Missa Tridentinao rito romano antigo, explicado
Ordinário

Orai, irmãos

Oráte, fratres

O sacerdote volta-se para o povo e pede que rezem para que o sacrifício de todos seja aceito por Deus; o acólito responde em nome de todos.

Parte de
Ofertório · Ofertório
Origem
séc. IX · Síntese franco-romanaConvite ao povo atestado em livros francos do séc. IX; a resposta ganhou a forma atual ao longo da Idade Média e foi fixada em 1570
Quem
O sacerdote convida; o acólito (que fala pelo povo) responde; o sacerdote diz em voz baixa “Amém”. · Voz alta (vox clara)
Texto
Ordinário: o mesmo em toda Missa
Os fiéis
Missa rezada: Sem norma nas rubricas; costume local: de pé para o Oráte, fratres e a resposta, voltando depois a ajoelhar-se ou a sentar-se até o Prefácio.Missa cantada e solene: Costume local, como na Missa rezada; a resposta é dada pelo coro ou pelo acólito e, onde se pratica a Missa dialogada, também pelos fiéis.

O texto

O sacerdote beija o altar, volta-se para o povo, estende e junta as mãos e diz em voz um pouco elevada:

S.

Oráte, fratres:

Orai, irmãos,

Prossegue em voz baixa, completando o semicírculo até o altar:

S.

ut meum ac vestrum sacrifícium acceptábile fiat apud Deum Patrem omnipoténtem.

para que o meu e vosso sacrifício seja aceito junto a Deus Pai onipotente.

O ministro (ou os circunstantes) respondem; se não houver ministro, o próprio sacerdote responde (dizendo “meis” em lugar de “tuis”):

M.

Suscípiat Dóminus sacrifícium de mánibus tuis (vel meis) ad laudem et glóriam nóminis sui, ad utilitátem quoque nostram, totiúsque Ecclésiæ suæ sanctæ.

Receba o Senhor o sacrifício de tuas mãos (ou: de minhas mãos), para louvor e glória do seu nome, para nossa utilidade e de toda a sua santa Igreja.

O sacerdote diz em voz baixa:

S.

Amen.

Amém.

Explicação

Missa solene tradicional vista da nave: no altar-mor ornado, o sacerdote eleva o cálice enquanto o diácono e o subdiácono se ajoelham nos degraus; acólitos de capas azuis seguram tochas e lanternas dos dois lados, e uma imagem velada de roxo ocupa o retábulo.
Missa solene no rito tradicional no Santuário de Cristo Rei, em Chicago, celebrada pelo Instituto de Cristo Rei Sumo Sacerdote (2015). Xavier Boudreau · CC BY 2.0

O que é

É o último diálogo antes do Prefácio e o momento em que o sacerdote se dirige pela primeira vez ao povo desde o Dóminus vobíscum do início do Ofertório. Depois do Súscipe, sancta Trínitas, beija o altar, volta-se para os fiéis, estende e junta as mãos e diz, em voz um pouco elevada, Oráte, fratres e, completando o giro em voz baixa, “…para que o meu e vosso sacrifício seja aceito junto a Deus Pai onipotente”. O acólito responde, em nome do povo: Suscípiat Dóminus sacrifícium de mánibus tuis… — “receba o Senhor o sacrifício das tuas mãos, para louvor e glória do seu nome, para nossa utilidade e de toda a sua santa Igreja”. O sacerdote diz em silêncio “Amém”.

De onde vem

Não havia convite semelhante no Rito Romano antigo. O Oráte, fratres aparece em livros medievais da região franca, a partir do séc. IX, em fórmulas variadas e às vezes mais longas (“orai por mim, irmãos e irmãs”); a resposta também variava, e a forma atual se firmou durante a Idade Média. O Missal de 1570 fixou o texto que chegou a 1962. Uma explicação frequente é que o convite quis unir o povo à oferta no ponto em que o silêncio crescente do Ofertório parecia afastá-lo do sacerdote; a data exata de cada elemento é discutida.

O que significa

A frase decisiva é “meum ac vestrum sacrifícium”, o meu e vosso sacrifício. O texto reconhece, ao mesmo tempo, dois modos de oferecer: o do sacerdote, que oferece em nome de Cristo e da Igreja por força da Ordem, e o dos fiéis, que oferecem por força do Batismo, unindo-se à oferta. A doutrina católica distingue o sacerdócio ministerial e o sacerdócio comum dos fiéis: diferem entre si essencialmente, e não só em grau, mas são ordenados um ao outro (Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 10; antes dele, Pio XII, Mediator Dei, 1947, nn. 84–93, explica que os fiéis oferecem o sacrifício “em sentido diferente” do sacerdote, unindo-se à sua oferta; veja Teologia do rito). A resposta do acólito diz o mesmo em sentido inverso: o Senhor receba o sacrifício “das tuas mãos” (as do sacerdote) “para nossa utilidade e de toda a santa Igreja”.

Rubricas

O sacerdote beija o altar com as mãos apoiadas sobre ele e, de mãos juntas diante do peito, volta-se ao povo (da esquerda para a direita); estende as mãos, junta-as e diz Oráte, fratres com voz “um pouco elevada” (voce paululum elevata), isto é, o bastante para ser ouvido pelos presentes. Continua em voz baixa, ut meum ac vestrum…, enquanto completa o semicírculo e retorna ao centro do altar. O acólito responde, de joelhos. O sacerdote diz em voz baixa “Amém” e, de mãos estendidas e sem Orémus, passa à Secreta (Ritus servandus VII, 7). A Instrução De musica sacra et sacra liturgia da Sagrada Congregação dos Ritos (3 de setembro de 1958, n. 31) prevê, na Missa dialogada, que os fiéis digam em voz alta as orações que as rubricas atribuem ao acólito (como o Confiteor e o Domine, non sum dignus); a resposta ao Oráte, fratres é uma delas, e o próprio Missal a atribui “ao ministro ou aos circunstantes”.

Na Missa solene

Na Missa solene o diálogo é o mesmo; a resposta é dada pelo acólito, ou pelos circunstantes, como na Missa rezada. Se a schola ainda estiver cantando, o canto não deve ir além da Secreta (De musica sacra, n. 27 b).

Fontes

  1. Missale Romanum, ed. typica 1962: Ordo Missae e Ritus servandus VII
  2. Divinum Officium: Ordo Missae, Offertorium (texto latino)
  3. Sagrada Congregação dos Ritos, Instrução De musica sacra et sacra liturgia (3 de setembro de 1958), nn. 27 b e 31
  4. Pio XII, encíclica Mediator Dei (20 de novembro de 1947), nn. 84–93
  5. Concílio Vaticano II, constituição Lumen gentium, n. 10
  6. J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia, vol. II, parte sobre o Ofertório