Antífona do Ofertório
Offertorium
Depois do Credo, o sacerdote saúda o povo e convida à oração; a schola canta então um texto breve, em geral de um salmo, enquanto o altar é preparado para o sacrifício.
O que é e de onde vem

O que é
Terminado o Credo (ou, nos dias sem Credo, o Evangelho e o sermão), o sacerdote beija o altar, volta-se para o povo e diz Dóminus vobíscum, a que se responde Et cum spíritu tuo. Em seguida diz Orémus — “oremos” — inclinando a cabeça à cruz, e começa o Ofertório. É o momento em que a Missa passa da Missa dos Catecúmenos, de leituras e instrução, à Missa dos Fiéis: tudo o que vem agora se ordena à oferta, à Consagração e à Comunhão.
Enquanto o sacerdote prepara o pão e o vinho, a schola canta a antífona do Ofertório: um texto breve, quase sempre tirado dos Salmos, que muda a cada Missa. É uma parte própria, isto é, variável com o dia, como o Intróito e a Comunhão; ela dá voz ao tema da celebração. Na Missa rezada, o sacerdote a lê em voz média, sem canto, depois do Orémus.
De onde vem
O canto acompanhava um gesto concreto: a procissão em que os fiéis levavam ao altar o pão e o vinho. São Justino, escrevendo em Roma por volta de 155, descreve a Missa do seu tempo: depois das leituras e da oração comum, traz-se pão e uma taça de vinho com água àquele que preside (Primeira Apologia, 65–67). A Tradição Apostólica, atribuída a Hipólito de Roma (início do séc. III; a datação é debatida), menciona os diáconos que apresentam as oferendas ao bispo. Em Cartago, por volta de 400, Santo Agostinho defende o costume de cantar hinos tirados do Saltério junto ao altar, antes da oferta e durante a distribuição da comunhão (Retractationes II, 11, a respeito do seu livro contra Hilário): é o testemunho mais antigo de um canto de ofertório no Ocidente que conhecemos.
Em Roma, o Ordo Romanus I (descrição da Missa papal, dos séc. VII–VIII) mostra a procissão ainda viva: o papa e seus ministros recebem os pães e as ampolas de vinho trazidos pelos fiéis, e os cantores prolongam o ofertório, com seus versos, até que o papa faça sinal para terminar. Os versos foram sendo abreviados à medida que a procissão desaparecia: segundo Jungmann, a oferta de pão e vinho pelo povo foi substituída aos poucos por dádivas em dinheiro e em espécie, e o pão da Missa passou a ser preparado pela própria igreja. No Missal de 1962 resta de fato apenas a antífona, com uma exceção: a Missa de Defuntos conserva um verso (Dómine Jesu Christe, Rex glóriæ, com o verso Hóstias et preces). A Instrução de 1958 De musica sacra (n. 27 b) permite, na Missa cantada, restaurar os antigos versos do ofertório, ou cantar outros versículos do mesmo salmo.
O que significa
A antífona não explica o rito; ela o ambienta. No Advento, canta a confiança de quem espera; no tempo pascal, a alegria; nas festas de santos, o louvor de Deus em seus amigos. Para o iniciante vale uma regra simples: o canto diz com que espírito se oferece. A reflexão sobre o que se oferece vem nas orações do sacerdote, que as partes seguintes explicam uma a uma, a começar pela oferta da hóstia.
Rubricas
O Dóminus vobíscum vem logo depois do Credo; nos dias sem Credo, depois do Evangelho (ou do sermão, se houver). Segundo o Ritus servandus (VII, 1–2): o sacerdote beija o altar ao centro e, voltando-se ao povo, de mãos juntas diante do peito, estende e junta as mãos e diz Dóminus vobíscum; volta-se de novo ao altar, estende e junta as mãos, inclina a cabeça à cruz e diz Orémus. Lê então a antífona do Ofertório, de mãos juntas, e logo descobre o cálice, coloca-o para o lado da Epístola, tira com a mão direita a pala que cobre a hóstia e toma a patena com a hóstia para fazer a oferta. A Secreta e o prefácio ainda estão por vir.
Na Missa solene
Na Missa solene o ofertório tem tempo para se desenvolver. Terminado o Orémus, o diácono e o subdiácono sobem ao altar; o diácono entrega ao celebrante a patena com a hóstia, e a schola canta a antífona, a que a tradição polifônica acrescentou muitas peças breves (motetos). Quando há incensação das oferendas, a música ocupa também esse tempo. Segundo a Instrução de 1958 (De musica sacra, n. 27 b), depois da antífona podem cantar-se os antigos versos do ofertório, versículos adicionais do mesmo salmo ou outro canto latino adequado ao espírito desta parte, mas o canto não deve prolongar-se além da Secreta (veja O latim e o canto).
Exemplo: o Ofertório do 1º Domingo do Advento
Como exemplo, a antífona do 1º Domingo do Advento (Salmo 24, 1–3 na numeração da Vulgata; 25 nas Bíblias modernas). Seu texto é praticamente o do Intróito do dia, com uma diferença: o Ofertório, no Graduale Romanum, traz o vocativo Dómine (“Ad te, Dómine, levávi”), que o Intróito não tem.
℣.Dóminus vobíscum.
O Senhor esteja convosco.
℟.Et cum spíritu tuo.
E com o teu espírito.
Orémus.
Oremos.
Ad te, Dómine, levávi ánimam meam: Deus meus, in te confído, non erubéscam: neque irrídeant me inimíci mei: étenim univérsi, qui te exspéctant, non confundéntur.
A vós, Senhor, levantei a minha alma; meu Deus, em vós confio: não seja eu envergonhado, nem riam de mim os meus inimigos; pois todos os que em vós esperam não serão confundidos.
Fontes
- Missale Romanum, ed. typica 1962: Ordo Missae e Proprium de Tempore
- Graduale Romanum, Dominica I Adventus (Offertorium)
- Divinum Officium: Ordo Missae (texto latino)
- Sagrada Congregação dos Ritos, Instrução De musica sacra et sacra liturgia (3 de setembro de 1958), n. 27 b
- São Justino, Primeira Apologia, 65–67
- Santo Agostinho, Retractationes II, 11
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia (The Mass of the Roman Rite), vol. II, parte sobre o Ofertório