Em espírito de humildade e invocação do Espírito
In spíritu humilitátis · Veni, sanctificátor
O sacerdote pede que ele e os fiéis sejam acolhidos por Deus com a humildade de quem oferece, e invoca a bênção divina sobre as oferendas.
O texto
O sacerdote, um pouco inclinado, de mãos juntas sobre o altar, diz:
In spíritu humilitátis et in ánimo contríto suscipiámur a te, Dómine: et sic fiat sacrifícium nostrum in conspéctu tuo hódie, ut pláceat tibi, Dómine Deus.
Em espírito de humildade e com ânimo contrito, sejamos acolhidos por vós, Senhor; e seja de tal modo o nosso sacrifício, hoje, em vossa presença, que vos agrade, Senhor Deus.
Endireita-se, estende as mãos, ergue os olhos ao céu e logo os abaixa; junta as mãos e diz:
Veni, sanctificátor omnípotens ætérne Deus:
Vinde, santificador onipotente e eterno Deus,
Abençoa as oblatas com o sinal da cruz e prossegue:
et béne + dic hoc sacrifícium, tuo sancto nómini præparátum.
e abençoai este sacrifício, preparado para o vosso santo nome.
Explicação
O que é
Com o cálice coberto, o sacerdote inclina-se um pouco, de mãos juntas sobre o altar, e diz In spíritu humilitátis. Depois se endireita, ergue os olhos e baixa-os, estende as mãos, junta-as e diz Veni, sanctificátor omnípotens ætérne Deus; ao dizer “abençoai”, traça um sinal da cruz sobre a hóstia e o cálice. São duas orações breves, ligadas por um mesmo movimento: primeiro a humildade de quem oferece, depois o pedido de que Deus santifique a oferta.
De onde vem
A primeira oração é uma adaptação da súplica de Azarias na fornalha, em Daniel 3, 39–40 (Vulgata): “mas com ânimo contrito e espírito de humildade sejamos acolhidos”. Aplicada ao altar, a frase diz que o que Deus recebe é, antes de tudo, o coração de quem oferece. A segunda é uma invocação de Deus “santificador”, que aparece em livros litúrgicos francos medievais. Ambas fazem parte do grupo de orações de ofertório de origem franco-germânica uniformizado no Missal de São Pio V (1570); a data de cada uma é discutida, e o séc. XI é um ponto de referência razoável.
O que significa
Na primeira, o sacerdote fala por si e pelo povo: “sejamos acolhidos por vós”, e não apenas “seja acolhida a oferta”. É a lembrança de que o sacrifício litúrgico é a oferta de Cristo com a Igreja, e que a Igreja se oferece nele. A segunda chama Deus de “santificador”, título que a tradição costuma atribuir ao Espírito Santo, embora a oração se dirija a Deus de modo geral (“onipotente e eterno Deus”). Por isso alguns comentaristas a leem como invocação ao Espírito, outros como invocação trinitária, outros como simples bênção; o texto não decide.
Rubricas
In spíritu humilitátis: o sacerdote, de mãos juntas e apoiadas na borda do altar, inclina-se ligeiramente. Veni, sanctificátor: endireita-se, ergue os olhos ao céu, estende as mãos, mantém-nas elevadas e logo as junta diante do peito (o que se faz sempre que algo vai ser abençoado), baixando os olhos; e, com a mão direita, traça o sinal da cruz sobre a hóstia e o cálice ao dizer “béne + dic”, com a mão esquerda apoiada sobre o altar (Ritus servandus VII, 5). Na Missa rezada, o sacerdote vai em seguida ao lado da Epístola para o Lavabo. Na Missa solene, é aqui que se intercala o rito da incensação.
Fontes
- Missale Romanum, ed. typica 1962: Ordo Missae e Ritus servandus VII
- Divinum Officium: Ordo Missae, Offertorium (texto latino)
- Livro de Daniel 3, 39–40 (Vulgata)
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia, vol. II, parte sobre o Ofertório