Orações leoninas (depois da Missa rezada)
Preces post Missam (Orationes Leonis XIII)
Orações que, até 1964, se rezavam de joelhos ao fim da Missa rezada: três Ave-Marias, a Salve Rainha, uma oração pela Igreja, a oração a São Miguel e uma invocação ao Sagrado Coração. Em algumas comunidades tradicionais ainda se rezam.
O texto
Depois do Último Evangelho, o sacerdote ajoelha-se ao pé do altar e diz, com os fiéis, três vezes (as respostas são de todos):
Ave María, grátia plena, Dóminus tecum, benedícta tu in muliéribus et benedíctus fructus ventris tui, Jesus.
Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Sancta María, Mater Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.
Ave María, grátia plena, Dóminus tecum, benedícta tu in muliéribus et benedíctus fructus ventris tui, Jesus.
Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Sancta María, Mater Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.
Ave María, grátia plena, Dóminus tecum, benedícta tu in muliéribus et benedíctus fructus ventris tui, Jesus.
Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Sancta María, Mater Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.
Salve Rainha (os fiéis a rezam com o sacerdote):
Salve Regína, Mater misericórdiæ, vita, dulcédo, et spes nostra, salve. Ad te clamámus, éxsules fílii Evæ. Ad te suspirámus geméntes et flentes in hac lacrymárum valle. Eia ergo, Advocáta nostra, illos tuos misericórdes óculos ad nos convérte. Et Jesum, benedíctum fructum ventris tui, nobis, post hoc exílium, osténde. O clemens, o pia, o dulcis Virgo Mária.
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, nossa vida, nossa doçura e nossa esperança, salve. A vós bradamos, exilados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, nossa advogada, volvei para nós esses vossos olhos misericordiosos. E, depois deste exílio, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.
℣.Ora pro nobis, sancta Dei Génitrix.
Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
℟.Ut digni efficiámur promissiónibus Christi.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Orémus. Deus, refúgium nostrum et virtus, pópulum ad te clamántem propítius réspice; et intercedénte gloriósa, et immaculáta Vírgine Dei Genitríce María, cum beáto Joseph, ejus Sponso, ac beatis Apóstolis tuis Petro et Paulo, et ómnibus Sanctis, quas pro conversióne peccatórum, pro libertáte et exaltatióne sanctæ Matris Ecclésiæ, preces effúndimus, miséricors et benígnus exáudi. Per eúndem Christum Dóminum nostrum. Amen.
Oremos. Ó Deus, nosso refúgio e nossa força, olhai propício o povo que clama a vós; e, pela intercessão da gloriosa e imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, do bem-aventurado José, seu Esposo, dos vossos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo e de todos os santos, ouvi, misericordioso e bom, as preces que vos dirigimos pela conversão dos pecadores, pela liberdade e exaltação da santa Mãe Igreja. Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor. Amém.
Oração a São Miguel Arcanjo:
Sancte Míchaël Archángele, defénde nos in prǽlio; contra nequítiam et insídias diáboli esto præsídium. Imperet illi Deus, súpplices deprecámur: tuque, Princeps milítiæ Cæléstis, sátanam aliósque spíritus malígnos, qui ad perditiónem animárum pervagántur in mundo, divína virtúte in inférnum detrúde. Amen.
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate; sede o nosso amparo contra a maldade e as ciladas do demônio. Que Deus o repreenda, suplicamos; e vós, Príncipe da milícia celeste, pelo poder divino, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas. Amém.
Invocação facultativa ao Sagrado Coração, repetida três vezes:
Cor Jesu sacratíssimum.
Sacratíssimo Coração de Jesus,
Miserére nobis.
tende piedade de nós.
Cor Jesu sacratíssimum.
Sacratíssimo Coração de Jesus,
Miserére nobis.
tende piedade de nós.
Cor Jesu sacratíssimum.
Sacratíssimo Coração de Jesus,
Miserére nobis.
tende piedade de nós.
Explicação
O que é
Chamam-se orações leoninas as que, depois da Missa rezada (e somente dela), o sacerdote e os fiéis rezavam juntos, de joelhos, ao pé do altar: três Ave-Marias, a Salve Rainha com seu versículo, a oração “Deus, refúgium nostrum et virtus”, a oração a São Miguel Arcanjo e, por último, uma tríplice invocação ao Sagrado Coração de Jesus. Não fazem parte da Missa propriamente dita: são uma devoção que se acrescentava a ela. O nome vem do Papa Leão XIII, que as estendeu à Igreja inteira.
