Communicantes
Communicántes
A Igreja da terra se une à Igreja do céu: nomeia a Virgem Maria, São José, os Apóstolos e uma lista de mártires dos primeiros séculos.
O texto
Com as mãos estendidas, diz; ao dizer Jesu Christi, inclina a cabeça para a cruz:
Communicántes, et memóriam venerántes, in primis gloriósæ semper Vírginis Maríæ, Genetrícis Dei et Dómini nostri Jesu Christi: sed et beáti Joseph, ejúsdem Vírginis Sponsi,
Em comunhão, e venerando a memória, primeiramente, da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo; e também do bem-aventurado José, esposo da mesma Virgem,
et beatórum Apostolórum ac Mártyrum tuórum, Petri et Pauli, Andréæ, Jacóbi, Joánnis, Thomæ, Jacóbi, Philíppi, Bartholomǽi, Matthǽi, Simónis et Thaddǽi: Lini, Cleti, Cleméntis, Xysti, Cornélii, Cypriáni, Lauréntii, Chrysógoni, Joánnis et Pauli, Cosmæ et Damiáni: et ómnium Sanctórum tuórum;
e dos vossos bem-aventurados Apóstolos e Mártires, Pedro e Paulo, André, Tiago, João, Tomé, Tiago, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Simão e Tadeu; Lino, Cleto, Clemente, Sisto, Cornélio, Cipriano, Lourenço, Crisógono, João e Paulo, Cosme e Damião; e de todos os vossos Santos;
quorum méritis precibúsque concédas, ut in ómnibus protectiónis tuæ muniámur auxílio.
por cujos méritos e preces concedei que em tudo sejamos amparados pelo auxílio da vossa proteção.
Junta as mãos:
Per eúndem Christum, Dóminum nostrum. Amen.
Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor. Amém.
Explicação
O que é
Communicántes quer dizer “em comunhão com”. A oração coloca a assembleia da terra em comunhão com os santos do céu. Nomeia primeiro a gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe de Deus; depois, desde 1962, São José, esposo da Virgem; depois doze Apóstolos, cinco papas e sete outros mártires. Termina pedindo que, pelos méritos e preces desses santos, Deus nos conceda ser amparados em tudo pelo auxílio da sua proteção.
De onde vem
A lista é romana e muito antiga: nomeia mártires que a Igreja de Roma honrava com culto próprio na Antiguidade tardia. Não consta do trecho do De Sacramentis que citamos; entra no Cânon ao longo dos séculos V e VI e já estava como a temos no tempo de São Gregório Magno. Na Idade Média houve a tendência de ampliá-la com santos locais e com cláusulas próprias (como a que Gregório III, de 731 a 741, mandou acrescentar para a festa de Todos os Santos): missais de várias regiões acrescentaram nomes. O Missal de São Pio V (1570) suprimiu esses acréscimos e restaurou a lista antiga, e é ela que se mantém.
A menção de São José é a alteração mais notável do texto do Cânon em muitos séculos. Foi acrescentada pelo Papa João XXIII: o decreto da Sagrada Congregação dos Ritos é de 13 de novembro de 1962, e a mudança vigorou a partir de 8 de dezembro desse ano. A edição típica do Missal de 1962 saiu antes do decreto; os exemplares impressos depois incluem a frase no texto, logo depois da Virgem: sed et beáti Joseph, ejúsdem Vírginis Sponsi. O texto dado abaixo já a contém.
Quem são os santos nomeados
- Os Apóstolos
- Pedro e Paulo, André, Tiago (o Maior), João, Tomé, Tiago (o Menor), Filipe, Bartolomeu, Mateus, Simão e Tadeu: doze nomes, nos quais Paulo completa o número no lugar de Judas; Matias, que foi eleito para esse lugar, é nomeado no Nobis quoque.
- Os papas
- Lino, Cleto e Clemente, os três primeiros sucessores de Pedro na lista romana; Sisto (Xystus, provavelmente Sisto II, morto em 258, embora a identificação seja discutida) e Cornélio (251–253).
- Os outros mártires
- Cipriano, bispo de Cartago (258), lembrado em Roma como grande mártir do Ocidente apesar do antigo desentendimento com o Papa Estêvão; Lourenço, diácono de Roma (258); Crisógono, mártir venerado em Roma; João e Paulo, mártires venerados em Roma; e Cosme e Damião, irmãos médicos e mártires do Oriente, venerados em Roma desde a Antiguidade tardia.
