comuns; o roxo, da penitência; o preto, dos defuntos.

Veja também: Paramento, Advento, Quaresma

Coroinha

Nome popular, no Brasil, do menino ou rapaz que serve ao altar; corresponde ao acólito da linguagem litúrgica. Responde ao sacerdote na Missa rezada, leva as galhetas, toca a campainha e segura a patena de comunhão.

Veja também: Acólito, Missa rezada

CorporalCorporale

Quadrado de linho branco estendido no centro do altar, sobre o qual repousam a Hóstia e o cálice; o nome vem de corpus, porque recebe o Corpo do Senhor. Deve ser só de linho (Ritus servandus I, 1); os fragmentos que nele caem são recolhidos com a patena, e depois da Missa é dobrado e guardado na bolsa.

Veja também: Bolsa, Pala, Sanguíneo

CredênciaCredentia

Pequena mesa no lado da Epístola, coberta com toalha, onde ficam as galhetas, o jarro e a bacia do lavabo e, na Missa solene, o cálice e outros objetos até serem levados ao altar. O nome vem do italiano credenza, aparador.

Veja também: Galheta, Lavabo, Lado da Epístola

CredoCredo in unum Deum

A profissão de fé niceno-constantinopolitana, dita ou cantada depois do Evangelho aos domingos e nas festas maiores. Entrou tarde na Missa romana: em 1014, sob o papa Bento VIII, a pedido do imperador Henrique II, quando já se cantava havia séculos no Oriente, na Espanha e na Gália. Às palavras Et incarnátus est, que confessam a Encarnação, o sacerdote faz genuflexão e os fiéis se ajoelham.

Veja também: Evangelho, Glória

CruciferárioCrucifer

Acólito que leva a cruz processional à frente das procissões e na entrada e saída da Missa solene, entre os dois ceroferários.

Veja também: Ceroferário, Acólito

D

DalmáticaDalmatica

Paramento próprio do diácono na Missa solene: túnica de mangas curtas e largas, aberta dos lados, na cor do dia. O bispo, na Missa pontifical, a veste sob a casula. A oração ao vesti-la a chama de “veste de alegria” e “dalmática da justiça”; é muito parecida com a tunicela do subdiácono.

Veja também: Diácono, Tunicela, Missa solene

DiáconoDiaconus

O primeiro grau do sacramento da Ordem, instituído para o serviço. Na Missa solene, o diácono assiste o celebrante, canta o Evangelho, prepara o cálice no Ofertório e canta o Ite, missa est; veste a dalmática e usa a estola atravessada, do ombro esquerdo ao lado direito. Na disciplina latina tradicional, era em geral a última etapa antes do sacerdócio.

Veja também: Subdiácono, Dalmática, Missa solene, Ordens maiores

Domine, non sum dignusDómine, non sum dignus, ut intres sub tectum meum

Palavras do centurião (Mt 8,8), “Senhor, não sou digno de que entreis sob o meu teto”, que o sacerdote diz três vezes, batendo no peito, antes de comungar, e repete antes da comunhão dos fiéis, depois de lhes mostrar a Hóstia com o Ecce Agnus Dei. A frase continua: sed tantum dic verbo, et sanábitur ánima mea (“mas dizei uma só palavra, e a minha alma será curada”).

Veja também: Comunhão, Agnus Dei

Dominus vobiscumDóminus vobíscum. ℟. Et cum spíritu tuo.

Saudação bíblica (Rt 2,4) “O Senhor esteja convosco”, à qual se responde Et cum spíritu tuo (“E com o teu espírito”). Na Missa comum ocorre oito vezes: ao pé do altar, antes da Coleta e da Pós-comunhão, e na abertura do Evangelho, do Último Evangelho, do Ofertório, do Prefácio e da despedida; em quatro delas (Coleta, Ofertório, Pós-comunhão e despedida) o sacerdote se volta para o povo. Veja O Ordinário da Missa.

Veja também: Oremus, Versículo, Responsório

DoxologiaDoxologia

Fórmula de louvor à Santíssima Trindade. A mais solene conclui o Cânon — Per ipsum, et cum ipso, et in ipso —, enquanto o sacerdote traça cinco sinais da cruz com a Hóstia e ergue ligeiramente a Hóstia e o cálice (a “pequena elevação”); o Amen que se segue ao Per ómnia sǽcula sæculórum ratifica toda a oração. O Glória Patri e o Gloria in excélsis também são doxologias.

Veja também: Cânon, Elevação, Pater noster

E

Ecclesia Dei

Motu proprio de São João Paulo II (2 de julho de 1988), publicado depois das sagrações episcopais conferidas por Dom Marcel Lefebvre sem mandato pontifício. Pediu aos bispos que aplicassem com amplitude e generosidade o indulto de 1984 e criou a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, que acompanhou os institutos ligados ao rito antigo até ser suprimida em 2019, quando suas funções passaram à Congregação para a Doutrina da Fé.

Veja também: Indulto, Quattuor abhinc annos, FSSP, FSSPX

Edição típicaEditio typica

Edição oficial de um livro litúrgico, publicada pela Santa Sé, à qual todas as outras devem conformar-se. O Missal Romano teve edições de referência em 1570, 1604, 1634, 1884, 1920 e 1962; a de 1962, de São João XXIII, é a usada hoje na Missa tradicional. Veja Através dos séculos.

Veja também: Missale Romanum, Missal, Código de Rubricas

ElevaçãoElevatio

Gesto com que o sacerdote, logo após consagrar, ergue a Hóstia e depois o cálice acima da cabeça para que os fiéis, ajoelhados, os adorem, enquanto a campainha toca. A elevação da Hóstia surgiu em Paris por volta de 1200, ligada ao desejo de ver o Sacramento; a do cálice difundiu-se depois e foi fixada no Missal de 1570, assim como a genuflexão antes e depois de cada elevação.

Veja também: Consagração, Campainha, Genuflexão

EmbolismoEmbolismus

Oração que desenvolve o último pedido do Pai-nosso: Líbera nos, quǽsumus, Dómine, ab ómnibus malis (“Livrai-nos, Senhor, de todos os males”), pedindo a paz pela intercessão da Virgem e dos santos. É dita em voz baixa; durante ela o sacerdote se benze com a patena, põe sobre ela a Hóstia e começa a Fração. O nome vem do grego e significa “inserção”.

Veja também: Pater noster, Fração, Patena

EncíclicaLitterae encyclicae

Carta solene do Papa, dirigida aos bispos e, por meio deles, a toda a Igreja, para ensinar sobre a fé, a moral ou a vida cristã. Sobre a liturgia e a Eucaristia, as mais citadas são a Mediator Dei, de Pio XII (20 de novembro de 1947), e a Mysterium fidei, de São Paulo VI (3 de setembro de 1965). Veja Biblioteca.

Veja também: Motu proprio, Bula, Movimento Litúrgico

EpicleseEpiclesis

Do grego, “invocação”: a súplica para que Deus envie o Espírito Santo sobre as oferendas e sobre os fiéis. As anáforas orientais a têm de modo explícito depois das palavras da instituição; o Cânon romano não nomeia o Espírito Santo nesse ponto, e os estudiosos discutem se o Quam oblatiónem, antes da Consagração, ou o Súpplices te rogámus, depois dela, fazem as vezes de epiclese. A teologia latina sustenta que a consagração se realiza pelas palavras de Cristo ditas pelo sacerdote.

Veja também: Anáfora, Quam oblationem, Cânon

EpístolaEpistola

Primeira leitura da Missa, tirada geralmente das cartas dos Apóstolos — daí o nome —, às vezes do Antigo Testamento, dos Atos ou do Apocalipse. É lida no lado direito do altar, chamado por isso lado da Epístola; na Missa solene, é cantada pelo subdiácono. No fim, responde-se Deo grátias.

Veja também: Lado da Epístola, Subdiácono, Gradual, Lecionário

EspéciesSpecies

As aparências sensíveis do pão e do vinho — cor, sabor, peso — que permanecem depois da Consagração, quando a substância já é o Corpo e o Sangue de Cristo. Daí se dizer “comungar sob uma espécie” (só a Hóstia) ou “sob as duas espécies”.

Veja também: Transubstanciação, Hóstia, Presença real

EstaçãoStatio

Na Roma antiga, a igreja em que o papa celebrava com o clero e o povo em certos dias do ano, sobretudo na Quaresma, muitas vezes depois de uma procissão desde outra igreja. O Missal ainda indica a estação no alto de muitas Missas: por exemplo, Statio ad S. Sabínam na Quarta-feira de Cinzas.

Veja também: Quaresma, Coleta

EstolaStola

Faixa longa de tecido, na cor do dia, sinal do poder sagrado de quem a usa. Na Missa, o sacerdote a cruza sobre o peito (o bispo a deixa pender reta), e o diácono a usa atravessada, do ombro esquerdo ao lado direito. Ao vesti-la, o sacerdote pede a “estola da imortalidade” perdida pelo pecado dos primeiros pais (Redde mihi, Dómine, stolam immortalitátis).

Veja também: Paramento, Manípulo, Diácono

EvangelhoEvangelium

Leitura de um trecho dos quatro Evangelhos, ponto alto da Missa dos Catecúmenos. É lido no lado esquerdo do altar ou, na Missa solene, cantado pelo diácono com velas e incenso. Todos ficam de pé e fazem três pequenos sinais da cruz, na fronte, nos lábios e no peito; no fim responde-se Laus tibi, Christe, e o sacerdote beija o livro.

Veja também: Lado do Evangelho, Último Evangelho, Diácono

Ex opere operato

Expressão latina, “pela obra realizada”: os sacramentos conferem a graça pela própria ação sacramental devidamente realizada, por virtude de Cristo, e não pela santidade do ministro. O Concílio de Trento o definiu (sessão VII, 1547, cân. 8). A disposição de quem recebe (ex opere operantis) condiciona os frutos, mas não faz o sacramento.

Veja também: In persona Christi, Matéria e forma

ExorcistaExorcista

A terceira das quatro ordens menores. Segundo o Pontifical Romano, cabia-lhe expulsar os demônios, avisar os que não iam comungar que dessem lugar e derramar a água no serviço do altar. O exorcismo solene dos possessos sempre exigiu licença expressa do bispo.

Veja também: Ordens menores, Ostiário, Leitor, Acólito

ExsultetExsúltet iam angélica turba cælórum

O Precônio pascal (Præcónium paschále), longo hino de louvor que o diácono canta na Vigília Pascal diante do círio aceso: “Exulte já a multidão angélica dos céus”. Celebra a noite em que Cristo venceu a morte e chega a chamar o pecado de Adão de “feliz culpa” (felix culpa).

