O ano litúrgico segundo o Missal de 1962
Ao longo de um ano, a Igreja percorre toda a vida de Cristo — da espera do Advento à vinda do Espírito Santo em Pentecostes — e, entrelaçada com ela, a memória de Nossa Senhora e dos santos. Cada tempo tem seus textos, suas cores e seus costumes; conhecê-los é a melhor chave para entender por que a Missa de cada domingo é diferente.

Um ano que conta a história da salvação
EssencialO ano da Igreja não começa em 1º de janeiro. Começa no primeiro domingo do Advento, o domingo que cai em 30 de novembro ou é o mais próximo dessa data — sempre entre 27 de novembro e 3 de dezembro. A partir daí, semana após semana, a liturgia percorre a vida de Cristo: a espera anunciada pelos profetas, o nascimento em Belém, a manifestação aos magos, o jejum no deserto, a Paixão, a Ressurreição, a Ascensão e a vinda do Espírito Santo. Não se trata de encenação nem de simples lembrança: para a fé da Igreja, cada mistério celebrado volta a ser fonte de graça para quem dele participa. O Concílio Vaticano II resumiu essa pedagogia ao dizer que a Igreja “distribui todo o mistério de Cristo pelo correr do ano” (Sacrosanctum Concilium, 102).
O Próprio do Tempo do Missal de 1962 começa com o Intróito do 1º domingo do Advento:
Ad te levávi ánimam meam: Deus meus, in te confído, non erubéscam.
A ti elevei a minha alma: meu Deus, em ti confio, não serei confundido.
Ao lado desse percurso, que os livros chamam de ciclo do tempo ou Temporal (Proprium de Tempore), corre um segundo calendário: o dos santos, ou Santoral (Proprium Sanctorum). Nossa Senhora, os Apóstolos, os mártires, os doutores e as virgens são celebrados em datas fixas, em geral no dia da morte — o dies natalis, “dia do nascimento” para o céu. Boa parte do Temporal depende da data da Páscoa, que muda de ano para ano; o Santoral segue o calendário civil. Os dois se cruzam o tempo todo, e um conjunto de normas, as rubricas, decide qual celebração prevalece quando coincidem. Por isso a mesma data pode ter, em anos diferentes, Missas diferentes: se 8 de dezembro cair num domingo do Advento, celebra-se a Imaculada Conceição, e do domingo faz-se apenas comemoração.
Dois polos: o Natal e a Páscoa
O Natal tem data fixa, 25 de dezembro; a Páscoa é móvel. Ela cai no domingo seguinte à primeira lua cheia eclesiástica a partir de 21 de março, calculada por regras e tabelas tradicionais, e por isso varia entre 22 de março e 25 de abril. Do Natal dependem o Advento, que o prepara, e o tempo que o prolonga até 13 de janeiro. Da Páscoa dependem a Septuagésima (nove semanas antes), a Quaresma, a Semana Santa, a Ascensão (no quadragésimo dia, sempre numa quinta-feira) e Pentecostes (no quinquagésimo dia, contando a própria Páscoa como o primeiro). Entre um bloco e outro, e depois de Pentecostes, ficam os domingos “depois da Epifania” e “depois de Pentecostes”, de cor verde, em que a Igreja medita a pregação e os milagres do Senhor, até o tema dos últimos domingos do ano: o fim do mundo e a volta de Cristo.
Uma observação para quem lê no Brasil. O calendário litúrgico nasceu no hemisfério norte, e alguns de seus textos supõem as estações de lá: o Natal no inverno, quando os dias voltam a crescer; a Páscoa na primavera; as Têmporas ligadas à sementeira e à colheita da Europa. Entre nós, o Natal cai no verão e a Páscoa no outono. Isso não esvazia o simbolismo — a luz de Cristo que vence as trevas não depende do clima —, mas lembra que o ano litúrgico é, antes de tudo, um calendário de mistérios, e não de estações da natureza.
As estações do ano litúrgico
EssencialOs livros de 1962 dividem o ano em tempos delimitados com precisão pelo Código de Rubricas de 1960 (nn. 71–77). Neste site, para facilitar, agrupamos esses tempos em oito estações, cada uma com sua cor e seu clima espiritual: três em torno do Natal (Advento, Tempo do Natal, Tempo depois da Epifania), quatro em torno da Páscoa (Septuagésima, Quaresma, Tempo da Paixão, Tempo Pascal) e o longo Tempo depois de Pentecostes. O quadro dá os limites exatos; em seguida, cada tempo é apresentado com seu nome latino, sua cor e uma explicação que você pode abrir. O tempo em que estamos aparece marcado com “hoje”.
| Tempo | Começa | Termina | Cor |
|---|---|---|---|
| Advento | 1º domingo do Advento (entre 27/11 e 3/12) | 24 de dezembro | roxo |
| Tempo do Natal | 25 de dezembro | 13 de janeiro | branco |
| Depois da Epifania | 14 de janeiro | sábado antes da Septuagésima | verde |
| Septuagésima | domingo da Septuagésima (nove semanas antes da Páscoa) | terça-feira antes das Cinzas | roxo |
| Quaresma | Quarta-feira de Cinzas | sábado antes do 1º domingo da Paixão | roxo |
| Tempo da Paixão | 1º domingo da Paixão (duas semanas antes da Páscoa) | Sábado Santo, até a Vigília | roxo |
| Tempo Pascal | Vigília Pascal | sábado dentro da oitava de Pentecostes | branco (vermelho da vigília de Pentecostes à sua oitava) |
| Depois de Pentecostes | domingo da Santíssima Trindade | sábado antes do Advento | verde |
Duas observações ajudam a ler o quadro. A cor indicada é a dos domingos e das férias (os dias de semana) de cada tempo; as festas de santos e de mistérios têm cor própria (ver as cores litúrgicas). E as fronteiras são litúrgicas, e não civis: no Ofício divino, o domingo e as grandes festas começam na véspera, com as primeiras Vésperas, e por isso os tempos “entram” na tarde do dia anterior. Para quem vai só à Missa, basta saber o domingo; para quem reza o Breviário, essas horas contam.
Advento
Tempus Adventus · roxo
Quatro semanas de espera e preparação para o Natal: a Igreja revive a esperança dos profetas e volta os olhos para a segunda vinda de Cristo. Paramentos roxos, sem Glória, com um respiro de alegria no domingo Gaudete.
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O Advento começa nas primeiras Vésperas do domingo mais próximo de 30 de novembro e vai até a tarde de 24 de dezembro (n. 71). Tem duplo sentido: prepara a memória do nascimento de Cristo em Belém e recorda que ele voltará na glória. Por isso o 1º domingo lê o Evangelho dos sinais do fim (Lc 21,25-33), e os seguintes fazem ouvir João Batista, o precursor. Os quatro domingos são de I classe e prevalecem sobre qualquer festa, com uma única exceção: a Imaculada Conceição, em 8 de dezembro. Os dias de semana repetem a Missa do domingo, salvo as Têmporas, que têm Missa própria; a partir de 17 de dezembro a liturgia se intensifica, as férias passam à II classe e, nas Vésperas, cantam-se as grandes antífonas “Ó”.
Intróito do 4º domingo do Advento e da quarta-feira das Têmporas:
Roráte, cæli, désuper, et nubes pluant iustum: aperiátur terra, et gérminet Salvatórem.
Gotejai, ó céus, lá do alto, e as nuvens chovam o Justo; abra-se a terra e faça germinar o Salvador.
