Lavabo
Lavábo
O sacerdote lava as pontas dos dedos e reza o Salmo 25, pedindo pureza antes de tocar as oferendas.
O texto
O sacerdote vai ao lado da Epístola; o acólito verte a água sobre os seus dedos. Em voz baixa (Salmo 25, 6–12):
Lavábo inter innocéntes manus meas: et circúmdabo altáre tuum, Dómine: Ut áudiam vocem laudis, et enárrem univérsa mirabília tua.
Lavarei entre os inocentes as minhas mãos, e andarei em volta do vosso altar, Senhor, para ouvir a voz do louvor e narrar todas as vossas maravilhas.
Dómine, diléxi decórem domus tuæ et locum habitatiónis glóriæ tuæ.
Senhor, amei a beleza da vossa casa e o lugar da habitação da vossa glória.
Ne perdas cum ímpiis, Deus, ánimam meam, et cum viris sánguinum vitam meam:
Não percais, ó Deus, a minha alma com os ímpios, nem a minha vida com os homens de sangue:
In quorum mánibus iniquitátes sunt: déxtera eórum repléta est munéribus.
em cujas mãos há iniquidades, e cuja direita está cheia de dádivas corruptoras.
Ego autem in innocéntia mea ingréssus sum: rédime me et miserére mei.
Eu, porém, caminhei na minha inocência: resgatai-me e tende piedade de mim.
Pes meus stetit in dirécto: in ecclésiis benedícam te, Dómine.
O meu pé permaneceu no caminho reto: nas assembleias vos bendirei, Senhor.
Inclinando a cabeça à cruz (omite-se nas Missas de Defuntos e nas do período do Domingo da Paixão à Quinta-feira Santa):
Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto.
Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.
Sicut erat in princípio, et nunc, et semper: et in sǽcula sæculórum. Amen.
Como era no princípio, agora e sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém.
Explicação
O que é
Terminada a oferta, o sacerdote vai ao lado da Epístola. O acólito verte um pouco de água sobre os polegares e indicadores do sacerdote, que os enxuga numa pequena toalha (o manustérgio). Enquanto isso, diz em voz baixa as últimas estrofes do Salmo 25 (numeração da Vulgata): Lavábo inter innocéntes manus meas, “lavarei entre os inocentes as minhas mãos”. O gesto dá nome ao rito.
De onde vem
É um dos gestos mais antigos do Ofertório, e tem uma razão prática: depois de receber pães, vinho e outras dádivas, o ministro tinha as mãos sujas. As Catequeses Mistagógicas (V, 2), atribuídas a São Cirilo de Jerusalém (por volta de 350, ou a seu sucessor João, no fim do séc. IV; a autoria é debatida), descrevem o diácono dando água ao bispo e aos presbíteros que rodeiam o altar, e interpretam o gesto como sinal de pureza de coração, não de limpeza do corpo. O Salmo 25 foi associado ao gesto mais tarde, em livros medievais (a data exata é discutida). A forma atual, com sete versículos (6–12 na numeração da Vulgata), é a do Missal de 1570. Nas Bíblias modernas o salmo é numerado 26; o texto é o mesmo.
O que significa
O sacerdote declara que quer andar “entre os inocentes” e “em volta do altar”, diz amar “a beleza da casa” de Deus e pede para não ser confundido com os ímpios; confessa, por fim, ter caminhado “na minha inocência”, mas logo acrescenta: “resgatai-me e tende piedade de mim”. É uma oração de pureza e de humildade: quem vai tocar o que há de mais sagrado pede, antes, ser lavado. Lava-se apenas a ponta dos dedos, a parte que tocará a Hóstia.
Rubricas
Com as mãos juntas diante do peito, o sacerdote vai ao lado da Epístola e, de pé ali, lava as pontas dos dedos (polegar e indicador de cada mão), enquanto o acólito verte a água, dizendo ao mesmo tempo o salmo em voz baixa. Depois de enxugá-los, permanece nesse lado até o fim do salmo. Diz então o Glória Patri, inclinando a cabeça à cruz. Segundo o Ritus servandus (VII, 6), o Glória Patri é omitido nas Missas de Defuntos e nas Missas do período do Domingo da Paixão à Quinta-feira Santa, inclusive. Ao concluir, o sacerdote volta ao centro do altar para o Súscipe, sancta Trínitas. Na Missa solene, o celebrante lava as mãos depois de incensado, e os acólitos servem a galheta, a bacia e a toalha.
Fontes
- Missale Romanum, ed. typica 1962: Ordo Missae e Ritus servandus VII
- Divinum Officium: Ordo Missae, Offertorium (texto latino)
- Catequeses Mistagógicas V, 2 (atribuídas a São Cirilo de Jerusalém; a autoria é debatida)
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia, vol. II, parte sobre o Ofertório