Gradual, Aleluia, Trato e Sequência
Graduale, Allelúja, Tractus, Sequentia
Entre a Epístola e o Evangelho, a Igreja canta um salmo (o Gradual), seguido de Aleluia ou, da Septuagésima à Páscoa e nas Missas de Réquiem, de um Trato. Em certos dias há ainda uma Sequência, um hino medieval próprio.
O que é e de onde vem

O que é
Entre a Epístola e o Evangelho o Missal prevê um ou dois cantos, que variam com o tempo litúrgico. O Gradual é um responsório com versículo de salmo; costuma ser seguido do Aleluia com seu versículo. Do domingo da Septuagésima até a Páscoa, e nas Missas de Missa de Réquiem, o Aleluia é substituído pelo Trato, um canto sem resposta, formado em geral de vários versículos de um salmo. No Tempo Pascal o Gradual é cantado do Domingo da Páscoa à sexta-feira da oitava; a partir do Sábado in albis ele cede lugar a Aleluias com dois versículos. Em alguns poucos dias há ainda, depois do Aleluia (ou do Trato), uma Sequência, um hino rimado.
De onde vem
O canto de um salmo entre as leituras era conhecido já no séc. IV, como mostram os sermões de Santo Agostinho. O nome Gradual vem de gradus (“degrau”), porque era cantado nos degraus do ambão, a tribuna das leituras; os estudiosos discutem se o nome se refere ao degrau ou ao canto gradual. O Aleluia, palavra hebraica que significa “louvai o Senhor”, entrou na Missa romana a partir do Oriente; São Gregório Magno (carta a João de Siracusa, 598) afirma, segundo a tradição que recolhe, que o uso romano de cantar o Aleluia fora do tempo pascal vinha de Jerusalém, no tempo do papa Dâmaso e por influência de São Jerônimo, e não de Constantinopla. O Trato é o canto de um salmo sem refrão, que alguns estudiosos consideram a forma mais antiga. As Sequências são criação medieval: começaram como textos sobre as notas do Aleluia (Notker de São Galo, séc. IX) e proliferaram a ponto de o Missal de 1570 conservar apenas quatro; a quinta, Stabat Mater, foi acrescentada em 1727 pelo papa Bento XIII.
O que significa
Depois de escutar a palavra de Deus, o povo responde cantando: o Gradual medita a Epístola, o Aleluia aclama o Evangelho que vai ser lido, e o Trato é o canto de quem suplica, sem poder alegrar-se. A ausência do Aleluia na Quaresma é uma das marcas mais claras do tempo, e seu retorno na Vigília Pascal, uma das mais expressivas. O gregoriano destas peças é, para muitos, o ponto alto musical da Missa.
As cinco Sequências
| Sequência | Quando | Autor (tradição) | Primeiras palavras |
|---|---|---|---|
| Víctimae pascháli laudes | Domingo da Páscoa até o sábado seguinte | Wipo de Borgonha (séc. XI) | Víctimæ pascháli laudes ímmolent Christiáni |
| Veni, Sancte Spíritus | Pentecostes e a sua oitava | Autoria disputada (atribuída a Estêvão Langton, ao papa Inocêncio III e a outros; séc. XII–XIII) | Veni, Sancte Spíritus, et emítte cælitus lucis tuæ rádium |
| Lauda Sion | Corpus Christi | São Tomás de Aquino (c. 1264) | Lauda Sion Salvatórem, lauda ducem et pastórem |
| Dies iræ | Missas de Réquiem (obrigatória só nas de 1ª classe) | Tomás de Celano (séc. XIII), segundo a tradição | Dies iræ, dies illa, solvet sæclum in favílla |
| Stabat Mater | Sete Dores de Nossa Senhora (15 de setembro) | Atribuída a Jacopone da Todi (séc. XIII–XIV), mas a autoria é discutida; acrescentada ao Missal em 1727 | Stabat Mater dolorósa juxta crucem lacrimósa |
Um exemplo: Domingo da Páscoa
Gradual (Sl 117,24.1) e Aleluia (1Cor 5,7):
Hæc dies, quam fecit Dóminus: exsultémus et lætémur in ea.
Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e alegremo-nos nele.
℣.Confitémini Dómino, quóniam bonus: quóniam in sǽculum misericórdia ejus. Allelúja, allelúja.
Louvai o Senhor, porque é bom, porque a sua misericórdia é para sempre. Aleluia, aleluia.
℣.Pascha nostrum immolátus est Christus.
Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.
Sequência Víctimae pascháli:
Víctimæ pascháli laudes ímmolent Christiáni.
À vítima pascal ofereçam os cristãos louvores.
Agnus rédemit oves: Christus ínnocens Patri reconciliávit peccatóres.
O Cordeiro redimiu as ovelhas: Cristo inocente reconciliou os pecadores com o Pai.
Mors et vita duéllo conflixére mirándo: dux vitæ mórtuus regnat vivus.
A morte e a vida travaram um duelo admirável: o chefe da vida, morto, reina vivo.
Dic nobis, María, quid vidísti in via?
Diz-nos, Maria, o que viste no caminho?
Sepúlcrum Christi vivéntis et glóriam vidi resurgéntis.
Vi o sepulcro de Cristo, que vive, e a glória do Ressuscitado.
Angélicos testes, sudárium et vestes.
Vi as testemunhas angélicas, o sudário e as vestes.
Surréxit Christus, spes mea: præcédet vos in Galilǽam.
Ressuscitou Cristo, minha esperança: precede-vos na Galileia.
Scimus Christum surrexísse a mórtuis vere: tu nobis, victor Rex, miserére. Amen. Allelúja.
Sabemos que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos: tu, ó Rei vencedor, tem piedade de nós. Amém. Aleluia.
Rubricas
- Na Missa rezada, o sacerdote lê em voz clara a Epístola, o Gradual, o Aleluia (ou o Trato) e a Sequência, no lado da Epístola, e depois leva o missal para o lado do Evangelho (Código de Rubricas, n. 511 e; Ritus servandus, VI, 1).
- Na Missa cantada ou solene, o coro canta; o celebrante os lê em voz baixa no missal.
- Gradual e Aleluia: a maior parte dos domingos e festas, inclusive no Advento. Gradual e Trato: nas Missas do Tempo, da Septuagésima ao Sábado Santo, e nas Missas de Réquiem. Só Aleluias, com dois versículos: do Sábado in albis a Pentecostes. Do Domingo da Páscoa à sexta-feira da oitava, Gradual (Hæc dies) e Aleluia.
- Quando há Sequência, ela vem depois do Aleluia (ou do Trato) e antes do Evangelho. Omite-se nas Missas votivas, e a Dies iræ é obrigatória apenas nas Missas de Réquiem de 1ª classe (Código de Rubricas, nn. 470 e 399).
Fontes
- Missale Romanum (1962), Proprium de Tempore; Graduale Romanum (1908; ed. 1961)
- Código de Rubricas (1960), nn. 399, 469–470 e 524
- Gregório Magno, carta a João de Siracusa (598)
- Josef A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948): Gradual, Aleluia, Trato e Sequências
- Divinum Officium: Missa do Domingo da Páscoa