Quem chega a uma Missa do Advento nota primeiro o roxo e a falta do Glória, guardado para a noite de Natal. O Aleluia, ao contrário, continua nos domingos, porque o Advento é espera alegre, e não luto; nas férias, quando se repete a Missa do domingo, diz-se só o Gradual. O Prefácio dos domingos é o da Santíssima Trindade; nas férias, o comum. No 3º domingo, Gaudete — “Alegrai-vos”, primeira palavra do Intróito —, os paramentos podem ser rosa. Em vários países é costume, onde as rubricas e a licença do bispo o permitem, celebrar nas férias, antes do amanhecer e à luz de velas, a Missa de Nossa Senhora do Advento, chamada Rorate pelas primeiras palavras do Intróito. A vigília do Natal, em 24 de dezembro, é de I classe e ainda roxa: só à noite a Igreja muda de cor.
Tempo do Natal
Tempus natalicium · branco
De 25 de dezembro a 13 de janeiro, a Igreja celebra o Verbo feito carne e sua manifestação ao mundo: a Natividade e sua oitava, o Santíssimo Nome de Jesus, a Epifania, a Sagrada Família e o Batismo do Senhor. A cor é o branco.
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O Código de 1960 chama este tempo de natalício e divide-o em dois: o Tempo do Natal, de 25 de dezembro a 5 de janeiro, e o Tempo da Epifania, de 6 a 13 de janeiro (n. 72). No dia de Natal, cada sacerdote pode celebrar três Missas, com textos próprios: a da noite, a da aurora e a do dia. O Missal ainda indica para elas as antigas estações romanas — Santa Maria Maior junto ao presépio, Santa Anastácia e de novo Santa Maria Maior —, e os comentadores medievais viram nas três Missas o tríplice nascimento do Filho: eterno, do Pai; temporal, de Maria; espiritual, nas almas dos fiéis. No Brasil, a Missa da noite é chamada de Missa do Galo.
Intróito da Missa da noite de Natal:
Dóminus dixit ad me: Fílius meus es tu, ego hódie génui te.
O Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.
Na oitava do Natal, de II classe, sucedem-se Santo Estêvão, o primeiro mártir, São João Evangelista e os Santos Inocentes, como uma corte em torno do presépio; o 1º de janeiro, oitavo dia, é de I classe. O Santíssimo Nome de Jesus celebra-se no domingo entre 2 e 5 de janeiro, ou, não havendo domingo, em 2 de janeiro. A Epifania, em 6 de janeiro, festa de I classe, celebra a manifestação de Cristo aos magos; o domingo seguinte é a festa da Sagrada Família, e 13 de janeiro, a Comemoração do Batismo do Senhor, que fecha este tempo.
Quem participa de uma Missa cantada de Natal repara num gesto raro: quando o coro canta Et incarnatus est no Credo, o celebrante e os ministros, que nesse momento costumam apenas inclinar a cabeça, ajoelham-se com todos; isso só acontece nas três Missas do Natal e na Anunciação (n. 518). E a festa não termina em 25 de dezembro: o branco e os cantos natalinos prolongam-se por quase três semanas. No Ofício, a antífona mariana Alma Redemptoris Mater continua até 2 de fevereiro, festa da Purificação, quarenta dias depois do Natal.
Tempo depois da Epifania
Tempus per annum (post Epiphaniam) · verde
De 14 de janeiro à Septuagésima, um breve tempo verde em que os domingos mostram Cristo manifestando sua glória pelos milagres e pela pregação. Dura de uma a seis semanas, conforme a data da Páscoa.
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O Missal fala simplesmente dos domingos depois da Epifania; o Código de Rubricas inclui esses dias no tempo per annum, “durante o ano”, que começa em 14 de janeiro (n. 77). Os domingos prolongam a Epifania: as bodas de Caná (2º domingo, Jo 2,1-11), a cura do leproso e do servo do centurião (3º), a tempestade acalmada (4º), as parábolas do joio, do grão de mostarda e do fermento (5º e 6º). Como a Septuagésima pode começar já em 18 de janeiro ou só em 21 de fevereiro, o número de domingos varia de um a seis; os formulários que sobram são usados no fim do ano, depois do 23º domingo depois de Pentecostes.
Intróito do 3º ao 6º domingo depois da Epifania:
Adoráte Deum, omnes Angeli eius: audívit, et lætáta est Sion: et exsultavérunt fíliæ Iudæ.
Adorai a Deus, todos os seus anjos; Sião ouviu e alegrou-se, e exultaram as filhas de Judá.
Para quem chega, é um tempo tranquilo: paramentos verdes nos domingos e nos dias de semana, Glória e Credo aos domingos, Prefácio da Santíssima Trindade. Os dias de semana são de IV classe e quase sempre dão lugar a festas de santos. Em 2 de fevereiro, a festa da Purificação de Nossa Senhora, a Candelária, traz a bênção das velas e a procissão, feitas em branco desde 1960: os fiéis levam velas acesas em honra de Cristo, “luz para iluminar as nações”, como canta Simeão. Quando a Páscoa é cedo, a Purificação já cai na Septuagésima.
Septuagésima
Tempus Septuagesimae · roxo
Três domingos de preparação para a Quaresma — Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima —, com paramentos roxos, sem Glória e sem Aleluia. Um vestíbulo da penitência, conservado no Missal de 1962.
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Este tempo vai das primeiras Vésperas do domingo da Septuagésima até a terça-feira antes das Cinzas (n. 73). A Igreja ainda não jejua, mas já se veste de roxo, cala o Glória nas Missas do tempo e despede-se do Aleluia, que só voltará na Vigília Pascal. Os três domingos, de II classe, têm cada um sua estação romana — São Lourenço, São Paulo e São Pedro — e formam um pequeno itinerário: o trabalho na vinha, a semente da Palavra, a caridade e o anúncio da Paixão. Nos dias de semana repete-se a Missa do domingo, só com o Gradual, ou celebram-se as festas dos santos.
Para quem vem pela primeira vez, a surpresa é ver o roxo antes da Quarta-feira de Cinzas e ouvir, depois do Gradual, o Trato em lugar do Aleluia: versículos de salmo cantados sem refrão, de melodia longa e grave — no domingo da Septuagésima, o De profundis (sobre esses cantos, veja O latim e o canto). O calendário promulgado em 1969 não conservou este tempo; a explicação completa está mais acima.
Quaresma
Tempus Quadragesimae · roxo
Da Quarta-feira de Cinzas ao sábado antes do 1º domingo da Paixão: o caminho de jejum, oração e esmola, com Missa própria para cada dia. Paramentos roxos, e rosa no domingo Laetare.
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A Quaresma imita os quarenta dias de Cristo no deserto, cujo Evangelho se lê no 1º domingo (Mt 4,1-11). O jejum quaresmal estende-se até o Sábado Santo; o tempo litúrgico chamado Quaresma vai até o sábado antes do 1º domingo da Paixão, quando começa o Tempo da Paixão (n. 74). Os domingos são de I classe; as férias são de III classe, mas prevalecem sobre as festas de III classe, que ficam reduzidas a comemoração (n. 25). Cada dia tem Missa própria e uma estação romana indicada no Missal, herança das procissões penitenciais de Roma, em que o papa, o clero e o povo se reuniam numa igreja e seguiam para outra, onde se celebrava a Missa. As Têmporas da Quaresma caem na semana que se segue ao 1º domingo.
Intróito do 4º domingo da Quaresma, chamado Laetare:
Lætáre, Ierúsalem: et convéntum fácite, omnes qui dilígitis eam: gaudéte cum lætítia, qui in tristítia fuístis.
Alegra-te, Jerusalém; reuni-vos, todos vós que a amais; exultai de alegria, vós que estivestes na tristeza.
