Coleta
Oratio (Collecta)
Depois do Glória, o sacerdote saúda o povo (“O Senhor esteja convosco”) e reza em voz alta a oração própria do dia, que resume o tema da celebração e termina com a fórmula “Por nosso Senhor Jesus Cristo…”.
O que é e de onde vem
O que é
A Coleta é a primeira oração própria da Missa. O sacerdote beija o altar, volta-se para o povo e diz Dóminus vobíscum (“O Senhor esteja convosco”), a que o acólito responde Et cum spíritu tuo (“E com o teu espírito”). Volta-se de novo para o altar, diz Orémus (“Oremos”) e, de braços estendidos, reza a oração do dia. No fim, o acólito (e o povo) responde Amen. Em muitos dias seguem-se outras orações (comemorações), que se dizem sob a mesma forma. A Coleta é breve, em geral de uma só frase em latim, e é modelo da elegância e da concisão do estilo romano.
De onde vem
O nome “coleta” (collecta) pode significar tanto a oração que “recolhe” as intenções do povo como a oração dita quando o povo se reunia (collecta, a assembleia) antes da procissão estacional. Seja como for, o esquema da oração romana (invocação, motivo, pedido, conclusão) aparece já nos antigos sacramentários, como o chamado Veronense (ou Leoniano) dos sécs. V–VI, o Gelasiano e o Gregoriano. A maior parte das Coletas de 1962 é de origem muito antiga, e algumas remontam ao tempo dos papas Leão Magno e Gelásio. As Coletas não são obra de um só autor, e os especialistas ainda debatem a atribuição de cada oração; por isso o séc. V serve de referência geral.
O que significa
A Coleta dá a nota espiritual do dia: reconhece a bondade de Deus (“Deus, que…”), formula um pedido (“concede-nos…”) e termina em Cristo, único mediador. Ela é uma oração em nome da Igreja inteira, razão por que está no plural e é dirigida normalmente ao Pai, por Cristo. O fiel que acompanha a Missa com um missal-tradução encontra nela, a cada dia, uma síntese do mistério celebrado.
Um exemplo: Domingo I do Advento
Excita, quǽsumus, Dómine, poténtiam tuam, et veni: ut ab imminéntibus peccatórum nostrórum perículis, te mereámur protegénte éripi, te liberánte salvári: Qui vivis et regnas cum Deo Patre, in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.
Desperta, rogamos-te, Senhor, o teu poder, e vem: para que, protegidos por ti, mereçamos ser arrancados aos perigos iminentes dos nossos pecados, e, libertados por ti, ser salvos. Tu que vives e reinas com Deus Pai, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.
℟.Amen.
Amém.
As conclusões
| Quando | Fórmula latina | Tradução |
|---|---|---|
| Oração dirigida ao Pai (o caso mais frequente) | Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum. | Por nosso Senhor Jesus Cristo, teu Filho, que contigo vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. |
| Oração dirigida ao Filho | Qui vivis et regnas cum Deo Patre, in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia sǽcula sæculórum. | Tu que vives e reinas com Deus Pai, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. |
Há ainda outras fórmulas (Per eúndem Dóminum…, Qui tecum vivit…, Qui cum Patre et Spíritu Sancto…), que dependem de a oração se dirigir ao Pai ou ao Filho e de a menção do Filho ocorrer no fim ou antes. Quando se dizem várias orações, a da Missa leva a sua conclusão, e as comemorações e demais orações adicionais dizem-se “sob uma segunda conclusão” (Código de Rubricas, nn. 436–437).
Rubricas
- Terminado o Glória (ou o Kyrie, se não houver Glória), o sacerdote beija o altar no centro, volta-se para o povo e diz Dóminus vobíscum, estendendo e juntando as mãos. Depois vai ao lado da Epístola.
- Ao Orémus estende e junta as mãos e inclina a cabeça; depois estende as mãos diante do peito, com os dedos juntos, para a oração, e junta-as ao Per Dóminum. Inclina a cabeça ao nome de Jesus, ao de Maria, ao do santo de que se celebra a Missa ou se faz comemoração, e ao do Papa. Volta-se para o povo pelo lado da Epístola e retorna ao livro pelo mesmo caminho (Ritus servandus, V, 1–2).
- Se o celebrante é bispo, diz Pax vobis em lugar de Dóminus vobíscum nesse ponto, quando se disse o Glória (V, 1).
- Depois da Coleta podem seguir-se comemorações e outras orações. O Código de Rubricas limita o número: nos dias de 1ª classe e nas Missas cantadas não conventuais, no máximo uma comemoração privilegiada; nos domingos de 2ª classe, só a comemoração de uma festa de 2ª classe; nos demais dias de 2ª classe, mais uma oração; nos dias de 3ª e 4ª classe, mais duas. Nunca se passa de três orações no total (nn. 434–435). Cada oração é seguida de Amen.
- Em certos dias penitenciais (por exemplo, nas Têmporas), depois do Orémus diz-se Flectámus génua: todos se ajoelham e rezam um instante em silêncio, e ao Leváte todos se levantam e o celebrante diz a oração. Na Missa solene o diácono diz Flectámus génua e Leváte; nas demais Missas, o próprio celebrante (n. 440).
Fontes
- Missale Romanum (1962): Ritus servandus, V; Código de Rubricas (1960), nn. 433–440
- Josef A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948): a oração de coleta
- Edmund Bishop, “The Genius of the Roman Rite”, in Liturgica Historica (1918)
- Divinum Officium: Missa do Domingo I do Advento