Antífona da Comunhão
Communio
Pequeno canto que a Igreja entoa enquanto os fiéis comungam. Muda a cada dia da Missa: quase sempre um versículo da Escritura que ressoa o mistério da festa ou do tempo litúrgico.
O que é e de onde vem
O que é
A antífona da Comunhão é o último canto do Próprio da Missa. Como o Intróito, o Gradual e o Ofertório, ela muda de acordo com o dia (domingo, festa, tempo litúrgico), e é, normalmente, um versículo de salmo ou de outro livro da Escritura. Cantada em gregoriano, acompanha a Comunhão; na Missa rezada, o sacerdote a lê em voz clara, no lado da Epístola, depois das abluções. Seu papel é duplo: expressar o sentimento de quem comunga e fazer eco do tema litúrgico do dia.
De onde vem
Cantar durante a Comunhão é antiguíssimo. As Catequeses mistagógicas atribuídas a São Cirilo de Jerusalém (meados do séc. IV; a autoria é discutida, pois podem ser de seu sucessor João) já associam a Comunhão ao Salmo 33, “Provai e vede quão suave é o Senhor”, e esse salmo continua presente no repertório da Comunhão até hoje. Em Roma, o canto de um salmo inteiro, com uma antífona repetida entre os versículos, enquanto os fiéis se aproximavam, está atestado pelos mais antigos Ordines. À medida que menos fiéis comungavam e a Comunhão se tornava mais rápida, o salmo foi sendo encurtado, até que, ao longo da Idade Média, só restou a antífona, com o versículo e o Glória Patri omitidos. Os estudiosos discutem as etapas dessa redução, mas o resultado é claro: a antífona atual é o resto de um salmo cantado, não uma peça independente.
O que significa
O canto da Comunhão é pensado para o instante em que o Senhor é recebido. Por isso as antífonas falam muitas vezes de pão, de vinho, de banquete, de alegria, de repouso do coração, ou fazem alusão ao mistério celebrado no dia. Na Páscoa, por exemplo, a antífona recorda São Paulo: “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado”. O fiel que acompanha o Missal descobre assim, a cada dia, uma chave diferente para a mesma Comunhão. Para a diversidade dos formulários, veja O ano litúrgico.
Rubricas
Para a formação: terminadas as abluções, o sacerdote vai ao lado da Epístola, onde o ministro já pôs o missal, e lê a antífona da Comunhão (no Missal, “Communio”) em voz clara (Código de Rubricas de 1960, n. 511). No tempo pascal, acrescenta-se “Aleluia” ao fim da antífona, se ainda não estiver (n. 504). Na Missa cantada ou solene, a Instrução de 1958 (n. 27) diz que o tempo próprio do canto é enquanto o sacerdote comunga e, se os fiéis também comungam, enquanto eles comungam; passada a antífona, se a distribuição continuar, é permitido cantar outro canto latino adequado. O celebrante lê a antífona em voz baixa no lugar designado, ainda que o coro a cante.
Exemplo: antífona da Comunhão do Domingo da Páscoa (1 Cor 5, 7-8)
Pascha nostrum immolátus est Christus, allelúja: itaque epulémur in ázymis sinceritátis et veritátis, allelúja, allelúja, allelúja.
Cristo, nossa Páscoa, foi imolado, aleluia; celebremos, pois, o banquete com os ázimos da sinceridade e da verdade, aleluia, aleluia, aleluia.
Na Missa solene
Na Missa solene, o coro canta a antífona quando o celebrante comunga (ou, se há fiéis, durante a sua Comunhão), e a antífona do Missal deve ser cantada; havendo tempo, pode seguir-se outro canto latino adequado. O sacerdote, terminada a antífona, vai ao centro do altar e prossegue com a Pós-comunhão.
Fontes
- Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
- Missale Romanum 1962, Ritus servandus in celebratione Missae, tit. X–XII (Pai-Nosso, Comunhão, fim da Missa)
- João XXIII, motu proprio Rubricarum instructum, 25 de julho de 1960, com o Código de Rubricas (AAS 52, 1960, pp. 593–740; nn. 502–511 e 517–522 para a Comunhão e o fim da Missa)
- Sagrada Congregação dos Ritos, Instrução De musica sacra et sacra liturgia, 3 de setembro de 1958 (AAS 50, 1958, pp. 630–663), nn. 25, 27, 31 e 32
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia: eine genetische Erklärung der römischen Messe, 1948 (5.ª ed. 1962); trad. ing. The Mass of the Roman Rite, 1951–1955
- São Cirilo de Jerusalém (atribuição discutida), Catequeses mistagógicas, V, 17–20
- Graduale Romanum, Domingo da Páscoa (Missa Resurréxi)