Na Missa, nota-se o roxo, a ausência do Glória e do Aleluia, o Trato depois do Gradual (nos domingos e em vários dias de semana) e, nos dias de semana, a oração sobre o povo antes da despedida, introduzida pelo convite Humiliáte cápita vestra Deo. A Missa termina, como no resto do ano, com Ite, missa est. O casamento pode ser celebrado, mas a bênção solene das núpcias fica suspensa até a Páscoa, salvo licença do bispo. No 4º domingo, Laetare, permitem-se paramentos rosa: é a metade do caminho, e a liturgia deixa entrever a alegria pascal.
Tempo da Paixão
Tempus Passionis · roxo
As duas últimas semanas antes da Páscoa: o 1º domingo da Paixão e a Semana Santa, que começa no Domingo de Ramos. Cruzes e imagens cobertas, Prefácio da Cruz e, no fim, o Tríduo Sacro, coração do ano.
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O Tempo da Paixão começa nas primeiras Vésperas do 1º domingo da Paixão e termina com o início da Missa da Vigília Pascal (n. 74). A Igreja concentra-se no sofrimento de Cristo: cobrem-se com véus as cruzes e as imagens, omitem-se nas Missas do tempo o salmo Iudica me e o Gloria Patri do Intróito e do Lavabo, e o Prefácio é o da Santa Cruz. A segunda semana é a Semana Santa: Domingo de Ramos, três férias de I classe (na terça e na quarta lê-se a Paixão) e o Tríduo Sacro — Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado Santo —, celebrado na forma restaurada por Pio XII em 1955.
Intróito do 1º domingo da Paixão; o salmo omitido ao pé do altar torna-se o canto de entrada:
Iúdica me, Deus, et discérne causam meam de gente non sancta: ab hómine iníquo et dolóso éripe me: quia tu es Deus meus, et fortitúdo mea.
Julga-me, ó Deus, e defende a minha causa contra a gente não santa; livra-me do homem iníquo e enganador, porque tu és o meu Deus e a minha força.
Para quem participa pela primeira vez, a Semana Santa é o momento mais intenso do ano, e também o de cerimônias mais longas. Convém informar-se dos horários com antecedência: a Missa da Ceia do Senhor é à tarde ou à noite da quinta-feira; a ação litúrgica da Sexta-feira Santa, à tarde, por volta das 15h; a Vigília Pascal, à noite. Na sexta-feira não há Missa, e o altar fica desnudo. A descrição de cada dia está mais acima; as atitudes do corpo nessas cerimônias estão em Gestos, posturas e sinais.
Tempo Pascal
Tempus paschale · branco
Os cinquenta dias de alegria entre a Páscoa e Pentecostes, mais a oitava de Pentecostes: a Ressurreição, a Ascensão e a vinda do Espírito Santo. Branco, Aleluia multiplicado e, da vigília de Pentecostes ao sábado seguinte, o vermelho.
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O Tempo Pascal começa com a Missa da Vigília e termina na hora Nona do sábado dentro da oitava de Pentecostes (n. 76). A Páscoa e os dias que a seguem formam uma oitava de I classe; o domingo seguinte, in albis, recorda as vestes brancas dos recém-batizados. No quadragésimo dia, numa quinta-feira, celebra-se a Ascensão: depois do Evangelho, apaga-se o círio pascal, aceso desde a Vigília. Dez dias mais tarde, Pentecostes coroa o mistério pascal com a vinda do Espírito Santo; sua vigília e sua oitava, ambas de I classe, usam o vermelho, e na oitava caem as Têmporas de Pentecostes.
Antífona da aspersão nos domingos do Tempo Pascal, em lugar do Asperges me:
Vidi aquam egrediéntem de templo, a látere dextro, allelúia: et omnes, ad quos pervénit aqua ista, salvi facti sunt, et dicent: allelúia, allelúia.
Vi a água que saía do templo, do lado direito, aleluia; e todos aqueles a quem chegou esta água foram salvos e dirão: aleluia, aleluia.
Na Missa, o Aleluia volta com força: acrescenta-se aos cantos do Próprio e, passada a oitava da Páscoa, ocupa o lugar do Gradual, com dois versículos; durante a oitava, soma-se até ao Ite, missa est. Nos domingos, a aspersão antes da Missa principal faz-se com o Vidi aquam, e o Ofício termina com a Regina caeli. As Rogações caem neste tempo, em 25 de abril e nos três dias antes da Ascensão, com procissões e Missa em roxo; veja Têmporas e Rogações.
Tempo depois de Pentecostes
Tempus per annum (post Pentecosten) · verde
O tempo mais longo do ano, da Santíssima Trindade ao Advento: de 23 a 28 domingos verdes em que a Igreja medita a vida cristã e termina contemplando o fim dos tempos e a volta de Cristo.
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Começa com a festa da Santíssima Trindade, no 1º domingo depois de Pentecostes, seguida por Corpus Christi, na quinta-feira seguinte, e pelo Sagrado Coração, na sexta-feira depois do 2º domingo depois de Pentecostes, todas de I classe. O verde aparece a partir da segunda-feira depois da Trindade (n. 127). Os domingos, de II classe, seguem uma ordem antiga de Epístolas, sobretudo de São Paulo, e de Evangelhos com parábolas e milagres; o número varia de 23 a 28, e os formulários que faltam vêm dos domingos depois da Epifania que ficaram sem uso. O último domingo, qualquer que seja o seu número, lê sempre o discurso de Cristo sobre o fim dos tempos (Mt 24,15-35).
Intróito dos últimos domingos depois de Pentecostes:
Dicit Dóminus: Ego cógito cogitatiónes pacis, et non afflictiónis: invocábitis me, et ego exáudiam vos: et redúcam captivitátem vestram de cunctis locis.
Diz o Senhor: Eu tenho pensamentos de paz, e não de aflição; vós me invocareis, e eu vos atenderei; e reconduzirei os vossos cativos de todos os lugares.
Neste longo tempo inserem-se grandes festas: São Pedro e São Paulo (29 de junho), o Preciosíssimo Sangue (1º de julho), a Assunção (15 de agosto), São Miguel (29 de setembro), Cristo Rei (último domingo de outubro), Todos os Santos (1º de novembro) e os Fiéis Defuntos (2 de novembro); em setembro, as Têmporas. Para o recém-chegado, é o tempo “comum” da Missa tradicional: verde, Glória e Credo aos domingos, Prefácio da Santíssima Trindade. Mas os últimos domingos, que falam do juízo e da volta de Cristo, já preparam o Advento, e o ano recomeça.
As cores litúrgicas
EssencialAo entrar na igreja, o primeiro sinal do tempo litúrgico é a cor: a da casula do sacerdote, da estola, do véu do cálice e, onde se conserva o costume, do frontal que reveste a parte da frente do altar. A cor não é decoração escolhida ao gosto de cada um; as rubricas a determinam para cada dia. O Código de Rubricas impresso no Missal de 1962 diz que a Igreja Romana costuma usar cinco cores — branco, vermelho, verde, roxo e preto — e admite o rosa em dois domingos do ano. São, portanto, seis cores, cada uma com um sentido que os comentadores da liturgia exploraram desde a Idade Média.
“[…] secundum usum Romanæ Ecclesiæ, quæ quinque coloribus uti consuevit: albo, rubro, viridi, violaceo et nigro.” — “[…] segundo o uso da Igreja Romana, que costuma usar cinco cores: branco, vermelho, verde, roxo e preto.”