O que significa
A lista não é um catálogo exaustivo, mas um lembrete de que a Missa é celebrada em comunhão com a Igreja inteira, a peregrina e a gloriosa. Os Apóstolos e os primeiros mártires, que deram testemunho com o próprio sangue, são fiadores da continuidade: o sacrifício que eles celebraram, ou pelo qual morreram, é o que se oferece agora. Há também uma lição de confiança: a Igreja da terra não reza sozinha, e pede o amparo dos que já chegaram.
O Communicantes próprio das grandes festas
Em seis ocasiões do ano o início do Communicántes é substituído por uma fórmula própria, que menciona a festa: o Natal (e sua oitava), a Epifania, a Quinta-feira Santa, a Páscoa (do Sábado Santo ao sábado in Albis), a Ascensão e Pentecostes (da Vigília ao sábado seguinte). A Enciclopédia Católica (1908) fala em cinco festas, sem contar a Quinta-feira Santa, cuja fórmula própria também consta do Missal. Nas cinco primeiras, os textos aparecem no missal junto ao Prefácio da festa, sob o título Infra actionem, “dentro da ação”, isto é, dentro do Cânon. O exemplo abaixo é o do Natal; o resto da oração é idêntico ao ordinário.
Communicántes, et diem sacratíssimum celebrántes, quo beátæ Maríæ intemeráta virgínitas huic mundo édidit Salvatórem: sed et memóriam venerántes, in primis ejúsdem gloriósæ semper Vírginis Maríæ, Genetrícis ejúsdem Dei et Dómini nostri Jesu Christi: sed et beáti Joseph, ejúsdem Vírginis Sponsi,
Em comunhão, e celebrando o dia santíssimo em que a imaculada virgindade de Maria deu ao mundo o Salvador, e venerando também a memória, primeiramente, da mesma gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe do mesmo Deus e Senhor nosso Jesus Cristo; e também do bem-aventurado José, esposo da mesma Virgem,
…e continua como no texto ordinário: et beatórum Apostolórum ac Mártyrum tuórum…
| Festa | Quando | Palavras características |
|---|---|---|
| Natal | 25 de dezembro e durante a oitava | “…quo beátæ Maríæ intemeráta virgínitas huic mundo édidit Salvatórem…” |
| Epifania | 6 de janeiro | “…quo Unigénitus tuus, in tua tecum glória coætérnus, in veritáte carnis nostræ visibíliter corporális appáruit…” |
| Quinta-feira Santa | Missa da Ceia do Senhor | “…diem sacratíssimum celebrántes, quo Dóminus noster Jesus Christus pro nobis est tráditus…” |
| Páscoa | Do Sábado Santo ao sábado in albis | “…diem sacratíssimum celebrántes Resurrectiónis Dómini nostri Jesu Christi secúndum carnem…” |
| Ascensão | Dia da Ascensão | “…quo Dóminus noster, unigénitus Fílius tuus, unítam sibi fragilitátis nostræ substántiam in glóriæ tuæ déxtera collocávit…” |
| Pentecostes | Da Vigília ao sábado seguinte | “…diem sacratíssimum Pentecóstes celebrántes, quo Spíritus Sanctus Apóstolis innúmeris linguis appáruit…” |
Rubricas
O sacerdote mantém as mãos estendidas durante a oração e, ao dizer Jesu Christi, inclina a cabeça para a cruz. No final, em Per eúndem Christum, Dóminum nostrum, apenas junta as mãos (Ritus servandus VIII). O Amen que fecha o Communicántes encerra o primeiro bloco do Cânon, formado por Te igitur, Meménto e Communicántes: as três orações são, na prática, uma só, terminada pela fórmula conclusiva do último.
Fontes
- Divinum Officium, Ordo Missae (Missale Romanum 1962, rubricas de 1960)
- Ritus servandus in celebratione Missae (Missale Romanum 1962), tít. VIII–IX; tradução inglesa não oficial
- Catholic Encyclopedia (1908), “Canon of the Mass”
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948; ed. inglesa The Mass of the Roman Rite, 1951–1955), vol. II
- A. Fortescue, The Mass: a Study of the Roman Liturgy (1912), cap. sobre o Cânon