Memento dos vivos
Commemoratio pro vivis
O sacerdote se lembra diante de Deus das pessoas vivas por quem pede, em especial dos presentes, e faz uma pausa de oração silenciosa.
O texto
Junta as mãos, eleva-as até o rosto ou o peito, inclina um pouco a cabeça e diz:
Meménto, Dómine, famulórum famularúmque tuárum N. et N.
Lembrai-vos, Senhor, dos vossos servos e servas N. e N.
Permanece assim por alguns instantes, recordando as pessoas por quem deseja orar; depois, estendendo as mãos, prossegue:
et ómnium circumstántium, quorum tibi fides cógnita est et nota devótio, pro quibus tibi offérimus: vel qui tibi ófferunt hoc sacrifícium laudis, pro se suísque ómnibus: pro redemptióne animárum suárum, pro spe salútis et incolumitátis suæ: tibíque reddunt vota sua ætérno Deo, vivo et vero.
e de todos os aqui presentes, cuja fé conheceis e cuja devoção vos é patente, por quem vos oferecemos, ou que vos oferecem este sacrifício de louvor, por si e por todos os seus: pela redenção das suas almas, pela esperança da sua salvação e incolumidade; e a vós, Deus eterno, vivo e verdadeiro, rendem os seus votos.
Explicação
O que é
Depois de rezar pela Igreja, o sacerdote reza pelas pessoas. O Memento começa com Meménto, Dómine, famulórum famularúmque tuárum N. et N.: aqui o celebrante junta as mãos, eleva-as até o rosto ou o peito e, com a cabeça um pouco inclinada, recorda em silêncio as pessoas que quiser — parentes, benfeitores, doentes, aquele que pediu a intenção da Missa. (O Ritus servandus admite que ele diga os nomes em voz baixa, mas não o exige.) Depois, de mãos estendidas, prossegue pedindo por todos os circunstantes, “os aqui presentes”, “cuja fé conheceis e cuja devoção vos é patente”. Assim, quem assiste à Missa está sempre, pelo próprio texto do missal, entre os lembrados na oração do sacerdote.
De onde vem
Na Antiguidade, os nomes de bispos, ofertantes e fiéis eram escritos em tabuinhas dobráveis, os dípticos, e lidos em voz alta junto ao altar. Ser nomeado era ser reconhecido como membro da comunhão da Igreja. Quando a leitura em voz alta foi sendo abandonada, ficou o Meménto silencioso, em que o sacerdote nomeia mentalmente quem deseja.
Os estudiosos discutem se a ordem original punha as duas lembranças, a dos vivos e a dos mortos, juntas e depois da consagração, como na liturgia síria; a carta de Inocêncio I a Decêncio (416) é lida por muitos como indício disso. A ordem atual, com o Meménto dos vivos antes da consagração, já estava assentada no tempo de São Gregório Magno. A expressão pro quibus tibi offérimus falta nos sacramentários mais antigos e parece ter sido acrescentada ao lado de vel qui tibi ófferunt; as duas se referem às mesmas pessoas, aquelas por quem o sacerdote oferece e que também oferecem, ao unir-se a ele com a sua presença (Enciclopédia Católica).
O que significa
A expressão sacrifícium laudis, “sacrifício de louvor”, vem do Salmo 49 (Vulgata). As intenções que se seguem — redemptióne animárum, spe salútis, incolumitátis — lembram o caráter tríplice da Missa: louvor, expiação e súplica. E a frase final, tibíque reddunt vota sua ætérno Deo, vivo et vero, mostra que o fiel não vem pedir apenas favores, mas entregar-se ao “Deus eterno, vivo e verdadeiro”.
Rubricas
Ao dizer Meménto, Dómine, o sacerdote junta as mãos, eleva-as até o rosto ou o peito e inclina um pouco a cabeça, com o olhar voltado para o Sacramento sobre o altar; recorda assim, por alguns instantes, as pessoas por quem quer rezar. Os nomes não são lidos em voz alta (o celebrante pode, se quiser, dizê-los em voz baixa). Se são muitos, pode ter proposto as intenções antes da Missa e fazer aqui uma menção geral. Em seguida estende de novo as mãos e prossegue; a oração passa sem pausa ao Communicántes.
Fontes
- Divinum Officium, Ordo Missae (Missale Romanum 1962, rubricas de 1960)
- Ritus servandus in celebratione Missae (Missale Romanum 1962), tít. VIII–IX; tradução inglesa não oficial
- Catholic Encyclopedia (1908), “Canon of the Mass”
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948; ed. inglesa The Mass of the Roman Rite, 1951–1955), vol. II
- A. Fortescue, The Mass: a Study of the Roman Liturgy (1912), cap. sobre o Cânon