A lista nem sempre foi a mesma. Nos primeiros séculos não há sinal de um sistema de cores; ele se forma aos poucos na Idade Média. Antes de ser eleito papa, em 1198, o cardeal Lotário de Segni, futuro Inocêncio III, descreve no tratado De sacro altaris mysterio quatro cores principais — branco, vermelho, preto e verde — e menciona o roxo como de uso ocasional. Entre os séculos XII e XVI o azul e o amarelo ainda eram comuns em várias regiões; desde São Pio V (Missal de 1570), o rito romano tem cinco cores, e as variantes locais foram desaparecendo. A lista abaixo resume o sentido tradicional de cada cor e os dias em que se usa; os paramentos e o altar são explicados em outra página.
- BrancoPureza, alegria, glória e inocência: a luz de Cristo ressuscitado e a santidade de Nossa Senhora e dos santos que não foram mártires.Tempo do Natal e Tempo Pascal (da Vigília Pascal até a Missa da vigília de Pentecostes, exclusive); festas do Senhor, salvo as da Paixão; festas de Nossa Senhora (inclusive a bênção das velas em 2 de fevereiro), dos Anjos, de Todos os Santos e dos santos não mártires; São João Evangelista (27 de dezembro), a Cátedra de São Pedro, a Conversão de São Paulo e a Natividade de São João Batista; Missas do Crisma e da Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa; Missa Pro sponsis.
- VermelhoO fogo do Espírito Santo e o sangue derramado: o amor que vai até o martírio.Da Missa da vigília de Pentecostes ao sábado seguinte; festas da Paixão e de seus instrumentos (Santa Cruz, Preciosíssimo Sangue); Apóstolos e Evangelistas (exceto São João, em 27 de dezembro), mártires e sagradas relíquias; bênção e procissão dos ramos; Missas votivas do Espírito Santo e da Paixão.
- VerdeA esperança e a vida que cresce: a Igreja que amadurece no tempo, à espera da colheita final.Domingos e férias de 14 de janeiro até a Septuagésima e da segunda-feira depois da Santíssima Trindade até o Advento, salvo as Têmporas de setembro e as vigílias de II e III classe.
- RoxoPenitência, súplica e preparação: a espera humilde do Advento e o caminho de conversão da Quaresma.Advento, até a vigília do Natal inclusive; Septuagésima, Quaresma e Paixão, com as exceções da Semana Santa; Têmporas de setembro; vigílias de II e III classe fora do Tempo Pascal; Rogações; bênção das cinzas; Comunhão da Sexta-feira Santa; Missas votivas penitenciais, como as pela paz e pelos enfermos.
- RosaA alegria contida no meio da penitência: o anúncio de que a festa está próxima.Facultativo, só no 3º domingo do Advento (Gaudete) e no 4º da Quaresma (Laetare), e apenas na Missa e no Ofício do domingo.
- PretoO luto cristão, sóbrio e cheio de esperança: a oração pelos mortos e a memória da morte do Senhor.Sexta-feira Santa, até a Comunhão; Missas e Ofícios de defuntos, inclusive Finados e exéquias, salvo as Missas de Finados celebradas durante a exposição das Quarenta Horas, que usam o roxo.
A Septuagésima: o pré-Quaresma que o calendário de 1970 já não tem
AprofundarNove semanas antes da Páscoa, quando a Quaresma ainda não começou, a Missa tradicional já muda de cor. O domingo da Septuagésima, seguido pelos da Sexagésima e da Quinquagésima, abre um tempo de transição de dezessete dias, que termina na terça-feira antes das Cinzas. Os paramentos passam a roxo, cala-se o Glória nas Missas do tempo e o Aleluia desaparece até a Vigília Pascal: depois do Gradual, canta-se o Trato, uma série de versículos de salmo sem refrão, de tom grave. Ainda não há jejum nem Missa própria para cada dia; nos dias de semana repete-se a Missa do domingo, só com o Gradual. É um vestíbulo: a Igreja começa a voltar o rosto para a Paixão antes de entrar no deserto quaresmal.
Antífona do Intróito do domingo da Septuagésima (estação em São Lourenço Fora dos Muros):
Circumdedérunt me gémitus mortis, dolóres inférni circumdedérunt me: et in tribulatióne mea invocávi Dóminum, et exaudívit de templo sancto suo vocem meam.
Cercaram-me os gemidos da morte, as dores do inferno me cercaram; e, na minha tribulação, invoquei o Senhor, e ele ouviu do seu santo templo a minha voz.
As três Missas formam um pequeno itinerário. Na Septuagésima, os trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16) e a corrida no estádio (1Cor 9,24–10,5) chamam ao esforço; na Sexagésima, a parábola do semeador (Lc 8,4-15) e os trabalhos do Apóstolo (2Cor 11,19–12,9) falam da Palavra que pede perseverança; na Quinquagésima, o hino à caridade (1Cor 13) e o anúncio da Paixão, com a cura do cego de Jericó (Lc 18,31-43), mostram para onde se caminha. Para cada domingo o Missal indica a estação, isto é, a igreja de Roma em que o papa celebrava: São Lourenço, São Paulo e São Pedro, três basílicas de mártires fora das antigas muralhas.
Origem dos nomes e despedida do Aleluia
Os nomes contam para trás a partir da Quaresma, em latim Quadragesima, “quadragésimo [dia]”. Os números são aproximados: o domingo da Septuagésima não está a setenta dias da Páscoa, nem o da Sexagésima a sessenta, e a Quinquagésima, a sete semanas, só chega a cinquenta se se contar a própria Páscoa. Os estudiosos discutem se os nomes formam apenas uma série por analogia ou se guardam a memória de comunidades que começavam o jejum mais cedo. Esses domingos aparecem em Roma por volta do século VI; o nome Septuagesima já está no Sacramentário Gelasiano, e a tradição associa a organização desse tempo à época de São Gregório Magno (590–604). A data exata e o motivo da criação continuam em discussão.
Na véspera da Septuagésima, o Breviário acrescenta dois aleluias ao Benedicamus Domino e ao Deo gratias das Vésperas do sábado; depois, a palavra cala-se na Missa e no Ofício até a Vigília Pascal, quando o celebrante, terminada a Epístola, entoa o Aleluia três vezes, elevando a voz a cada vez. Algumas igrejas medievais deram a essa despedida ritos próprios, como o “sepultamento” do Aleluia, alheios ao rito romano. O canto do céu é suspenso por um tempo, para que a Igreja aprenda a desejá-lo.
O que mudou em 1969
O calendário promulgado por Paulo VI com o motu proprio Mysterii paschalis (14 de fevereiro de 1969), seguido pelo Missal de 1970, não conservou a Septuagésima: esses domingos passaram ao Tempo Comum, que vai até a terça-feira antes das Cinzas, e o roxo só aparece com a Quaresma. O mesmo calendário trocou as quatro classes por solenidades, festas e memórias, não conservou o Tempo da Paixão como tempo à parte, suprimiu a oitava de Pentecostes (o Tempo Pascal termina no próprio domingo de Pentecostes) e conservou, das antigas oitavas, as do Natal e da Páscoa. Por isso, quem conhece as duas formas do rito romano encontra, no mesmo domingo de fevereiro, cores e textos diferentes. No Missal de 1962, a Septuagésima continua a ser uma das marcas mais visíveis do calendário. As demais diferenças entre os dois Missais estão em Através dos séculos.
Quaresma, Tempo da Paixão e Semana Santa
AprofundarA Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas, dia de I classe. Antes da Missa abençoam-se as cinzas, com paramentos roxos, e o sacerdote as impõe na cabeça de cada fiel com as palavras dirigidas a Adão no Gênesis. Daí até o Sábado Santo correm quarenta dias de jejum, sem contar os domingos. Ao contrário do resto do ano, cada dia tem Missa própria, com a indicação da igreja romana da estação — a primeira é Santa Sabina, no Aventino. Muitas dessas Missas cotidianas estavam ligadas, na Igreja antiga, à preparação dos catecúmenos para o batismo e à reconciliação dos penitentes.
