Sermão
Sermo / Homilia
Depois do Evangelho (e antes do Credo) o sacerdote explica ao povo a Palavra de Deus ou a doutrina cristã. Não tem texto fixo no Missal, mas acompanha a leitura do Evangelho desde a Antiguidade.
O que é e de onde vem
O que é
O sermão (ou homilia) é a explicação da Palavra de Deus feita pelo sacerdote. Em geral é pregado do púlpito, no domingo, depois do Evangelho e antes do Credo. O pregador faz o sinal da cruz e, antes de pregar, é costume ler em língua vernácula o Evangelho do dia (e, nas Missas rezadas, também a Epístola), para que o povo entenda: a Instrução de 1958 considera desejável essa leitura, feita por um leitor, nas Missas rezadas de domingos e festas (n. 14 c), e nas Missas cantadas só a admite por indulto (n. 16 c). O sermão não tem texto fixo no Missal, e o pregador escolhe o assunto dentro do que a Igreja lhe pede: o Código de Rubricas de 1960 prevê, conforme a oportunidade e sobretudo nos domingos e dias santos de preceito, uma breve homilia ao povo depois do Evangelho (n. 474).
De onde vem
São Justino (c. 155) escreve que, terminada a leitura, “o que preside exorta e convida a imitar essas coisas boas” (Primeira Apologia, 67). Os Padres da Igreja (Agostinho, Crisóstomo, Leão Magno) pregavam durante a Missa. O Concílio de Trento (sessão XXII, cap. 8) manda aos pastores que, durante a Missa, expliquem com frequência algo do que nela se lê e algum mistério do santo sacrifício, sobretudo nos domingos e festas. A colocação do sermão depois do Evangelho e antes do Credo é a que o Ritus servandus prevê (VI, 6) e vem do uso medieval.
O que significa
O sermão aplica ao povo a Palavra de Deus que acaba de ser proclamada. A liturgia ensina o que celebra, e a pregação ajuda os fiéis a entender e viver o mistério do dia. Um bom sermão tradicional parte do Evangelho ou da Epístola e tira daí uma lição de doutrina e de vida. Para o recém-chegado, é um dos poucos momentos da Missa em português (ou na língua do lugar), o que facilita a aproximação.
Costumes e paramentos
Se o próprio celebrante prega, o Missal não diz o que fazer com os paramentos, e os usos descritos pelos rubricistas variam. Fortescue, que os recolhe, diz que, se o celebrante prega do altar, basta tirar o manípulo e entregá-lo ao cerimoniário; se prega do púlpito, vai ao sedília, tira a casula e o manípulo, e os retoma ao voltar. Há ainda usos locais diversos, e vale o costume do lugar. O manípulo, sinal de trabalho e de lágrimas segundo a oração de vestir, é a peça que mais se costuma tirar. Se outro sacerdote prega, o Código de Rubricas (n. 474) manda suspender a celebração da Missa durante a homilia, para não impedir a participação dos fiéis: o celebrante e os ministros se sentam, com o barrete, no sedília, e a Missa só continua depois do sermão, com o Credo ou, se não se diz Credo, com o Dóminus vobíscum do Ofertório.
Fontes
- São Justino Mártir, Primeira Apologia, 67 (c. 155)
- Concílio de Trento, sessão XXII (1562), Doctrina de sacrificio Missæ, cap. 8
- Código de Rubricas (1960), n. 474
- Instrução De musica sacra et sacra liturgia (1958), nn. 14 c e 16 c
- Adrian Fortescue, The Ceremonies of the Roman Rite Described (1917; ed. de 1920): o celebrante que prega
- Missale Romanum (1962), Ritus servandus, VI, 6
- Josef A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948): a homilia