Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Comunhão do sacerdote

Communio sacerdotis

O sacerdote, tendo oferecido o Sacrifício, participa dele recebendo o Corpo e o Sangue do Senhor. Antes, reza com humildade as palavras do centurião: “Senhor, não sou digno”.

Parte de
Comunhão · Rito da Comunhão
Origem
séc. XII · Missal pleno medievalO ato é o centro da Missa desde a Ceia; as fórmulas atuais fixaram-se na Idade Média (sécs. XI–XIII)
Quem
O sacerdote celebrante · Em silêncio (secreto)
Texto
Ordinário: o mesmo em toda Missa
Os fiéis
Missa rezada: De joelhos, em silêncio e adoração. As três batidas no peito do “Dómine, non sum dignus” são ouvidas, e os fiéis que vão comungar preparam-se.Missa cantada e solene: De joelhos; o coro pode cantar ou, em silêncio, aguardar a Comunhão dos fiéis. O celebrante comunga, e o diácono e o subdiácono, se comungam, o fazem em seguida.

O texto

O sacerdote faz genuflexão, levanta-se e diz:

S.

Panem cæléstem accípiam, et nomen Dómini invocábo.

Tomarei o pão celeste e invocarei o nome do Senhor.

Um pouco inclinado, toma as duas partes da Hóstia entre o polegar e o indicador da esquerda, põe a patena sob elas e, com a direita, bate no peito três vezes. Em cada uma, diz em voz um pouco elevada as palavras “Dómine, non sum dignus” e, em silêncio, o resto:

S.

Dómine, non sum dignus, ut intres sub tectum meum: sed tantum dic verbo, et sanábitur ánima mea.

Senhor, não sou digno de que entreis sob o meu teto; mas dizei uma só palavra, e a minha alma será curada.

(Repete a mesma fórmula, com as mesmas batidas no peito, mais duas vezes.)

Com a Hóstia, faz sobre a patena o sinal da cruz, dizendo:

S.

Corpus Dómini nostri Jesu Christi custódiat ánimam meam in vitam ætérnam. Amen.

O Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo guarde a minha alma para a vida eterna. Amém.

Inclina-se e recebe reverentemente as duas partes da Hóstia. Põe a patena sobre o corporal, junta as mãos e permanece um instante em meditação. Depois, descobre o cálice, faz genuflexão, recolhe os fragmentos e limpa a patena sobre o cálice, dizendo:

S.

Quid retríbuam Dómino pro ómnibus, quæ retríbuit mihi? Cálicem salutáris accípiam, et nomen Dómini invocábo. Laudans invocábo Dóminum, et ab inimícis meis salvus ero.

Que retribuirei ao Senhor por tudo o que me deu? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor. Louvando, invocarei o Senhor, e serei salvo dos meus inimigos.

Toma o cálice com a mão direita e, com ele, faz o sinal da cruz, dizendo:

S.

Sanguis Dómini nostri Jesu Christi custódiat ánimam meam in vitam ætérnam. Amen.

O Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo guarde a minha alma para a vida eterna. Amém.

Com a esquerda põe a patena sob o cálice e bebe reverentemente todo o Sangue com a partícula.

Explicação

Sacerdote visto de costas, com casula roxa de cruz bordada, eleva a Hóstia diante do altar; um acólito de sobrepeliz está ajoelhado ao lado, e sobre o altar se veem o missal aberto, as sacras e grandes castiçais dourados.
A elevação da Hóstia depois da consagração, momento central da Missa tradicional, com o sacerdote voltado para o altar. Andrewgardner1 · CC BY 4.0

O que é

A Comunhão do sacerdote é o ápice da Missa. Não é uma devoção privada acrescentada ao Sacrifício, mas a sua conclusão: no banquete sacrificial, quem oferece também recebe. É por isso que, mesmo quando ninguém mais comunga, o celebrante sempre comunga sob as duas espécies: segundo o ensino constante dos teólogos, a sua Comunhão pertence à integridade do próprio Sacrifício. A cena se desenrola com poucos gestos e muitas palavras silenciosas, e deve ser acompanhada com um recolhimento especial.