Na imposição das cinzas, o sacerdote diz a cada um:
Meménto, homo, quia pulvis es, et in púlverem revertéris.
Lembra-te, homem, que és pó e ao pó hás de voltar.
Nas Missas da Quaresma não se diz o Glória nem o Aleluia; nos domingos e em vários dias de semana canta-se o Trato, e nos outros só o Gradual. O Prefácio é o da Quaresma. Nos dias de semana, depois da pós-comunhão, vem a oração sobre o povo: o diácono — ou, na Missa rezada, o próprio sacerdote — convida Humiliáte cápita vestra Deo, “Inclinai a cabeça diante de Deus”. No 4º domingo, Laetare, o Intróito começa com “Alegra-te, Jerusalém”, e os paramentos podem ser rosa. Desde o Código de 1960 (n. 507) a Missa termina com Ite, missa est também na Quaresma; antes, dizia-se Benedicamus Domino sempre que se omitia o Glória.
O Tempo da Paixão e os véus
Duas semanas antes da Páscoa começa o Tempo da Paixão; o Missal de 1962 chama os dois últimos domingos de 1º e 2º domingo da Paixão, e o segundo é o Domingo de Ramos. Depois da Missa do sábado anterior, cobrem-se com véus as cruzes e as imagens da igreja: as cruzes até a adoração da Cruz na Sexta-feira Santa; as imagens, até o Glória da Vigília Pascal. Uma explicação tradicional liga o costume ao Evangelho do 1º domingo da Paixão, que termina com Jesus a esconder-se (Jo 8,59). Nas Missas do tempo omitem-se o salmo Iudica me ao pé do altar e o Gloria Patri no Intróito e no Lavabo; o Prefácio é o da Santa Cruz. O salmo que se cala ao pé do altar torna-se, curiosamente, o Intróito do 1º domingo da Paixão.

A Semana Santa na forma de 1955
A Semana Santa do Missal de 1962 é a que Pio XII restaurou. Depois de uma Vigília Pascal noturna experimental, autorizada em 1951, a Sagrada Congregação dos Ritos publicou o decreto Maxima Redemptionis nostrae mysteria (16 de novembro de 1955), em vigor desde o Domingo de Ramos de 1956. O princípio foi devolver cada rito à sua hora: com os séculos, a Missa da Ceia, o ofício da Sexta-feira Santa e a própria Vigília tinham passado para a manhã, e o Exsultet cantava “esta noite” em pleno dia. A reforma também simplificou cerimônias, reduziu as leituras da Vigília e introduziu a renovação das promessas do batismo.
- Domingo de RamosDominica II Passionis seu in Palmis
- Bênção dos ramos e procissão em vermelho (n. 126), de manhã, na hora da Missa principal; depois, a Missa em roxo, com a Paixão segundo São Mateus. A bênção dos ramos não pode ser feita sem a procissão e a Missa que a seguem (Diretrizes da Sagrada Congregação dos Ritos, 1957).
- Segunda, terça e quarta-feira Santas
- Férias de I classe; na terça lê-se a Paixão segundo São Marcos, na quarta, segundo São Lucas.
- Quinta-feira SantaFeria V in Cena Domini
- De manhã, na catedral, a Missa do Crisma. A Missa da Ceia do Senhor é vespertina, em horário conveniente, nem antes das 16h nem depois das 21h (Diretrizes de 1957), em branco: ao Glória tocam os sinos e o órgão, que depois se calam até a Vigília. Após a homilia, onde convier, o lava-pés (Mandatum); no fim, procissão ao altar da reposição, onde a adoração se prolonga ao menos até a meia-noite, e desnudamento dos altares.
- Sexta-feira SantaFeria VI in Passione et Morte Domini
- Não há Missa. A ação litúrgica é à tarde, por volta das 15h (por razão pastoral, desde o meio-dia até as 21h), diante do altar desnudo: leituras e Paixão segundo São João, orações solenes, adoração da Cruz e Comunhão. Preto até a Comunhão, que se faz em roxo. Desde 1955 os fiéis podem comungar; antes, só o sacerdote comungava.
- Vigília PascalVigilia paschalis
- À noite, de modo que a Missa comece por volta da meia-noite (ou antes, com licença do bispo, mas nunca antes do pôr do sol): fogo novo, círio pascal, Lumen Christi, Exsultet, quatro leituras (antes eram doze), ladainha, bênção da água batismal, renovação das promessas do batismo e Missa em branco, com o Glória ao som dos sinos. As Laudes encerram a celebração.
Na Sexta-feira Santa, o celebrante descobre a Cruz em três tempos, cantando cada vez num tom mais alto:
Ecce lignum Crucis, in quo salus mundi pepéndit.
Eis o lenho da Cruz, no qual esteve suspensa a salvação do mundo.
Veníte, adorémus.
Vinde, adoremos.
Têmporas e Rogações
AprofundarQuatro vezes por ano, a quarta-feira, a sexta-feira e o sábado de uma mesma semana são as Têmporas (Quatuor Tempora, “os quatro tempos”): dias de oração e penitência que santificam as estações, agradecem os frutos da terra e preparam as ordenações, que por tradição se conferiam no sábado das Têmporas. Quem vai à Missa nesses dias encontra liturgias muito antigas e um pouco mais longas, com leituras a mais do Antigo Testamento e um gesto característico: o convite a ajoelhar-se em silêncio antes de certas orações.
| Têmporas | Dias | Cor | Classe |
|---|---|---|---|
| Do Advento | quarta, sexta e sábado depois do 3º domingo do Advento | roxo | II |
| Da Quaresma | quarta, sexta e sábado depois do 1º domingo da Quaresma | roxo | II |
| De Pentecostes | quarta, sexta e sábado da oitava de Pentecostes | vermelho | I (dias da oitava) |
| De setembro | quarta, sexta e sábado depois do 3º domingo de setembro | roxo | II |
Antes de certas orações das Têmporas. Na Missa solene, o diácono faz o convite; nas outras Missas, o celebrante.
Orémus.
Oremos.
Flectámus génua.
Dobremos os joelhos.
Todos se ajoelham e rezam um momento em silêncio.
Leváte.
Levantai-vos.
Pelo Código de 1960 (n. 440), as duas palavras de ordem, Flectámus génua e Leváte, são ditas pelo diácono na Missa solene e pelo celebrante nas demais; antes das reformas de Pio XII e de João XXIII, o Leváte cabia ao subdiácono. Na quarta-feira lê-se uma leitura a mais, em geral do Antigo Testamento, antes da Epístola, seguida do Flectamus genua e de uma oração própria (n. 467). No sábado, depois do Kyrie, alternam-se orações, quatro leituras do Antigo Testamento e seus cantos; uma quinta leitura, do livro de Daniel, narra os três jovens na fornalha e desemboca no cântico Benedictus es, e só então vem a Epístola. Era nesse quadro que se conferiam as ordens, distribuídas ao longo das leituras; por isso, quando há ordenações, diz-se a Missa do sábado mesmo que ocorra uma festa de I ou II classe (n. 300; o mesmo vale para o sábado Sitientes, véspera do 1º domingo da Paixão). Fora da Missa conventual e da Missa de ordenação, o Código de 1960 permite uma forma mais breve, com a primeira leitura e a Epístola (n. 468).
