Nobis quoque peccatoribus
Nobis quoque peccatóribus
O sacerdote bate no peito, pede em nome de todos a companhia dos santos e nomeia uma segunda lista de mártires, quase todos de Roma.
O texto
Bate no peito com a mão direita, dizendo em voz um pouco mais alta:
Nobis quoque peccatóribus
Também a nós, pecadores,
Estende as mãos, como antes, e prossegue em voz baixa:
fámulis tuis, de multitúdine miseratiónum tuárum sperántibus, partem áliquam et societátem donáre dignéris, cum tuis sanctis Apóstolis et Martýribus: cum Joánne, Stéphano, Matthía, Bárnaba, Ignátio, Alexándro, Marcellíno, Petro, Felicitáte, Perpétua, Agatha, Lúcia, Agnéte, Cæcília, Anastásia, et ómnibus Sanctis tuis: intra quorum nos consórtium, non æstimátor mériti, sed véniæ, quǽsumus, largítor admítte.
vossos servos, que esperamos na multidão das vossas misericórdias, dignai-vos conceder alguma parte e companhia com os vossos santos Apóstolos e Mártires: com João, Estêvão, Matias, Barnabé, Inácio, Alexandre, Marcelino, Pedro, Felicidade, Perpétua, Águeda, Luzia, Inês, Cecília, Anastácia, e com todos os vossos Santos; em cuja companhia vos pedimos que nos admitais, não como juiz do mérito, mas como quem concede o perdão.
Junta as mãos:
Per Christum, Dóminum nostrum.
Por Cristo, nosso Senhor.
Explicação
O que é
Depois de rezar pelos mortos, o sacerdote reza por si mesmo e pelos presentes: Nobis quoque peccatóribus, “também a nós, pecadores”. É o único ponto, no meio do Cânon, em que o sacerdote eleva um pouco a voz, nas três primeiras palavras, enquanto bate no peito com a mão direita (a esquerda fica pousada sobre o corporal); o resto é dito em segredo, com as mãos estendidas. A oração pede, em favor de “nós, pecadores”, vossos servos que esperam “na multidão das vossas misericórdias”, que Deus conceda partem áliquam et societátem — alguma parte e companhia — com os santos Apóstolos e Mártires, e nomeia uma segunda lista de quinze santos.
De onde vem
Esta oração tem paralelo nas liturgias orientais (Tiago, Marcos), e a Enciclopédia Católica nota que corresponde a um pedido da própria comunidade para chegar ao fim bem e entrar na comunhão dos santos, como a segunda parte do Hanc igitur. A lista de santos é tão antiga quanto a do Communicantes: ela se organizou em Roma, provavelmente entre os séculos V e VI. Na Idade Média foi muitas vezes ampliada com santos locais, e o Missal de São Pio V devolveu-lhe a forma antiga.
Os quinze santos
A lista é rítmica. Depois de São João, vêm sete santos e sete santas. Segundo a opinião comum, o João da lista é João Batista; as identificações de alguns outros nomes são discutidas.
- João
- Em geral entendido como João Batista, o precursor e mártir; é o primeiro da lista, como Nossa Senhora o é na lista do Communicantes.
- Estêvão
- O protomártir (Atos 6–7).
- Matias
- O Apóstolo eleito para o lugar de Judas (Atos 1,26), que faltava na lista do Communicantes.
- Barnabé
- Companheiro de São Paulo, chamado Apóstolo em Atos 14,14.
- Inácio
- Bispo de Antioquia, mártir em Roma por volta de 107.
- Alexandre
- A identidade é discutida: um papa mártir (Alexandre I) ou um mártir romano da Via Nomentana.
- Marcelino e Pedro
- Mártires romanos da perseguição de Diocleciano (por volta de 304), sepultados na Via Labicana; Pedro era exorcista.
- Felicidade e Perpétua
- Em geral entendidas como as mártires de Cartago (203). Alguns identificam Felicidade com a mártir romana do mesmo nome, mãe de sete filhos; a identificação é discutida.
- Águeda e Luzia
- Águeda de Catânia e Luzia de Siracusa, mártires da Sicília.
- Inês e Cecília
- Mártires romanas; a data de Cecília é incerta.
- Anastácia
- Venerada em Roma desde a Antiguidade (há uma basílica com seu nome); a tradição a faz originária de Sirmio.
O que significa
A passagem faz uma confissão de humildade: o sacerdote, que acaba de realizar o ato mais alto, se declara peccátor, e confia não em seus méritos (non æstimátor mériti), mas na misericórdia de Deus, “que não pesa o mérito, mas concede o perdão” (véniæ largítor). A expressão final, intra quorum nos consórtium… admítte, lembra o pedido do bom ladrão: “Lembra-te de mim quando vieres em teu reino”.
Rubricas
O sacerdote bate no peito com a mão direita, dizendo em voz um pouco mais alta Nobis quoque peccatóribus, a Enciclopédia Católica vê nisso uma lembrança aos presentes de que chegou a oração em que eles também podem unir-se. Em seguida estende as mãos, como antes, e continua em silêncio. Ao final junta as mãos e diz Per Christum, Dóminum nostrum, sem Amen, porque a oração se une, sem pausa, ao Per quem hæc ómnia.
Fontes
- Divinum Officium, Ordo Missae (Missale Romanum 1962, rubricas de 1960)
- Ritus servandus in celebratione Missae (Missale Romanum 1962), tít. VIII–IX; tradução inglesa não oficial
- Catholic Encyclopedia (1908), “Canon of the Mass”
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948; ed. inglesa The Mass of the Roman Rite, 1951–1955), vol. II
- A. Fortescue, The Mass: a Study of the Roman Liturgy (1912), cap. sobre o Cânon