Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Quam oblationem

Quam oblatiónem

Última oração antes das palavras da consagração: o sacerdote pede que Deus torne a oferta perfeita para que se torne o Corpo e o Sangue de Cristo.

Parte de
Cânon Romano · Cânon Romano
Origem
séc. IV · Patrístico romanoAtestada, em forma mais curta, no De Sacramentis (c. 380–390); a forma atual é anterior a Gregório Magno
Quem
O sacerdote, de mãos juntas, fazendo cinco sinais da cruz sobre as oferendas · Em silêncio (secreto)
Texto
Ordinário: o mesmo em toda Missa
Os fiéis
Missa rezada: De joelhos, em silêncio; a consagração é iminente.Missa cantada e solene: De joelhos. Os ministros se preparam para os gestos que virão.

O texto

Com as mãos juntas, diz:

S.

Quam oblatiónem tu, Deus, in ómnibus, quǽsumus,

Esta oblação, ó Deus, dignai-vos, em tudo, vo-lo pedimos,

Faz três sinais da cruz sobre a oferenda:

S.

bene✠díctam, adscríp✠tam, ra✠tam, rationábilem, acceptabilémque fácere dignéris:

torná-la abençoada ✠, inscrita ✠, ratificada ✠, racional e aceitável:

Faz um sinal da cruz sobre a Hóstia:

S.

ut nobis Cor✠pus,

para que se faça para nós Corpo ✠

e um sobre o Cálice:

S.

et San✠guis fiat dilectíssimi Fílii tui,

e Sangue ✠ do vosso dileto Filho,

Junta as mãos:

S.

Dómini nostri Jesu Christi.

nosso Senhor Jesus Cristo.

Explicação

O que é

A Quam oblatiónem é a ponte entre o que o sacerdote já ofereceu e o que vai acontecer. Pede a Deus que torne a oferta benedíctam, adscríptam, ratam, rationábilem, acceptabilémque, e que ela se torne, para nós, o Corpo e o Sangue do seu amado Filho. É o último pedido antes das palavras de Cristo: depois dele, o sacerdote deixa de falar em seu próprio nome e passa a narrar o que o Senhor fez.

De onde vem

O De Sacramentis (c. 380–390), que cita esta oração, traz uma forma mais curta e sem relativo: Fac nobis hanc oblatiónem adscríptam, rationábilem, acceptabilémque, quod est figúra córporis et sánguinis Dómini nostri Jesu Christi (“Fazei que esta oblação seja inscrita, racional, aceitável, a qual é figura do corpo e do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo”). Repare em duas diferenças com o texto atual: faltam benedíctam e ratam, que entraram depois, e onde se lê figúra hoje se lê que “se torne” o Corpo e o Sangue. A palavra figura, na linguagem de Ambrósio, não indica menos do que presença real: ele diz no mesmo tratado que, depois da consagração, o pão é o corpo de Cristo.

Os cinco adjetivos

Benedíctabenedíctam
“Abençoada”: separada para Deus e cumulada do seu favor.
Adscríptaadscríptam
“Inscrita”, “registrada”, “incluída”: a oferta é como que inscrita no número das que Deus aceita.
Rataratam
“Ratificada”, “válida”: aprovada de maneira que valha.
Rationabilisrationábilem
“Racional”, “espiritual”, conforme ao Logos. Ecoa Romanos 12,1: “culto racional”. Na leitura patrística, em contraste com os animais irracionais do Antigo Testamento, a oferta é “racional” porque é espiritual e, em plenitude, a do próprio Verbo (Logos).
Acceptabilisacceptabilémque
“Agradável”, digna de ser acolhida.

A questão da epiclese

Nas liturgias orientais há, depois das palavras da instituição, uma invocação explícita do Espírito Santo sobre os dons, a Epiclese. O Cânon Romano não tem uma invocação igual, e os estudiosos buscam o seu equivalente: alguns o veem na Quam oblationem, outros em Súpplices te rogámus (ver Súpplices). Segundo a Enciclopédia Católica, um texto do Papa Gelasio I (492–496) fala do Espírito celeste invocado para consagrar o mistério, o que seria indício de que também em Roma houve uma invocação semelhante (a leitura exata do texto latino é discutida). Na doutrina latina, a consagração se realiza pelas palavras de Cristo ditas pelo sacerdote in persona Christi, como ensina o Concílio de Florença no Decreto para os Armênios (1439); a questão da epiclese é, por isso, tema de estudo comparado e não problema de validade.

Rubricas

O sacerdote, de mãos juntas e com a esquerda pousada sobre o corporal, faz três sinais da cruz sobre a oferenda (bene✠díctam, adscríp✠tam, ra✠tam), um sobre a Hóstia (Cor✠pus) e um sobre o Cálice (San✠guis): cinco ao todo. Ao dizer Dómini nostri Jesu Christi, eleva e junta as mãos e inclina a cabeça para a cruz; depois limpa, se for preciso, o polegar e o indicador no corporal (Ritus servandus VIII). Estes cinco sinais são bênçãos sobre o pão e o vinho, ainda não consagrados; os que se repetem depois da consagração, no Unde et mémores, são entendidos de outro modo (veja Unde et memores).

Fontes

  1. Divinum Officium, Ordo Missae (Missale Romanum 1962, rubricas de 1960)
  2. Ritus servandus in celebratione Missae (Missale Romanum 1962), tít. VIII–IX; tradução inglesa não oficial
  3. Catholic Encyclopedia (1908), “Canon of the Mass”
  4. Santo Ambrósio (atribuído), De Sacramentis IV, 4–6 (c. 380–390)
  5. J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948; ed. inglesa The Mass of the Roman Rite, 1951–1955), vol. II