Comunhão dos fiéis
Communio fidelium
Os fiéis recebem o Corpo do Senhor, de joelhos e na língua, com a patena de comunhão sob o queixo. O sacerdote apresenta a Hóstia com as palavras de São João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus”.
O texto
Se há fiéis para comungar, o sacerdote, depois de beber o Sangue e antes de se purificar, genuflecte e põe as partículas consagradas no cibório (ou sobre a patena). Um ministro, ajoelhado diante dos comungantes, estende a toalha de comunhão. Omitidos o Confiteor e a absolvição (Código de Rubricas de 1960, n. 503), o sacerdote toma o cibório (ou a patena) com a esquerda e, com a direita, uma partícula, que mantém ligeiramente erguida sobre ele; voltado para os comungantes, no meio do altar, diz:
Ecce Agnus Dei, ecce, qui tollit peccáta mundi.
Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo.
Em seguida, diz três vezes (os fiéis podem dizê-lo com ele, em voz baixa):
Dómine, non sum dignus, ut intres sub tectum meum, sed tantum dic verbo, et sanábitur ánima mea.
Senhor, não sou digno de que entreis sob o meu teto, mas dizei uma só palavra, e a minha alma será curada.
(Repete a fórmula mais duas vezes.) Passa ao lado da Epístola, à direita dos comungantes, e dá a cada um a partícula, fazendo com ela uma cruz sobre o cibório e dizendo:
Corpus Dómini nostri Jesu Christi custódiat ánimam tuam in vitam ætérnam. Amen.
O Corpo de nosso Senhor Jesus Cristo guarde a tua alma para a vida eterna. Amém.
Terminada a distribuição, o sacerdote volta ao altar sem dizer nada e não dá a bênção, que será dada no fim da Missa.
Uso anterior a 1960 (omitido no Missal de 1962; incluído aqui como referência histórica). Antes do “Ecce Agnus Dei”, o ministro, ajoelhado diante dos comungantes, diz o Confiteor em nome deles:
Confíteor Deo omnipoténti, beátæ Maríæ semper Vírgini, beáto Michaéli Archángelo, beáto Joánni Baptístæ, sanctis Apóstolis Petro et Paulo, ómnibus Sanctis, et tibi, pater: quia peccávi nimis cogitatióne, verbo et ópere: mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa. Ideo precor beátam Maríam semper Vírginem, beátum Michaélem Archángelum, beátum Joánnem Baptístam, sanctos Apóstolos Petrum et Paulum, omnes Sanctos, et te, pater, oráre pro me ad Dóminum, Deum nostrum.
Confesso a Deus todo-poderoso, à bem-aventurada Maria sempre Virgem, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado João Batista, aos santos Apóstolos Pedro e Paulo, a todos os santos e a vós, padre, que pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras: por minha culpa, por minha culpa, por minha máxima culpa. Por isso peço à bem-aventurada Maria sempre Virgem, ao bem-aventurado Miguel Arcanjo, ao bem-aventurado João Batista, aos santos Apóstolos Pedro e Paulo, a todos os santos e a vós, padre, que rogueis por mim ao Senhor nosso Deus.
O sacerdote genuflecte de novo e, de mãos juntas, voltado para o povo, no lado do Evangelho, diz:
Misereátur vestri omnípotens Deus, et, dimíssis peccátis vestris, perdúcat vos ad vitam ætérnam.
Tenha misericórdia de vós Deus todo-poderoso e, perdoados os vossos pecados, vos conduza à vida eterna.
℟.Amen.
Amém.
Indulgéntiam, ✠ absolutiónem et remissiónem peccatórum vestrórum tríbuat vobis omnípotens et miséricors Dóminus.
O Senhor todo-poderoso e misericordioso vos conceda o perdão, ✠ a absolvição e a remissão dos vossos pecados.
℟.Amen.
Amém.
Faz o sinal da cruz sobre os comungantes com a mão direita e prossegue com o “Ecce Agnus Dei”, como acima.
Explicação
O que é
É o momento em que os fiéis, preparados pela confissão sacramental (se necessário), pelo jejum eucarístico e pela oração, se unem a Cristo pela Comunhão. A distribuição é feita pelo celebrante, que pode ser ajudado por outros sacerdotes quando os comungantes são muitos (Código de Rubricas de 1960, n. 502), na mesa de comunhão, com cada fiel de joelhos. O celebrante, tendo bebido o Sangue do Senhor, coloca as partículas no cibório (ou sobre a patena), genuflecte e, voltado para os fiéis, apresenta-lhes a Hóstia com as palavras: “Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccáta mundi” — “Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo”. Diz então três vezes “Dómine, non sum dignus”, e os fiéis o dizem com ele, em silêncio ou em voz baixa: é o ato de humildade do centurião.
