Incensação do altar
Incensatio altaris
Na Missa solene, o celebrante benze o incenso e incensa o altar. A fumaça perfumada é sinal da oração que sobe a Deus e da honra devida ao altar.
O texto
Missa solene. O diácono, inclinando-se ligeiramente para o celebrante, diz:
Benedícite, pater reverénde.
Abençoai, reverendo padre.
O celebrante, ao centro, deita três vezes o incenso no turíbulo, dizendo em voz baixa, e o benze com o sinal da cruz:
Ab illo benedicáris, in cujus honóre cremáberis. Amen.
Sejas abençoado por Aquele em cuja honra serás queimado. Amém.
Recebido o turíbulo do diácono, o celebrante incensa a cruz e o altar em silêncio; depois o diácono incensa o celebrante. Em seguida o celebrante vai ao lado da Epístola e começa o Intróito.
Explicação

O que é
Na Missa solene, depois do Orámus te e do beijo no altar, o celebrante, ainda no meio do altar, põe incenso no turíbulo, com a naveta que lhe apresenta o diácono. O diácono pede a bênção: Benedícite, pater reverénde; o celebrante deita o incenso três vezes no turíbulo, dizendo Ab illo bene+dicáris, in cujus honóre cremáberis. Amen (“Sejas abençoado por Aquele em cuja honra serás queimado”), e o benze com o sinal da cruz. Em seguida incensa a cruz e o altar, sem dizer nada, e devolve o turíbulo; o diácono incensa então o próprio celebrante. Só depois o celebrante vai ao lado da Epístola e começa o Intróito. Esta incensação faz parte da Missa solene e pode fazer-se em qualquer Missa cantada (Código de Rubricas, n. 426); não existe na Missa rezada.
De onde vem
O uso do incenso é antigo na liturgia cristã: já os livros romanos primitivos mencionam turíbulos nas procissões, sobretudo diante do Evangelho. Mas a incensação do altar no começo da Missa é uma cerimônia posterior: aparece nos ordines da Idade Média (a partir do séc. XI, segundo a opinião mais comum), quando os ritos de entrada se enriqueceram. Os estudiosos divergem sobre o momento exato e sobre o modo como o costume se desenvolveu; por isso o séc. XI é uma aproximação. O que se pode afirmar é que, no mais antigo ordo romano (c. 700), o incenso é levado à frente do papa na procissão de entrada e o altar é beijado.
O que significa
A Escritura associa o incenso à oração e à adoração: “Suba a minha oração como incenso em tua presença” (Sl 140,2). A fumaça que sobe do turíbulo é imagem da oração que sobe a Deus; o aroma é símbolo da “suavidade de Cristo” (2Cor 2,15). Incensar o altar é honrar Cristo, figura que o altar representa, e as relíquias dos santos que nele repousam. A bênção sobre o incenso lembra que as criaturas, aqui um grão aromático, são santificadas para o culto.
Na Missa solene
O diácono mantém-se à direita do celebrante, o subdiácono à esquerda; o turiferário traz o turíbulo, e o diácono apresenta a naveta, onde se guarda o incenso. O celebrante serve-se da colher, deita três vezes o incenso no turíbulo e o benze. A incensação do altar tem uma ordem fixa (Ritus servandus, IV, 4–6): reverência à cruz e três incensações da cruz; depois a mesa do altar, do meio para o lado da Epístola e do meio para o lado do Evangelho, e por fim a frente do altar. Se há relíquias ou imagens de santos sobre o altar, incensam-se depois da cruz, primeiro as do lado do Evangelho. Se há sacrário no altar, o celebrante faz genuflexão antes de começar e sempre que passa diante do meio. Terminada a incensação, o diácono, no lado da Epístola, recebe o turíbulo e incensa só o celebrante. O detalhe das voltas e dos balanços do turíbulo está no próprio Ritus servandus.
Rubricas
- A incensação inicial faz-se na Missa solene e pode fazer-se na Missa cantada; na Missa rezada, não.
- O celebrante diz a fórmula de bênção em voz baixa, ao deitar o incenso; ao incensar, não diz nada.
- Depois da incensação o diácono incensa apenas o celebrante (na Missa cantada sem ministros sagrados, quem o incensa é o ministrante), e o celebrante vai ao lado da Epístola para o Intróito.
Fontes
- Missale Romanum (1962), Ritus servandus in celebratione Missae, IV, 4–8, e Ordo Missae
- Código de Rubricas (1960), n. 426
- Josef A. Jungmann, Missarum Sollemnia (1948): a incensação e a procissão de entrada
- Adrian Fortescue, The Ceremonies of the Roman Rite Described (1917; ed. de 1920)