Veja também: Círio pascal, Vigília Pascal, Diácono

F

FaldistórioFaldistorium

Cadeira dobrável, sem encosto, usada pelo bispo quando não ocupa o trono (por exemplo, fora da própria diocese) e em certas funções, como as ordenações, em que também serve de apoio para ajoelhar.

Veja também: Missa pontifical, Báculo

FériaFeria

Na linguagem litúrgica, qualquer dia da semana que não seja domingo (Código de Rubricas, n. 21); quando não há festa, celebra-se a Missa “da féria”, que fora da Quaresma e de certos dias costuma repetir a do domingo anterior. Segunda-feira é féria secunda, terça féria tertia, e assim por diante: daí os nomes dos dias da semana em português.

Veja também: Classe litúrgica, Temporal, Têmporas

Forma ExtraordináriaForma extraordinaria

Nome dado por Bento XVI, no motu proprio Summorum Pontificum (2007), ao uso do Missal de 1962, considerado “expressão extraordinária” da mesma lex orandi do rito romano, enquanto o Missal de Paulo VI é a sua “expressão ordinária” (art. 1). O motu proprio Traditionis Custodes (2021) já não emprega essa terminologia.

Veja também: Summorum Pontificum, Usus antiquior, Vetus Ordo, Traditionis Custodes

FraçãoFractio panis

Gesto de partir a Hóstia consagrada, herdado da Última Ceia, em que Jesus “partiu o pão”; os primeiros cristãos chamavam assim a própria Eucaristia (At 2,42). No fim do embolismo, o sacerdote parte a Hóstia ao meio sobre o cálice e destaca uma pequena parcela, que, depois do Pax Dómini, deixa cair no cálice dizendo Hæc commíxtio — sinal da unidade do Corpo e do Sangue do Senhor.

Veja também: Embolismo, Agnus Dei, Hóstia

FrontalAntependium

Painel de tecido, ou de madeira, metal ou pedra trabalhada, que reveste a parte da frente do altar; quando é de tecido, segue a cor do dia. Altares de mármore ricamente lavrado muitas vezes o dispensam.

Veja também: Altar, Cor litúrgica

FSSPFraternitas Sacerdotalis Sancti Petri

Fraternidade Sacerdotal São Pedro: sociedade de vida apostólica de direito pontifício fundada em 18 de julho de 1988, na abadia de Hauterive (Suíça), por um grupo de padres e seminaristas que deixaram a Fraternidade São Pio X depois das sagrações daquele ano, e erigida pela Santa Sé em 18 de outubro de 1988. Seus padres celebram com os livros litúrgicos de 1962 e trabalham nas dioceses a convite dos bispos.

Veja também: ICRSS, IBP, FSSPX, Ecclesia Dei

FSSPXFraternitas Sacerdotalis Sancti Pii X

Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada em 1970 pelo arcebispo Marcel Lefebvre, com aprovação do bispo de Friburgo (Suíça), para formar padres segundo os livros litúrgicos tradicionais; a aprovação foi retirada em 1975. Em 1988, e de novo em 2026, nela foram conferidas sagrações episcopais sem mandato pontifício. Em 2009, Bento XVI levantou a excomunhão dos quatro bispos de 1988, mas esclareceu que, por razões doutrinais, a Fraternidade não tem estatuto canônico na Igreja e seus ministros não exercem nela ministérios legítimos (carta de 10 de março de 2009).

Veja também: Ecclesia Dei, FSSP, Administração Apostólica

G

GalhetaUrceolus

Cada um dos dois pequenos jarros, de preferência de vidro, que contêm o vinho e a água da Missa; ficam na credência. No Ofertório, o acólito os apresenta ao sacerdote, que deita no cálice o vinho e algumas gotas de água, sinal da união de Cristo com a humanidade.

Veja também: Credência, Lavabo, Ofertório

GenuflexãoGenuflexio

Gesto de dobrar o joelho direito até o chão, em adoração ao Santíssimo Sacramento; diante do Santíssimo exposto, faz-se a genuflexão dupla, com os dois joelhos. Na Missa tradicional, o sacerdote a faz muitas vezes, sobretudo antes e depois de cada elevação e sempre que descobre ou deixa as espécies consagradas. Veja Gestos, posturas e sinais.

Veja também: Elevação, Consagração

GlóriaGlória in excélsis Deo

Hino de louvor que começa com o canto dos anjos em Belém (Lc 2,14) e prossegue em aclamações ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo; diz-se depois do Kyrie nas festas e nos domingos fora dos tempos penitenciais. Hino antiquíssimo, de origem oriental, entrou na Missa romana primeiro no Natal; o Liber Pontificalis atribui ao papa Símaco (498–514) sua extensão aos domingos e festas dos mártires, nas Missas dos bispos. Omite-se nas Missas com paramentos roxos e nas de defuntos (Código de Rubricas, n. 432).

Veja também: Kyrie, Advento, Septuagésima

GradualGraduale

Canto do Próprio entre a Epístola e o Aleluia, formado por um responso e um versículo, quase sempre de salmo, com melodias gregorianas muito ornadas. O nome vem de gradus, “degrau”: era cantado dos degraus do ambão. No Tempo Pascal é substituído por um duplo Aleluia.

Veja também: Aleluia, Trato, Graduale Romanum, Próprio

Graduale Romanum

O livro oficial de canto gregoriano da Missa, com os cantos do Próprio de todo o ano e o Kyriale. Sua Edição Vaticana, preparada a partir do trabalho dos monges de Solesmes, saiu em 1908, por ordem de São Pio X.

Veja também: Gradual, Kyriale, Liber Usualis, Canto gregoriano

H

Hanc igiturHanc ígitur oblatiónem servitútis nostræ

Oração do Cânon, antes da Consagração, em que o sacerdote estende as mãos sobre o cálice e a hóstia e pede a Deus que aceite esta oferenda “da nossa servidão” e de toda a sua família. A frase final, que pede a paz nos nossos dias, a libertação da condenação eterna e a companhia dos eleitos, foi acrescentada por São Gregório Magno, segundo o Liber Pontificalis e São Beda. Tem forma própria na Quinta-feira Santa e nas oitavas da Páscoa e de Pentecostes.

Veja também: Cânon, Communicantes, Quam oblationem

HissopeAspergillum

Instrumento com que se asperge a água benta: um bastão com uma esfera perfurada na ponta ou um tufo de cerdas. O nome lembra o hissopo, planta com que, no Antigo Testamento, se faziam as aspersões rituais, como recorda o Aspérges me.

Veja também: Asperges, Caldeirinha, Água benta

HóstiaHostia

Do latim hostia, “vítima oferecida em sacrifício”: o pão ázimo de trigo, fino e redondo, que se consagra na Missa. Antes da Consagração já se chama hóstia, por estar destinado ao Sacrifício; depois, é a Hóstia santa, o próprio Cristo. Há a hóstia grande, do celebrante, e as pequenas, para a comunhão dos fiéis.

Veja também: Oblata, Espécies, Matéria e forma, Cibório

I

IBPInstitutum Boni Pastoris

Instituto do Bom Pastor: sociedade de vida apostólica de direito pontifício erigida em Roma pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei em 8 de setembro de 2006, com padres vindos da Fraternidade São Pio X, entre eles o padre Philippe Laguérie, seu primeiro superior-geral. Seus membros celebram com os livros litúrgicos tradicionais.

Veja também: FSSP, ICRSS, Ecclesia Dei

ICRSSInstitutum Christi Regis Summi Sacerdotis

Instituto de Cristo Rei Sumo Sacerdote: sociedade de vida apostólica fundada em 1990 no Gabão por Mons. Gilles Wach e pelo padre Philippe Mora, com casa-mãe e seminário internacional em Gricigliano, na arquidiocese de Florença. Recebeu o estatuto de direito pontifício em 2008 e celebra com os livros litúrgicos de 1962.

Veja também: FSSP, IBP, Ecclesia Dei

ImpetraçãoImpetratio

A súplica a Deus pelos bens de que precisamos, para nós, para os outros e para a Igreja. Com a adoração (latria), a ação de graças e a propiciação, é um dos quatro fins tradicionais do Sacrifício da Missa. Na Missa, a Igreja pede unida ao próprio Cristo, que “vive sempre para interceder por nós” (Hb 7,25).

Veja também: Propiciação, Latria, Sacrifício

In persona Christi

Expressão latina, “na pessoa de Cristo”: na Missa, o sacerdote não age em nome próprio, mas representa Cristo, Sumo Sacerdote, que é quem oferece o Sacrifício; por isso diz “Isto é o meu Corpo”. Santo Tomás de Aquino já emprega a fórmula (Suma Teológica III, q. 82, a. 1), retomada por Pio XII na Mediator Dei (1947) e pelo Concílio Vaticano II. Veja Teologia do rito.

Veja também: Sacerdote, Consagração, Ex opere operato

IncensaçãoIncensatio

Uso ritual do incenso, cuja fumaça que sobe simboliza a oração (Sl 140,2) e honra as coisas e as pessoas sagradas. Na Missa solene — e, desde 1960, também na cantada (Código de Rubricas, n. 426) — incensam-se o altar no início e no Ofertório, o livro do Evangelho, as oferendas, o clero e o povo. Ao incensar o altar no Ofertório, o sacerdote reza Dirigátur, Dómine, orátio mea, sicut incénsum, in conspéctu tuo.

Veja também: Turíbulo, Naveta, Turiferário

IndultoIndultum

Permissão concedida pela Santa Sé para algo que a lei geral não prevê. Na história recente, o indulto Quattuor abhinc annos (1984) permitiu aos bispos autorizar, sob condições, a Missa segundo o Missal de 1962; o motu proprio Ecclesia Dei (1988) pediu que fosse aplicado com generosidade, até que Summorum Pontificum (2007) dispensou essa permissão.

Veja também: Quattuor abhinc annos, Ecclesia Dei, Summorum Pontificum

Institutio GeneralisInstitutio Generalis Missalis Romani

“Instrução Geral do Missal Romano” (IGMR): a introdução do Missal de Paulo VI, que descreve a estrutura, as partes e as normas da Missa no rito de 1970. Foi publicada com o Ordo Missae em abril de 1969 e reeditada com o Missal nas edições típicas de 1970, 1975 e 2002. No Missal de 1970 faz o papel que, no de 1962, cabe às Rubricæ generales e ao Ritus servandus.