O Confiteor antes da Comunhão
Antes de 1960, quando havia fiéis para comungar, o ministro recitava em nome deles o Confiteor (com a variante “et tibi, pater”) e o sacerdote respondia com o Misereátur e o Indulgéntiam, nas fórmulas no plural “vestri”, “vestrórum”. Era uma absolvição deprecativa, não sacramental: pedia a Deus o perdão dos pecados veniais e dispunha a alma, sem substituir a confissão sacramental, necessária em caso de pecado mortal. Esse rito já não consta do Missal de 1962, como explica a nota abaixo; o texto está no fim desta página, como curiosidade histórica e para quem encontrar o uso antigo.
De onde vem
No tempo dos Padres, os fiéis comungavam geralmente em pé, recebendo a Hóstia na palma da mão, ouvindo “O Corpo de Cristo” e respondendo “Amém”; Santo Ambrósio (De sacramentis, IV, 25) já testemunha este diálogo, e São Cirilo de Jerusalém (Catequeses mistagógicas, V, 21) descreve o modo de receber. A Comunhão na língua generalizou-se na Alta Idade Média, o costume de comungar de joelhos difundiu-se na Baixa Idade Média, e a mesa de comunhão tornou-se comum com a Reforma Católica dos séculos XVI–XVII. A fórmula atual, mais longa que o antigo “Corpus Christi — Amen”, é medieval. A patena de comunhão, que um ministro segura sob o queixo do comungante, é uma salvaguarda para os fragmentos.
O que significa
“Ecce Agnus Dei” é o testemunho do Batista (Jo 1, 29) posto na boca do sacerdote no momento de mostrar o Senhor. O Missal reformado de Paulo VI acrescentou a ele a bem-aventurança do Apocalipse, “felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro” (Ap 19, 9), que não consta da fórmula de 1962, embora a ideia do banquete esteja presente. A tríplice resposta do centurião, dita pelo sacerdote e repetida em silêncio pelo fiel, põe a soberania de Cristo diante da miséria do homem. E a fórmula de distribuição, “custódiat ánimam tuam in vitam ætérnam”, diz o que a Comunhão é: guarda da alma até a vida eterna. Por isso o comungante responde, ao menos interiormente, “Amém” — embora, no Missal de 1962, o “Amém” já esteja no fim da fórmula do sacerdote.
Convém lembrar, por fim, a doutrina que está por trás do gesto: Cristo está inteiro, vivo e glorioso, sob cada espécie e em cada partícula (Concílio de Trento, sessão XIII, 1551). Por isso, no rito romano, os leigos comungam sob a espécie do pão, como Trento confirmou na sessão XXI (1562), sem que a sua Comunhão seja menos completa.
Rubricas
Para a formação: o sacerdote genuflecte, toma o cibório (ou a patena) com a mão esquerda e, com a direita, uma partícula, que mantém ligeiramente erguida sobre o cibório; voltado para os comungantes, no meio do altar, diz uma vez “Ecce Agnus Dei” e, em seguida, três vezes, “Dómine, non sum dignus”. Passa então ao lado da Epístola, que fica à direita dos comungantes, e dá a cada um a partícula, traçando com ela uma cruz sobre o cibório e dizendo “Corpus Dómini nostri Jesu Christi custódiat ánimam tuam in vitam ætérnam. Amen”. Um ministro segura a patena de comunhão sob o queixo de cada um. O sacerdote não dá a bênção aos comungantes: ela será dada no fim da Missa. Depois, ele volta ao altar sem dizer nada.
Na Missa solene
Na Missa solene com Comunhão dos fiéis, o diácono e o subdiácono comungam primeiro, e depois os demais; enquanto isso, o coro canta a antífona da Comunhão (Ritus servandus, tit. X). Se a distribuição continuar depois dela, a Instrução de 1958 (n. 27) permite outro canto latino adequado. Para a antífona, veja Antífona da Comunhão.
Fontes
- Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
- Missale Romanum 1962, Ritus servandus in celebratione Missae, tit. X–XII (Pai-Nosso, Comunhão, fim da Missa)
- João XXIII, motu proprio Rubricarum instructum, 25 de julho de 1960, com o Código de Rubricas (AAS 52, 1960, pp. 593–740; nn. 502–511 e 517–522 para a Comunhão e o fim da Missa)
- Sagrada Congregação dos Ritos, Instrução De musica sacra et sacra liturgia, 3 de setembro de 1958 (AAS 50, 1958, pp. 630–663), nn. 25, 27, 31 e 32
- Santo Ambrósio, De sacramentis, IV, 25 (fórmula “Corpus Christi — Amen”)
- São Cirilo de Jerusalém, Catequeses mistagógicas, V, 21 (modo de receber a Comunhão)
- Concílio de Trento, sessões XIII (1551) e XXI (1562): presença de Cristo inteiro sob cada espécie e Comunhão sob uma espécie
- Pio XII, constituição apostólica Christus Dominus, 6 de janeiro de 1953 (AAS 45, pp. 15–24), e motu proprio Sacram Communionem, 19 de março de 1957 (AAS 49, pp. 177–178), sobre o jejum eucarístico
- Comissão Ecclesia Dei, instrução Universae Ecclesiae, 30 de abril de 2011, n. 27