Cordeiro de Deus
Agnus Dei
Invocação a Cristo como Cordeiro de Deus, que nasceu para acompanhar a fração do pão: três invocações que pedem misericórdia e paz (e, nos Requiem, repouso eterno aos defuntos).
O texto
O sacerdote, inclinado diante do Sacramento, de mãos juntas, bate três vezes no peito e diz em voz inteligível (ou o coro canta):
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: miserére nobis.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: tende piedade de nós.
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: miserére nobis.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: tende piedade de nós.
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: dona nobis pacem.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: dai-nos a paz.
Nas Missas de Requiem, sem bater no peito, diz em vez de “miserére nobis” e “dona nobis pacem”:
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: dona eis réquiem.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: dai-lhes o repouso.
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: dona eis réquiem.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: dai-lhes o repouso.
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: dona eis réquiem sempitérnam.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: dai-lhes o repouso eterno.
Explicação

O que é
O Agnus Dei é uma ladainha de três invocações, dirigida a Cristo com o título que São João Batista lhe deu à beira do Jordão: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29). No rito romano é cantado pelo coro na Missa solene e cantada, e dito pelo sacerdote em voz inteligível nas rezadas. As duas primeiras invocações terminam em “miserére nobis” — “tende piedade de nós” — e a terceira em “dona nobis pacem” — “dai-nos a paz”.
De onde vem
O Liber Pontificalis atribui ao Papa Sérgio I (687–701), de origem síria, a disposição de que o Agnus Dei fosse cantado pelo clero e pelo povo durante a fração. Isso não significa necessariamente que Sérgio tenha composto o texto: é provável que ele tenha regulado, em Roma, um canto que acompanhava a fração do pão e de que existiam antecedentes no Oriente. Nas fontes mais antigas, a invocação repetia-se enquanto durasse a fração, e só mais tarde, quando a fração se reduziu a um gesto breve, ficou fixada em três vezes. A terceira, com “dona nobis pacem”, e a forma de Requiem (“dona eis réquiem”) são adições medievais; os estudiosos não concordam quanto à data exata dessas mudanças.
O que significa
O Agnus Dei resume o sentido do Sacrifício: o Cordeiro imolado e vitorioso do Apocalipse (Ap 5, 6-12) está presente no altar. Pede-se a ele a misericórdia sobre quem vai comungar, e a paz que é o dom do Ressuscitado. A inclinação e as batidas no peito do sacerdote combinam a adoração com a penitência: quem vai receber o Senhor reconhece-se pecador. Para o fiel, é o momento de despertar o desejo de comungar, ao menos espiritualmente, se não comunga sacramentalmente.
Rubricas
Para a formação: o sacerdote, de mãos juntas e inclinado diante do Sacramento, diz o Agnus Dei em voz inteligível, batendo no peito três vezes, nas últimas palavras de cada invocação (“miserére nobis”, “dona nobis pacem”). Nas Missas de Requiem, o Missal de 1962 manda dizer “dona eis réquiem” nas duas primeiras invocações e “dona eis réquiem sempitérnam” na terceira, e nelas o sacerdote não bate no peito. Na Missa vespertina da Ceia do Senhor (Quinta-feira Santa), segundo o Missal da Semana Santa reformada, as três invocações terminam em “miserére nobis”. A Instrução de 1958 (n. 31) inclui o Agnus Dei entre as partes do Ordinário que, no terceiro grau de participação, a assembleia pode dizer em voz alta com o sacerdote nas Missas rezadas; e, nas Missas cantadas, o povo pode cantá-lo (n. 25).
Na Missa solene
O coro canta o Agnus Dei enquanto o celebrante o reza em voz baixa, e o subdiácono o diz com ele; o celebrante bate no peito ao fim de cada invocação (Ritus servandus, tit. X). O rito da paz e as orações particulares do sacerdote vêm em seguida: Orações antes da Comunhão.
Fontes
- Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
- Missale Romanum 1962, Ritus servandus in celebratione Missae, tit. X–XII (Pai-Nosso, Comunhão, fim da Missa)
- Sagrada Congregação dos Ritos, Instrução De musica sacra et sacra liturgia, 3 de setembro de 1958 (AAS 50, 1958, pp. 630–663), nn. 25, 27, 31 e 32
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia: eine genetische Erklärung der römischen Messe, 1948 (5.ª ed. 1962); trad. ing. The Mass of the Roman Rite, 1951–1955
- Liber Pontificalis, vida de Sérgio I, ed. L. Duchesne, t. I