Veja também: Novus Ordo, Ritus servandus, Código de Rubricas

IntróitoIntroitus

Canto de entrada do Próprio: uma antífona, um versículo de salmo e o Glória Patri, repetindo-se a antífona. Era originalmente o salmo cantado durante a procissão de entrada do papa e do clero; o Liber Pontificalis atribui ao papa Celestino I (422–432) o canto dos salmos antes do Sacrifício, atribuição que os estudiosos discutem. Suas primeiras palavras dão nome à Missa: Gaudete, Laetare, Requiem.

Veja também: Antífona, Próprio, Kyrie

Ite missa estIte, missa est. ℟. Deo grátias.

Despedida com que o diácono, ou o sacerdote, encerra a Missa: “Ide, é a despedida”. Da palavra missa, “despedida, envio”, vem o próprio nome da Missa; o povo responde Deo grátias. Nas Missas seguidas de procissão diz-se Benedicámus Dómino, e nas de defuntos, Requiéscant in pace (Código de Rubricas, n. 507).

Veja também: Missa, Bênção final, Último Evangelho

Iudica meIúdica me, Deus, et discérne causam meam

O Salmo 42 (na numeração da Vulgata), dito em diálogo pelo sacerdote e pelo acólito ao pé do altar, com a antífona Introíbo ad altáre Dei (“Subirei ao altar de Deus”). Já usado em muitas igrejas na Idade Média, tornou-se obrigatório com o Missal de 1570. Omite-se nas Missas de defuntos e nas Missas do tempo, do domingo da Paixão à Quinta-feira Santa (Código de Rubricas, n. 425).

Veja também: Orações ao pé do altar, Confiteor

J

Jejum eucarísticoIeiunium eucharisticum

Abstinência de alimento antes de comungar, em reverência ao Sacramento. Até 1953 exigia-se jejum desde a meia-noite; Pio XII, com Sacram Communionem (1957), fixou-o em três horas para alimentos sólidos e bebidas alcoólicas e uma hora para as demais bebidas, sem que a água quebrasse o jejum. A lei hoje em vigor (Código de 1983, cân. 919) pede uma hora; há fiéis que, por devoção, guardam a disciplina anterior.

Veja também: Comunhão, Comunhão espiritual

K

Kyriale

Coletânea dos cantos fixos do Ordinário — Kyrie, Gloria, Sanctus, Agnus Dei e Ite, missa est — organizados em dezoito Missas gregorianas, cada uma indicada para um tempo ou grau de festa, além de várias melodias do Credo. Faz parte do Graduale Romanum e circula também em volume à parte; sua Edição Vaticana saiu em 1905.

Veja também: Ordinário, Graduale Romanum, Canto gregoriano

KyrieKýrie, eléison

Súplica em grego, “Senhor, tende piedade”, dita nove vezes depois do Intróito: três vezes Kýrie, eléison, três Christe, eléison e de novo três Kýrie (Código de Rubricas, n. 430). É o que resta de uma ladainha cantada em Roma nos séculos V e VI; São Gregório Magno já descreve a alternância de Kyrie e Christe. É o único texto em grego no Ordinário da Missa.

Veja também: Intróito, Glória, Ordinário

L

Ladainha de Todos os SantosLitaniae Sanctorum

Oração em forma de súplicas breves, que invoca a Virgem, os anjos e os santos com a resposta ora pro nobis (“rogai por nós”) e termina com pedidos a Cristo. Na liturgia tradicional, canta-se na Vigília Pascal, nas Rogações, nas ordenações e na consagração de igrejas e altares.

Veja também: Rogações, Vigília Pascal

Lado da EpístolaCornu Epistolae

O lado direito do altar para quem está voltado para ele, como o sacerdote e os fiéis. Ali se dizem o Intróito, as orações e a Epístola e, no fim da Missa, a Comunhão e a Pós-comunhão; desse lado fica também a credência. Nas igrejas orientadas, é o lado sul.

Veja também: Lado do Evangelho, Epístola, Credência

Lado do EvangelhoCornu Evangelii

O lado esquerdo do altar para quem está voltado para ele. Para lá o Missal é levado antes da leitura do Evangelho e, no fim, para o Último Evangelho. Nas igrejas orientadas, é o lado norte.

Veja também: Lado da Epístola, Evangelho, Último Evangelho

LatriaLatria

Do grego latreía, “serviço, culto”: a adoração devida só a Deus, que se distingue da veneração (dulia) prestada aos santos e da veneração especial (hiperdulia) prestada à Virgem Maria. Por ser verdadeiramente Deus e homem presente no Sacramento, o Cristo eucarístico recebe culto de latria (Concílio de Trento, sessão XIII, cap. 5).

Veja também: Presença real, Tabernáculo, Genuflexão

LavaboLavábo inter innocéntes manus meas

Rito em que o sacerdote, depois de oferecer o pão e o vinho, lava as pontas dos dedos no lado da Epístola, dizendo o Salmo 25 a partir das palavras Lavábo inter innocéntes manus meas (“Lavarei as minhas mãos entre os inocentes”). O nome passou também ao jarro e à bacia usados nesse momento.

Veja também: Ofertório, Manustérgio, Galheta

LecionárioLectionarium

Livro com as leituras da Missa. Na Antiguidade e na Alta Idade Média, as leituras ficavam em livros próprios (epistolário, evangeliário), mais tarde reunidos no Missal; na Missa tradicional, todas estão no próprio Missal. O rito de 1970 voltou a ter lecionário separado, com um ciclo dominical de três anos.

Veja também: Missal, Sacramentário, Epístola

LeitorLector

A segunda das quatro ordens menores, à qual cabia ler as lições na igreja. Na Missa cantada sem subdiácono, um leitor pode cantar a Epístola (Código de Rubricas, n. 473). Desde 1972, fora do uso antigo, o leitorado é um ministério instituído.

Veja também: Ordens menores, Ostiário, Exorcista

Lex orandi

Abreviação da fórmula ut legem credendi lex statuat supplicandi, “que a lei da súplica estabeleça a lei da fé”, do Indiculus (cap. 8) atribuído a São Próspero de Aquitânia, no século V: a maneira como a Igreja reza manifesta e guarda aquilo em que ela crê. Costuma resumir-se em lex orandi, lex credendi. Summorum Pontificum (2007) falou de duas expressões da mesma lex orandi; Traditionis Custodes (2021) declarou os livros de Paulo VI e João Paulo II a única expressão da lex orandi do rito romano (art. 1).

Veja também: Rito, Summorum Pontificum, Traditionis Custodes

Liber Usualis

Volume compilado pelos monges de Solesmes e publicado pela primeira vez em 1896, que reúne os cantos gregorianos da Missa e do Ofício dos domingos e das principais festas, com indicações de execução. Foi por décadas o livro de canto mais usado pelos coros; as edições posteriores a 1960, como a de 1961, já seguem as novas rubricas.

Veja também: Graduale Romanum, Kyriale, Canto gregoriano, Schola

M

ManípuloManipulus

Faixa de tecido, da cor da casula, presa no antebraço esquerdo do sacerdote, do diácono e do subdiácono durante a Missa. Deriva de um lenço (mappula) usado na Antiguidade; a oração ao vesti-lo fala do “manípulo do pranto e da dor”, que o trabalho do ministério converte em recompensa jubilosa. Tornou-se facultativo no uso reformado em 1967 (Tres abhinc annos, n. 25), mas continua prescrito no uso de 1962.

Veja também: Estola, Casula, Paramento

Mantilha

Véu de renda com que muitas mulheres cobrem a cabeça na igreja, segundo o costume antigo apoiado em 1Cor 11,5-6; o Código de 1917 o prescrevia (cân. 1262 §2). O Código de 1983 não repete a norma, e hoje o véu é uma devoção livre, que muitas fiéis conservam, sobretudo na Missa tradicional. Veja Como participar.

ManustérgioManutergium

Pequena toalha de linho com que o sacerdote enxuga os dedos no Lavabo; o acólito a apresenta junto com o jarro e a bacia.

Veja também: Lavabo, Credência

Matéria e forma

Os dois elementos que constituem cada sacramento, segundo a teologia escolástica: a matéria é o elemento sensível (na Eucaristia, o pão de trigo e o vinho de uva), e a forma, as palavras que lhe dão significado (as palavras da Consagração). Com a intenção do ministro, são necessárias para que o sacramento se realize. A doutrina foi exposta pelo Concílio de Florença no Decreto para os Armênios (1439).

Veja também: Consagração, Hóstia, Ex opere operato

MementoMeménto, Dómine

“Lembrai-vos, Senhor”: nome de duas orações do Cânon. No Memento dos vivos, antes da Consagração, o sacerdote recorda em silêncio aqueles por quem deseja rezar; no Memento dos mortos, depois dela, reza pelos que “nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz” (qui nos præcessérunt cum signo fídei, et dórmiunt in somno pacis). Em ambos faz uma breve pausa para as intenções particulares.

Veja também: Cânon, Communicantes, Nobis quoque peccatoribus

Mesa de comunhão

Balaustrada, geralmente de mármore ou madeira, que separa o presbitério da nave; diante dela os fiéis comungam de joelhos, e sobre ela se estende a toalha de comunhão. Costuma-se ver nela um prolongamento do altar até o povo.

Veja também: Toalha de comunhão, Comunhão, Presbitério

Mestre de cerimôniasCaeremoniarius

O ministro que conhece as rubricas e dirige discretamente a cerimônia, indicando a cada um o que fazer e quando; indispensável na Missa solene e na pontifical. Costuma ser um clérigo ou um leigo bem formado, de batina e sobrepeliz.

Veja também: Missa solene, Rubrica, Acólito

MissaMissa

O Santo Sacrifício do altar, no qual se torna presente, de modo incruento, o Sacrifício de Cristo na Cruz, e no qual Ele se dá em alimento. O nome vem da despedida final, Ite, missa est: missa significava “despedida, envio” e acabou por designar toda a celebração. Veja O que é a Missa Tridentina e Teologia do rito.

Veja também: Sacrifício, Missa Tridentina, Ite missa est

Missa cantadaMissa cantata

Missa em que o sacerdote canta as partes que lhe cabem, sem diácono e subdiácono, enquanto o coro, ou o povo, canta o Ordinário e o Próprio (Código de Rubricas, n. 271). Desde 1960 pode ter as incensações da Missa solene (n. 426). Fica entre a rezada e a solene, e é frequente nas paróquias, onde raramente há ministros sagrados.

