Oferta à Santíssima Trindade
Súscipe, sancta Trínitas
O sacerdote oferece a Missa à Santíssima Trindade, em memória da Paixão, Ressurreição e Ascensão de Cristo e em honra de Nossa Senhora e dos Santos.
O texto
Ao centro do altar, um pouco inclinado, de mãos juntas sobre o altar, o sacerdote diz:
Súscipe, sancta Trínitas, hanc oblatiónem, quam tibi offérimus ob memóriam passiónis, resurrectiónis, et ascensiónis Jesu Christi, Dómini nostri: et in honórem beátæ Maríæ semper Vírginis, et beáti Joánnis Baptístæ, et sanctórum Apostolórum Petri et Pauli, et istórum et ómnium Sanctórum: ut illis profíciat ad honórem, nobis autem ad salútem: et illi pro nobis intercédere dignéntur in cælis, quorum memóriam ágimus in terris. Per eúndem Christum, Dóminum nostrum. Amen.
Recebei, ó Santíssima Trindade, esta oferta que vos fazemos em memória da paixão, ressurreição e ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo, e em honra da bem-aventurada sempre Virgem Maria, de São João Batista, dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, destes e de todos os Santos: para que a eles sirva de honra e a nós de salvação; e eles se dignem interceder por nós nos céus, eles cuja memória celebramos na terra. Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor. Amém.
Explicação
O que é
Depois do Lavabo, o sacerdote volta ao centro do altar e, inclinado, com as mãos juntas sobre a mesa, diz Súscipe, sancta Trínitas. É a última das orações de oferta e a única dirigida expressamente às três Pessoas: “Recebei, ó Santíssima Trindade, esta oferta”. Resume o Ofertório e acrescenta algo novo: a oferta é dedicada à Trindade, em memória do mistério pascal e em honra dos santos.
De onde vem
A forma que o Missal de 1570 e o de 1962 trazem aparece, segundo Jungmann, por volta do séc. XI na região de Montecassino. Já existiam, em livros da tradição galicana e franca, orações que começavam com as mesmas palavras Súscipe, sancta Trínitas, mas com pedidos e redação diferentes (por exemplo, pelo imperador ou pelo rei dos francos); não são o texto de hoje. O Missal de 1570 fixou uma lista sóbria de santos — a Virgem, São João Batista, São Pedro e São Paulo, “estes” (os santos cujas relíquias estão no altar) e todos os Santos — e é essa que chegou a 1962. As datas precisas de cada fórmula são discutidas.
O que significa
A oração oferece o sacrifício “em memória da Paixão, Ressurreição e Ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo”. A tríade importa: o sacrifício da Missa não recorda só a morte de Cristo, mas todo o mistério pascal. Em seguida, a oferta é feita “em honra” de Maria, de João Batista, de Pedro e Paulo e de todos os Santos; pede-se que isso lhes sirva de honra e a nós de salvação, e que eles “se dignem interceder por nós nos céus”, eles “cuja memória celebramos na terra”. É a comunhão dos santos em ato: a Igreja da terra oferece, a do céu intercede.
Pedro e Paulo ocupam um lugar à parte na lista, como colunas da Igreja de Roma, e voltarão a ser nomeados no Cânon (veja O rito, parte a parte).
Rubricas
Voltando ao centro do altar, o sacerdote ergue os olhos a Deus e logo os abaixa; inclina-se um pouco, com as mãos juntas sobre a mesa, e diz a oração em voz baixa. Ao terminar, endireita-se, beija o altar, com as mãos estendidas e apoiadas sobre ele, e volta-se para o povo para o Oráte, fratres (Ritus servandus VII, 7).
Fontes
- Missale Romanum, ed. typica 1962: Ordo Missae e Ritus servandus VII
- Divinum Officium: Ordo Missae, Offertorium (texto latino)
- New Liturgical Movement, “The Suscipe, sancta Trinitas” (maio de 2025, com remissão a Jungmann)
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia, vol. II, parte sobre o Ofertório