Pós-comunhão
Postcommunio
Última oração própria da Missa. O sacerdote pede que o dom recebido na Comunhão produza fruto na vida do fiel. É dita voltado ao altar, depois da saudação “Dóminus vobíscum”.
O que é e de onde vem
O que é
A Pós-comunhão é a oração própria que fecha a ação eucarística. Como a Coleta e a Secreta, é uma oração que varia a cada dia, de estrutura breve, que o sacerdote reza em voz clara, de mãos estendidas. Seu tema é, em geral, a ação de graças e o fruto da Comunhão: que o que foi recebido “na boca” sirva para a vida e para a eternidade. Pode haver mais de uma Pós-comunhão, quando há comemorações, e elas seguem o número, a ordem e as conclusões das Coletas (Código de Rubricas de 1960, n. 505).
De onde vem
A existência de uma oração depois da Comunhão (post communionem) é atestada nos sacramentários romanos mais antigos, como o chamado Veronense ou Leoniano (séc. VI, com material dos séculos V–VI) e o Gelasiano antigo. O texto de cada dia é, em boa parte, herança desse patrimônio. Como as demais orações do Próprio, possui um estilo característico do latim romano: conciso, de ritmo cadenciado (o cursus), e rico em temas bíblicos. Os estudiosos distinguem camadas de composição, e é prudente dizer que muitas pós-comunhões vêm do primeiro milênio, sem que se possa datar cada uma.
O que significa
A Pós-comunhão faz de nós “comunicantes que agradecem”. Ela retoma o tema da Coleta e do Ofertório e o leva ao fim: o dom sacramental recebido deve transformar o fiel. Cada dia dá à oração a sua cor: a do Domingo da Páscoa, citada abaixo, pede a concórdia dos que foram saciados pelos sacramentos pascais. Por isso vale a pena ler o texto no Missal bilíngue: ele dá, em poucas linhas, a mensagem do dia.
Rubricas
Para a formação: terminada a antífona da Comunhão, o sacerdote vai ao meio do altar, beija-o e, voltando-se para o povo, diz “Dóminus vobíscum”; o ministro responde “Et cum spíritu tuo”. Volta então ao missal, no lado da Epístola, e reza “Orémus” e a oração, de mãos estendidas, inclinando a cabeça ao nome de Jesus. Quando há comemorações, as pós-comunhões seguem a ordem das coletas, e a conclusão é feita como nas outras orações do dia.
Exemplo: Pós-comunhão do Domingo da Páscoa
℣.Dóminus vobíscum.
O Senhor esteja convosco.
℟.Et cum spíritu tuo.
E com o teu espírito.
Orémus.
Oremos.
Spíritum nobis, Dómine, tuæ caritátis infúnde: ut, quos sacraméntis paschálibus satiásti, tua fácias pietáte concordes.
Infundi em nós, Senhor, o Espírito do vosso amor, para que aqueles que saciastes com os sacramentos pascais, torneis concordes pela vossa bondade.
Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte ejúsdem Spíritus Sancti Deus, per ómnia sǽcula sæculórum.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do mesmo Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.
Amen.
Amém.
Na Missa solene
Na Missa solene, o celebrante canta o “Dóminus vobíscum” e a oração no tom da Coleta, e o diácono e o subdiácono permanecem atrás dele. Em seguida, vem o Ite, Missa est. Para entender o conjunto, veja O rito, parte a parte.
Fontes
- Divinum Officium — Ordo Missae do Missale Romanum, texto latino (as rubricas aqui seguem o Ritus servandus de 1962 e o Código de Rubricas de 1960)
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia: eine genetische Erklärung der römischen Messe, 1948 (5.ª ed. 1962); trad. ing. The Mass of the Roman Rite, 1951–1955
- Sacramentário Veronense (Leoniano), ed. L. C. Mohlberg, 1956