Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Cordeiro de Deus

Agnus Dei

Invocação a Cristo como Cordeiro de Deus, que nasceu para acompanhar a fração do pão: três invocações que pedem misericórdia e paz (e, nos Requiem, repouso eterno aos defuntos).

Parte de
Comunhão · Rito da Comunhão
Origem
séc. VII · Patrístico romanoIntroduzido na Missa romana pelo Papa Sérgio I (687–701), segundo o Liber Pontificalis
Quem
O coro (ou o povo) e, em silêncio, o sacerdote · Voz alta (vox clara)
Texto
Ordinário: o mesmo em toda Missa
Os fiéis
Missa rezada: De joelhos, por costume; o sacerdote, inclinado, bate no peito ao fim de cada invocação. Na Missa dialogada, os fiéis podem dizer o *Agnus Dei* com o sacerdote.Missa cantada e solene: De joelhos ou em pé, conforme o costume; o coro canta o *Agnus Dei* enquanto o sacerdote o reza também em voz baixa. Em Missa de Requiem, a invocação muda.

O texto

O sacerdote, inclinado diante do Sacramento, de mãos juntas, bate três vezes no peito e diz em voz inteligível (ou o coro canta):

S.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: miserére nobis.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: tende piedade de nós.

S.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: miserére nobis.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: tende piedade de nós.

S.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: dona nobis pacem.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: dai-nos a paz.

Nas Missas de Requiem, sem bater no peito, diz em vez de “miserére nobis” e “dona nobis pacem”:

S.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: dona eis réquiem.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: dai-lhes o repouso.

S.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: dona eis réquiem.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: dai-lhes o repouso.

S.

Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: dona eis réquiem sempitérnam.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: dai-lhes o repouso eterno.

Explicação

Cálice dourado de nó lavrado e patena, sobre uma superfície espelhada contra fundo claro; a patena está apoiada atrás do cálice e os reflexos dos dois aparecem embaixo.
Cálice e patena do antigo leprosário de Seili (Finlândia), feitos em Turku entre 1443 e 1480. Turun museokeskus · CC BY-SA 4.0

O que é

O Agnus Dei é uma ladainha de três invocações, dirigida a Cristo com o título que São João Batista lhe deu à beira do Jordão: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29). No rito romano é cantado pelo coro na Missa solene e cantada, e dito pelo sacerdote em voz inteligível nas rezadas. As duas primeiras invocações terminam em “miserére nobis” — “tende piedade de nós” — e a terceira em “dona nobis pacem” — “dai-nos a paz”.

De onde vem

O Liber Pontificalis atribui ao Papa Sérgio I (687–701), de origem síria, a disposição de que o Agnus Dei fosse cantado pelo clero e pelo povo durante a fração. Isso não significa necessariamente que Sérgio tenha composto o texto: é provável que ele tenha regulado, em Roma, um canto que acompanhava a fração do pão e de que existiam antecedentes no Oriente. Nas fontes mais antigas, a invocação repetia-se enquanto durasse a fração, e só mais tarde, quando a fração se reduziu a um gesto breve, ficou fixada em três vezes. A terceira, com “dona nobis pacem”, e a forma de Requiem (“dona eis réquiem”) são adições medievais; os estudiosos não concordam quanto à data exata dessas mudanças.

O que significa

O Agnus Dei resume o sentido do Sacrifício: o Cordeiro imolado e vitorioso do Apocalipse (Ap 5, 6-12) está presente no altar. Pede-se a ele a misericórdia sobre quem vai comungar, e a paz que é o dom do Ressuscitado. A inclinação e as batidas no peito do sacerdote combinam a adoração com a penitência: quem vai receber o Senhor reconhece-se pecador. Para o fiel, é o momento de despertar o desejo de comungar, ao menos espiritualmente, se não comunga sacramentalmente.

Rubricas

Para a formação: o sacerdote, de mãos juntas e inclinado diante do Sacramento, diz o Agnus Dei em voz inteligível, batendo no peito três vezes, nas últimas palavras de cada invocação (“miserére nobis”, “dona nobis pacem”). Nas Missas de Requiem, o Missal de 1962 manda dizer “dona eis réquiem” nas duas primeiras invocações e “dona eis réquiem sempitérnam” na terceira, e nelas o sacerdote não bate no peito. Na Missa vespertina da Ceia do Senhor (Quinta-feira Santa), segundo o Missal da Semana Santa reformada, as três invocações terminam em “miserére nobis”. A Instrução de 1958 (n. 31) inclui o Agnus Dei entre as partes do Ordinário que, no terceiro grau de participação, a assembleia pode dizer em voz alta com o sacerdote nas Missas rezadas; e, nas Missas cantadas, o povo pode cantá-lo (n. 25).

Na Missa solene

O coro canta o Agnus Dei enquanto o celebrante o reza em voz baixa, e o subdiácono o diz com ele; o celebrante bate no peito ao fim de cada invocação (Ritus servandus, tit. X). O rito da paz e as orações particulares do sacerdote vêm em seguida: Orações antes da Comunhão.

Fontes

  1. Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
  2. Missale Romanum 1962, Ritus servandus in celebratione Missae, tit. X–XII (Pai-Nosso, Comunhão, fim da Missa)
  3. Sagrada Congregação dos Ritos, Instrução De musica sacra et sacra liturgia, 3 de setembro de 1958 (AAS 50, 1958, pp. 630–663), nn. 25, 27, 31 e 32
  4. J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia: eine genetische Erklärung der römischen Messe, 1948 (5.ª ed. 1962); trad. ing. The Mass of the Roman Rite, 1951–1955
  5. Liber Pontificalis, vida de Sérgio I, ed. L. Duchesne, t. I