Supplices te rogamus
Súpplices te rogámus
O sacerdote, inclinado sobre o altar, pede que as ofertas sejam levadas por um santo Anjo ao altar do céu, e que os comungantes sejam cumulados de bênçãos.
O texto
Profundamente inclinado, com as mãos juntas e pousadas sobre o altar, diz:
Súpplices te rogámus, omnípotens Deus: jube hæc perférri per manus sancti Angeli tui in sublíme altáre tuum, in conspéctu divínæ majestátis tuæ: ut, quotquot
Suplicantes vos rogamos, Deus onipotente: mandai que estas ofertas sejam levadas pelas mãos do vosso santo Anjo ao vosso altar sublime, à vista da vossa divina majestade, para que todos quantos
Beija o altar:
ex hac altáris participatióne
desta participação do altar
Junta as mãos e faz um sinal da cruz sobre a Hóstia e um sobre o Cálice:
sacrosánctum Fílii tui Cor✠pus, et Sán✠guinem sumpsérimus,
recebermos o sacrossanto Corpo ✠ e Sangue ✠ do vosso Filho,
Faz o sinal da cruz sobre si mesmo:
omni benedictióne cælésti et grátia repleámur.
sejamos repletos de toda bênção celeste e graça.
Junta as mãos:
Per eúndem Christum, Dóminum nostrum. Amen.
Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor. Amém.
Explicação
O que é
O Súpplices te rogámus é uma das orações mais densas do Cânon. O sacerdote, profundamente inclinado e com as mãos sobre o altar, pede a Deus: jube hæc perférri per manus sancti Ángeli tui in sublíme altáre tuum — “mandai que estas ofertas sejam levadas, pelas mãos do vosso santo Anjo, ao vosso altar sublime, à vista da vossa divina majestade”. E acrescenta o fruto que se espera: que todos nós, ao receber o Corpo e o Sangue, “sejamos repletos de toda bênção celeste e graça”.
De onde vem
O De Sacramentis (c. 380–390) traz uma versão muito próxima, com per manus angelorum tuorum — “anjos”, no plural; o Cânon atual diz “Anjo”, no singular. A Enciclopédia Católica registra a opinião comum de que esta oração seria vestígio da epiclese romana, isto é, de uma invocação ao Espírito Santo sobre os dons, pois é este o lugar que a epiclese ocupa na liturgia síria; lembra também que Gelasio I (492–496) escreve sobre o Espírito do céu invocado para consagrar o mistério. Mas ela própria observa que a forma da oração dificilmente é a de uma epiclese, porque falta justamente o essencial, o pedido ao Espírito Santo de converter os dons, e sugere antes a combinação do fim de uma invocação com uma antiga oração de oferta. É uma interpretação discutida entre os liturgistas.
Quem é o Anjo?
A identidade do “santo Anjo” (sanctus Angelus tuus) é uma das perguntas clássicas da teologia do Cânon, e a Igreja nunca a definiu. Os comentadores propõem: o próprio Cristo, o “Anjo do grande conselho” (Isaías 9,6 na versão grega); o Espírito Santo; o Arcanjo São Miguel, que a liturgia invoca no Ofertório como o anjo que “está à direita do altar do incenso” (cf. Apocalipse 8,3-4); o anjo da guarda de cada celebrante; ou, simplesmente, um anjo ou o conjunto dos anjos que apresentam a Deus as nossas orações (Tobias 12,12), que é a leitura que a Enciclopédia Católica prefere, notando que a ideia de que seja o Espírito Santo não tem fundamento. Duas imagens bíblicas sustentam a oração: o altar celeste do Apocalipse, e a visão de Isaías (6,6-7), em que um serafim leva a brasa do altar para purificar os lábios do profeta. O que importa é o sentido: o sacrifício que se oferece na terra é o mesmo que se apresenta no céu, e nele a Igreja militante se une à triunfante.
O que significa
A oração fala da participatio do altar: ex hac altáris participatióne, “desta participação no altar”. A comunhão não é uma coisa à parte do sacrifício: é participar dele, comendo da vítima. E o fruto pedido é omni benedictióne cælésti et grátia: o dom do céu que se espera de cada Comunhão.
Rubricas
- O sacerdote inclina-se profundamente, com as mãos juntas e apoiadas sobre o altar.
- Em ex hac altáris participatióne beija o altar.
- Endireita-se, junta as mãos e faz um sinal da cruz sobre a Hóstia e outro sobre o Cálice em sacrosánctum Fílii tui Cor✠pus, et Sán✠guinem sumpsérimus.
- Faz o sinal da cruz sobre si mesmo em omni benedictióne cælésti et grátia repleámur, com a mão esquerda sobre o peito.
- Junta as mãos e conclui com Per eúndem Christum, Dóminum nostrum. Amen, sem inclinar a cabeça.
Fontes
- Divinum Officium, Ordo Missae (Missale Romanum 1962, rubricas de 1960)
- Ritus servandus in celebratione Missae (Missale Romanum 1962), tít. VIII–IX; tradução inglesa não oficial
- Catholic Encyclopedia (1908), “Canon of the Mass”
- Santo Ambrósio (atribuído), De Sacramentis IV, 4–6 (c. 380–390)
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948; ed. inglesa The Mass of the Roman Rite, 1951–1955), vol. II
- A. Fortescue, The Mass: a Study of the Roman Liturgy (1912), cap. sobre o Cânon