Quam oblationem
Quam oblatiónem
Última oração antes das palavras da consagração: o sacerdote pede que Deus torne a oferta perfeita para que se torne o Corpo e o Sangue de Cristo.
O texto
Com as mãos juntas, diz:
Quam oblatiónem tu, Deus, in ómnibus, quǽsumus,
Esta oblação, ó Deus, dignai-vos, em tudo, vo-lo pedimos,
Faz três sinais da cruz sobre a oferenda:
bene✠díctam, adscríp✠tam, ra✠tam, rationábilem, acceptabilémque fácere dignéris:
torná-la abençoada ✠, inscrita ✠, ratificada ✠, racional e aceitável:
Faz um sinal da cruz sobre a Hóstia:
ut nobis Cor✠pus,
para que se faça para nós Corpo ✠
e um sobre o Cálice:
et San✠guis fiat dilectíssimi Fílii tui,
e Sangue ✠ do vosso dileto Filho,
Junta as mãos:
Dómini nostri Jesu Christi.
nosso Senhor Jesus Cristo.
Explicação
O que é
A Quam oblatiónem é a ponte entre o que o sacerdote já ofereceu e o que vai acontecer. Pede a Deus que torne a oferta benedíctam, adscríptam, ratam, rationábilem, acceptabilémque, e que ela se torne, para nós, o Corpo e o Sangue do seu amado Filho. É o último pedido antes das palavras de Cristo: depois dele, o sacerdote deixa de falar em seu próprio nome e passa a narrar o que o Senhor fez.
De onde vem
O De Sacramentis (c. 380–390), que cita esta oração, traz uma forma mais curta e sem relativo: Fac nobis hanc oblatiónem adscríptam, rationábilem, acceptabilémque, quod est figúra córporis et sánguinis Dómini nostri Jesu Christi (“Fazei que esta oblação seja inscrita, racional, aceitável, a qual é figura do corpo e do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo”). Repare em duas diferenças com o texto atual: faltam benedíctam e ratam, que entraram depois, e onde se lê figúra hoje se lê que “se torne” o Corpo e o Sangue. A palavra figura, na linguagem de Ambrósio, não indica menos do que presença real: ele diz no mesmo tratado que, depois da consagração, o pão é o corpo de Cristo.
Os cinco adjetivos
- Benedíctabenedíctam
- “Abençoada”: separada para Deus e cumulada do seu favor.
- Adscríptaadscríptam
- “Inscrita”, “registrada”, “incluída”: a oferta é como que inscrita no número das que Deus aceita.
- Rataratam
- “Ratificada”, “válida”: aprovada de maneira que valha.
- Rationabilisrationábilem
- “Racional”, “espiritual”, conforme ao Logos. Ecoa Romanos 12,1: “culto racional”. Na leitura patrística, em contraste com os animais irracionais do Antigo Testamento, a oferta é “racional” porque é espiritual e, em plenitude, a do próprio Verbo (Logos).
- Acceptabilisacceptabilémque
- “Agradável”, digna de ser acolhida.
A questão da epiclese
Nas liturgias orientais há, depois das palavras da instituição, uma invocação explícita do Espírito Santo sobre os dons, a Epiclese. O Cânon Romano não tem uma invocação igual, e os estudiosos buscam o seu equivalente: alguns o veem na Quam oblationem, outros em Súpplices te rogámus (ver Súpplices). Segundo a Enciclopédia Católica, um texto do Papa Gelasio I (492–496) fala do Espírito celeste invocado para consagrar o mistério, o que seria indício de que também em Roma houve uma invocação semelhante (a leitura exata do texto latino é discutida). Na doutrina latina, a consagração se realiza pelas palavras de Cristo ditas pelo sacerdote in persona Christi, como ensina o Concílio de Florença no Decreto para os Armênios (1439); a questão da epiclese é, por isso, tema de estudo comparado e não problema de validade.
Rubricas
O sacerdote, de mãos juntas e com a esquerda pousada sobre o corporal, faz três sinais da cruz sobre a oferenda (bene✠díctam, adscríp✠tam, ra✠tam), um sobre a Hóstia (Cor✠pus) e um sobre o Cálice (San✠guis): cinco ao todo. Ao dizer Dómini nostri Jesu Christi, eleva e junta as mãos e inclina a cabeça para a cruz; depois limpa, se for preciso, o polegar e o indicador no corporal (Ritus servandus VIII). Estes cinco sinais são bênçãos sobre o pão e o vinho, ainda não consagrados; os que se repetem depois da consagração, no Unde et mémores, são entendidos de outro modo (veja Unde et memores).
Fontes
- Divinum Officium, Ordo Missae (Missale Romanum 1962, rubricas de 1960)
- Ritus servandus in celebratione Missae (Missale Romanum 1962), tít. VIII–IX; tradução inglesa não oficial
- Catholic Encyclopedia (1908), “Canon of the Mass”
- Santo Ambrósio (atribuído), De Sacramentis IV, 4–6 (c. 380–390)
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948; ed. inglesa The Mass of the Roman Rite, 1951–1955), vol. II