Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Epístola

Lectio (Epistola)

A primeira leitura da Missa, geralmente tirada das cartas de São Paulo (“epístola” quer dizer carta), mas também do Antigo Testamento e dos Atos dos Apóstolos. Ao fim o povo responde: “Graças a Deus”.

Parte de
Missa dos Catecúmenos · Liturgia da Palavra
Origem
séc. I · Apostólico e primeiros séculosLeitura bíblica antes do Evangelho, testemunhada por São Justino por volta de 155
Quem
O subdiácono (cantada); o sacerdote (rezada) · Voz alta (vox clara)
Texto
Próprio: muda conforme o dia
Os fiéis
Missa rezada: Sentados, em muitos lugares, para escutar a Epístola; outros ficam de pé; o costume do lugar decide.Missa cantada e solene: Sentados, escutando o subdiácono (o Código de Rubricas permite ao coro sentar-se durante a Epístola, n. 524, e é costume os fiéis fazerem o mesmo); levantam-se para o Evangelho.

O que é e de onde vem

O que é

A Epístola é a leitura que precede o Evangelho. O nome vem do grego epistolé (“carta”), porque na maioria das vezes é um trecho de uma carta de São Paulo ou de outro apóstolo; mas pode ser também do Antigo Testamento, dos Atos dos Apóstolos ou do Apocalipse. Começa com a fórmula Léctio Epístolæ beáti Pauli Apóstoli ad Romános (ou o título correspondente ao livro lido). Ao fim, o acólito (ou o povo, na Missa dialogada ou cantada) responde Deo grátias.

De onde vem

A leitura de escritos apostólicos e proféticos na assembleia é tão antiga quanto a Missa: São Justino, por volta de 155, descreve que no domingo se liam “as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas, enquanto o tempo permitir” (Primeira Apologia, 67). Com o tempo, a Igreja romana fixou os trechos para cada dia: o sistema de leituras (lectionarium, comes) já estava em grande parte estabelecido nos sécs. VII–VIII, e as listas conservadas, como o Comes de Wurzburgo, mostram um conjunto em boa parte reconhecível no Missal de 1962. Por isso o séc. I é dado como início da prática, embora as peças atuais sejam posteriores.

O que significa

A leitura da Epístola é a voz dos apóstolos, que ensinam e exortam a comunidade cristã. A Igreja a proclama como palavra de Deus, e por isso o texto não é lido em tom de conversa, mas cantado ou recitado em voz solene. O fiel que acompanha a Missa descobre aí a lição moral e espiritual do dia. A Epístola do primeiro domingo do Advento, por exemplo, é um apelo à vigilância.

Um exemplo: Domingo I do Advento

Leitura (Rm 13,11-14):

S.

Léctio Epístolæ beáti Pauli Apóstoli ad Romános.

Leitura da Epístola do bem-aventurado Apóstolo Paulo aos Romanos.

S.

Fratres: Sciéntes, quia hora est jam nos de somno súrgere. Nunc enim própior est nostra salus, quam cum credídimus. Nox præcéssit, dies autem appropinquávit. Abjiciámus ergo ópera tenebrárum, et induámur arma lucis. Sicut in die honéste ambulémus: non in comessatiónibus et ebrietátibus, non in cubílibus et impudicítiis, non in contentióne et æmulatióne: sed induímini Dóminum Jesum Christum.

Irmãos: sabeis que já é hora de despertar do sono. Pois agora a nossa salvação está mais perto do que quando abraçamos a fé. A noite avançou, o dia aproximou-se. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos honestamente, como de dia: não em comezainas e embriaguezes, não em leitos e impudicícias, não em contenda e emulação; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.

M.

Deo grátias.

Graças a Deus.

Rubricas

  • Na Missa rezada, o sacerdote lê a Epístola no lado da Epístola (à direita de quem olha para a cruz), com as mãos apoiadas sobre o livro ou segurando-o; ao fim, o acólito responde Deo grátias (Ritus servandus, VI, 1).
  • Na Missa solene o subdiácono, de tunicela, canta a Epístola no lado da Epístola, voltado para o altar, e, ao terminar, vai ao celebrante, ajoelha-se e beija-lhe a mão, e o celebrante o abençoa (exceto nas Missas de Réquiem). O celebrante não lê a Epístola: escuta-a sentado, e o que é cantado pelos ministros ele omite. Depois volta ao livro e lê em voz baixa o Gradual e o que se segue até o Munda cor meum (VI, 4; Código de Rubricas, nn. 473 e 513 f).
  • Antes da Epístola há uma lição, com a sua oração, nas quartas-feiras das Têmporas, na quarta-feira da IV semana da Quaresma e na Quarta-feira Santa; e cinco lições nos sábados das Têmporas. Cada lição é seguida de Deo grátias (menos a de Daniel) e, em certos casos, de Flectámus génua e Leváte (nn. 467–468). A Vigília Pascal tem as suas leituras próprias.
  • Se a leitura é do Antigo Testamento, anuncia-se Léctio libri… ou Léctio Isaíæ Prophétæ, segundo o livro.

Fontes

  1. São Justino Mártir, Primeira Apologia, 67 (c. 155)
  2. Missale Romanum (1962): Proprium de Tempore; Ritus servandus, VI
  3. Código de Rubricas (1960), nn. 466–468, 473, 513 e 524
  4. Josef A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948): a leitura da Epístola
  5. Divinum Officium: Missa do Domingo I do Advento