Veja também: Missa solene, Missa rezada, Schola

Missa conventualMissa conventualis

Missa diária celebrada, em união com o Ofício divino, pelas comunidades obrigadas ao coro, como cabidos de cônegos e mosteiros (Código de Rubricas, n. 285). Por si, deve ser solene, ou ao menos cantada, e concordar com o Ofício do dia (nn. 286 e 288).

Veja também: Ofício divino, Missa solene

Missa de RéquiemMissa pro defunctis

Missa pelos defuntos, chamada assim pela primeira palavra do seu Intróito: Réquiem ætérnam dona eis, Dómine (“Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno”). Usa paramentos pretos; omite o Salmo 42, o Gloria, o Credo e a bênção final; tem a sequência Dies iræ, obrigatória nas Missas de defuntos de I classe, como a das exéquias, e facultativa nas outras (Código de Rubricas, n. 399). Termina com Requiéscant in pace e, nas exéquias, é seguida da absolvição junto ao féretro.

Veja também: Sequência, Cor litúrgica, Ite missa est

Missa dialogadaMissa dialogata

Forma de Missa rezada em que os fiéis, e não só o acólito, dão em voz alta as respostas ao sacerdote, e às vezes dizem com ele partes do Ordinário, como o Gloria, o Credo, o Sanctus e o Agnus Dei. Difundida pelo movimento litúrgico na primeira metade do século XX, foi regulada pela instrução De musica sacra et sacra liturgia (3 de setembro de 1958), que distinguia graus dessa participação. Veja Como participar.

Veja também: Missa rezada, Acólito

Missa dos CatecúmenosMissa catechumenorum

Nome tradicional da primeira parte da Missa, do início ao Credo, centrada na oração, no louvor e nas leituras, à qual na Igreja antiga também os catecúmenos assistiam antes de serem despedidos. A divisão não vem das rubricas, mas da história e dos comentadores; corresponde, em linhas gerais, à Liturgia da Palavra do rito de 1970.

Veja também: Catecúmeno, Missa dos Fiéis, Evangelho

Missa dos FiéisMissa fidelium

A segunda parte da Missa, do Ofertório ao fim, que na Igreja antiga só os batizados presenciavam: compreende o Ofertório, o Cânon com a Consagração, a Comunhão e as orações finais.

Veja também: Missa dos Catecúmenos, Ofertório, Cânon

Missa pontificalMissa pontificalis

Missa solene celebrada por um bispo, ou por quem tem esse privilégio, como certos abades, com as cerimônias próprias dos livros pontificais (Código de Rubricas, n. 271). O bispo veste também tunicela e dalmática sob a casula, usa mitra e báculo e preside desde o trono, na própria diocese, ou desde o faldistório.

Veja também: Missa solene, Mitra, Báculo, Caeremoniale Episcoporum

Missa rezadaMissa lecta

A forma mais simples da Missa, também chamada “baixa”: o sacerdote diz tudo, sem canto, assistido normalmente por um só acólito, que responde em nome do povo (Código de Rubricas, n. 271). Algumas partes são ditas em voz alta e as demais em voz baixa (n. 511). O Código pede que se evite a expressão “Missa privada”, porque toda Missa é ato do culto público da Igreja (n. 269).

Veja também: Missa cantada, Missa dialogada, Acólito

Missa soleneMissa solemnis

A forma plena da Missa romana, cantada pelo celebrante com a assistência do diácono e do subdiácono (Código de Rubricas, n. 271), com incenso, coro e vários acólitos. Historicamente é a forma de referência, da qual a cantada e a rezada são reduções. Veja O rito, parte a parte.

Veja também: Diácono, Subdiácono, Missa cantada, Missa pontifical

Missa Tridentina

Nome mais comum da Missa celebrada segundo o Missal Romano promulgado por São Pio V em 1570, em execução do Concílio de Trento (1545–1563), hoje na edição de 1962. O nome se refere ao Concílio, e não à origem do rito: o Missal de 1570 codificou o uso romano, cujo núcleo remonta aos primeiros séculos. Também se diz Missa tradicional, Missa de São Pio V, Vetus Ordo ou usus antiquior. Veja Por que “Tridentina”.

Veja também: Vetus Ordo, Usus antiquior, Forma Extraordinária, Missale Romanum

Missa votivaMissa votiva

Missa que não corresponde ao Ofício do dia, escolhida por devoção ou necessidade (Código de Rubricas, n. 306): por exemplo, a do Sagrado Coração na primeira sexta-feira do mês, a do Espírito Santo para pedir luz, ou a Missa pelos esposos. O Código a distribui em classes, que determinam em que dias é permitida, e nela se omite a sequência (n. 321).

Veja também: Classe litúrgica, Próprio

MissalMissale

Livro litúrgico que reúne tudo o que se diz na Missa: Ordinário, Próprio do Tempo e dos Santos, Comum, Missas votivas e de defuntos, além das rubricas. Formou-se entre os séculos X e XIII, quando sacramentário, lecionário e gradual foram fundidos num só volume, sobretudo por causa das Missas rezadas, em que o sacerdote diz tudo. Fala-se também de “missal dos fiéis”: a edição bilíngue com que se acompanha a Missa.

Veja também: Missale Romanum, Sacramentário, Lecionário, Edição típica

Missale Romanum

Título do Missal do rito romano. O Missal reformado por mandato do Concílio de Trento foi promulgado por São Pio V com a bula Quo primum (14 de julho de 1570) e revisto em várias edições até a de 1962, de São João XXIII. O mesmo título tem a constituição apostólica de São Paulo VI (3 de abril de 1969) que promulgou o novo Missal, cuja edição típica saiu em 1970. Veja Através dos séculos.

Veja também: Missal, Quo Primum, Edição típica, Novus Ordo

MitraMitra

Cobertura alta da cabeça, formada por duas peças rígidas e pontudas, com duas fitas pendentes atrás, insígnia dos bispos e de certos abades. O Caeremoniale Episcoporum distingue três tipos — preciosa, aurifrigiada e simples —, usados conforme a solenidade.

Veja também: Báculo, Missa pontifical

ModoModus

Cada uma das oito escalas do canto gregoriano, organizadas em quatro pares (protus, deuterus, tritus e tetrardus, cada um autêntico e plagal), segundo a nota final e a extensão da melodia. Cada modo tem um caráter próprio; os livros de canto indicam-no com um número no início da peça.

Veja também: Canto gregoriano, Neuma

Motu proprio

Documento pontifício publicado “por iniciativa própria” do Papa, e não em resposta a um pedido. Vários marcos da história recente do rito são motu proprios: Tra le sollecitudini (1903), Rubricarum instructum (1960), Ecclesia Dei (1988), Summorum Pontificum (2007) e Traditionis Custodes (2021). Veja Biblioteca.

Veja também: Bula, Summorum Pontificum, Traditionis Custodes

Movimento Litúrgico

Corrente de renovação que, desde o século XIX, procurou levar os fiéis a compreender a liturgia e a participar dela. Teve origem em Dom Prosper Guéranger, que restaurou a vida beneditina em Solesmes em 1833, ganhou impulso com o apelo de São Pio X à partecipazione attiva dos fiéis (Tra le sollecitudini, 1903) e com Dom Lambert Beauduin, a partir de 1909, e produziu frutos como os missais bilíngues dos fiéis e a Missa dialogada. Pio XII acolheu-o e orientou-o na encíclica Mediator Dei (1947), e o Vaticano II recolheu muitas de suas aspirações. Veja Através dos séculos.

Veja também: Missa dialogada, Canto gregoriano, Sacrosanctum Concilium, Encíclica

Mysterium fideiMystérium fídei

“Mistério da fé”: palavras que, no Cânon romano, estão no meio da fórmula da consagração do cálice — Hic est enim Calix Sánguinis mei, novi et ætérni testaménti: mystérium fídei: qui pro vobis et pro multis effundétur in remissiónem peccatórum (“Este é o Cálice do meu Sangue, do novo e eterno testamento — mistério da fé —, que será derramado por vós e por muitos para remissão dos pecados”). Já constam dos sacramentários antigos, e sua origem exata é discutida. No Missal de 1970, a expressão passou a introduzir uma aclamação do povo depois da Consagração.

Veja também: Consagração, Cânon

N

NavetaNavicula

Pequeno recipiente em forma de barco, com tampa e colherinha, que contém o incenso em grãos; é apresentado ao celebrante para que ponha o incenso no turíbulo e o abençoe.

Veja também: Turíbulo, Turiferário, Incensação

NeumaNeuma

Sinal da notação do canto gregoriano que representa uma nota ou um grupo de notas cantadas sobre uma mesma sílaba. Os neumas mais antigos (séculos IX e X) eram traçados sobre o texto, sem linhas; a pauta surgiu no século XI, e a notação quadrada sobre quatro linhas, usada nos livros oficiais, firmou-se nos séculos XII e XIII. Veja O latim e o canto.

Veja também: Canto gregoriano, Modo, Graduale Romanum

Nobis quoque peccatoribusNobis quoque peccatóribus fámulis tuis

Oração do Cânon depois do Memento dos mortos: o sacerdote diz em voz alta as três primeiras palavras, “Também a nós, pecadores”, batendo no peito (Código de Rubricas, n. 511), e pede um lugar na companhia dos santos. Nomeia São João Batista e catorze mártires, sete homens e sete mulheres, de Santo Estêvão a Santa Anastácia.

Veja também: Memento, Cânon, Communicantes

Novus Ordo

Expressão latina, “nova ordem”, tirada de Novus Ordo Missae, com que se designa informalmente o Ordinário da Missa promulgado por São Paulo VI com a constituição apostólica Missale Romanum (3 de abril de 1969) e, por extensão, a Missa celebrada segundo o Missal de 1970. Também se diz Missa de Paulo VI ou Missal de 1970; os documentos oficiais o chamam simplesmente Missal Romano.

Veja também: Vetus Ordo, Missale Romanum, Sacrosanctum Concilium

O

OblataOblata

“Coisas oferecidas”: o pão e o vinho apresentados no Ofertório e destinados à Consagração. A Secreta corresponde à antiga oração “sobre as oblatas” (super oblata), nome que o Missal de 1970 retomou.