Uma instituição romana
As Têmporas nasceram em Roma, onde os ritos ligados ao ano agrícola eram antigos; é provável que a Igreja tenha dado sentido cristão a esses ritmos com seus próprios jejuns. São Leão Magno (440–461) pregou sobre eles e os considerava de instituição apostólica; o Liber Pontificalis atribui uma lei a respeito ao papa Calisto (217–222), atribuição de valor duvidoso. Gelásio (492–496) já fala dos quatro tempos e permite ordenar presbíteros e diáconos nos sábados das Têmporas; Gregório VII (1073–1085) fixou as datas para toda a Igreja. O Código de 1960 deslocou as de setembro, antes ligadas à Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), para depois do 3º domingo do mês.
O jejum desses dias já não é obrigatório na disciplina geral da Igreja: desde a constituição Paenitemini de Paulo VI (1966) e o Código de Direito Canônico de 1983 (cân. 1251), só a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa são dias de jejum obrigatório. O calendário de 1969 confiou às Conferências Episcopais a organização das Têmporas e das Rogações (Normas universais sobre o ano litúrgico, nn. 45–47). No Missal de 1962, umas e outras conservam suas Missas próprias.
As Rogações
As Rogações (de rogare, “pedir”) são dias de súplica pública: clero e povo saem em procissão cantando a Ladainha de Todos os Santos, para pedir a bênção de Deus sobre os campos e a proteção contra as calamidades, e celebram depois a Missa das Rogações, em roxo, que começa Exaudívit de templo sancto suo vocem meam. A Ladainha Maior, em 25 de abril, é romana e de origem antiga: costuma-se vê-la como a cristianização das Robigalia, procissões pagãs pelos campos, e São Gregório Magno (†604) ordenou o costume já existente; não tem relação com a festa de São Marcos, fixada no mesmo dia mais tarde. As Ladainhas Menores, na segunda, terça e quarta-feira antes da Ascensão, nasceram na Gália: São Mamerto, bispo de Vienne, instituiu-as por volta de 470; o Concílio de Orléans (511) estendeu-as, e Roma adotou-as sob Leão III (795–816).
O Código de 1960 (nn. 80–90) regula as duas: se 25 de abril cair no domingo ou na segunda-feira de Páscoa, a Ladainha Maior passa para a terça-feira seguinte; os bispos podem deslocar as Menores para outros três dias seguidos, conforme a região; e os versículos da ladainha, antes repetidos duas vezes, já não se duplicam. Onde não se pode fazer procissão, o bispo determina outras súplicas públicas, seguidas da mesma Missa.
Vigílias, oitavas e classes dos dias em 1962
AprofundarEm 1960, São João XXIII aprovou, com o motu proprio Rubricarum instructum (25 de julho), um novo Código de Rubricas, em vigor desde 1º de janeiro de 1961 e incorporado ao Missal de 1962. Ele substituiu a antiga graduação das festas por um sistema simples: todo dia litúrgico é de I, II, III ou IV classe (n. 8). A classe decide quase tudo: qual celebração prevalece quando duas coincidem, se a Missa terá Glória e Credo, quantas orações se acrescentam, se se permitem Missas votivas ou de defuntos. Nos dias de I classe a Missa do dia quase sempre se impõe; nos de IV classe, o sacerdote tem ampla liberdade.
| Classe | Exemplos |
|---|---|
| I | Natal e seu oitavo dia (1º/1), Páscoa e Pentecostes, as duas últimas com todos os dias da oitava; Epifania, Ascensão, Santíssima Trindade, Corpus Christi, Sagrado Coração, Preciosíssimo Sangue, Cristo Rei; Imaculada Conceição, Assunção, São José (19/3), Anunciação, Natividade de São João Batista, São Pedro e São Paulo, Dedicação de São Miguel, Todos os Santos; domingos do Advento, da Quaresma e da Paixão e domingo in albis; Quarta-feira de Cinzas e Semana Santa; Fiéis Defuntos |
| II | Demais festas do Senhor (Santíssimo Nome, Sagrada Família, Batismo do Senhor, Transfiguração, Exaltação da Santa Cruz); os outros domingos; a maioria das festas de Apóstolos, a Purificação, a Natividade de Nossa Senhora; dias dentro da oitava do Natal; férias de 17 a 23 de dezembro; Têmporas do Advento, da Quaresma e de setembro; vigílias de II classe |
| III | A maior parte das festas de santos; férias da Quaresma e da Paixão, que prevalecem sobre as festas de III classe; férias do Advento até 16 de dezembro; vigília de São Lourenço |
| IV | Férias depois da Epifania e depois de Pentecostes; Santa Maria no sábado |
Vigílias e oitavas
A vigília é o dia que prepara uma grande festa. O Código conservou poucas (nn. 28–34): de I classe, as do Natal — que toma o lugar do 4º domingo do Advento quando coincide com ele — e de Pentecostes; de II classe, as da Ascensão, da Assunção, da Natividade de São João Batista e de São Pedro e São Paulo; de III classe, só a de São Lourenço. As de II e III classe omitem-se quando caem num domingo ou numa festa de I classe. A Vigília Pascal é um caso à parte: não é propriamente um dia litúrgico, mas uma vigília noturna celebrada a seu modo.
A oitava prolonga uma grande festa por oito dias. Até 1955 havia muitas; o decreto Cum nostra hac aetate, da Sagrada Congregação dos Ritos (23 de março de 1955, em vigor desde 1º de janeiro de 1956), conservou só três, e o Código confirmou-as (nn. 63–70). As oitavas da Páscoa e de Pentecostes são de I classe, e todos os seus dias excluem qualquer outra festa. A do Natal é de II classe e tem arranjo próprio: nela se celebram Santo Estêvão (26), São João Evangelista (27) e os Santos Inocentes (28), fazem-se comemorações de São Tomás Becket (29) e de São Silvestre (31), e o oitavo dia, 1º de janeiro, é de I classe.
Comemorações: quando uma celebração cede sem desaparecer
Quando duas celebrações coincidem, a de grau inferior pode ser transferida, omitida ou comemorada. A comemoração consiste em acrescentar, depois da coleta, da secreta e da pós-comunhão do dia, as orações correspondentes da celebração que cedeu. São privilegiadas as comemorações do domingo, de um dia de I classe, dos dias da oitava do Natal, das Têmporas de setembro, das férias do Advento, da Quaresma e da Paixão, e da Ladainha Maior; as outras são ordinárias (n. 109). O número é limitado (nn. 111 e 434–435): nos dias de I classe, no máximo uma, e privilegiada; nos de II classe, uma; nos de III e IV classe, duas. As orações da Missa, contando a do dia, nunca passam de três.
O Próprio do Tempo e o dos Santos, o Comum, as Missas votivas e de Réquiem
AprofundarQuem abre um missal de altar — ou um missal bilíngue dos fiéis — encontra o ano organizado em partes. O Ordinário, as partes fixas da Missa, fica no meio do livro, entre o Sábado Santo e o Domingo de Páscoa (ver o Ordinário latim–português). Antes e depois dele corre o Próprio do Tempo; seguem-se o Próprio dos Santos, que acompanha o calendário civil a partir do fim de novembro, o Comum dos Santos, as Missas votivas, as de defuntos e um apêndice de Missas próprias de certos lugares. Conhecer essa ordem ajuda a seguir a Missa: o Próprio do dia — Intróito, coleta, Epístola, Gradual, Evangelho, Ofertório, secreta, Comunhão, pós-comunhão — muda sempre, e é preciso saber onde procurá-lo. O lugar de cada parte na celebração está em O rito, parte a parte.

