Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Confiteor

Confiteor

O sacerdote confessa os seus pecados a Deus, aos santos e aos fiéis; o acólito, em nome de todos, pede a Deus que lhe perdoe e depois também confessa. É o momento de pedir perdão antes de subir ao altar.

Parte de
Missa dos Catecúmenos · Orações ao pé do altar
Origem
séc. XI · Síntese franco-romanaConfissão de culpa dos sacerdotes antes da Missa, difundida nos sécs. X–XII; forma atual fixada em 1570
Quem
O sacerdote e o acólito (que fala em nome do povo) · Voz média (vox submissa)
Texto
Ordinário: o mesmo em toda Missa
Os fiéis
Missa rezada: De joelhos, inclinados, batendo no peito em *mea culpa*. Na Missa dialogada os fiéis podem dar as respostas do acólito, entre elas o Confiteor (Instrução de 1958, n. 31); fora dela, rezam em silêncio.Missa cantada e solene: De joelhos ou de pé inclinados, conforme o costume, enquanto o celebrante e os ministros recitam; o coro nada canta nesse momento.

O texto

Inclinado profundamente, de mãos juntas, o sacerdote diz:

S.

Confíteor Deo omnipoténti, beátæ Maríæ semper Vírgini, beáto Michaéli Archángelo, beáto Joánni Baptístæ, sanctis Apóstolis Petro et Paulo, ómnibus Sanctis, et vobis, fratres: quia peccávi nimis cogitatióne, verbo et ópere:

Confesso a Deus todo-poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado João Batista, aos santos Apóstolos Pedro e Paulo, a todos os Santos, e a vós, irmãos, que pequei muitíssimo por pensamentos, palavras e obras:

Bate três vezes no peito, dizendo:

S.

mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa.

por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa.

S.

Ideo precor beátam Maríam semper Vírginem, beátum Michaélem Archángelum, beátum Joánnem Baptístam, sanctos Apóstolos Petrum et Paulum, omnes Sanctos, et vos, fratres, oráre pro me ad Dóminum, Deum nostrum.

Por isso peço à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado João Batista, aos santos Apóstolos Pedro e Paulo, a todos os Santos, e a vós, irmãos, que rogueis por mim ao Senhor nosso Deus.

M.

Misereátur tui omnípotens Deus, et, dimíssis peccátis tuis, perdúcat te ad vitam ætérnam.

Tenha misericórdia de ti Deus todo-poderoso e, perdoados os teus pecados, conduza-te à vida eterna.

S.

Amen.

Amém.

O sacerdote diz Amen e, quando o acólito começa a sua confissão, ergue-se; o acólito, ajoelhado e inclinado, repete o Confiteor (dizendo “tibi, pater” e “te, pater” onde o sacerdote dizia “vobis, fratres” e “vos, fratres”):

M.

Confíteor Deo omnipoténti, beátæ Maríæ semper Vírgini, beáto Michaéli Archángelo, beáto Joánni Baptístæ, sanctis Apóstolis Petro et Paulo, ómnibus Sanctis, et tibi, pater: quia peccávi nimis cogitatióne, verbo et ópere: mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa. Ideo precor beátam Maríam semper Vírginem, beátum Michaélem Archángelum, beátum Joánnem Baptístam, sanctos Apóstolos Petrum et Paulum, omnes Sanctos, et te, pater, oráre pro me ad Dóminum, Deum nostrum.

Confesso a Deus todo-poderoso, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado João Batista, aos santos Apóstolos Pedro e Paulo, a todos os Santos, e a ti, padre, que pequei muitíssimo por pensamentos, palavras e obras: por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa. Por isso peço à bem-aventurada sempre Virgem Maria, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado João Batista, aos santos Apóstolos Pedro e Paulo, a todos os Santos, e a ti, padre, que rogues por mim ao Senhor nosso Deus.

O sacerdote, de mãos juntas, dá a absolvição:

S.

Misereátur vestri omnípotens Deus, et, dimíssis peccátis vestris, perdúcat vos ad vitam ætérnam.

Tenha misericórdia de vós Deus todo-poderoso e, perdoados os vossos pecados, vos conduza à vida eterna.

M.

℟.Amen.

Amém.

Persignando-se:

S.

Indulgéntiam, absolutiónem et remissiónem peccatórum nostrórum tríbuat nobis omnípotens et miséricors Dóminus.

