Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Incensação do altar

Incensatio altaris

Na Missa solene, o celebrante benze o incenso e incensa o altar. A fumaça perfumada é sinal da oração que sobe a Deus e da honra devida ao altar.

Parte de
Missa dos Catecúmenos · Ritos de entrada
Origem
séc. XI · Síntese franco-romanaIncensação do altar no início da Missa solene, atestada nos ordines medievais (séc. XI em diante)
Quem
O celebrante, assistido pelo diácono, que lhe entrega o turíbulo · Voz média (vox submissa)
Texto
Ordinário: o mesmo em toda Missa
Os fiéis
Missa rezada: Não há incensação na Missa rezada.Missa cantada e solene: Não há gesto próprio: de pé ou de joelhos, conforme o costume do lugar, até o Intróito. O povo só é incensado mais tarde, no Ofertório, se o rito o prevê.

O texto

Missa solene. O diácono, inclinando-se ligeiramente para o celebrante, diz:

D.

Benedícite, pater reverénde.

Abençoai, reverendo padre.

O celebrante, ao centro, deita três vezes o incenso no turíbulo, dizendo em voz baixa, e o benze com o sinal da cruz:

S.

Ab illo benedicáris, in cujus honóre cremáberis. Amen.

Sejas abençoado por Aquele em cuja honra serás queimado. Amém.

Recebido o turíbulo do diácono, o celebrante incensa a cruz e o altar em silêncio; depois o diácono incensa o celebrante. Em seguida o celebrante vai ao lado da Epístola e começa o Intróito.

Explicação

Durante uma missa solene, o celebrante, de paramentos dourados, inclina-se diante do altar enquanto o ministro ao lado balança o turíbulo; uma nuvem de fumaça de incenso sobe junto à parede, com acólitos de sobrepeliz ao fundo.
Incensação do celebrante com o turíbulo numa missa solene; a fumaça do incenso sobe ao lado do altar (10 de abril de 2010). James Bradley · CC BY 2.0

O que é

Na Missa solene, depois do Orámus te e do beijo no altar, o celebrante, ainda no meio do altar, põe incenso no turíbulo, com a naveta que lhe apresenta o diácono. O diácono pede a bênção: Benedícite, pater reverénde; o celebrante deita o incenso três vezes no turíbulo, dizendo Ab illo bene+dicáris, in cujus honóre cremáberis. Amen (“Sejas abençoado por Aquele em cuja honra serás queimado”), e o benze com o sinal da cruz. Em seguida incensa a cruz e o altar, sem dizer nada, e devolve o turíbulo; o diácono incensa então o próprio celebrante. Só depois o celebrante vai ao lado da Epístola e começa o Intróito. Esta incensação faz parte da Missa solene e pode fazer-se em qualquer Missa cantada (Código de Rubricas, n. 426); não existe na Missa rezada.

De onde vem

O uso do incenso é antigo na liturgia cristã: já os livros romanos primitivos mencionam turíbulos nas procissões, sobretudo diante do Evangelho. Mas a incensação do altar no começo da Missa é uma cerimônia posterior: aparece nos ordines da Idade Média (a partir do séc. XI, segundo a opinião mais comum), quando os ritos de entrada se enriqueceram. Os estudiosos divergem sobre o momento exato e sobre o modo como o costume se desenvolveu; por isso o séc. XI é uma aproximação. O que se pode afirmar é que, no mais antigo ordo romano (c. 700), o incenso é levado à frente do papa na procissão de entrada e o altar é beijado.

O que significa

A Escritura associa o incenso à oração e à adoração: “Suba a minha oração como incenso em tua presença” (Sl 140,2). A fumaça que sobe do turíbulo é imagem da oração que sobe a Deus; o aroma é símbolo da “suavidade de Cristo” (2Cor 2,15). Incensar o altar é honrar Cristo, figura que o altar representa, e as relíquias dos santos que nele repousam. A bênção sobre o incenso lembra que as criaturas, aqui um grão aromático, são santificadas para o culto.

Na Missa solene

O diácono mantém-se à direita do celebrante, o subdiácono à esquerda; o turiferário traz o turíbulo, e o diácono apresenta a naveta, onde se guarda o incenso. O celebrante serve-se da colher, deita três vezes o incenso no turíbulo e o benze. A incensação do altar tem uma ordem fixa (Ritus servandus, IV, 4–6): reverência à cruz e três incensações da cruz; depois a mesa do altar, do meio para o lado da Epístola e do meio para o lado do Evangelho, e por fim a frente do altar. Se há relíquias ou imagens de santos sobre o altar, incensam-se depois da cruz, primeiro as do lado do Evangelho. Se há sacrário no altar, o celebrante faz genuflexão antes de começar e sempre que passa diante do meio. Terminada a incensação, o diácono, no lado da Epístola, recebe o turíbulo e incensa só o celebrante. O detalhe das voltas e dos balanços do turíbulo está no próprio Ritus servandus.

Rubricas

  • A incensação inicial faz-se na Missa solene e pode fazer-se na Missa cantada; na Missa rezada, não.
  • O celebrante diz a fórmula de bênção em voz baixa, ao deitar o incenso; ao incensar, não diz nada.
  • Depois da incensação o diácono incensa apenas o celebrante (na Missa cantada sem ministros sagrados, quem o incensa é o ministrante), e o celebrante vai ao lado da Epístola para o Intróito.

Fontes

  1. Missale Romanum (1962), Ritus servandus in celebratione Missae, IV, 4–8, e Ordo Missae
  2. Código de Rubricas (1960), n. 426
  3. Josef A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948): a incensação e a procissão de entrada
  4. Adrian Fortescue, The Ceremonies of the Roman Rite Described (1917; ed. de 1920)