Despedida
Ite, Missa est
O sacerdote ou o diácono despede a assembleia com a fórmula “Ite, Missa est”, a que o povo responde “Deo grátias”. Nas Missas seguidas de procissão usa-se “Benedicámus Dómino”, e nas Missas de Requiem, “Requiéscant in pace”.
O texto
℣.Dóminus vobíscum.
O Senhor esteja convosco.
℟.Et cum spíritu tuo.
E com o teu espírito.
O sacerdote (ou o diácono) diz, em regra:
℣.Ite, Missa est.
Ide, a Missa está terminada.
℟.Deo grátias.
Demos graças a Deus.
Na oitava da Páscoa, nas Missas do tempo, com aleluia:
℣.Ite, Missa est, allelúja, allelúja.
Ide, a Missa está terminada, aleluia, aleluia.
℟.Deo grátias, allelúja, allelúja.
Demos graças a Deus, aleluia, aleluia.
Nas Missas seguidas de procissão, em vez do Ite:
℣.Benedicámus Dómino.
Bendigamos ao Senhor.
℟.Deo grátias.
Demos graças a Deus.
Nas Missas de Requiem:
℣.Requiéscant in pace.
Descansem em paz.
℟.Amen.
Amém.
Explicação
O que é
Terminada a Pós-comunhão, o sacerdote volta-se para o povo, diz “Dóminus vobíscum” (e ouve “Et cum spíritu tuo”) e despede a assembleia. Pelo Código de Rubricas de 1960 (n. 507), a regra é uma só: diz-se sempre “Ite, Missa est” (“Ide, a Missa está terminada” ou, de forma mais literal, “é a despedida”), e o povo responde “Deo grátias”. Há três exceções. Na Missa vespertina da Ceia do Senhor, que termina com a transladação solene do Santíssimo, e em outras Missas seguidas de procissão, diz-se “Benedicámus Dómino” (“Bendigamos ao Senhor”), com a mesma resposta. Durante a oitava da Páscoa, nas Missas do tempo, acrescenta-se “allelúja, allelúja” ao “Ite, Missa est” e ao “Deo grátias”. Nas Missas de Requiem diz-se “Requiéscant in pace” (“Descansem em paz”), e o povo responde “Amen”.
De onde vem
A palavra missa é, no latim tardio, um substantivo derivado do verbo mittere e equivale a dimissio, “despedida”. “Ite, missa est” significa, portanto, algo como “podeis ir, é a despedida”. O emprego de missa para a despedida está atestado já no século IV (por exemplo, no relato da peregrina Egéria, nos anos 380), e Santo Ambrósio usa missam facere no sentido de celebrar a Missa (carta 20, de 385; Ep. 76 em outras numerações). Foi a partir daí que o nome “Missa” passou da despedida para toda a celebração; é uma das explicações mais difundidas da origem do nome, embora os estudiosos discutam seus pormenores. A fórmula “Ite, missa est” aparece nos mais antigos Ordines romanos (c. 700). O “Benedicámus Dómino”, por sua vez, é um recurso medieval: passou a usar-se nas Missas sem Glória, de tom penitencial, regra que durou até 1960, e hoje se reserva às Missas seguidas de procissão. O “Requiéscant in pace” é uma fórmula especificamente funerária, também medieval.
O que significa
A despedida lembra que a Missa não termina no templo: o fiel é “enviado” a viver o que celebrou. A resposta “Deo grátias” é a gratidão por tudo o que foi recebido. E o “Requiéscant in pace” transforma a despedida em oração pelos defuntos, em coerência com o caráter de toda a Missa de Requiem. O sentido da fórmula é, por isso, mais do que um “fim”: é a passagem do altar para o mundo.
Rubricas
Para a formação: o sacerdote diz “Ite, Missa est”, voltado para o povo e de mãos juntas, salvo nos casos da tabela abaixo. “Benedicámus Dómino” e “Requiéscant in pace” são ditos voltado para o altar. Quando se diz uma dessas duas, não há bênção (n. 508): o sacerdote diz o Pláceat tibi, beija o altar e, no Requiem, passa ao Último Evangelho (omitido se se segue a absolvição junto ao féretro); depois do “Benedicámus Dómino” omite-se também o Último Evangelho (n. 510). Na Missa cantada, o celebrante canta a despedida; na Missa solene, é o diácono, voltado para o povo (Ritus servandus, tit. XI).
| Quando | O sacerdote ou diácono diz | O povo responde |
|---|---|---|
| Em regra, em todas as Missas | Ite, Missa est | Deo grátias |
| Oitava da Páscoa, nas Missas do tempo | Ite, Missa est, allelúja, allelúja | Deo grátias, allelúja, allelúja |
| Missa seguida de procissão (por exemplo, a da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa) | Benedicámus Dómino | Deo grátias |
| Missa de Requiem | Requiéscant in pace | Amen |
Na Missa solene
Na Missa solene, o diácono, voltado para o povo, canta a despedida em tom próprio, e o coro responde “Deo grátias”. Depois, o celebrante, que está de frente para o altar, reza o Pláceat tibi e dá a bênção, quando ela é devida. Veja também a página de gestos e posturas.
Fontes
- Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
- Missale Romanum 1962, Ritus servandus in celebratione Missae, tit. X–XII (Pai-Nosso, Comunhão, fim da Missa)
- João XXIII, motu proprio Rubricarum instructum, 25 de julho de 1960, com o Código de Rubricas (AAS 52, 1960, pp. 593–740; nn. 502–511 e 517–522 para a Comunhão e o fim da Missa)
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia: eine genetische Erklärung der römischen Messe, 1948 (5.ª ed. 1962); trad. ing. The Mass of the Roman Rite, 1951–1955
- A. Fortescue, The Mass: A Study of the Roman Liturgy, 1912
- Santo Ambrósio, Epistola 20 (a Marcelina, 385; Ep. 76 em outras numerações): uso de missam facere
- Egéria, Itinerarium, 24: “missa” como despedida (anos 380)