O Senhor todo-poderoso e misericordioso nos conceda indulgência, absolvição e remissão dos nossos pecados.

M.

℟.Amen.

Amém.

Explicação

O que é

Depois do Adjutórium, o sacerdote inclina-se profundamente, de mãos juntas, e recita o Confiteor, a oração em que se declara pecador “por pensamentos, palavras e obras”, nomeando a Virgem Maria, São Miguel Arcanjo, São João Batista, os apóstolos Pedro e Paulo e todos os santos. Bate no peito três vezes nas palavras mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa (“por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa”). O acólito responde com o Misereátur, pedindo a Deus que se compadeça do sacerdote; em seguida o próprio acólito recita o Confiteor, falando em nome do povo, e o sacerdote retribui com o Misereátur vestri e com uma súplica de perdão, a chamada absolvição deprecativa: Indulgéntiam, absolutiónem et remissiónem peccatórum nostrórum.

É importante dizer o que esta fórmula não é: não é o sacramento da Penitência, e não tem a forma da absolvição sacramental. É uma súplica; atos de contrição como este obtêm o perdão dos pecados veniais e preparam o espírito, mas os pecados graves exigem a confissão sacramental. Quem se aproxima de uma Missa tridentina pela primeira vez deve saber disto para entender o tom da cena: o sacerdote não se apresenta como santo; é o primeiro a reconhecer-se pecador, e o faz diante dos fiéis.

De onde vem

A confissão de culpa antes da Missa não é romana antiga. Ela vem das chamadas apologiæ, orações privadas de humildade que os sacerdotes francos diziam na sacristia ou a caminho do altar. Os livros dos sécs. X e XI trazem fórmulas de confissão mútua entre o sacerdote e seus ministros; a forma com duplo Confiteor (do sacerdote, depois do acólito) foi-se consolidando entre os sécs. XI e XIII. A lista de santos variou conforme os lugares e as ordens religiosas; o Missal de 1570 fixou-a como a recitamos hoje (Maria, Miguel, João Batista, Pedro e Paulo, todos os santos), e é essa a forma do Missal de 1962. Os estudiosos divergem sobre a data exata de cada elemento, e o séc. XI é uma aproximação defensável para a entrada da confissão no começo da Missa.

O que significa

Duas ideias aparecem. A primeira é a confissão comunitária: o sacerdote confessa-se vobis, fratres (“a vós, irmãos”) e os fiéis, por meio do acólito, confessam-se tibi, pater (“a ti, padre”). A segunda é a intercessão dos santos: é a Igreja inteira, no céu e na terra, que acompanha o pecador e reza por ele. O gesto de bater no peito, herdado do publicano do Evangelho (Lc 18,13), exprime a contrição. A inclinação profunda é sinal de humildade perante a majestade de Deus e do altar.

Rubricas

  • O sacerdote, de mãos juntas, inclina-se profundamente e permanece assim até que o acólito diga Misereátur tui; quando o acólito começa o seu Confíteor, ele se ergue (Ritus servandus, III, 7).
  • Nas palavras mea culpa bate três vezes no peito com a mão direita, mantendo a esquerda sob o peito.
  • O acólito, ajoelhado e voltado um pouco para o celebrante, recita o seu Confiteor, dizendo tibi, pater e te, pater onde o sacerdote disse vobis, fratres e vos, fratres. Diante do Papa, de cardeais ou de bispos, o próprio celebrante usa essas fórmulas, e ao Papa faz genuflexão (III, 8).
  • De pé, o sacerdote diz Misereátur vestri, a que o acólito responde Amen; persigna-se ao Indulgéntiam, e o acólito novamente responde Amen. Em seguida inclina-se de novo para os versículos Deus, tu convérsus (III, 10).
  • Nas Missas solenes, o celebrante faz a confissão no meio, entre o diácono (à direita) e o subdiácono (à esquerda), que respondem com o acólito e dizem depois o seu Confiteor.

Fontes

  1. Missale Romanum (1962), Ordo Missae: Confiteor, Misereatur, Indulgentiam; Ritus servandus, III
  2. Josef A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948): as apologiæ e o Confiteor
  3. Adrian Fortescue, The Mass (1912), cap. sobre as orações ao pé do altar
  4. Divinum Officium: Ordo Missae