Memento dos defuntos
Commemoratio pro defunctis
O sacerdote reza pelos que morreram na fé e “dormem o sono da paz”, e pede para eles refrigério, luz e paz.
O texto
Com as mãos estendidas, diz:
Meménto étiam, Dómine, famulórum famularúmque tuárum N. et N., qui nos præcessérunt cum signo fídei, et dórmiunt in somno pacis.
Lembrai-vos também, Senhor, dos vossos servos e servas N. e N., que nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz.
Junta as mãos e reza por alguns instantes pelos defuntos por quem deseja orar; depois, estendendo as mãos, prossegue:
Ipsis, Dómine, et ómnibus in Christo quiescéntibus locum refrigérii, lucis, et pacis, ut indúlgeas, deprecámur.
A eles, Senhor, e a todos os que repousam em Cristo, rogamos-vos que concedais o lugar do refrigério, da luz e da paz.
Junta as mãos e inclina a cabeça:
Per eúndem Christum, Dóminum nostrum. Amen.
Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor. Amém.
Explicação
O que é
Do mesmo modo que lembra os vivos antes da consagração, a Igreja lembra os mortos depois dela. O sacerdote pede por todos os que nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz, nomeia em silêncio aqueles por quem quer rezar (N. et N.) e conclui pedindo, para eles e para todos os que repousam em Cristo, locum refrigérii, lucis et pacis, um lugar de refrigério, de luz e de paz. A Igreja ensina, desde a Antiguidade, que a Missa aproveita aos defuntos, e o Concílio de Trento (Sessão XXII, cap. 2) ensina que o sacrifício é oferecido também pelos defuntos em Cristo ainda não plenamente purificados.
De onde vem
A origem exata desta oração é discutida. A Enciclopédia Católica nota que ela falta no Cânon do sacramentário gelasiano (edição Wilson), e que Meménto étiam, “lembrai-vos também”, pressupõe uma comemoração anterior: faria mais sentido se o Meménto dos vivos viesse logo antes, como nas liturgias orientais. Segundo a hipótese de Drews, a lembrança dos defuntos estaria originalmente ligada à segunda parte do Hanc igitur, e esta oração seria posterior. O que se sabe é que, no tempo de São Gregório Magno, já estava onde hoje a rezamos, depois do Súpplices. A comemoração dos defuntos, em si, é muito mais antiga: Tertuliano (c. 210) já fala de oferecer o sacrifício pelos defuntos no aniversário da morte.
O que significa
Cada palavra tem sabor de catacumba. Dórmiunt in somno pacis, “dormem o sono da paz”, ecoa as fórmulas funerárias dos primeiros cristãos (dormit in pace); cum signo fídei, “com o sinal da fé”, costuma ser entendido como alusão ao selo do batismo; e refrigérium, lux, pax — o “refrigério”, a luz e a paz — são bens que as inscrições antigas pedem com frequência para os mortos. A morte é um sono porque a ressurreição é certa; a oração é um ato de caridade e de esperança.
Rubricas
Depois de N. et N., o sacerdote junta as mãos e reza um pouco pelos defuntos que quer encomendar; depois estende as mãos e prossegue. Ao final, junta as mãos e inclina a cabeça em Per eúndem Christum, Dóminum nostrum. Amen: nos outros fechos do Cânon apenas se juntam as mãos, e a Enciclopédia Católica diz que não se achou explicação satisfatória para esta exceção (Bento XIV cita uma razão mística: Cristo inclinou a cabeça ao morrer). A rubrica já consta do Missal de São Pio V. Não há outros gestos.
Fontes
- Divinum Officium, Ordo Missae (Missale Romanum 1962, rubricas de 1960)
- Ritus servandus in celebratione Missae (Missale Romanum 1962), tít. VIII–IX; tradução inglesa não oficial
- Catholic Encyclopedia (1908), “Canon of the Mass”
- Concílio de Trento, Sessão XXII (17 de setembro de 1562), cap. 2
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948; ed. inglesa The Mass of the Roman Rite, 1951–1955), vol. II