Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Nobis quoque peccatoribus

Nobis quoque peccatóribus

O sacerdote bate no peito, pede em nome de todos a companhia dos santos e nomeia uma segunda lista de mártires, quase todos de Roma.

Parte de
Cânon Romano · Cânon Romano
Origem
séc. V · Patrístico romanoLista de mártires, quase todos de Roma, fixada entre os sécs. V e VI
Quem
O sacerdote, batendo no peito; as primeiras palavras em voz um pouco mais alta · Em silêncio (secreto)
Texto
Ordinário: o mesmo em toda Missa
Os fiéis
Missa rezada: De joelhos. Ao ouvir o sacerdote dizer em voz mais alta *Nobis quoque peccatóribus*, é costume bater levemente no peito.Missa cantada e solene: De joelhos. Muitos batem no peito ao ouvir as primeiras palavras.

O texto

Bate no peito com a mão direita, dizendo em voz um pouco mais alta:

S.

Nobis quoque peccatóribus

Também a nós, pecadores,

Estende as mãos, como antes, e prossegue em voz baixa:

S.

fámulis tuis, de multitúdine miseratiónum tuárum sperántibus, partem áliquam et societátem donáre dignéris, cum tuis sanctis Apóstolis et Martýribus: cum Joánne, Stéphano, Matthía, Bárnaba, Ignátio, Alexándro, Marcellíno, Petro, Felicitáte, Perpétua, Agatha, Lúcia, Agnéte, Cæcília, Anastásia, et ómnibus Sanctis tuis: intra quorum nos consórtium, non æstimátor mériti, sed véniæ, quǽsumus, largítor admítte.

vossos servos, que esperamos na multidão das vossas misericórdias, dignai-vos conceder alguma parte e companhia com os vossos santos Apóstolos e Mártires: com João, Estêvão, Matias, Barnabé, Inácio, Alexandre, Marcelino, Pedro, Felicidade, Perpétua, Águeda, Luzia, Inês, Cecília, Anastácia, e com todos os vossos Santos; em cuja companhia vos pedimos que nos admitais, não como juiz do mérito, mas como quem concede o perdão.

Junta as mãos:

S.

Per Christum, Dóminum nostrum.

Por Cristo, nosso Senhor.

Explicação

O que é

Depois de rezar pelos mortos, o sacerdote reza por si mesmo e pelos presentes: Nobis quoque peccatóribus, “também a nós, pecadores”. É o único ponto, no meio do Cânon, em que o sacerdote eleva um pouco a voz, nas três primeiras palavras, enquanto bate no peito com a mão direita (a esquerda fica pousada sobre o corporal); o resto é dito em segredo, com as mãos estendidas. A oração pede, em favor de “nós, pecadores”, vossos servos que esperam “na multidão das vossas misericórdias”, que Deus conceda partem áliquam et societátem — alguma parte e companhia — com os santos Apóstolos e Mártires, e nomeia uma segunda lista de quinze santos.

De onde vem

Esta oração tem paralelo nas liturgias orientais (Tiago, Marcos), e a Enciclopédia Católica nota que corresponde a um pedido da própria comunidade para chegar ao fim bem e entrar na comunhão dos santos, como a segunda parte do Hanc igitur. A lista de santos é tão antiga quanto a do Communicantes: ela se organizou em Roma, provavelmente entre os séculos V e VI. Na Idade Média foi muitas vezes ampliada com santos locais, e o Missal de São Pio V devolveu-lhe a forma antiga.

Os quinze santos

A lista é rítmica. Depois de São João, vêm sete santos e sete santas. Segundo a opinião comum, o João da lista é João Batista; as identificações de alguns outros nomes são discutidas.

João
Em geral entendido como João Batista, o precursor e mártir; é o primeiro da lista, como Nossa Senhora o é na lista do Communicantes.
Estêvão
O protomártir (Atos 6–7).
Matias
O Apóstolo eleito para o lugar de Judas (Atos 1,26), que faltava na lista do Communicantes.
Barnabé
Companheiro de São Paulo, chamado Apóstolo em Atos 14,14.
Inácio
Bispo de Antioquia, mártir em Roma por volta de 107.
Alexandre
A identidade é discutida: um papa mártir (Alexandre I) ou um mártir romano da Via Nomentana.
Marcelino e Pedro
Mártires romanos da perseguição de Diocleciano (por volta de 304), sepultados na Via Labicana; Pedro era exorcista.
Felicidade e Perpétua
Em geral entendidas como as mártires de Cartago (203). Alguns identificam Felicidade com a mártir romana do mesmo nome, mãe de sete filhos; a identificação é discutida.
Águeda e Luzia
Águeda de Catânia e Luzia de Siracusa, mártires da Sicília.
Inês e Cecília
Mártires romanas; a data de Cecília é incerta.
Anastácia
Venerada em Roma desde a Antiguidade (há uma basílica com seu nome); a tradição a faz originária de Sirmio.

O que significa

A passagem faz uma confissão de humildade: o sacerdote, que acaba de realizar o ato mais alto, se declara peccátor, e confia não em seus méritos (non æstimátor mériti), mas na misericórdia de Deus, “que não pesa o mérito, mas concede o perdão” (véniæ largítor). A expressão final, intra quorum nos consórtium… admítte, lembra o pedido do bom ladrão: “Lembra-te de mim quando vieres em teu reino”.

Rubricas

O sacerdote bate no peito com a mão direita, dizendo em voz um pouco mais alta Nobis quoque peccatóribus, a Enciclopédia Católica vê nisso uma lembrança aos presentes de que chegou a oração em que eles também podem unir-se. Em seguida estende as mãos, como antes, e continua em silêncio. Ao final junta as mãos e diz Per Christum, Dóminum nostrum, sem Amen, porque a oração se une, sem pausa, ao Per quem hæc ómnia.

Fontes

  1. Divinum Officium, Ordo Missae (Missale Romanum 1962, rubricas de 1960)
  2. Ritus servandus in celebratione Missae (Missale Romanum 1962), tít. VIII–IX; tradução inglesa não oficial
  3. Catholic Encyclopedia (1908), “Canon of the Mass”
  4. J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948; ed. inglesa The Mass of the Roman Rite, 1951–1955), vol. II
  5. A. Fortescue, The Mass: a Study of the Roman Liturgy (1912), cap. sobre o Cânon