Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Despedida

Ite, Missa est

O sacerdote ou o diácono despede a assembleia com a fórmula “Ite, Missa est”, a que o povo responde “Deo grátias”. Nas Missas seguidas de procissão usa-se “Benedicámus Dómino”, e nas Missas de Requiem, “Requiéscant in pace”.

Parte de
Conclusão · Conclusão
Origem
séc. VII · Patrístico romanoA palavra “missa” já designa a despedida no séc. IV; a fórmula “Ite, Missa est” consta dos mais antigos Ordines romanos (c. 700); “Benedicámus Dómino” é medieval
Quem
O sacerdote (ou o diácono); o povo responde · Voz alta (vox clara)
Texto
Ordinário: o mesmo em toda Missa
Os fiéis
Missa rezada: Por costume, de joelhos até a bênção; em muitos lugares, os fiéis permanecem de joelhos até o fim do Último Evangelho. O Código de 1960 não fixa postura para os fiéis na Missa rezada.Missa cantada e solene: Conforme o costume: de pé, durante o canto, ou de joelhos; ajoelham-se para a bênção.

O texto

S.

℣.Dóminus vobíscum.

O Senhor esteja convosco.

M.

℟.Et cum spíritu tuo.

E com o teu espírito.

O sacerdote (ou o diácono) diz, em regra:

S.

℣.Ite, Missa est.

Ide, a Missa está terminada.

M.

℟.Deo grátias.

Demos graças a Deus.

Na oitava da Páscoa, nas Missas do tempo, com aleluia:

S.

℣.Ite, Missa est, allelúja, allelúja.

Ide, a Missa está terminada, aleluia, aleluia.

M.

℟.Deo grátias, allelúja, allelúja.

Demos graças a Deus, aleluia, aleluia.

Nas Missas seguidas de procissão, em vez do Ite:

S.

℣.Benedicámus Dómino.

Bendigamos ao Senhor.

M.

℟.Deo grátias.

Demos graças a Deus.

Nas Missas de Requiem:

S.

℣.Requiéscant in pace.

Descansem em paz.

M.

℟.Amen.

Amém.

Explicação

O que é

Terminada a Pós-comunhão, o sacerdote volta-se para o povo, diz “Dóminus vobíscum” (e ouve “Et cum spíritu tuo”) e despede a assembleia. Pelo Código de Rubricas de 1960 (n. 507), a regra é uma só: diz-se sempre “Ite, Missa est” (“Ide, a Missa está terminada” ou, de forma mais literal, “é a despedida”), e o povo responde “Deo grátias”. Há três exceções. Na Missa vespertina da Ceia do Senhor, que termina com a transladação solene do Santíssimo, e em outras Missas seguidas de procissão, diz-se “Benedicámus Dómino” (“Bendigamos ao Senhor”), com a mesma resposta. Durante a oitava da Páscoa, nas Missas do tempo, acrescenta-se “allelúja, allelúja” ao “Ite, Missa est” e ao “Deo grátias”. Nas Missas de Requiem diz-se “Requiéscant in pace” (“Descansem em paz”), e o povo responde “Amen”.

De onde vem

A palavra missa é, no latim tardio, um substantivo derivado do verbo mittere e equivale a dimissio, “despedida”. “Ite, missa est” significa, portanto, algo como “podeis ir, é a despedida”. O emprego de missa para a despedida está atestado já no século IV (por exemplo, no relato da peregrina Egéria, nos anos 380), e Santo Ambrósio usa missam facere no sentido de celebrar a Missa (carta 20, de 385; Ep. 76 em outras numerações). Foi a partir daí que o nome “Missa” passou da despedida para toda a celebração; é uma das explicações mais difundidas da origem do nome, embora os estudiosos discutam seus pormenores. A fórmula “Ite, missa est” aparece nos mais antigos Ordines romanos (c. 700). O “Benedicámus Dómino”, por sua vez, é um recurso medieval: passou a usar-se nas Missas sem Glória, de tom penitencial, regra que durou até 1960, e hoje se reserva às Missas seguidas de procissão. O “Requiéscant in pace” é uma fórmula especificamente funerária, também medieval.

O que significa

A despedida lembra que a Missa não termina no templo: o fiel é “enviado” a viver o que celebrou. A resposta “Deo grátias” é a gratidão por tudo o que foi recebido. E o “Requiéscant in pace” transforma a despedida em oração pelos defuntos, em coerência com o caráter de toda a Missa de Requiem. O sentido da fórmula é, por isso, mais do que um “fim”: é a passagem do altar para o mundo.

Rubricas

Para a formação: o sacerdote diz “Ite, Missa est”, voltado para o povo e de mãos juntas, salvo nos casos da tabela abaixo. “Benedicámus Dómino” e “Requiéscant in pace” são ditos voltado para o altar. Quando se diz uma dessas duas, não há bênção (n. 508): o sacerdote diz o Pláceat tibi, beija o altar e, no Requiem, passa ao Último Evangelho (omitido se se segue a absolvição junto ao féretro); depois do “Benedicámus Dómino” omite-se também o Último Evangelho (n. 510). Na Missa cantada, o celebrante canta a despedida; na Missa solene, é o diácono, voltado para o povo (Ritus servandus, tit. XI).

Qual fórmula de despedida? (Código de Rubricas de 1960, n. 507)
QuandoO sacerdote ou diácono dizO povo responde
Em regra, em todas as MissasIte, Missa estDeo grátias
Oitava da Páscoa, nas Missas do tempoIte, Missa est, allelúja, allelújaDeo grátias, allelúja, allelúja
Missa seguida de procissão (por exemplo, a da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa)Benedicámus DóminoDeo grátias
Missa de RequiemRequiéscant in paceAmen

Na Missa solene

Na Missa solene, o diácono, voltado para o povo, canta a despedida em tom próprio, e o coro responde “Deo grátias”. Depois, o celebrante, que está de frente para o altar, reza o Pláceat tibi e dá a bênção, quando ela é devida. Veja também a página de gestos e posturas.

Fontes

  1. Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
  2. Missale Romanum 1962, Ritus servandus in celebratione Missae, tit. X–XII (Pai-Nosso, Comunhão, fim da Missa)
  3. João XXIII, motu proprio Rubricarum instructum, 25 de julho de 1960, com o Código de Rubricas (AAS 52, 1960, pp. 593–740; nn. 502–511 e 517–522 para a Comunhão e o fim da Missa)
  4. J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia: eine genetische Erklärung der römischen Messe, 1948 (5.ª ed. 1962); trad. ing. The Mass of the Roman Rite, 1951–1955
  5. A. Fortescue, The Mass: A Study of the Roman Liturgy, 1912
  6. Santo Ambrósio, Epistola 20 (a Marcelina, 385; Ep. 76 em outras numerações): uso de missam facere
  7. Egéria, Itinerarium, 24: “missa” como despedida (anos 380)