- Comum dos SantosCommune Sanctorum
- Formulários por categoria de santos — Apóstolos, Evangelistas, mártires (um só, pontífice ou não, ou vários), confessores pontífices, doutores, confessores não pontífices, abades, virgens e santas mulheres não virgens —, além da dedicação de igreja e das festas de Nossa Senhora. Cada Missa é conhecida pelo início do Intróito: Statuit (confessor bispo), In virtute tua (um mártir), In medio Ecclesiae (doutores), Os iusti (confessor não bispo), Loquebar (virgem e mártir), Terribilis est locus iste (dedicação), Salve, sancta Parens (Nossa Senhora).
- Missas votivasMissae votivae
- Celebradas fora da ordem do dia, por devoção ou necessidade: da Santíssima Trindade, do Espírito Santo, de Nossa Senhora, pela paz, pelos enfermos, pelos esposos (Pro sponsis), entre outras. O Missal propõe também um ciclo semanal: segunda, a Trindade; terça, os Anjos; quarta, São José, São Pedro e São Paulo ou os Apóstolos; quinta, o Espírito Santo, o Santíssimo Sacramento ou Cristo Sumo e Eterno Sacerdote; sexta, a Santa Cruz, a Paixão ou o Sagrado Coração; sábado, Nossa Senhora. São indicações de preferência, não obrigação, e valem só nos dias em que uma Missa votiva é permitida.
- Missas de defuntosMissae defunctorum
- As Missas de Réquiem, assim chamadas pela primeira palavra do Intróito: Requiem aeternam dona eis, Domine, “Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno”.
As Missas votivas
O Código de 1960 classifica cada Missa votiva numa de quatro classes (nn. 306–389), que dizem em que dias ela pode ser celebrada. As de I classe — como a Missa da dedicação no ato de consagrar uma igreja — admitem-se em todos os dias, exceto os oito primeiros da tabela de precedência (n. 328). As de II classe, permitidas nos dias de II, III e IV classe, incluem a Missa das Rogações, as das Quarenta Horas, a Missa por uma causa grave e pública e a Missa Pro sponsis, do casamento. As de III classe são três devoções mensais, onde houver exercícios de piedade próprios: o Sagrado Coração na primeira sexta-feira, Cristo Sumo e Eterno Sacerdote na primeira quinta-feira ou no primeiro sábado, o Imaculado Coração de Maria no primeiro sábado. A de IV classe é qualquer votiva permitida, por justa causa, nos dias de IV classe: sem Credo, e sem Glória, salvo as dos Anjos e a de Nossa Senhora no sábado.
As Missas de Réquiem
A Missa de Réquiem usa o preto e tem fisionomia própria: omitem-se o salmo Iudica me, o Glória, o Credo e o Aleluia; depois do Trato pode cantar-se a sequência Dies irae; no Agnus Dei diz-se dona eis requiem; não há bênção, e a despedida é Requiéscant in pace. Pode seguir-se a absolvição junto ao féretro ou ao catafalco. Há quatro classes: de I, as do dia de Finados e a Missa exequial; de II, as do dia do falecimento, a celebrada ao receber a notícia da morte e a do sepultamento definitivo; de III, as do 3º, do 7º e do 30º dia, do aniversário, das igrejas de cemitério e da oitava de Finados; de IV, a Missa cotidiana. O Dies irae só é obrigatório nas de I classe (n. 399).
Em 2 de novembro, todo sacerdote pode celebrar três Missas, privilégio que Bento XV estendeu à Igreja inteira em 1915, com a constituição Incruentum altaris sacrificium (n. 403); se o dia 2 cair num domingo, os Fiéis Defuntos passam para a segunda-feira (n. 96). Cada uma das três Missas tem formulário próprio no Missal; o sacerdote que celebra uma só usa a primeira, e nas igrejas com coro a Missa conventual é a primeira (nn. 295 e 404). O sentido dessas Missas é desenvolvido em Teologia do rito.
Para a formação: precedência, ocorrência, concorrência e o ordo
FormaçãoEsta parte destina-se a quem estuda as rubricas: seminaristas, cerimoniários, mestres de coro. Tudo remete às rubricas gerais do Código de 1960 impressas no início do Missal de 1962 (nn. 1–137) e às rubricas gerais do Missal (nn. 269 ss.). O primeiro ponto a fixar é que o Código revogou os antigos critérios: “sublatis quibuslibet aliis titulis vel normis” — “abolidos quaisquer outros títulos ou normas” —, a precedência rege-se unicamente pela tabela do n. 91 (tradução nossa).
A tabela de precedência
| Nº | Dia litúrgico | Classe |
|---|---|---|
| 1 | Natal, domingo da Ressurreição, domingo de Pentecostes | I |
| 2 | Tríduo Sacro | I |
| 3 | Epifania, Ascensão, Trindade, Corpus Christi, Sagrado Coração, Cristo Rei | I |
| 4 | Imaculada Conceição, Assunção | I |
| 5 | Vigília e oitavo dia do Natal | I |
| 6 | Domingos do Advento, da Quaresma e da Paixão; domingo in albis | I |
| 7 | Cinzas; segunda, terça e quarta da Semana Santa | I |
| 8 | Fiéis Defuntos (cede ao domingo) | I |
| 9–10 | Vigília de Pentecostes; dias das oitavas da Páscoa e de Pentecostes | I |
| 11–13 | Demais festas de I classe: universais, próprias, indultadas | I |
| 14–16 | Festas do Senhor de II classe; domingos de II classe; outras festas universais de II classe | II |
| 17–18 | Dias na oitava do Natal; férias de 17 a 23/12; Têmporas do Advento, da Quaresma e de setembro | II |
| 19–21 | Festas próprias e indultadas de II classe; vigílias de II classe | II |
| 22 | Férias da Quaresma e da Paixão | III |
| 23–24 | Festas de III classe, primeiro as particulares, depois as universais | III |
| 25–26 | Férias do Advento até 16/12; vigília de São Lourenço | III |
| 27–28 | Santa Maria no sábado; férias de IV classe | IV |
Ocorrência: translação, comemoração, omissão
Ocorrência é a coincidência de dois ofícios no mesmo dia (n. 92): acidental, quando um dia móvel e um fixo coincidem só em certos anos; perpétua, quando coincidem todos os anos. Na acidental, só as festas de I classe se transferem, para o primeiro dia seguinte que não seja de I nem de II classe (nn. 95–96); as outras são comemoradas ou omitidas naquele ano. Há duas sedes fixas: a Anunciação, quando precisa ir para depois da Páscoa, passa à segunda-feira depois do domingo in albis — em 2027, 25 de março é Quinta-feira Santa, e ela será celebrada em 5 de abril —; os Fiéis Defuntos, quando caem em domingo, passam à segunda-feira. Na perpétua, as festas de I e II classe, e as particulares de III classe fora do Advento e da Quaresma, são repostas noutro dia, que vale como sede própria (nn. 100–102).
O domingo impedido não se antecipa nem se retoma (n. 14); a festa do Senhor que ocupa um domingo de II classe toma-lhe o lugar sem comemoração dele (n. 16). A exceção são os domingos depois da Epifania impedidos pela Septuagésima: retomam-se entre o 23º e o último domingo depois de Pentecostes, com os cantos do 23º e as orações e leituras próprias (nn. 18 e 298). Em 2027, com a Páscoa em 28 de março, haverá só dois domingos depois da Epifania e 27 depois de Pentecostes: o 24º usará o formulário do 4º depois da Epifania, o 25º o do 5º, o 26º o do 6º, e o 27º o do 24º depois de Pentecostes, que fecha sempre o ano.