Veja também: Ofertório, Secreta, Hóstia

OfertórioOffertorium

A parte da Missa dos Fiéis em que o pão e o vinho são oferecidos e preparados para o Sacrifício, e também a antífona do Próprio cantada nesse momento. As orações que o sacerdote diz em voz baixa — Súscipe, sancte Pater, Deus, qui humánæ substántiæ, Offérimus tibi, Dómine, Veni, sanctificátor e outras — vêm de missais medievais e foram fixadas no Missal de 1570. Seguem-se a incensação, na Missa solene, o Lavabo e o Oráte, fratres.

Veja também: Oblata, Lavabo, Orate fratres, Secreta

Ofício divinoOfficium divinum

A oração pública da Igreja distribuída pelas horas do dia e da noite — Matinas, Laudes, Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas —, feita sobretudo de salmos, leituras, hinos e orações. Os clérigos de ordens maiores e os religiosos de coro são obrigados a rezá-lo; no uso de 1962, seu livro é o Breviário Romano. Com a Missa, constitui o ápice de todo o culto cristão (Código de Rubricas, n. 270).

Veja também: Breviário, Vésperas, Missa conventual

OitavaOctava

Prolongamento de uma grande festa por oito dias. Depois da simplificação de 1955, o Código de Rubricas conserva apenas as oitavas do Natal, da Páscoa e de Pentecostes (n. 64): as duas últimas são de I classe, e a do Natal, de II (n. 65). Antes, havia dezenas de oitavas no calendário.

Veja também: Classe litúrgica, Tempo Pascal, Código de Rubricas

Orações ao pé do altarPreces ad pedem altaris

As orações com que começa a Missa, ditas pelo sacerdote ao pé dos degraus, em diálogo com os ministros: o sinal da cruz, a antífona Introíbo ad altáre Dei, o Salmo 42, o Confiteor com as absolvições, alguns versículos e, ao subir, as orações Aufer a nobis e Orámus te, Dómine. Nasceram como preparação privada do sacerdote e entraram de modo fixo no rito com o Missal de 1570. Veja Ordinário da Missa.

Veja também: Iudica me, Confiteor, Relíquia

Orações leoninasPreces Leoninae

Orações rezadas de joelhos depois da Missa rezada: três Ave-Marias, a Salve-Rainha, a oração Deus, refúgium nostrum et virtus e a oração a São Miguel Arcanjo, às quais São Pio X acrescentou a tríplice invocação Cor Iesu sacratíssimum, miserére nobis. Leão XIII as prescreveu para toda a Igreja em 1884, e a oração a São Miguel foi acrescentada em 1886; não fazem parte da Missa. A instrução Inter Oecumenici (1964) as suprimiu no uso reformado (n. 48j).

Veja também: Missa rezada, Último Evangelho

Orate fratresOráte, fratres: ut meum ac vestrum sacrifícium acceptábile fiat

Convite que o sacerdote, voltado para o povo no fim do Ofertório, dirige aos fiéis: “Orai, irmãos, para que o meu e o vosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso”. O acólito responde Suscípiat Dóminus sacrifícium de mánibus tuis (“Receba o Senhor de tuas mãos este sacrifício”), pedindo que seja para louvor e glória do seu nome, para nosso proveito e de toda a santa Igreja. Segue-se a Secreta.

Veja também: Ofertório, Secreta

Ordens maioresOrdines maiores

Na disciplina latina tradicional, as ordens sacras: subdiaconato, diaconato e presbiterato (Código de 1917, cân. 949), às quais se acrescenta o episcopado, plenitude do sacerdócio. A partir do subdiaconato, o clérigo latino assumia o celibato e a obrigação do Ofício divino. Em 1972, o motu proprio Ministeria quaedam extinguiu o subdiaconato na disciplina comum; os institutos ligados ao uso antigo foram autorizados a conferir as ordens segundo o Pontifical de 1962 (Universae Ecclesiae, n. 31).

Veja também: Ordens menores, Subdiácono, Diácono, Sacerdote

Ordens menoresOrdines minores

Os quatro graus que, na disciplina latina tradicional, preparavam para as ordens sacras: ostiário, leitor, exorcista e acólito, conferidos depois da tonsura (Código de 1917, cân. 949). Em 1972, Ministeria quaedam deixou de conferir a tonsura e as ordens menores, conservando o leitorado e o acolitato como ministérios; os institutos que usam o Pontifical de 1962 foram autorizados a continuar conferindo-as (Universae Ecclesiae, n. 31).

Veja também: Ostiário, Leitor, Exorcista, Acólito

OrdinárioOrdinarium Missae

As partes da Missa que não mudam de um dia para outro — orações ao pé do altar, Kyrie, Gloria, Credo, orações do Ofertório, Cânon, Pater noster, Agnus Dei, orações finais —, em oposição ao Próprio. Em sentido musical, são os cantos fixos: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei. Em direito canônico, “Ordinário” designa também o bispo diocesano e quem lhe é equiparado. O texto completo, em latim e português, está em Ordinário da Missa.

Veja também: Próprio, Kyriale, Missal

OrdoOrdo

Calendário litúrgico anual (Ordo divini Officii recitandi Sacrique peragendi), publicado por dioceses, ordens e institutos, que indica para cada dia a Missa, a cor, as comemorações e o Ofício. O mesmo nome, em Ordo Missae, designa o texto e as rubricas do Ordinário da Missa.

Veja também: Classe litúrgica, Comemoração, Ordinário

Ordo RomanusOrdines Romani

Cada um dos antigos livros de cerimônias que descrevem como se celebravam os ritos em Roma, sem trazer o texto das orações. O Ordo Romanus I, de por volta do ano 700, descreve a Missa estacional do papa e é fonte capital para a história do rito; a edição crítica de referência é a de Michel Andrieu (1931–1961). Veja A história.

Veja também: Estação, Sacramentário, Missa solene

OremusOrémus

“Oremos”: convite que o sacerdote faz antes das orações e do Ofertório. Em certos dias, como as Têmporas e a Sexta-feira Santa, acrescenta-se Flectámus génua (“Dobremos os joelhos”): todos se ajoelham um momento em silêncio, até o Leváte (“Levantai-vos”), dito pelo diácono ou pelo celebrante (Código de Rubricas, n. 440).

Veja também: Dominus vobiscum, Coleta, Têmporas

Ósculo da pazPax

Abraço litúrgico da paz que, na Missa solene, o celebrante dá ao diácono depois do Agnus Dei e da primeira oração antes da comunhão, dizendo Pax tecum (“A paz esteja contigo”); a paz passa então ao subdiácono e ao clero no coro. Não se dá na Missa rezada nem nas Missas de defuntos.

Veja também: Agnus Dei, Missa solene, Diácono

OstiárioOstiarius

A primeira das quatro ordens menores, a do porteiro: segundo o Pontifical Romano, cabia-lhe tocar os sinos, abrir a igreja e a sacristia e abrir o livro para quem pregava.

Veja também: Ordens menores, Leitor, Tonsura

P

PalaPalla

Quadrado de linho engomado, às vezes reforçado com cartão, que cobre o cálice para protegê-lo de pó e de insetos durante a Missa. Na origem era uma dobra do próprio corporal; tornou-se peça à parte na Baixa Idade Média.

Veja também: Corporal, Cálice, Sanguíneo

ParamentoParamentum

Cada uma das vestes litúrgicas que os ministros usam nas funções sagradas: amito, alva, cíngulo, manípulo, estola, casula, dalmática, tunicela, pluvial, véu umeral. Derivam das roupas civis do Império Romano, que a Igreja conservou quando a moda mudou, e devem ser bentos. Veja O altar, os paramentos e os ministros.

Veja também: Casula, Cor litúrgica, Alva, Estola

Paróquia pessoal

Paróquia definida não pelo território, mas pelas pessoas — por razão de rito, língua ou nacionalidade dos fiéis, ou por outra razão (Código de 1983, cân. 518). Para os fiéis ligados ao uso antigo, Traditionis Custodes (art. 3 §2) pede que o bispo indique os locais de culto, mas não que erija novas paróquias pessoais.

Veja também: Traditionis Custodes, Presbitério

PatenaPatena

Prato pequeno, raso e dourado, consagrado pelo bispo com o santo crisma, sobre o qual o sacerdote oferece a hóstia no Ofertório e com o qual recolhe os fragmentos depois da comunhão. Na Missa solene, o subdiácono a segura, envolta no véu umeral, do Ofertório até o fim do Pater noster. Não se confunde com a patena de comunhão, que o acólito põe sob o queixo de quem comunga.

Veja também: Cálice, Véu umeral, Embolismo

Pater nosterPater noster, qui es in cælis

O Pai-nosso, que o sacerdote canta ou diz em voz alta depois do Cânon, precedido de uma breve introdução (Præcéptis salutáribus móniti); o acólito ou o coro responde o último pedido, Sed líbera nos a malo. Foi São Gregório Magno quem o pôs nesse lugar, logo depois do Cânon, como explica numa carta ao bispo João de Siracusa.

Veja também: Embolismo, Doxologia, Fração

PluvialPluviale

Grande capa semicircular, aberta na frente e presa no peito por um fecho, usada pelo sacerdote fora da Missa propriamente dita: no Asperges, nas procissões, nas Vésperas solenes e na Bênção do Santíssimo. Nunca serve ao Sacrifício (Código de Rubricas, n. 135).

Veja também: Asperges, Paramento, Vésperas

PolifoniaPolyphonia

Música a várias vozes simultâneas. Na liturgia, ganhou forma nas catedrais medievais e chegou a um ápice no século XVI, com Palestrina, Victoria e Lassus. São Pio X a admitiu ao lado do canto gregoriano, desde que dele se aproximasse no espírito (Tra le sollecitudini, 1903), e o Vaticano II também a acolhe (Sacrosanctum Concilium, 116).

Veja também: Canto gregoriano, Schola cantorum

Pontificale Romanum

O livro dos ritos reservados ao bispo: crisma, ordenações, consagração de igrejas, altares e vasos sagrados, bênçãos solenes. A edição tridentina foi publicada por Clemente VIII em 1596.

Veja também: Caeremoniale Episcoporum, Missa pontifical, Ordens maiores

Pós-comunhãoPostcommunio

Oração que o sacerdote diz no lado da Epístola depois da antífona da Comunhão, precedida de Dóminus vobíscum e Orémus; pede que o Sacramento recebido produza os seus frutos. Diz-se em número igual ao das Coletas (Código de Rubricas, n. 505); nos dias de semana da Quaresma, segue-se a oração sobre o povo, anunciada com Humiliáte cápita vestra Deo (“Inclinai a cabeça diante de Deus”) (n. 506).