De onde vem
- 1859
Origem nos Estados Pontifícios
Depois da encíclica Qui nuper (18 de junho de 1859), diante da crise dos Estados Pontifícios, passa-se a rezar nesses domínios Ave-Marias, a Salve Rainha e uma oração depois da Missa, em favor do poder temporal do Papa. (Dado tomado de obras de síntese, sem conferência em fonte primária.)
- 6 de janeiro de 1884
Leão XIII estende a toda a Igreja
Pelo decreto Iam inde ab anno, da Sagrada Congregação dos Ritos (Acta Sanctae Sedis 16, 1884, pp. 239–240), manda-se rezar as preces depois de toda Missa rezada, pela “independência da Santa Sé”.
- 1886
Nova oração e São Miguel
A oração depois da Salve Rainha passa a pedir pela conversão dos pecadores e pela “liberdade e exaltação da santa Mãe Igreja”, e se acrescenta a oração a São Miguel Arcanjo.
- 1904
Invocação ao Sagrado Coração
São Pio X permite acrescentar a tríplice invocação “Cor Jesu sacratíssimum, miserére nobis”, que se tornou geral.
- 1929–1930
Questão Romana e intenção pela Rússia
Com os Pactos de Latrão (1929), cai o motivo original; em 30 de junho de 1930, na alocução Indictam ante (AAS 22, 1930, p. 301), Pio XI manda rezá-las pela tranquilidade e pela liberdade da fé do povo da Rússia.
- 1964
Supressão
A Instrução Inter Oecumenici (26 de setembro de 1964, n. 48) suprime as orações leoninas e o Último Evangelho; entra em vigor em 7 de março de 1965.
O que significa
As orações leoninas nasceram de uma circunstância histórica — a perda dos Estados Pontifícios (1870) e a chamada Questão Romana — e se transformaram, com o tempo, em oração pela Igreja e pelos pecadores. Assim, o sentido nunca foi puramente político: pede-se a intercessão de Maria, a proteção de São Miguel contra as ciladas do demônio e a misericórdia do Coração de Jesus. Para muitos fiéis, é um momento de ação de graças e de oração simples, comum a todos, depois de uma Missa silenciosa.
Rubricas e situação atual
Para a formação: concluído o Último Evangelho, o sacerdote deixa o missal e ajoelha-se ao pé do altar (no degrau mais baixo), com o acólito, e começa as preces em voz alta, com os fiéis respondendo. Rezam-se três Ave-Marias, a Salve Rainha com o versículo e a resposta, a oração “Deus, refúgium nostrum” (precedida de “Orémus”), a oração a São Miguel e, de forma facultativa, a invocação ao Sagrado Coração, três vezes. Em seguida, o sacerdote volta à sacristia. Não se rezam depois da Missa cantada ou solene. Segundo os rubricistas (J. B. O’Connell, The Celebration of Mass), podiam também ser omitidas depois de uma Missa rezada de caráter especialmente solene (ordenação, exéquias, Missa nupcial, Missa da Quarta-feira de Cinzas) ou quando se segue logo outra função, como a Bênção do Santíssimo. A sua supressão pertence à reforma posterior: estavam em vigor quando o Missal de 1962 foi promulgado e só foram suprimidas pela Instrução de 1964; por isso algumas comunidades tradicionais as mantêm por costume. Pergunte ao celebrante se ele as reza.
Fontes
- Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
- Pio IX, encíclica Qui nuper, 18 de junho de 1859 (contexto das preces nos Estados Pontifícios)
- Sagrada Congregação dos Ritos (Leão XIII), decreto Iam inde ab anno, 6 de janeiro de 1884 (Acta Sanctae Sedis 16, 1884, pp. 239–240)
- J. B. O’Connell, The Celebration of Mass, vol. I, sobre os casos em que as preces podiam ser omitidas
- Pio XI, alocução Indictam ante, 30 de junho de 1930 (AAS 22, 1930, p. 301)
- Sagrada Congregação dos Ritos, Instrução Inter Oecumenici, 26 de setembro de 1964, n. 48