Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Intróito

Introitus

O Intróito é o canto de entrada: um versículo da Escritura (a antífona), um versículo de salmo e o Glória ao Pai, que dão o tom do dia. Muda a cada Missa.

Parte de
Missa dos Catecúmenos · Ritos de entrada
Origem
séc. V · Patrístico romanoCanto de entrada com salmo e antífona, ligado pelo Liber Pontificalis ao papa Celestino I (422–432); descrito no Ordo Romanus I (c. 700)
Quem
O coro (ou o sacerdote, que o lê no Missal) · Voz alta (vox clara)
Texto
Próprio: muda conforme o dia
Os fiéis
Missa rezada: De pé, para o Intróito, em muitos lugares persignando-se no início; outros permanecem ajoelhados até o fim das orações iniciais.Missa cantada e solene: De pé, ouvindo o canto gregoriano da *schola*; quem acompanha com o Missal pode ler o texto em voz baixa.

O que é e de onde vem

Missal Romano de 1904 aberto no Cânon da Missa: à esquerda, a gravura da Crucificação com Nossa Senhora e São João; à direita, o título Canon Missae, o início do Te igitur com a inicial ilustrada e as rubricas impressas em vermelho.
Missal Romano datado de 1904, muito usado, aberto no Cânon da Missa, com texto em preto e rubricas em vermelho. Paróquia de Santa Catarina de Alexandria, Natércia (MG). Juliédson Artur Malaquias Reis · CC BY-SA 4.0

O que é

O Intróito é o primeiro texto próprio da Missa. Compõe-se de uma antífona, um versículo de salmo, o Glória ao Pai e a repetição da antífona. Quase sempre o texto vem dos Salmos, e a primeira palavra dá nome à Missa do dia: por exemplo, a Missa do primeiro domingo do Advento chama-se Ad te levávi, e a Missa do dia de Natal, Puer natus est. Num mesmo dia, as demais partes próprias (Gradual, Ofertório, Comunhão) costumam acompanhar o tema do Intróito, de modo que ele é como a “chave” da Missa.

Quando se canta, o Intróito é o primeiro canto da schola. O sacerdote, ao chegar ao lado da Epístola, persigna-se ao dizer as primeiras palavras e lê o texto no missal, em voz inteligível. Na Missa solene ele o faz depois da incensação. Na Missa rezada lê-o em voz clara, mesmo que ninguém o cante.

De onde vem

O Liber Pontificalis atribui ao papa Celestino I (422–432) a introdução de salmos cantados antes do sacrifício. Os estudiosos duvidam da precisão dessa notícia, porque os dados do Liber sobre épocas tão antigas foram postos por escrito bem depois, e não é certo que ela se refira ao Intróito tal como o conhecemos. O que se sabe com segurança é que, por volta do ano 700, o Ordo Romanus I descreve a entrada solene do papa, acompanhada pela schola cantorum que entoa a antífona e o salmo, repetindo versículos até o pontífice chegar ao altar. Originalmente o canto cobria o tempo da procissão; quando a procissão se encurtou, o salmo reduziu-se a um só versículo seguido do Glória ao Pai e da repetição da antífona. Por isso o séc. V é a data tradicional, e o fim do séc. VII ou o começo do VIII o mais antigo testemunho seguro.

O que significa

O Intróito “introduz” o mistério do dia. No Advento a Igreja diz com o salmista: “A ti elevei a minha alma”; no Natal, anuncia: “Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado”. Não é apenas ambiente musical: é uma palavra de Deus, escolhida pela Igreja, que apresenta o tema espiritual da celebração. Para o fiel que lê o Missal, o Intróito é a melhor porta de entrada para meditar o dia.

Um exemplo completo: Domingo I do Advento

Antífona (Sl 24,1-3):

C.

Ad te levávi ánimam meam: Deus meus, in te confído, non erubéscam: neque irrídeant me inimíci mei: étenim univérsi, qui te exspéctant, non confundéntur.

A ti elevei a minha alma, meu Deus; em ti confio, não seja eu envergonhado; nem riam de mim os meus inimigos; pois todos os que em ti esperam não serão confundidos.

Versículo (Sl 24,4):

C.

Vias tuas, Dómine, demónstra mihi: et sémitas tuas édoce me.

Mostra-me, Senhor, os teus caminhos, e ensina-me as tuas veredas.

Canta-se o Glória ao Pai (omitido no Tempo da Paixão e nas Missas de Réquiem) e repete-se a antífona.

Rubricas

  • O sacerdote, no lado da Epístola, faz o sinal da cruz e diz o Intróito em voz clara (mesmo na Missa rezada), com as mãos juntas; ao Glória ao Pai inclina a cabeça à cruz, e na repetição da antífona já não se persigna.
  • Na Missa cantada ou solene o coro canta o Intróito enquanto o celebrante, depois da incensação, o lê no missal.
  • O Glória ao Pai conclui o Intróito, e depois dele repete-se a antífona. Nas Missas de Missa de Réquiem, o Intróito começa por Réquiem ætérnam; nessas Missas e nas Missas do Tempo do Domingo da Paixão à Quinta-feira Santa (Tempo da Paixão) omite-se o Glória ao Pai (Código de Rubricas, n. 428). Na Vigília Pascal não há Intróito (n. 427).
  • No Tempo Pascal, acrescenta-se à antífona do Intróito um duplo aleluia, se ainda não o tiver; fora dele, o aleluia que apareça na antífona omite-se (n. 429).

Fontes

  1. Ordo Romanus I (c. 700), ed. Andrieu: a entrada do papa e o canto da schola
  2. Liber Pontificalis (ed. Duchesne), notícia sobre Celestino I
  3. Código de Rubricas (1960), nn. 427–429
  4. Josef A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948): o Intróito
  5. Divinum Officium: Missa do Domingo I do Advento