Veja também: Coleta, Comunhão, Secreta

PrefácioPraefatio

Solene ação de graças que abre a parte central da Missa: começa com o diálogo do Sursum corda e desemboca no Sanctus. Muda conforme o tempo e a festa: o Missal de 1962 traz quinze prefácios, do Natal ao dos defuntos (aos quais um decreto de 2020 somou sete facultativos), e o Código de Rubricas manda dizer, na falta de um próprio, o do tempo ou o comum (nn. 482–499).

Veja também: Sursum corda, Sanctus, Cânon

PresbitérioPresbyterium

A área do altar-mor, em geral elevada e separada da nave pela mesa de comunhão, reservada ao clero e aos ministros; também se chama santuário ou capela-mor. A palavra designa ainda o conjunto dos padres de uma diocese.

Veja também: Altar-mor, Mesa de comunhão

Presença real

Verdade de fé segundo a qual, na Eucaristia, Cristo está presente com seu Corpo, Sangue, alma e divindade, sob as espécies do pão e do vinho, vere, realiter et substantialiter (verdadeira, real e substancialmente), como definiu o Concílio de Trento (sessão XIII, 1551, cân. 1). Por isso a Hóstia consagrada é adorada e guardada no tabernáculo. Veja Teologia do rito.

Veja também: Transubstanciação, Espécies, Tabernáculo

PropiciaçãoPropitiatio

Do latim propitiare, “tornar favorável”: a reparação oferecida a Deus pelo pecado, para obter o perdão e restaurar a amizade perdida. É um dos quatro fins do Sacrifício da Missa, que o Concílio de Trento definiu como “verdadeiramente propiciatório”, oferecido pelos vivos e pelos defuntos (sessão XXII, cap. 2 e cân. 3). A Missa não acrescenta nada ao Sacrifício da Cruz: aplica os seus frutos.

Veja também: Sacrifício, Impetração, Latria

PróprioProprium

As partes da Missa que mudam conforme o dia: Intróito, Coleta, Epístola, Gradual, Aleluia ou Trato, Sequência, Evangelho, Ofertório, Secreta, Comunhão e Pós-comunhão, e às vezes o Prefácio. No Missal, estão no Próprio do Tempo (Temporal), no Próprio dos Santos (Santoral) e no Comum dos Santos. Veja O ano litúrgico.

Veja também: Ordinário, Temporal, Santoral, Comum dos Santos

PurgatórioPurgatorium

Estado de purificação, depois da morte, dos que morreram na graça de Deus, mas ainda não plenamente purificados, antes de entrarem na alegria do céu. A doutrina foi definida pelos concílios de Lião II (1274) e de Florença (1439) e reafirmada em Trento, que ensina que essas almas são ajudadas pelos sufrágios dos fiéis, “sobretudo pelo sacrifício do altar” (sessão XXV, decreto sobre o purgatório; Catecismo, nn. 1030–1032). Daí o Memento dos mortos e as Missas de Réquiem.

Veja também: Memento, Missa de Réquiem, Comunhão dos santos

Q

Quam oblationemQuam oblatiónem tu, Deus, in ómnibus, quǽsumus

Última oração do Cânon antes da Consagração: o sacerdote pede a Deus que torne a oferenda “bendita, aprovada, ratificada, espiritual e aceitável” (benedíctam, adscríptam, ratam, rationábilem, acceptabilémque), para que se torne para nós o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, e traça cinco sinais da cruz sobre as oblatas. Alguns estudiosos veem nela a epiclese do rito romano.

Veja também: Cânon, Epiclese, Consagração

QuaresmaQuadragesima

Os quarenta dias de penitência que preparam a Páscoa, em memória do jejum de Cristo no deserto; no Código de Rubricas, o tempo quaresmal vai da Quarta-feira de Cinzas até a Vigília Pascal e inclui o Tempo da Paixão (n. 74). Usa-se o roxo, omite-se o Gloria nas Missas do tempo, e o Aleluia, calado desde a Septuagésima, continua substituído pelo Trato; cada dia de semana tem Missa própria, muitas com estação romana. Veja O ano litúrgico.

Veja também: Tempo da Paixão, Septuagésima, Estação, Têmporas

Quattuor abhinc annos

Carta da Congregação para o Culto Divino aos presidentes das conferências episcopais (3 de outubro de 1984) que, por vontade de São João Paulo II, concedeu aos bispos diocesanos um indulto para permitir a Missa segundo o Missal de 1962, sob condições: que os fiéis não pusessem em dúvida a legitimidade do Missal de 1970, que a celebração fosse em latim, em igrejas indicadas pelo bispo, e que não se misturassem textos e ritos dos dois Missais.

Veja também: Indulto, Ecclesia Dei, Summorum Pontificum

Quo Primum

Bula de São Pio V, de 14 de julho de 1570, que promulgou o Missal Romano reformado por mandato do Concílio de Trento e prescreveu seu uso em toda a Igreja latina, exceto onde houvesse um rito ou costume próprio com mais de duzentos anos — o que preservou, por exemplo, o rito ambrosiano de Milão e os ritos de algumas ordens religiosas. Vem impressa no início das edições do Missal. Veja A história.

Veja também: Bula, Missale Romanum, Missa Tridentina

R

RelíquiaReliquiae

Resto mortal de um santo, ou objeto que lhe pertenceu ou tocou seu corpo, venerado pela Igreja. Todo altar consagrado e toda ara guardam relíquias, ao menos de um mártir, num pequeno sepulcro; por isso, ao beijar o altar no início da Missa, o sacerdote lembra os santos “cujas relíquias aqui estão” (quorum relíquiæ hic sunt).

Veja também: Sepulcro, Ara, Altar

ResponsórioResponsorium

A resposta dada pelo povo, pelo acólito ou pelo coro a um versículo dito pelo sacerdote, marcada nos livros com o sinal ℟. Chama-se também responsório um tipo de canto com refrão, próprio do Ofício divino, como os que seguem as leituras das Matinas.

Veja também: Versículo, Dominus vobiscum

RitoRitus

O conjunto ordenado de palavras e gestos com que se celebra a liturgia, e também cada família litúrgica da Igreja: o rito romano, o ambrosiano, o bizantino etc. Dentro do rito romano existiram e existem usos próprios de certas dioceses e ordens religiosas, como o dominicano e o cartuxo. Veja O que é a Missa Tridentina.

Veja também: Rubrica, Lex orandi, Usus antiquior

Ritual RomanoRituale Romanum

Livro litúrgico com os ritos dos sacramentos que o sacerdote ou o diácono administra (batismo, penitência, unção dos enfermos, matrimônio), as exéquias, as bênçãos e os exorcismos; os ritos reservados ao bispo, como a crisma e as ordenações, estão no Pontifical. Foi promulgado por Paulo V em 1614, e a edição típica de 1952, de Pio XII, é a do uso de 1962.

Veja também: Pontificale Romanum, Missal

Ritus servandusRitus servandus in celebratione Missae

A seção do Missal Romano que descreve passo a passo as cerimônias da Missa rezada, com indicações para a solene. Entrou no Missal em 1570 e baseia-se em grande parte no cerimonial da Missa publicado em 1502 por João Burcardo (Johannes Burckard), mestre de cerimônias pontifício.

Veja também: Rubrica, Código de Rubricas, Missale Romanum

RogaçõesRogationes

Dias de súplica, com procissão, Ladainha de Todos os Santos e Missa em paramentos roxos, pelos frutos da terra e contra as calamidades: a Ladainha Maior, em 25 de abril, e as Ladainhas Menores, ou Rogações propriamente ditas, nos três dias antes da Ascensão (Código de Rubricas, nn. 80–89). As menores foram instituídas por São Mamerto, bispo de Vienne, na Gália, por volta de 470.

Veja também: Ladainha de Todos os Santos, Têmporas

RubricaRubrica

Instrução sobre o que se deve fazer na liturgia, impressa em vermelho nos livros (do latim ruber, “vermelho”), enquanto as palavras a dizer vêm em preto; daí o adágio “dizer o preto, fazer o vermelho”. As rubricas gerais do Missal de 1962 são o Código de Rubricas de 1960; as particulares estão no Ritus servandus e ao longo do Missal.

Veja também: Código de Rubricas, Ritus servandus, Mestre de cerimônias

S

Sacerdócio ministerialSacerdotium ministeriale

O sacerdócio dos ordenados — bispos e presbíteros —, que pelo sacramento da Ordem agem na pessoa de Cristo Cabeça e oferecem o Sacrifício eucarístico em nome de todo o povo. Diferencia-se “essencialmente, e não apenas em grau”, do sacerdócio comum dos batizados, embora ambos participem do único sacerdócio de Cristo (Lumen gentium, n. 10; Catecismo, n. 1547).

Veja também: Sacerdote, In persona Christi, Ordens maiores

SacerdoteSacerdos

O ministro ordenado que oferece o Sacrifício: o presbítero ou o bispo. Recebe o sacerdócio pela imposição das mãos do bispo e, na Missa, age in persona Christi.

Veja também: In persona Christi, Celebrante, Ordens maiores

SacraTabella secretarum

Cada um dos três quadros postos sobre o altar durante a Missa, com textos que o sacerdote diz sem olhar o Missal: o do centro traz, entre outros, o Gloria, o Credo, orações do Ofertório e as palavras da Consagração; o do lado da Epístola, a oração da água e o Lavabo; o do lado do Evangelho, o Último Evangelho. No tempo de São Pio V havia só o do centro, chamado tabella secretarum; os laterais vieram depois.

Veja também: Altar, Missal, Último Evangelho

SacramentárioSacramentarium

Livro litúrgico da Antiguidade e da Alta Idade Média com os textos do celebrante — orações, prefácios e o Cânon —, sem as leituras e os cantos. Os principais são o Veronense (dito Leoniano), o Gelasiano e o Gregoriano, cuja versão enviada pelo papa Adriano I a Carlos Magno, por volta de 785–786, está na base dos missais posteriores. Veja A história.

Veja também: Missal, Lecionário, Ordo Romanus

SacrifícioSacrificium

Oferta feita a Deus em reconhecimento do seu domínio, em louvor, ação de graças, expiação e súplica. A fé católica ensina que a Missa é verdadeiro e próprio sacrifício: o mesmo Sacrifício da Cruz, tornado presente de modo incruento, com o mesmo Sacerdote e a mesma Vítima, Cristo, e propiciatório pelos vivos e pelos defuntos (Concílio de Trento, sessão XXII, 1562). Veja Teologia do rito.