De onde vem

O ato de comungar é, evidentemente, tão antigo quanto a própria Missa: “Tomai e comei... tomai e bebei” (Mt 26, 26-27). Já as fórmulas que o acompanham são medievais. “Panem cæléstem accípiam” adapta o Salmo 115 (116), 13, trocando o “cálice da salvação” pelo “pão celeste”; “Quid retríbuam” reúne os Salmos 115 (116), 12-13 e 17 (18), 4 na numeração da Vulgata. Ambas as fórmulas aparecem em manuscritos medievais, ainda em redações variáveis. A tríplice “Dómine, non sum dignus” (palavras do centurião, Mt 8, 8) entrou na Missa na Idade Média e se espalhou ligada ao rito da Comunhão, sem que se possa fixar uma data precisa. As fórmulas “Corpus Dómini nostri Jesu Christi custódiat ánimam meam in vitam ætérnam” e “Sanguis...” também se fixaram na Idade Média, e o Missal de 1570 as consolidou.

O que significa

O centurião de Cafarnaum pediu a Jesus a cura de seu servo e, quando o Senhor se ofereceu para ir à sua casa, respondeu: “Senhor, não sou digno de que entreis em minha casa; mas dizei uma só palavra e meu servo será curado”. A Igreja dá a essas palavras um uso novo, com uma só mudança: no lugar do “servo” (puer meus) diz-se “minha alma”. O comungante é, ao mesmo tempo, o centurião e o servo doente. As batidas no peito, repetidas três vezes, sublinham a humildade; os versículos dos Salmos 115 e 17 acrescentam o agradecimento e a promessa de louvor: “Que retribuirei ao Senhor?”

Rubricas

Para a formação: o sacerdote faz genuflexão, levanta-se e diz “Panem cæléstem accípiam, et nomen Dómini invocábo”. Inclinado, toma as duas metades da Hóstia entre o polegar e o indicador da mão esquerda, sustentando a patena com os dedos indicador e médio, e, batendo no peito com a mão direita, diz três vezes, elevando um pouco a voz, “Dómine, non sum dignus”, e em silêncio a sequência “ut intres sub tectum meum...”. Então, fazendo sobre a patena um sinal da cruz com a Hóstia, diz “Corpus Dómini nostri Jesu Christi custódiat ánimam meam in vitam ætérnam. Amen”, e recebe reverentemente as duas partes. Com as mãos juntas, permanece em recolhimento. Depois, descobre o cálice, faz genuflexão, recolhe os fragmentos com a patena, que limpa sobre o cálice, e diz “Quid retríbuam Dómino”. Toma o cálice com a mão direita, faz com ele um sinal da cruz, diz “Sanguis Dómini nostri Jesu Christi custódiat ánimam meam in vitam ætérnam. Amen” e bebe todo o Sangue com a partícula.

Na Missa solene

Na Missa solene, os mesmos gestos são feitos pelo celebrante; o diácono e o subdiácono, que estão ao seu lado, genuflectem com ele e comungam em seguida, se for o caso. O canto da antífona da Comunhão (ver Antífona da Comunhão) cobre o tempo da Comunhão dos fiéis.

Fontes

  1. Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
  2. Missale Romanum 1962, Ritus servandus in celebratione Missae, tit. X–XII (Pai-Nosso, Comunhão, fim da Missa)
  3. João XXIII, motu proprio Rubricarum instructum, 25 de julho de 1960, com o Código de Rubricas (AAS 52, 1960, pp. 593–740; nn. 502–511 e 517–522 para a Comunhão e o fim da Missa)
  4. J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia: eine genetische Erklärung der römischen Messe, 1948 (5.ª ed. 1962); trad. ing. The Mass of the Roman Rite, 1951–1955
  5. A. Fortescue, The Mass: A Study of the Roman Liturgy, 1912
  6. Evangelho segundo São Mateus 8, 5-13 (o centurião) e Salmo 115 (116 hebr.), 12-13, e Salmo 17 (18 hebr.), 4, na Vulgata