Concorrência: as Vésperas
Concorrência é o encontro das Vésperas de um dia com as primeiras Vésperas do seguinte (n. 103). Desde 1960 só têm primeiras Vésperas os domingos e as festas de I classe, além das festas do Senhor de II classe que ocupam um domingo de II classe (nn. 13 e 37). Prevalecem as Vésperas do dia de classe superior; se os dois são da mesma classe, dizem-se as segundas Vésperas do dia corrente com comemoração do seguinte (nn. 104–105). Lembre-se ainda que as comemorações ordinárias se fazem só nas Laudes, na Missa conventual e nas Missas rezadas (n. 108): numa Missa cantada não conventual admite-se apenas uma comemoração privilegiada (nn. 111 e 434).
Calendários particulares
Tudo o que precede supõe o calendário universal. O Código prevê ainda calendários particulares — da diocese, da cidade, de cada igreja, de cada ordem religiosa —, que acrescentam festas próprias (nn. 38–57). O padroeiro principal da nação, da diocese e do lugar, o aniversário da dedicação da catedral e da própria igreja e o titular da igreja são de I classe; o padroeiro secundário é de II classe (nn. 42–45). Por isso o ordo de uma diocese ou de uma comunidade pode diferir do calendário geral: a mesma data traz, aqui, a festa do padroeiro, ali o aniversário da dedicação da igreja. Quem estuda deve sempre perguntar: qual calendário rege esta igreja?
Como ler um ordo
O ordo, ou diretório litúrgico, é o livreto anual que aplica essas regras ao calendário de uma diocese ou instituto. Para cada dia indica a celebração e sua classe, a cor, a Missa, se há Glória e Credo, as comemorações, o Prefácio, o que se permite (Missas votivas ou de defuntos) e as indicações do Ofício. Escreve-se em latim abreviado, com convenções estáveis, embora cada editor tenha seu estilo: Dom., Fer. e Sabb. (domingo, féria, sábado); I cl. a IV cl.; alb., rub., vir., viol., ros., nigr. para as cores; Gl. e Cr.; com. para comemoração; Praef. seguido do nome do Prefácio. O exemplo abaixo foi montado pelas regras do Código para um dia real e não reproduz nenhum ordo publicado.
O Missal de 1962 e o calendário anterior a 1955
Quem estuda missais, breviários ou ordos antigos encontra outro sistema. O Missal da edição típica de 1920, que incorporou a reforma de São Pio X (constituição Divino afflatu, 1911), recebeu festas novas — Cristo Rei (1925), o Imaculado Coração de Maria (1944), a Realeza de Maria (1954), São José Operário (1955) — e foi transformado em etapas: a Semana Santa restaurada (1955), o decreto Cum nostra hac aetate (1955) e o Código de Rubricas (1960). As principais diferenças:
| Ponto | Antes das reformas | No Missal de 1962 |
|---|---|---|
| Graduação dos dias | duplex de I e de II classe, duplex maior, duplex, semiduplex, simples | I, II, III e IV classe, e comemorações |
| Oitavas | numerosas (Epifania, Ascensão, Corpus Christi, Sagrado Coração, Imaculada, Assunção, Todos os Santos, entre outras) | só Natal, Páscoa e Pentecostes |
| Vigílias | muitas, como a da Epifania e as de vários Apóstolos | sete, além da Vigília Pascal |
| Semana Santa | ofícios pela manhã; doze profecias; Missa dos Pré-santificados, com comunhão só do sacerdote | forma de 1955 |
| Orações | as comemorações e outras orações podiam somar-se em número maior | no máximo três (n. 435) |
| 1º de janeiro | Circuncisão do Senhor e oitava do Natal | Oitava do Natal |
| 13 de janeiro | oitava da Epifania | Comemoração do Batismo do Senhor |
| 2 de fevereiro | bênção e procissão das velas em roxo | em branco (n. 120) |
| Santos Inocentes | roxo, sem Glória (vermelho em domingo) | vermelho, festa de II classe |
| Têmporas de setembro | depois da Exaltação da Santa Cruz | depois do 3º domingo de setembro |
| Festas suprimidas em 1960 | Cátedra de Pedro em Roma (18/1), Invenção da Santa Cruz (3/5), São João diante da Porta Latina (6/5), Aparição de São Miguel (8/5), São Pedro acorrentado (1/8) | não figuram no calendário geral (algumas subsistem em calendários particulares) |
| Fim da Missa | Benedicamus Domino sempre que se omitia o Glória | Ite, missa est, salvo antes de procissão e nas Missas de defuntos (n. 507) |
| Casulas dobradas | usadas pelos ministros nos tempos penitenciais | abolidas (n. 137) |
Os acréscimos de 2020
O Missal de 1962 não ficou imóvel. Em 22 de fevereiro de 2020, a Congregação para a Doutrina da Fé, que desde 2019 exercia as competências da extinta Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, emitiu dois decretos aprovados por Francisco, em vigor desde 19 de março de 2020. O decreto Cum sanctissima permite celebrar, por justa causa, nos dias de III classe, a Missa de um santo canonizado depois de 26 de julho de 1960 — São Pio de Pietrelcina, por exemplo —, na data de sua memória no calendário universal e, quando faltar formulário próprio, com textos do Comum; faz-se sempre comemoração ordinária da festa ou vigília omitida, e um anexo lista 70 festas de III classe que não podem ser impedidas nem omitidas por força do decreto. Permite ainda, nos dias de III e IV classe, comemorar à escolha do celebrante um santo ou mistério constante do Próprio de certos lugares ou do novo Suplemento aprovado pela Santa Sé.
O decreto Quo magis aprovou sete Prefácios facultativos: dos Anjos, de São João Batista, dos Mártires e das Núpcias, tomados do Missal de Paulo VI; e de Todos os Santos e Padroeiros, do Santíssimo Sacramento e da Dedicação de igreja, já usados em dioceses da França e da Bélgica. Destinam-se a festas de santos, Missas votivas e ocasiões particulares, sem mudar o Temporal. Esses decretos são anteriores a Traditionis custodes (2021), que reorganizou, nos arts. 1–3 e 7, o uso do Missal de 1962 e a competência da Santa Sé sobre ele, hoje do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos; quem deseja aplicá-los consulte a autoridade competente. A história está em Através dos séculos, e os documentos, na Biblioteca.
Fontes
- Missale Romanum, editio typica 1962, com o Código de Rubricas (digitalização)
- João XXIII, motu proprio Rubricarum instructum (25 de julho de 1960), texto latino
- Sagrada Congregação dos Ritos, decreto Cum nostra hac aetate (23 de março de 1955), tradução inglesa
- Codex Rubricarum (1960), texto latino oficial: Acta Apostolicae Sedis 52 (1960), pp. 593–740
- Sagrada Congregação dos Ritos, decreto Maxima Redemptionis nostrae mysteria (16 de novembro de 1955) e Diretrizes de 1957, tradução inglesa
- Secretaria de Estado, nota sobre a oração pelos judeus na Sexta-feira Santa (4 de fevereiro de 2008)
- Concílio Vaticano II, constituição Sacrosanctum Concilium (1963), n. 102
- Paulo VI, constituição apostólica Paenitemini (17 de fevereiro de 1966)
- Código de Direito Canônico (1983), cân. 1251
- Normas universais sobre o ano litúrgico e o calendário (1969), nn. 45–47
- Congregação para a Doutrina da Fé, decreto Cum sanctissima (22 de fevereiro de 2020)
- Congregação para a Doutrina da Fé, decreto Quo magis (22 de fevereiro de 2020)
- Congregação para a Doutrina da Fé, nota explicativa sobre o decreto Quo magis (2020)
- Joseph Braun, “Liturgical Colours” — Catholic Encyclopedia (1908)
- “Ember Days” — Catholic Encyclopedia (1909)
- Francis Mershman, “Rogation Days” — Catholic Encyclopedia (1912)
- Francis Mershman, “Septuagesima” — Catholic Encyclopedia (1912)