Bênção final
Benedíctio
O sacerdote abençoa a assembleia em nome da Santíssima Trindade, traçando sobre ela o sinal da cruz. Não há bênção nas Missas de Requiem nem naquelas em que se diz “Benedicámus Dómino”.
O texto
O sacerdote beija o altar e, de olhos erguidos, estende, ergue e junta as mãos, inclinando a cabeça para a cruz. Diz:
Benedícat vos omnípotens Deus,
Que vos abençoe Deus todo-poderoso,
Voltando-se para o povo, abençoa-o uma só vez, também na Missa solene (o ministro ou o coro responde Amém):
Pater, et Fílius, ✠ et Spíritus Sanctus.
Pai, e Filho, ✠ e Espírito Santo.
℟.Amen.
Amém.
Nas Missas de Requiem e naquelas em que se diz “Benedicámus Dómino”, não se dá a bênção.
Explicação

O que é
A bênção final é a última ação do sacerdote ao altar antes do Último Evangelho. Beija o altar, levanta os olhos, estende, ergue e junta as mãos, inclina a cabeça para a cruz e diz “Benedícat vos omnípotens Deus”. Voltando-se para o povo, abençoa-o com um único sinal da cruz (também na Missa solene) dizendo “Pater, et Fílius, ✠ et Spíritus Sanctus”. O povo responde “Amen”. Assim o fruto do Sacrifício se derrama sobre os que dele participaram.
De onde vem
A Missa romana antiga terminava com a despedida, sem bênção; na liturgia de Roma a bênção do sacerdote ao povo ficou, por muito tempo, restrita aos bispos e ao Papa. A bênção do sacerdote ao fim da Missa difundiu-se aos poucos, em diversos lugares, a partir da alta Idade Média, e foi finalmente aceita nos missais romanos em torno dos séculos XI–XIII. O Missal de 1570 a fixou na forma que conhecemos. As datas exatas dessa evolução são discutidas pelos liturgistas, e o que se pode afirmar com segurança é que a bênção é posterior ao núcleo antigo da Missa.
O que significa
A bênção é o selo da Missa. O sacerdote, que ofereceu o Sacrifício pelo povo, derrama agora sobre o povo a graça que dele nasce, em nome da Trindade. Por isso o fiel faz o sinal da cruz e responde “Amen”: aceita a bênção e se compromete a vivê-la. A Igreja ensina que essa bênção é um sacramental, que pede a Deus os bens espirituais e materiais dos que a recebem.
Rubricas
Para a formação: o sacerdote, tendo dito “Pláceat tibi”, beija o altar e, de olhos erguidos, estende, eleva e junta as mãos, inclinando a cabeça para a cruz. Diz “Benedícat vos omnípotens Deus” e, voltando-se para o povo, diz “Pater, et Fílius, ✠ et Spíritus Sanctus”, traçando sobre ele um só sinal da cruz. Mesmo na Missa solene, o sacerdote abençoa uma só vez; o Pontifical prevê três bênçãos quando é o bispo quem celebra. Se celebra na presença do Papa, de um cardeal, de um legado pontifício ou do bispo em sua própria diocese, o sacerdote genuflete ou inclina a cabeça diante dele, como quem pede licença para abençoar, e traça o sinal da cruz do lado oposto (Ritus servandus, tit. XII, n. 3). Quando se disse “Requiéscant in pace” ou “Benedicámus Dómino”, não se dá a bênção (n. 508 do Código de 1960): dita a oração “Pláceat tibi”, o sacerdote beija o altar e passa ao Último Evangelho, se ele é devido.
Na Missa solene
Na Missa solene, o diácono e o subdiácono recebem a bênção como os demais, fazendo o sinal da cruz. Em seguida, o celebrante vai ao lado do Evangelho para ler o Último Evangelho. Veja também o resumo geral do rito em O rito, parte a parte.
Fontes
- Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
- Missale Romanum 1962, Ritus servandus in celebratione Missae, tit. X–XII (Pai-Nosso, Comunhão, fim da Missa)
- João XXIII, motu proprio Rubricarum instructum, 25 de julho de 1960, com o Código de Rubricas (AAS 52, 1960, pp. 593–740; nn. 502–511 e 517–522 para a Comunhão e o fim da Missa)
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia: eine genetische Erklärung der römischen Messe, 1948 (5.ª ed. 1962); trad. ing. The Mass of the Roman Rite, 1951–1955
- Fortescue, “Gospel in the Liturgy”, Catholic Encyclopedia, vol. 6 (1909)