Veja também: Missa, Hóstia, In persona Christi

SacristiaSacristia

Sala junto ao presbitério onde se guardam os paramentos, os vasos sagrados e os livros, e onde o sacerdote se prepara e se paramenta antes da Missa, com uma oração própria para cada peça.

Veja também: Paramento, Presbitério

Sacrosanctum Concilium

Constituição do Concílio Vaticano II sobre a sagrada liturgia, promulgada em 4 de dezembro de 1963, entre os primeiros documentos do Concílio. Pediu a revisão dos livros litúrgicos e a participação ativa dos fiéis, mandou conservar o uso do latim nos ritos latinos, abrindo maior espaço ao vernáculo (art. 36), e reconheceu ao canto gregoriano o primeiro lugar (art. 116). Dela partiu a reforma que levou ao Missal de 1970.

Veja também: Novus Ordo, Vernáculo, Canto gregoriano

SanctusSanctus, Sanctus, Sanctus Dóminus, Deus Sábaoth

Hino “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos”, que conclui o Prefácio unindo a Igreja ao canto dos serafins (Is 6,3), seguido do Benedíctus qui venit, as aclamações da entrada de Jesus em Jerusalém (Mt 21,9). O sacerdote o diz inclinado, e o acólito toca a campainha. Na Missa cantada, quando a melodia é longa, o Benedictus costuma ser cantado depois da Consagração.

Veja também: Prefácio, Cânon, Campainha

SanguíneoPurificatorium

Pano de linho, retangular e dobrado, com que o sacerdote enxuga o cálice, os lábios e os dedos depois da comunhão e das abluções; também se chama purificatório. Chega ao altar sobre a copa do cálice, sob a patena.

Veja também: Ablução, Cálice, Corporal

SantoralProprium de Sanctis

O Próprio dos Santos: a parte do Missal com as Missas das festas de data fixa — dos santos e também de alguns mistérios, como a Anunciação. Distingue-se do Temporal, que segue o ciclo do Natal e o da Páscoa.

Veja também: Temporal, Comum dos Santos, Próprio

Schola

Forma abreviada de schola cantorum: o grupo de cantores que executa o canto gregoriano do Próprio e, alternando com o povo, o do Ordinário.

Veja também: Schola cantorum, Canto gregoriano, Missa cantada

Schola cantorum

“Escola de cantores”: o coro litúrgico. Em Roma, a schola cantorum do papa já existia no fim do século VII; a tradição que atribui sua fundação a São Gregório Magno é tardia e discutida pelos estudiosos. Hoje o nome serve para qualquer grupo que canta o gregoriano na liturgia. Veja O latim e o canto.

Veja também: Schola, Canto gregoriano, Polifonia

SecretaSecreta

Oração que o sacerdote diz em silêncio no fim do Ofertório, sobre o pão e o vinho; só a conclusão Per ómnia sǽcula sæculórum se diz em voz alta, abrindo o Prefácio (Código de Rubricas, nn. 480–481). Diz-se em número igual ao das Coletas. Os estudiosos explicam o nome tanto pela voz baixa quanto pelas oferendas “separadas” para o Sacrifício.

Veja também: Oblata, Coleta, Prefácio

Semana SantaHebdomada sancta

A semana do Domingo de Ramos ao Sábado Santo (Código de Rubricas, n. 75), que celebra a Paixão do Senhor e culmina no Tríduo Sacro. Seus ritos foram reformados por Pio XII com o decreto Maxima Redemptionis nostrae mysteria (16 de novembro de 1955), que devolveu as celebrações às horas dos acontecimentos; é essa a forma do Missal de 1962. Veja O ano litúrgico.

Veja também: Tríduo Sacro, Tempo da Paixão, Vigília Pascal

SeptuagésimaSeptuagesima

O domingo que abre um tempo de preparação para a Quaresma, cerca de setenta dias antes da Páscoa, seguido da Sexagésima e da Quinquagésima. Desde então calam-se o Aleluia e, nas Missas do tempo, o Gloria, e os paramentos são roxos. O tempo da Septuagésima não existe no calendário de 1969. Veja O ano litúrgico.

Veja também: Quaresma, Trato, Aleluia

SepulcroSepulcrum

A pequena cavidade, na mesa do altar ou na ara, em que o bispo encerra relíquias de santos — ao menos de um mártir — no rito de consagração, fechando-a com uma pedra. Lembra as almas dos mártires que o Apocalipse vê “debaixo do altar” (Ap 6,9). Não se confunde com o nome popular do altar da reposição.

Veja também: Relíquia, Ara, Altar da reposição

SequênciaSequentia

Hino poético cantado depois do Aleluia, ou do Trato, em certas festas (Código de Rubricas, n. 470). Das centenas compostas na Idade Média, o Missal de 1570 conservou quatro — Victimæ pascháli laudes (Páscoa), Veni, Sancte Spíritus (Pentecostes), Lauda Sion (Corpus Christi) e Dies iræ (defuntos) —, e Bento XIII acrescentou em 1727 o Stabat Mater, para Nossa Senhora das Dores.

Veja também: Aleluia, Missa de Réquiem, Gradual

SobrepelizSuperpelliceum

Veste branca, de mangas largas, que desce até perto dos joelhos, usada sobre a batina pelos clérigos e pelos acólitos nas funções litúrgicas. O nome latino vem de ser vestida “sobre as peles” com que o clero se agasalhava no coro das igrejas frias do norte da Europa.

Veja também: Batina, Acólito, Barrete

SubdiáconoSubdiaconus

Na disciplina latina tradicional, a primeira das ordens maiores. Na Missa solene, o subdiácono canta a Epístola, segura o livro durante o Evangelho, leva o cálice e a água no Ofertório e, envolto no véu umeral, segura a patena até o Pater noster; veste a tunicela. Em 1972 deixou de existir na disciplina comum da Igreja latina (Ministeria quaedam).

Veja também: Diácono, Tunicela, Ordens maiores, Missa solene

Summorum Pontificum

Motu proprio de Bento XVI (7 de julho de 2007, em vigor desde 14 de setembro do mesmo ano) que declarou nunca ab-rogado o Missal de 1962, permitiu a todo sacerdote de rito latino usá-lo nas Missas sem o povo e pediu aos párocos que acolhessem os grupos de fiéis que o desejassem. Chamou-o “expressão extraordinária” da lex orandi do rito romano (art. 1). Suas normas foram ab-rogadas por Traditionis Custodes (2021).

Veja também: Forma Extraordinária, Universae Ecclesiae, Traditionis Custodes

SupedâneoSuppedaneum

O último degrau do altar, mais largo, que forma a plataforma onde o sacerdote fica de pé durante a Missa; também se chama predela.

Veja também: Altar, Altar-mor

SupplicesSúpplices te rogámus, omnípotens Deus

Oração do Cânon depois da Consagração e das orações Unde et mémores e Supra quæ: o sacerdote, profundamente inclinado e de mãos postas sobre o altar, pede a Deus que a oferenda seja levada “pelas mãos do vosso santo Anjo” ao altar celeste, diante da divina majestade, para que todos os que comungam o Corpo e o Sangue do Filho sejam cheios de toda bênção e graça do céu. Alguns estudiosos veem nela uma epiclese do rito romano.

Veja também: Cânon, Epiclese, Anamnese

Sursum cordaSursum corda. ℟. Habémus ad Dóminum.

“Corações ao alto!” — “Temo-los voltados para o Senhor”: diálogo entre o sacerdote e o povo que abre o Prefácio e continua com Grátias agámus Dómino Deo nostro (“Demos graças ao Senhor nosso Deus”). É dos textos mais antigos da Missa: São Cipriano de Cartago já o comenta por volta de 252 (De dominica oratione, 31).

Veja também: Prefácio, Sanctus

T

TabernáculoTabernaculum

Pequeno armário sólido, fechado à chave, em geral no centro do altar-mor, onde se guarda o Santíssimo Sacramento para a comunhão dos enfermos e para a adoração; diante dele arde sempre uma lâmpada. Generalizou-se depois do Concílio de Trento, com o exemplo de São Carlos Borromeu e o Ritual Romano de 1614. É coberto pelo conopeu.

Veja também: Conopeu, Cibório, Presença real

Te igiturTe ígitur, clementíssime Pater

Primeira oração do Cânon: “A vós, pois, Pai clementíssimo”. O sacerdote ergue os olhos e as mãos, inclina-se profundamente, beija o altar e traça três sinais da cruz sobre as oferendas, pedindo a Deus que as aceite e as abençoe, em favor da Igreja, do Papa e do bispo. Nos missais medievais, o T inicial era muitas vezes desenhado como uma cruz, e daí veio a imagem da Crucifixão que precede o Cânon nos missais de altar.

Veja também: Cânon, Memento

Tempo da PaixãoTempus Passionis

As duas últimas semanas da Quaresma, do I Domingo da Paixão ao Sábado Santo; a segunda é a Semana Santa. Cobrem-se com véus roxos as cruzes e as imagens, e nas Missas do tempo omitem-se o Salmo 42 e o Glória Patri do Intróito (Código de Rubricas, nn. 425 e 428).

Veja também: Quaresma, Semana Santa, Iudica me

Tempo PascalTempus paschale

Os cinquenta dias da alegria pascal, da Vigília Pascal até o sábado depois de Pentecostes (Código de Rubricas, n. 76). O Aleluia multiplica-se nos cantos, a antífona da aspersão é o Vidi aquam, e o círio pascal fica junto ao altar até a Ascensão.

Veja também: Vigília Pascal, Vidi aquam, Círio pascal, Oitava

TemporalProprium de Tempore

O Próprio do Tempo: a parte do Missal com as Missas dos domingos, das férias e das festas ligadas ao ciclo do Natal e ao da Páscoa, do I Domingo do Advento ao último domingo depois de Pentecostes.

Veja também: Santoral, Próprio, Advento

TêmporasQuattuor Tempora

As quatro “estações” do ano litúrgico: a quarta, a sexta e o sábado de uma semana do Advento, do início da Quaresma, da oitava de Pentecostes e de setembro, dias de jejum, de oração, de ação de graças pelos frutos da terra e de ordenações. Suas Missas têm leituras a mais, e a do sábado, cinco lições antes da Epístola (Código de Rubricas, nn. 467–468). São Leão Magno († 461) já pregava sobre esses jejuns.

