Secreta
Secreta (Oratio super oblata)
É a oração que encerra o Ofertório: uma oração própria do dia, dita em silêncio sobre o pão e o vinho, cuja conclusão em voz alta introduz o Prefácio.
O que é e de onde vem
O que é
Depois do Oráte, fratres, o sacerdote, de mãos estendidas, sem dizer Orémus, reza em voz baixa a Secreta: uma oração própria do dia, que fecha todo o rito do Ofertório. Ela muda a cada Missa, como a Coleta e a Pós-comunhão, e há tantas Secretas quantas forem as Coletas do dia. Ao terminar, o sacerdote diz em voz alta a conclusão, Per ómnia sǽcula sæculórum, a que o povo responde Amen: o Prefácio começa nesse momento.
De onde vem
É a mais antiga das orações do Ofertório, e a única que o Rito Romano mais antigo conhecia. Os sacramentários mais antigos (o chamado Leonino ou Veronense, compilado por volta do início do séc. VII com material anterior, e o Gelasiano antigo, copiado na Gália por volta de 750 a partir de livros romanos) trazem, para cada Missa, uma oração “sobre as oferendas” (super oblata) que fechava a apresentação dos dons; quando a procissão do povo desapareceu, a oração ficou como seu eco, ligando o Ofertório ao Prefácio.
Quanto ao nome, há duas explicações em disputa. Uma lê secreta no sentido de “dita em silêncio”, porque a oração passou a ser recitada em voz baixa, junto com o Cânon. Outra o deriva de secernere (“separar”, “reservar”): seria a oração sobre as oferendas “separadas” para o sacrifício, e o nome só mais tarde teria sido entendido como “silenciosa”. A primeira é a mais comum nos manuais, mas a segunda tem defensores entre os especialistas; a questão está aberta. A passagem à recitação em silêncio ocorreu em época incerta, entre os séc. VIII e IX.
O que significa
A Secreta é uma oração de oferta: pede que Deus aceite as dádivas, as santifique e as faça frutificar em favor da Igreja. Muitas delas pedem pureza e fruto na vida (como a do exemplo abaixo, do Advento). Seu tema se harmoniza com o da Coleta e com o do dia. Estudar as Secretas ao longo do ano é uma forma de aprender a teologia da oferta; são, em geral, breves e densas.
Rubricas
O sacerdote, de mãos estendidas diante do peito, como na Coleta, diz a(s) Secreta(s) em voz baixa, sem Orémus. Ao dizer Per Dóminum, junta as mãos; ao dizer Jesum Christum, inclina a cabeça (na primeira Secreta e na última, se houver mais de uma). O número de Secretas é o mesmo das Coletas do dia. Cada oração termina com a conclusão em voz baixa; só a última, Per ómnia sǽcula sæculórum, é dita em voz alta (clara voce), e é a ela que o povo responde Amen. Depois o sacerdote inicia o diálogo do Prefácio (Ritus servandus VII, 7–8).
Exemplo: a Secreta do 1º Domingo do Advento
Hæc sacra nos, Dómine, poténti virtúte mundátos ad suum fáciant purióres veníre princípium.
Que estes sagrados mistérios, Senhor, tendo-nos purificado por sua poderosa virtude, nos façam chegar mais puros ao seu princípio.
Per Dóminum nostrum Jesum Christum, Fílium tuum: qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus,
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus,
Em voz alta:
per ómnia sǽcula sæculórum.
por todos os séculos dos séculos.
℟.Amen.
Amém.
Fontes
- Missale Romanum, ed. typica 1962: Ordo Missae e Proprium de Tempore (1º Domingo do Advento)
- Divinum Officium: Ordo Missae e Tempora (texto latino)
- J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia, vol. II, parte sobre a oração sobre as oferendas
- A. Fortescue, The Mass: A Study of the Roman Liturgy (1912)