Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Memento dos defuntos

Commemoratio pro defunctis

O sacerdote reza pelos que morreram na fé e “dormem o sono da paz”, e pede para eles refrigério, luz e paz.

Parte de
Cânon Romano · Cânon Romano
Origem
séc. VI · Patrístico romanoJá presente na época de São Gregório Magno (590–604); falta no sacramentário gelasiano, o que sugere inserção posterior à forma mais antiga do Cânon
Quem
O sacerdote, de mãos juntas e depois estendidas · Em silêncio (secreto)
Texto
Ordinário: o mesmo em toda Missa
Os fiéis
Missa rezada: De joelhos, em silêncio; é o momento de encomendar a Deus os parentes e amigos falecidos.Missa cantada e solene: De joelhos. O celebrante reza em voz baixa; não se leem nomes.

O texto

Com as mãos estendidas, diz:

S.

Meménto étiam, Dómine, famulórum famularúmque tuárum N. et N., qui nos præcessérunt cum signo fídei, et dórmiunt in somno pacis.

Lembrai-vos também, Senhor, dos vossos servos e servas N. e N., que nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz.

Junta as mãos e reza por alguns instantes pelos defuntos por quem deseja orar; depois, estendendo as mãos, prossegue:

S.

Ipsis, Dómine, et ómnibus in Christo quiescéntibus locum refrigérii, lucis, et pacis, ut indúlgeas, deprecámur.

A eles, Senhor, e a todos os que repousam em Cristo, rogamos-vos que concedais o lugar do refrigério, da luz e da paz.

Junta as mãos e inclina a cabeça:

S.

Per eúndem Christum, Dóminum nostrum. Amen.

Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor. Amém.

Explicação

O que é

Do mesmo modo que lembra os vivos antes da consagração, a Igreja lembra os mortos depois dela. O sacerdote pede por todos os que nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz, nomeia em silêncio aqueles por quem quer rezar (N. et N.) e conclui pedindo, para eles e para todos os que repousam em Cristo, locum refrigérii, lucis et pacis, um lugar de refrigério, de luz e de paz. A Igreja ensina, desde a Antiguidade, que a Missa aproveita aos defuntos, e o Concílio de Trento (Sessão XXII, cap. 2) ensina que o sacrifício é oferecido também pelos defuntos em Cristo ainda não plenamente purificados.

De onde vem

A origem exata desta oração é discutida. A Enciclopédia Católica nota que ela falta no Cânon do sacramentário gelasiano (edição Wilson), e que Meménto étiam, “lembrai-vos também”, pressupõe uma comemoração anterior: faria mais sentido se o Meménto dos vivos viesse logo antes, como nas liturgias orientais. Segundo a hipótese de Drews, a lembrança dos defuntos estaria originalmente ligada à segunda parte do Hanc igitur, e esta oração seria posterior. O que se sabe é que, no tempo de São Gregório Magno, já estava onde hoje a rezamos, depois do Súpplices. A comemoração dos defuntos, em si, é muito mais antiga: Tertuliano (c. 210) já fala de oferecer o sacrifício pelos defuntos no aniversário da morte.

O que significa

Cada palavra tem sabor de catacumba. Dórmiunt in somno pacis, “dormem o sono da paz”, ecoa as fórmulas funerárias dos primeiros cristãos (dormit in pace); cum signo fídei, “com o sinal da fé”, costuma ser entendido como alusão ao selo do batismo; e refrigérium, lux, pax — o “refrigério”, a luz e a paz — são bens que as inscrições antigas pedem com frequência para os mortos. A morte é um sono porque a ressurreição é certa; a oração é um ato de caridade e de esperança.

Rubricas

Depois de N. et N., o sacerdote junta as mãos e reza um pouco pelos defuntos que quer encomendar; depois estende as mãos e prossegue. Ao final, junta as mãos e inclina a cabeça em Per eúndem Christum, Dóminum nostrum. Amen: nos outros fechos do Cânon apenas se juntam as mãos, e a Enciclopédia Católica diz que não se achou explicação satisfatória para esta exceção (Bento XIV cita uma razão mística: Cristo inclinou a cabeça ao morrer). A rubrica já consta do Missal de São Pio V. Não há outros gestos.

Fontes

  1. Divinum Officium, Ordo Missae (Missale Romanum 1962, rubricas de 1960)
  2. Ritus servandus in celebratione Missae (Missale Romanum 1962), tít. VIII–IX; tradução inglesa não oficial
  3. Catholic Encyclopedia (1908), “Canon of the Mass”
  4. Concílio de Trento, Sessão XXII (17 de setembro de 1562), cap. 2
  5. J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948; ed. inglesa The Mass of the Roman Rite, 1951–1955), vol. II