Veja também: Féria, Rogações, Ordens maiores

Toalha de altarTobalea

Cada uma das três toalhas de linho, bentas, que cobrem a mesa do altar; a de cima, mais longa, desce dos dois lados até o chão (Código de Rubricas, n. 526). Se o Sangue precioso se derramar, o linho o absorve antes da pedra.

Veja também: Altar, Frontal

Toalha de comunhão

Toalha branca estendida sobre a mesa de comunhão, diante dos fiéis que comungam, para que nenhum fragmento caia ao chão. No século XX difundiu-se também a patena de comunhão, que o acólito põe sob o queixo de quem comunga.

Veja também: Mesa de comunhão, Comunhão, Patena

Tocheiro

Acólito que, na Missa solene, segura de joelhos diante do altar uma tocha acesa, do Sanctus até depois da elevação ou da comunhão, em honra do Santíssimo; o nome designa também o castiçal alto que sustenta essa vela.

Veja também: Ceroferário, Elevação, Acólito

TonsuraTonsura

Rito em que o bispo cortava um pouco do cabelo de um leigo, fazendo-o clérigo e habilitando-o a receber as ordens. Em 1972, Ministeria quaedam deixou de conferi-la, e a entrada no estado clerical passou a dar-se com o diaconato; os institutos que usam o Pontifical de 1962 foram autorizados a conservá-la.

Veja também: Ordens menores, Ordens maiores

Traditionis Custodes

Motu proprio do Papa Francisco (16 de julho de 2021) sobre o uso da liturgia romana anterior à reforma de 1970. Declara os livros promulgados por São Paulo VI e São João Paulo II a única expressão da lex orandi do rito romano (art. 1), confia exclusivamente ao bispo diocesano a autorização do Missal de 1962 em sua diocese (art. 2) e ab-roga as normas anteriores contrárias (art. 8), entre elas as de Summorum Pontificum. Veja Através dos séculos.

Veja também: Summorum Pontificum, Lex orandi, Forma Extraordinária

TransubstanciaçãoTranssubstantiatio

A conversão de toda a substância do pão no Corpo de Cristo e de toda a substância do vinho no seu Sangue, permanecendo apenas as espécies. O IV Concílio de Latrão (1215) já usa o termo, e o Concílio de Trento ensina que a Igreja chama essa conversão, com toda a propriedade, de transubstanciação (sessão XIII, 1551, cap. 4 e cân. 2).

Veja também: Presença real, Espécies, Consagração

TratoTractus

Canto do Próprio que substitui o Aleluia da Septuagésima à Páscoa e nas Missas de defuntos: vários versículos de salmo cantados em seguida, sem refrão. O nome é explicado de modos diversos pelos estudiosos — canto “arrastado” ou cantado “de seguida” —, e a forma é tida como uma das mais antigas do repertório.

Veja também: Aleluia, Gradual, Septuagésima

Tríduo Pascal

Nome dado pelo calendário de 1969 aos três dias da Paixão, da sepultura e da Ressurreição do Senhor, da Missa vespertina da Ceia do Senhor às Vésperas do Domingo da Páscoa. No Missal de 1962, o termo correspondente é Tríduo Sacro, que compreende a Quinta, a Sexta e o Sábado Santo.

Veja também: Tríduo Sacro, Semana Santa

Tríduo SacroTriduum sacrum

Os três últimos dias da Semana Santa — Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado Santo — no calendário de 1962 (Código de Rubricas, n. 75), celebrados na forma restaurada por Pio XII em 1955: a Missa da Ceia do Senhor ao entardecer, a ação litúrgica da Paixão à tarde e a Vigília Pascal à noite.

Veja também: Semana Santa, Altar da reposição, Vigília Pascal

TunicelaTunicella

Paramento próprio do subdiácono na Missa solene, semelhante à dalmática do diácono e tradicionalmente um pouco mais simples; o bispo a veste, com a dalmática, sob a casula na Missa pontifical.

Veja também: Subdiácono, Dalmática

TuríbuloThuribulum

Vaso de metal suspenso por correntes, com tampa móvel, em que se queimam brasas e incenso; com ele o celebrante incensa o altar e as oferendas, e o diácono ou o turiferário incensam as pessoas.

Veja também: Naveta, Turiferário, Incensação

TuriferárioThuriferarius

Acólito encarregado do turíbulo: mantém as brasas acesas, apresenta-o com a naveta para que o celebrante ponha e abençoe o incenso, e o leva à frente das procissões.

Veja também: Turíbulo, Naveta, Acólito

U

Último EvangelhoIn princípio erat Verbum

Leitura do início do Evangelho de São João (Jo 1,1-14) que o sacerdote faz no lado do Evangelho depois da bênção final; às palavras Et Verbum caro factum est (“E o Verbo se fez carne”), todos fazem genuflexão. Nasceu como devoção privada do sacerdote na Idade Média e tornou-se obrigatório com o Missal de 1570; desde 1960 é regularmente o prólogo de São João, salvo poucas exceções (Código de Rubricas, nn. 509–510). A instrução Inter Oecumenici (1964) o suprimiu no uso reformado.

Veja também: Lado do Evangelho, Bênção final, Sacra

UmbelaUmbella

Pequeno pálio em forma de guarda-sol, de seda branca, levado sobre o Santíssimo Sacramento em deslocamentos breves, como de um altar a outro ou ao levar a comunhão aos enfermos.

Veja também: Baldaquino, Véu umeral

Universae Ecclesiae

Instrução da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei (30 de abril de 2011), aprovada por Bento XVI, que regulou a aplicação de Summorum Pontificum: tratou dos grupos de fiéis e da competência dos bispos e permitiu, entre outras coisas, o uso do Pontifical de 1962 para as ordenações nos institutos ligados ao uso antigo (n. 31). Descreve a liturgia romana segundo o usus antiquior como “um tesouro precioso a ser conservado” (n. 8).

Veja também: Summorum Pontificum, Usus antiquior, Ecclesia Dei

Usus antiquior

“Uso mais antigo”: expressão latina empregada em documentos da Santa Sé, como a instrução Universae Ecclesiae (2011, nn. 5 e 8), para a liturgia romana segundo os livros de 1962. Com Vetus Ordo e Missa Tridentina, é um dos nomes correntes do rito.

Veja também: Vetus Ordo, Missa Tridentina, Forma Extraordinária

V

Vernáculo

A língua do povo de cada lugar, em oposição ao latim litúrgico. Na Missa de 1962 todo o rito é em latim, mas as leituras podem ser repetidas em vernáculo antes da homilia, e os documentos de 2007 e 2021 preveem que sejam proclamadas em vernáculo nas Missas com o povo (Summorum Pontificum, art. 6; Traditionis Custodes, art. 3 §3). Veja O latim e o canto.

Veja também: Sacrosanctum Concilium, Epístola, Evangelho

VersículoVersiculus

Frase breve, muitas vezes tirada de um salmo, dita pelo sacerdote ou por um ministro e à qual se responde; nos livros, marca-se com o sinal ℣, e a resposta com ℟. Exemplo: ℣. Adiutórium nostrum in nómine Dómini. ℟. Qui fecit cælum et terram (“O nosso auxílio está no nome do Senhor. — Que fez o céu e a terra”).

Veja também: Responsório, Dominus vobiscum

Versus populum

“Voltado para o povo”: celebração em que o sacerdote fica atrás do altar, de frente para os fiéis. O próprio Missal de 1962 prevê o caso de altares assim dispostos, como em certas basílicas romanas (Ritus servandus V, 3), mas a norma da Missa tradicional é a celebração ad orientem; com o rito de 1970, o versus populum difundiu-se amplamente.

Veja também: Ad orientem, Altar

VésperasVesperae

A hora do Ofício divino rezada ao entardecer, com salmos, hino e o cântico de Nossa Senhora, o Magníficat, durante o qual, nas Vésperas solenes, se incensa o altar. Os domingos e as festas começam nas I Vésperas, na tarde da véspera.

Veja também: Ofício divino, Breviário, Pluvial

Vetus Ordo

“Ordem antiga”: designação informal da Missa segundo os livros de 1962, por oposição a Novus Ordo. Não é termo oficial; os documentos falam em Missal de 1962, em usus antiquior ou, entre 2007 e 2021, em forma extraordinária.

Veja também: Novus Ordo, Usus antiquior, Missa Tridentina

Véu do cáliceVelum calicis

Véu quadrado de seda, da mesma cor e tecido dos paramentos, que cobre o cálice quando ele é levado ao altar e trazido de volta, e durante a Missa até o Ofertório e depois das abluções.

Veja também: Cálice, Bolsa, Pala

Véu umeralVelum humerale

Longo véu retangular posto sobre os ombros, com cujas pontas se seguram objetos sagrados sem tocá-los diretamente: na Missa solene, o subdiácono segura com ele a patena do Ofertório ao Pater noster; o sacerdote o usa para dar a Bênção do Santíssimo e levá-lo em procissão. É branco para o Santíssimo e, na Missa, da cor do dia.

Veja também: Subdiácono, Patena, Umbela

Vidi aquamVidi aquam egrediéntem de templo, a látere dextro, allelúia

Antífona que, no Tempo Pascal, substitui o Asperges me na aspersão dominical: “Vi a água que saía do templo, do lado direito, aleluia”. Inspira-se na visão de Ez 47, que a tradição lê como figura da água e do sangue que brotaram do lado de Cristo e do Batismo.

Veja também: Asperges, Tempo Pascal, Água benta

VigíliaVigilia

O dia que precede uma grande festa e a prepara (Código de Rubricas, n. 28). No calendário de 1962 há vigílias de I classe (Natal e Pentecostes), de II classe (Ascensão, Assunção, Natividade de São João Batista, Santos Pedro e Paulo) e de III classe (São Lourenço), cada uma com Missa própria (nn. 30–32). Diferente delas é a Vigília Pascal, celebração noturna da própria Ressurreição.

Veja também: Vigília Pascal, Classe litúrgica

Vigília PascalVigilia paschalis

A celebração da noite santa da Páscoa: bênção do fogo novo e do círio, Exsultet, leituras, bênção da água batismal, Ladainha, renovação das promessas do Batismo e a primeira Missa da Ressurreição. Pio XII restaurou-a à noite, primeiro em caráter experimental (1951) e depois de modo definitivo, com a reforma da Semana Santa (1955).

Veja também: Círio pascal, Exsultet, Tríduo Sacro, Tempo Pascal