Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Purificação e abluções

Ablutiones

O sacerdote purifica o cálice e os dedos com vinho e água e os consome, para que nada do Sacramento seja perdido; duas breves orações pedem que o dom recebido produza fruto eterno.

Parte de
Comunhão · Rito da Comunhão
Origem
séc. XI · Síntese franco-romanaCuidado com o Sacramento atestado desde a Antiguidade; as duas orações atuais são medievais (c. séc. XI)
Quem
O sacerdote, com a ajuda do ministro · Em silêncio (secreto)
Texto
Ordinário: o mesmo em toda Missa
Os fiéis
Missa rezada: De joelhos ou sentados, conforme o costume do lugar; é um momento de ação de graças silenciosa.Missa cantada e solene: Sentados ou de joelhos, conforme o costume; em silêncio de ação de graças ou, quando for o caso, durante o canto da Comunhão.

O texto

Concluída a Comunhão, o sacerdote diz em silêncio, enquanto o ministro derrama um pouco de vinho no cálice, que ele estende:

S.

Quod ore súmpsimus, Dómine, pura mente capiámus: et de múnere temporáli fiat nobis remédium sempitérnum.

Aquilo que tomamos pela boca, Senhor, recebamos com mente pura; e do dom temporal nos advenha remédio eterno.

O sacerdote bebe o vinho do cálice. Depois, com os dedos sobre o cálice, o ministro derrama vinho e água, e o sacerdote diz:

S.

Corpus tuum, Dómine, quod sumpsi, et Sanguis, quem potávi, adhǽreat viscéribus meis: et præsta; ut in me non remáneat scélerum mácula, quem pura et sancta refecérunt sacraménta: Qui vivis et regnas in sǽcula sæculórum. Amen.

Que o vosso Corpo, Senhor, que recebi, e o Sangue que bebi, se unam às minhas entranhas; e concedei que não permaneça em mim mancha de pecados, a mim, que estes sacramentos puros e santos reconfortaram; Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.

Lava e enxuga os dedos, bebe a ablução, enxuga a boca e o cálice, dobra o corporal e cobre o cálice, colocando-o no altar como antes. Em seguida, passa ao lado da Epístola para a antífona da Comunhão.

Explicação

Cálice dourado de nó lavrado e patena, sobre uma superfície espelhada contra fundo claro; a patena está apoiada atrás do cálice e os reflexos dos dois aparecem embaixo.
Cálice e patena do antigo leprosário de Seili (Finlândia), feitos em Turku entre 1443 e 1480. Turun museokeskus · CC BY-SA 4.0

O que é

Depois da Comunhão, o sacerdote purifica o cálice e os dedos que tocaram a Sagrada Hóstia. O ministro derrama um pouco de vinho no cálice, e o sacerdote o bebe; depois, sobre o cálice, derrama-se vinho e água sobre o polegar e o indicador, que ele purifica e então bebe a ablução. Enquanto isso, reza duas orações breves. O cuidado dos antigos com as migalhas e com o menor resto do Sacramento se explica pela fé na presença real em cada fragmento.

De onde vem

A preocupação de não perder nada do Sacramento é antiga: já na Antiguidade se consumiam reverentemente as partículas que sobravam. A ablução com vinho e água, feita pelo próprio sacerdote logo após a Comunhão, é de origem medieval e se fixou com o tempo; as duas orações que a acompanham, “Quod ore súmpsimus” e “Corpus tuum, Dómine, quod sumpsi”, aparecem em manuscritos medievais, com variações de redação. Os estudiosos discutem a origem exata das fórmulas, e é prudente falar apenas de sua origem medieval; o século XI indicado neste site é uma aproximação.

O que significa

A primeira oração, “Quod ore súmpsimus, Dómine, pura mente capiámus”, lembra que o que recebemos “pela boca” deve ser recebido “com mente pura”: o dom recebido no tempo (o Sacramento) deve tornar-se “remédio eterno”. A segunda pede que o Corpo e o Sangue “adiram às minhas entranhas” e que nenhuma mancha de pecado permaneça naquele que foi reconfortado por sacramentos puros e santos. São palavras que se aplicam também ao fiel após a Comunhão: o fruto não vem automaticamente, é preciso conservá-lo.

Rubricas

Para a formação: se houver fiéis, o sacerdote os comunga antes de se purificar (ver Comunhão dos fiéis). Em seguida, diz “Quod ore súmpsimus” enquanto estende o cálice ao ministro, que nele derrama um pouco de vinho; o sacerdote o bebe. Depois, com os dedos polegar e indicador sobre o cálice, o ministro derrama vinho e água, e o sacerdote diz “Corpus tuum, Dómine”. Purifica e enxuga os dedos, bebe a ablução, limpa a boca e o cálice com o sanguíneo, dobra o corporal e cobre o cálice, que coloca no altar como estava. O Missal manda continuar a Missa; o sacerdote passa ao lado da Epístola para ler a antífona da Comunhão.

Na Missa solene

Na Missa solene, o subdiácono serve o vinho e a água das abluções e, depois que o celebrante se purifica, limpa o cálice, cobre-o e o leva à credência (ou o deixa sobre o altar), enquanto o diácono transporta o missal para o lado da Epístola. Para o vocabulário dos objetos sagrados, veja O altar, os paramentos e os ministros. O rito segue com a Antífona da Comunhão.

Fontes

  1. Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
  2. Missale Romanum 1962, Ritus servandus in celebratione Missae, tit. X–XII (Pai-Nosso, Comunhão, fim da Missa)
  3. J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia: eine genetische Erklärung der römischen Messe, 1948 (5.ª ed. 1962); trad. ing. The Mass of the Roman Rite, 1951–1955
  4. Ordo Romanus I (c. 700), ed. M. Andrieu, Les Ordines Romani du haut Moyen Âge, t. II